Oxalá
No Brasil, Oxalá adquire
maior abrangência, especialmente na Umbanda, onde é sincretizado como Nosso
Senhor Jesus Cristo ou Zambi - entidade suprema para os bantos, a qual por sua
vez, é comparável ao Deus católico e ao Olorum iorubá.
Na Nigéria, Oxalá é um dos três avatares de Obatalá, ao lado de Oxalufã e
Oxaguiã, que, a princípio, seriam duas entidades independentes, e não apenas
"qualidades" de Oxalá como no Brasil. Aqui, Oxalá foi elevado ao
mesmo nível hierárquico de Obatalá, que na África, era seu superior. O
Obatalá dos nigerianos é uma entidade tão sublime que não costuma se
incorporar para se comunicar com os humanos.
Nos altares de Umbanda é comum vermos a figura tranqüilizadora do Cristo de
braços abertos e não numa cruz, oferecendo seu amor e caridade indistintamente
a todos. Sua cabeça aureolada emite a luz do conhecimento espiritual que
esclarece questões e apazigua conflitos, abrandando o ardor dos espíritos
inflamados. Paz na Terra às pessoas de boa vontade...
Oxalá como a autoridade Suprema na Umbanda. Ele é quem dá as ordens a todos
os orixás para virem até a Terra ajudar seus filhos. Sua imagem é qualquer
representação de Jesus Cristo, normalmente sem a Cruz.
Não há incorporação de Oxalá na Umbanda.
Cor: Branca.
Flor: Flores brancas em geral (rosas, lírios, crisântemos, etc).
Guia: Contas de cristal transparente ou miçangas branca-leitosa.
Oxalufã
Oxossi
São Sebastião, santo e mártir
católico é apresentado rendido, amarrado e com flechas cravadas em seu corpo.
A relação de S. Sebastião com Oxossi está no símbolo da flecha e do arco.
Arquetipicamente, o caçador é aquele que penetra um espaço selvagem buscando
algo que apenas será efetivamente validado quando ele voltar à sua comunidade
(aldeia, vila ou cidade).
Senhor das matas e da caça. Oxossi é chefe na linha dos caboclos. Detentor da
sabedoria nas folhas da Jurema, Oxossi é o orixá do trabalho (empregos) e da
linha da cura. Muitos caboclos trabalham nessa linha, pelos seus conhecimentos
contra as doenças terrenas. Por ser caçador, também é conhecido por suas vitórias
contra as demandas. Oxossi é raramente encontrado nos terreiros de umbanda, mas
é muito bem representado pelos caboclos/caciques/índios da casa.
Cor: verde claro, verde folha ou verde bandeira.
Guia: contas de cristal verdes ou contas de cristal verdes e brancas.
Vestes : roupas verdes e brancas ou totalmente verdes. Usam o cocar que pode ser
colorido ou totalmente verde.
Flores: samambaias, folhagens e flores em geral.
Local: Matas e florestas.

Xangô
Nasceu de uma família
abastada, provavelmente no ano 331, na cidade de Stridova, entre a Croácia e a
Hungria. Estudou em Roma, especializando-se na arte da oratória. Como sua
juventude fora dedicada à vida mundana, Jerônimo tardou seu batizado e, em
carta ao papa, ele vislumbrou para si um batismo de fogo no qual suas máculas
seriam queimadas. Após ter copiado dois livros de Santo Hilário, ele decidiu
estudar teologia. Mas sua leitura favorita continuava a ser a literatura dos
grandes legisladores e oradores, como Cícero.
Aos 43 anos, ele esteve muito doente e permaneceu muito tempo acamado, durante a
Quaresma, jejuou e teve visões, vendo-se diante do trono do Senhor.
Resolve dedicar-se a uma vida monástica, isolando-se no deserto de Marônia, na
Síria. Livros, penas e nanquim são seus companheiros.
Para combater a pensamentos impuros, pegava uma pedra e batia em seu peito,
punindo-se... logo após voltava a escrever em hebraico, onde se tornou mestre
nessa língua.
O sincretismo entre Xangô e São Jerônimo está no temperamento forte, crítico
e na medida que ambos são conhecedores de leis e mandamentos. Xangô tem como
lugar às pedreiras. Sua imagem é representada por um ancião sentado sobre as
pedras, segurando a tábua dos 10 Mandamentos e com um leão ao lado. Xangô tem
sua falange também, o mais conhecido é Xangô Kaô.
Na incorporação de Xangô podemos ver o médium curvado, como uma pessoa idosa
e com os braços cruzados sobre o peito, batendo firmemente, assim como S. Jerônimo
fazia com as pedras em seu peito para afastar os males da carne e a tentação
do espírito.
Cor: Marrom.
Guia: Contas de cristal marrom escuro, com ou sem crucifixo de madeira.
Vestes: roupas de cor marrom e branca.
Local: Pedreiras.

Ogum
As lendas de S. Jorge
remontam da época das Cruzadas; sua armadura foi levada da Capadócia para a
Inglaterra, de onde é padroeiro. Segundo as lendas, ele teria sido um destemido
guerreiro, um vencedor de batalhas, de dragões e protetor de fracos e
oprimidos. Por sua personalidade forte de guerreiro, sendo conhecido pelos seus
fiéis como "santo forte", "vencedor de demandas",
"general da Umbanda", etc.
São Jorge é extremamente popular e, através de sua sincretização com Ogum,
tornou-se o padroeiro da guerra e da tecnologia, simbolizando todo aquele que
trabalha nas linhas de frente, abrindo novos caminhos e alargando fronteiras.
É fácil entender o porque da grandeza de Ogum, já que ele foi o escolhido,
pelo Criador, para ser o comandante de todos os Imalés.
Ogum é o rei do ferro e protetor de todos os que venham a trabalhar com
instrumentos metálicos. Conhecido e festejado na África como padroeiro da
Agricultura.
Ogum é o orixá que vence demanda, que protege seus filhos e guarda sua casa.
Ogum é um orixá que vira na esquerda, pois é chefe de Exu, pois enfrentou
eles e obteve respeito dos mesmos, essa característica também pode ser
percebida uma vez que seu nome aparece também em pontos cantados de Exu. Sua
imagem é de São Jorge sobre o cavalo, mas também pode ser uma imagem de um
Ogum especificamente (dependendo do terreiro).
Na Umbanda, Ogum continua comandante (Tata) e guerreiro invencível. Se na África
seus sete nomes coincidem com os das sete cidades que formavam o reino de Irê,
na Umbanda eles se tornaram as falanges que seguem :
1- Ogum Beira-Mar - age nas
orlas marítimas
2- Ogum Iara - age nos rios
3- Ogum Rompe-Mato – age nas matas
4- Ogum Malê - age contra todo o mal
5- Ogum Megê - age sobre as almas
6- Ogum De Lei - age junto com a justiça
7- Ogum de Ronda - age nas ruas, do lado de fora das porteiras.
... e pra cada falange, atuando em uma região ou em conjunto com alguma força.
A incorporação de Ogum é fácil
de se perceber: Seus filhos tomam uma forma militar com os ombros retos, peito
estufado, andar ereto e com a mão ou dedo esticado acima da cabeça.
Cor: Vermelho e branco
Guia: contas de cristal vermelha e branca, dependendo da falange podem ter maior
predominância de uma cor do que de outra.
Suas vestes: são roupas vermelhas e brancas, com uma capa vermelha. Fica a critério
do médium o uso do capacete.
Planta: Espada de São Jorge
Flor: Palmas brancas e vermelhas
Local: Humaitá e campinas, beira de trilhos do trem.
Símbolos: espada e lança, além do escudo.
Saudação: Ogum Inhê meu pai! Patacorê Ogum!

Yemanjá
È um dos orixás mais
conhecidos do Brasil. Senhora das águas, não há filho que não faça sua
reverência ao por seus pés no mar. Iemanjá é Nossa Senhora da Imaculada
Conceição na Umbanda. Iemanjá é conhecida nos terreiros pelo seu canto longo
(outros dizem que é uma espécie de choro), suas mãos fazem movimentos para
frente e para cima como se fossem ondas do mar. Iemanjá não tem uma falange
especifica, porém em sua linha há as sereias e princesas do mar, conhecida por
Janaína. Sua imagem é representada por uma mulher de cabelos compridos e
negros, com um vestido azul comprido de mangas largas sobre as águas e com
flores a sua volta, de suas mãos saem gotas de águas que mais se parecem com
moedas (a riqueza do mar), na cabeça uma coroa que pode ter uma estrela no
centro.
Iemanjá é, por excelência, um arquétipo da maternidade - generosa, vasta e
poderosa como as águas oceânicas que cobrem a maior parte da superfície da
Terra.
No Brasil, adorada com igual fervor por fiéis de Umbanda e Candomblé, ela foi
alçada à posição de principal figura materna no panteão patriarcal iorubá,
aquela que, de cuja união com Oxalá, gerou todos os outros orixás, tendo
inclusive, perfilhado Omulu e Oxumaré, adotados da tradição Gegê.
Seu sincretismo com Nossa Senhora, a Virgem-mãe de Jesus Cristo, sugere a
supremacia da função materna da mulher. Como Maria, o principal atributo de
Iemanjá parece ser a compaixão. Seu reino espiritual é transbordante de perdão
e amor incondicional, mesmos sentimentos que marcaram os sermões e curas
milagrosas de Jesus nos primórdios da Era. Ela sempre tem ouvidos para escutar
seus filhos que vem a Ela, ao qual sempre oferece seu colo para aconchego e
consolo. Quando invocada, Iemanjá ajuda os fiéis levando embora seus
sofrimentos emocionais para as ondas do mar sagrado.
Tal qual Maria, ela é bendita entre as mulheres por ter-se dedicado de corpo e
alma à sagrada função da maternidade. Fechando seus olhos para as nossas
faltas, ela roga (e chora) a Deus por todos e cada um de nós pelo nosso bem.
Cor: Azul ou Azul e Branco.
Guia: Contas de cristal azul ou contas de cristal azul e branca (maior predominância
do azul).
Flores: Margaridas e rosas brancas e crisântemos brancos e azuis.
Vestes: Vestido ou roupa azul, coroa azul e branca.
Local: Mar e Oceanos.

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