CAPÍTULO 8
Zac começa a rolar na cama. Não estava mais com sono. Era muito cedo.
Todos continuavam dormindo. Até mesmo Diana, que costumava acordar logo ao
alvorecer. Ele senta na cama. Olha lá fora. O dia ainda estava um pouco
acizentado. Coloca seus chinelos, seus cabelos atrás das orelhas e sai do
quarto. Desce até a cozinha. Ele senta na mesa e liga a pequena televisão que
havia sobre o balcão. Passava um programa qualquer. Não tinha realmente a
intenção de assisti-lo, mas começa a prestar atenção. A mulher que
apresentava repetia o tema a todo momento. Era Namoros e relacionamentos nos
dias de hoje.
“Voltamos aqui com o nosso programa
que hoje traz à tona um tema muito polêmico...”
ZAC>> “Polêmico? Desde quando namoro é polêmico? Cada um tem o
seu e pronto!”
“...e você que está em casa poderá
ligar dando a sua opinião.”
ZAC>> “Putz! Seis e meia da matina os caras resolvem reprisar esse
tipo de programa!”
“...Vamos conversar com a psicóloga
Eugenia Brandon, que veio ao nosso programa especialmente para nos esclarecer
qualquer tipo de dúvida sobre o tema estabelecido. Doutora, quanto tempo uma
pessoa pode amar o mesmo indivíduo?”
ZAC>> “Hmm... uns 3 meses.”
“Olha, querida, uma pessoa, quando
ama de verdade, pode amar muito tempo. Nós estamos falando aqui de anos e anos!
Eu já cuidei de casos onde uma mesma pessoa passou a vida inteira gostando do
mesmo indivíduo e, só depois de muito lutar por esse sujeito, o conseguiu.”
ZAC>> “Anos?! Uau...” – apoiando o seu queixo em sua mão.
“...Há ainda casos em
que uma pessoa teve um relacionamento muito profundo com alguém, mas muito
mesmo, só que por um curto período de tempo. Por motivos de força maior o
relacionamento teve de ser rompido.”
ZAC>> “A distância, por exemplo.”
“...então, essa pessoa começa a
achar que o que ocorreu entre ela e o seu antigo parceiro não foi sincero o
suficiente devido a esse rompimento. Logo esta começa a basear tudo o que ela
vivera com esse ex-parceiro naquele rompimento, a associar tudo a esse
incidente. Essas duas pessoas podem, ou esquecer uma a outra completamente, ou
se gostarem por um grande período de tempo ainda.”
As palavras daquela psicóloga causavam-lhe uma forte sensação de que
ele já havia vivido aquilo antes. Lembra de Gabriela.
ZAC>> “Essa mulher fala isso porque nunca namorou uma pessoa que
mora simplesmente do outro lado do mundo!”
“Mas, Dr.ª Eugenia,
nesses casos, como terminam? O casal em questão volta a ser... um casal? (risadas do público)”
ZAC>> “Não quando se tem uma tia como a tia Mariah ou uma vizinha
como a Lí.”
“Na maior parte dos casos, os
parceiros tendem a dar mais uma chance ao relacionamento. Afinal, quando um
sentimento foi sincero, por mais curto tempo que ele tenha sido demonstrado por
ambas as partes, ele continua ali por muito tempo ainda. Principalmente quando
as causas do término do namoro são involuntárias, ou seja, como eu disse
antes, por motivos de força maior.”
ZAC>> “Hmm...”
“Recebemos um telefonema
agora de uma garota que não quer se identificar, perguntando a respeito de
relacionamentos onde um dos dois é muito mais velho do que o outro. Dr.ª,
existe algum problema nesses casos?”
“Bom, pra ser bem exata,
a diferença de idade num relacionamento não faz a menor das menores diferenças.
O que não é muito bem aceito pela nossa sociedade atual são os namoros onde a
mulher é muito mais velha que o homem. Um espaço grande entre as idades não
é mesmo muito saudável. As mentes e os ideais são opostos causando conflitos,
algumas vezes. Mas o mais importante é que...”
ZAC>> “Ah!” – desliga a televisão – “Se ‘cês querem me
dizer alguma coisa, falem na cara de uma vez!”
E Zac fica ali, deitado sobre os braços, pensando. Sentia coisas
estranhas. Saudades, talvez. Mas saudades de algo que parecia nunca ter feito.
Ele não parava de pensar em Gabriela. Não que ele estivesse voltando a gostar
dela. Não sabia nem dizer se tinha a ver com a prima diretamente. Era algo mais
pessoal, só dele.
ZAC>> “Será que eu já gostei de alguém de verdade?” – pausa
– “Meu... nossa... olha o que eu tô falando! Que coisa mais gay, cara! É...
eu vou voltar a dormir...”
Ele levanta e volta para a sua cama.
Em Londres, Gabriela e Camilla haviam acabado de sair para ir para,
respectivamente, a faculdade e colégio. Mariah e John terminavam o seu café da
manhã.
MARIAH>> “Querido...”
JOHN>> “Hm?”
MARIAH>> “Eu estou preocupada.”
JOHN>> “Com o que, Mariah?”
MARIAH>> “Com a Diana vir para cá.”
JOHN>> “Você não quer mais que ela venha?”
MARIAH>> “Não é isso... eu quero e muito. O que eu estou
preocupada é que aconteça o que aconteceu da última vez que nós nos vimos.
Ou melhor, que as crianças se viram.”
JOHN>> “E... você acha que pode acontecer, mesmo depois de dois
anos?”
MARIAH>> “Acho sim.”
JOHN>> “Querida, você sabe o meu ponto de vista sobre esse
assunto, certo?
MARIAH>> “Como é que você pode concordar com isso?!”
JOHN>> “Eu não concordo, querida. Eu apenas não vejo todo esse
problema que você vê.”
MARIAH>> “Eu não quero as minhas filhas namorando com os próprios
primos!”
JOHN>> “Eles são adolescentes, Mariah... É normal esse tipo de
atitude entre eles.”
MARIAH>> “Mesmo assim, não aceito.”
JOHN>> “Que seja, Mariah, que seja...”
MARIAH>> “E é bem por isso que eu resolvi não contar para elas o
dia que elas vão chegar.”
JOHN>> “Mariah, você está agindo como criança.”
MARIAH>> “Mas é que elas sempre estão tão ocupadas. E se eu
contar que eles estão chegando amanhã, elas provavelmente vão cancelar o dia
todo apenas para esperá-los.”
JOHN>> “Ainda não entendi o propósito do seu ‘plano’.”
MARIAH>> “John, eu queria só que você visse a situação como eu
vejo.”
JOHN>> “Tudo bem, querida. Faça o que você quiser. Por enquanto
não está afetando em nada o relacionamento delas com os primos. Porém, a
partir do momento que começar, eu terei de me meter.”
Mariah concorda em silêncio.
Diana vai ao quarto dos filhos acordá-los.
DIANA>> “Queridos... hora de levantar.”
Nenhum deles se manifesta.
DIANA>> “Filhos? Vamos, tá na hora.”
TAY>> “Já vamo’, mãe...” – resmungando;
ZAC>> “Ronc...Fiu...Ronc...Fiu...”
DIANA>> “Bom, estou esperando vocês lá embaixo.” – saindo do
quarto;
TAY>> “ ‘Bora levantar, então...”
IKE>> “Ô Zac... levanta!”
ZAC>> “Tá, tá! Tô indo.”
Eles levantam, se trocam e descem para as aulas com Diana. Naquela manhã,
ela revisara alguns exercícios e tópicos de algumas matérias. Nada de muito
cansativo. Após os exercícios, Taylor estava combinando de sair com Isaac.
TAY>> “Você num quer ir mesmo, Zac?”
ZAC>> “Nem...”
IKE>> “Mas ‘cê adora passear de carro com a gente!”
ZAC>> “Tá, mas hoje eu num tô a fim, tá?”
TAY>> “Bom, ‘cê que sabe. A gente tá indo.”
E eles saem pela porta da sala. Minutos depois, podia-se ouvir o carro
partindo. Zac sentia-se sozinho, mesmo não estando completamente. Não estava
bem naquele dia. Decide ir ver o que os irmãos faziam. Avery brincava com
Jessica e Mackenzie assistia desenho animado na televisão do quarto das irmãs.
Zac pára na porta e fica observando um tempo, sem dizer nada. Quando a
campainha toca. Ele desce correndo as escadas. Não esperava por ninguém, mas
estava ansioso para conversar com algum amigo. Era Duda.
DUDA>> “Oi, Zac. O Tay tá aí?”
ZAC>> “Não, ele saiu.”
DUDA>> “Ah... que
pena...”
ZAC>> “Entra aí.”
DUDA>> “Hmm... tá bom.”
Os dois sentam no sofá da sala.
DUDA>> “Mas... e aí?”
ZAC>> “Ah... tudo bem.” – sorrindo;
DUDA>> “Tá preparado
pra viajar?”
ZAC>> “Uhun.” – sorrindo;
DUDA>> “Sei... e... a Gabi?”
ZAC>> “Tá bem.”
DUDA>> “Mas...” – pausa – “...‘cê vai querer voltar com
ela?”
ZAC>> “Duda, eu não gosto mais dela. A gente é só primo.”
DUDA>> “Mesmo?”
ZAC>> “Uhun.”
DUDA>> “Você gosta da Lí?”
Zac pensa um tempo, hesitando em responder o que lhe era cabível.
ZAC>> “Gosto.”
DUDA>> “Na boa, Zac, mas eu acho que ‘cê num gosta dela não.”
ZAC>> “Gosto sim!”
DUDA>> “Se você gostasse, não teria demorado tanto tempo pra
responder uma pergunta tão simples como a que eu fiz.”
Zac pensa mais um pouco. Abaixa a cabeça.
ZAC>> “Eu tô namorando com ela.”
DUDA>> “Hmm.”
ZAC>> “E a gente tá bem, pra sua informação!”
DUDA>> “Tá bom, tá bom...” – colocando as mãos para trás,
como se rendesse-se.
Silêncio. Duda começa um outro assunto e os dois ficam conversando até
a chegada de Taylor e Isaac. Depois disso, Duda sobe para o quarto com os três
e eles passam uma ótima tarde.
Na faculdade...
GABI>> “Poizé... os meus primos vão vir pra cá.”
DEA>> “Mesmo?? O Zac vai vir também??”
GABI>> “Vai sim...” – com um sorriso falso;
PRUE>> “Sendo assim, o irmão mais velho dele!”
GABI>> “Provavelmente.” – sorrindo;
POLLY>> “E o Agenor?!”
GABI>> “Taylor, minina!”
MARRIE>> “Finalmente eu vou conhecer os tão famosos.”
MAG>> “Tomara que tenha algum livre pra ajudar a minha pessoa a
esquecer aquele Thiago nojento.”
MARRIE>> “Ah, Mag! Nem vem! ‘Cê fala, mas ‘cês dois ‘inda
se gostam!”
Mag levanta os ombros.
GABI>> “Bora pra sala, gente boa...”
E elas entram na classe. A tarde, Gabi passou estudando e Camilla com o
seu namorado, Nathan.