CAPÍTULO 8
Ariella
>> “Sharon! Sharon! Ai, acho que ela está acordando!”
A Sharon começou a abrir os olhos, bem lentamente, e viu aquele bando de
cabeça em volta dela, todo mundo com os olhos arregalados. Até a Martinha
estava lá. A Sharon só conseguiu ver o formato de triângulo do cabelão dela.
Sinistro...
Ariella
>> “Sharon, ‘miga, fala alguma coisa!”
Sharon
>> “Boca...”
Todo mundo se olhou estranhando.
Ariella
>> “Boca??”
Tay
>> “Puxa, Sharon, que palavras bonitas.”
Sharon
>> “Quê?! Quê?
Eu estava dormindo??” – ela levantou de repente, assustada.
Ariella
>> “Tava.”
Sharon
>> “Droga... então foi sonho...”
Ariella
>> “Que??”
Sharon
>> “Não, nada.”
Viana
>> “Acho melhor ela ficar um pouco sozinha, para descansar.”
Sharon
>> “Nah, tudo bem... eu já tô melhor.” – ela disse já levantando.
Ariella
>> “Ai, sua monga! Que susto que ‘cê me deu!” – abraçando a
amiga com força. A Sharon só riu.
Só aí que a Sharon percebeu que estava no quarto delas, com todo mundo
ali.
Zac
>> “Tá melhor?” – sério.
Então ela se lembrou do sonho lindo que ela havia tido. E ficou muito
chateada em saber que tinha sido só um sonho. Quer dizer, isso era o que ela
achava...
Sharon
>> “Tô sim, valeu...”
Ele segurou no braço dela.
Zac
>> “Mesmo?”
Sharon
>> “Ahm...” – ela não entendeu muito bem aquele gesto dele – “Ahan.”
Zac
>> “Ah, tudo bem então...” – soltando o braço dela.
Ike
>> “Sharon...” – chamando ela de longe – “Que susto que ‘cê
deu na gente.”
Viana
>> “O pai de vocês está esperando lá embaixo. Vocês vão jantar com
algum empresário aí que quer vocês num programa aí que eu também não sei
qual é.”
Tay
>> “Ah, beleza...”
Ike
>> “Putz, esses jantares normalmente são um saco.”
Ariella
>> “Ah, pensem na comida...”
Eles riram.
Sharon
>> “Falando nisso... meu, eu tô com muita fome!”
Ariella
>> “Sharon, que idéia! Vamo’
lá no quarto, aí a gente pede alguma coisa e assiste a algum filme massa.”
Os três olharam para as duas com aquele olhar pidão, de “aaaah... eu
também quero”. A Ariella e a Sharon olharam para eles, estranhando um pouco.
O Hanson preferia assistir a um filme, comendo uma porcaria qualquer com elas do
que ir a um jantar com o pai deles, conversar com um empresário de um
importante programa de televisão?!
Ariella
>> “O que foi que eu disse?” – olhando para eles sem entender muita
coisa.
Ike
>> “Nossa... como eu queria fazer isso que ‘cês vão fazer ao invés
de ir neste jantar chato...”
Sharon
>> “Sério?”
Tay
>> “O filme que vocês vão assistir é de suspense?” – com uma cara
de quem estava morrendo de inveja.
A Ariella nem sabia se era de suspense, mas a partir daquele momento,
era.
Ariella
>> “Ahan!”
Tay
>> “Ah, não! Eu
quero ficar!”
Zac
>> “Será que o nosso pai não deixa a gente ficar?”
Ike
>> “Você sabe muito bem que não, Zac... infelizmente...”
Viana
>> “Meninos, é melhor vocês descerem.”
Martinha
>> “O pai de vocês já estava nervoso quando ligou para o celular do
Viana pedindo para vocês descerem depois que tudo aqui acabasse.”
Tay
>> “Tá, tudo bem...” – olhou então para a Sharon e a para a
Ariella – “Divirtam-se por mim...” – saindo decepcionado.
Ike
>> “Tchau, meninas. Bom filme.” – bem chateado também.
Zac
>> “Até depois...”
Deu para ouvir o Zac falando para os irmãos, já entrando no elevador:
“Eu não acredito que elas vão ficar aqui assistindo filme e nós vamos ter
de ir nesse jantar podre!”. A Ariella e a Sharon só se olharam.
Sharon
>> “Aaaah, Seu Viana... eles não podem ficar mesmo?”
Viana
>> “Olha, querida, mesmo que eu quisesse... não sou eu quem decide
isso.” – falou o mais querido possível com a Sharon – “O pai deles é
meio chato neste sentido. Vai ver que o jantar trata de algo bem importante
e...”
Martinha
>> “E também, vocês não vieram até aqui para ficarem passeando com o
Hanson para cima e para baixo! Vocês vieram fazer a entrevista e só.”
Ariella
>> “A gente sabe disso! Mas que culpa nós temos se nós nos demos
bem?!” – um pouco grosseira.
Viana
>> “Martinha, deixe... são só crianças... todos eles. Venha, vamos
voltar para os nossos quartos.”
O Seu Viana se despediu delas e saiu. A Martinha não deu nem um
tchauzinho e já foi saindo, toda grossa. A Sharon caiu no sofá meio
desanimada, pensativa. A Ariella suspirou e se encostou na parede com o braço
cruzado.
Ariella
>> “Ia ser tão legal se eles ficassem...”
Sharon
>> “*suspiro* É...” –
segurando o queixo.
Ariella
>> “Ai, por que o pai deles não deixa eles se divertirem um pouco de
vez em quando?! Que saco! O Taylor se empolgou tanto quando eu disse que o filme
era de suspense...”
Sharon
>> “É...” – olhando para o nada.
Ariella
>> “E o Ike e o Zac, ‘cê viu?? Eles queriam muito ficar também! O
Ike até disse que esses jantares são sempre bem chatos!”
Sharon
>> “É...” – ainda olhando um ponto fixo no chão.
Ariella
>> “Ô Sharon, ‘cê tá me ouvindo?”
Sharon
>> “É...” – completamente desligada.
Ariella
>> “Sharon?” – a Sharon não disse nada – “Sharon! SHARON!”
Sharon
>> “Ai, quié?!”
Ariella
>> “Onde que você estava??”
Sharon
>> “Aqui, ué!”
Ariella
>> “No que você estava pensando?”
Sharon
>> “Em nada!”
Ariella
>> “Mentira, ‘cê tava sim!”
A Sharon ficou um tempo quieta. A Ariella sentou ao lado dela.
Ariella
>> “Fala, Sharon. Que
foi?”
Sharon
>> “Ah... é que eu tive um sonho e... ah, nada vai...”
Ariella
>> “Que sonho?”
Sharon
>> “Um sonho que eu tive quando tava... ah, esquece, vai.”
Ariella
>> “Quando você tava...?”
Sharon
>> “Quando eu tava dormindo.”
Ariella
>> “O que você sonhou?”
Sharon
>> “Que o Zac me beijou. Mas é que pareceu tão real! Eu tinha certeza
que era de verdade! Mas aí... ah... nada, vai...”
Ariella
>> “Fala, Sharon.” – com a maior paciência.
Sharon
>> “Mas aí, quando eu acordei, ‘cê disse que eu estava dormindo...
então... era um sonho. Que saco! O beijo foi tão legal...” – apoiando o
seu queixo nas mãos de novo.
Ariella
>> “Peraí! ‘Cê sonhou que beijou o Zac e tá toda triste aí?!”
Sharon
>> “Ah, é que eu queria que tivesse sido real...”
Ariella
>> “E eu que nem sonho não tive? Eu conversei o dia todo com o Taylor e
nada, absolutamente NADA aconteceu!”
A Sharon começou a rir. A Ariella sabia bem como animar a amigona dela.
Ariella
>> “Ah, se eu tivesse pelo menos sonhado isso...” – suspirando logo
depois. A Sharon ria do jeito da Ariella.
Logo elas se animaram de novo, pediram uns sanduíches na portaria e
assistiram a um filme de suspense, que, segundo a Ariella, era em homenagem ao
Taylor.
Durante
o jantar, nem o Issac, nem o Taylor, nem o Zac estavam prestando muito atenção
no que o tal do empresário estava falando. A única coisa que eles conseguiram
reparar bem era que o indivíduo falava mais do que a cota permitida. Até mesmo
Walker, que era o mais interessado em entrar num acordo, não estava gostando da
quantidade absurda de palavras que saíam ao mesmo tempo da boca daquele homem.
O empresário falava da audiência que o seu programa teria, da quantia, segundo
ele, “bárbara” que estava disposto a pagar, falava do seu público, de como
os meninos seriam bem tratados... e muitos outros assuntos tão inúteis quanto.
De repente, o Isaac lembrou-se da Sharon e da Ariella, lá no hotel, assistindo
ao filme, embaixo das cobertas, comendo pipoca. E ele desejou, do fundo do coração
dele, estar lá.
Ike
>> “Zac...”
O Zac não ouviu. Estava dormindo.
Ike
>> “Ô Zac!”
Zac
>> “Ãã? Quê?” – acordando.
Ike
>> “Será que a gente vai demorar muito para voltar ao hotel?”
Zac
>> “Mmm... pera...”
Então o Zac cutucou o Taylor discretamente. Ele virou.
Tay
>> “Quié.”
Ike
>> “Será que o cara aí ainda vai falar muito? Eu queria ir pro hotel
logo.”
Tay
>> “Ele já terminou de acertar tudo com o nosso pai. Só que ainda não
terminou de falar.”
Não, imagine você a cena. Os três, meio abaixados, escondendo-se na
toalha, cochichando para que nem seu pai nem o Empresário que falava mais do
que a mãe da cobra, ouvissem.
Tay
>> “Olha a cara do nosso pai.”
Walker já não conseguia mais disfarçar estar entediado de tanto que o
dito cujo falava.
Zac
>> “Acho que ele também não está lá muito afim de ficar.”
Ike
>> “E se... mmm... o Zac começasse a passar mau?”
Tay
>> “Passar mau? Mas ele está bem e...”
Zac
>> “Calma, Ike, estas coisas são muito complicadas para o Taylor
entender. Deixe-me reformular a pergunta: Tay, e se eu decidisse começar a
passar mau? ‘Tendeu agora?”
Tay
>> “Aaaah... ‘tendi. Mas será que o cara iria acreditar?”
Ike
>> “Olha, nessas alturas, vale tentar qualquer coisa.” – olha para
Zac – “Tá, prepara então. Vê se capricha na interpretação, hein Zac?”
Zac
>> “Acredite, eu irei. A causa é nobre.”
Então o Zac começou a gemer, fingindo estar com dor de barriga.
Ike
>> “Nossa, Zac, o que ‘cê tá sentindo?”
Walker
>> “Filho, ‘cê tá bem?”
Zac
>> “Ai, ai... ai, ui, ei, ai! O meu estômago... ai... acho que eu comi
demais...” – com uma cara de dor.
Tay
>> “Calma, Zac, calma.” – virou para o seu pai – “Pai, não é
melhor nós voltarmos para o hotel?”
Zac
>> “É, pai... eu quero voltar para o hotel!” – com as mãos na
barriga.
Walker
>> “Claro, claro, eu acho uma excelente idéia...” – já levantando
– “Obrigado, Sr. Andrews, mas eu preciso ir. O meu filho não está nada
bem.”
Sr.
Andrews >> “Mas que pena... vocês acabaram de chegar...” –
levantando também.
Walker
>> “Pois é, mas sabe como são essas crianças, não é mesmo?”
O Walker já estava empurrando os filhos para saírem do local. Isaac,
Taylor e o Zac se olharam e sorriram.
Sr.
Andrews >> “Bom, vocês querem uma carona ou algo assim?”
Todos da família Hanson gritaram “não”, sem querer, ao mesmo tempo
e no mesmo tom de voz.
Walker
>> “Quer dizer… não precisa se incomodar porque nós estamos de
carro. But thanks anyway...”
Eles correram para o carro deles, não vendo a hora de chegarem no hotel.
Os três entraram no banco de trás, aliviados.
Walker
>> “Nossa, que homem mais chato!” – olhou pelo retrovisor –
“Zac, calma aí que nós já estamos chegando.”
Zac
>> “Não, tudo bem, pai, eu já tô melhor.”
Walker
>> “Mesmo? Puxa, que bom...Certeza de que não sente mais nada?”
Zac
>> “Absoluta. Acho que era aquele homem que não estava me fazendo
bem.”
Walker
>> “Eu não duvido nada de que o motivo seja este.”
Walker deu a partida no carro e eles retornaram ao hotel.
Sharon
>> “Ai, que pipoca mais demorada.”
Ariella
>> “É que este microondas tá meio lerdo...” – olhando pelo vidro
do aparelho a pipoca girando.
Sharon
>> “Que filme que nós vamos ver?” – entrando na mini cozinha que
tinha no quarto.
Ariella
>> “Um aí que vai passar na televisão à cabo.”
Sharon
>> “Beleza...”
Quando a Sharon sentou no sofá da sala, a campainha tocou. Ela deu um
grito. Tinha levado um susto muito grande.
Sharon
>> “Porra, que susto!”
A
Ariella veio da cozinha rindo para abrir a porta.
Ariella
>> “Calma, Sharon, é só a campainha.”
Então a Ariella abriu a porta. E, para a surpresa dela, era o Isaac e o
Taylor.
Ike
>> “Olá!” – sorrindo.
Ariella
>> “Nossa!” – espantada.
Sharon
>> “Quem que é?” – ela perguntou em português.
A Ariella abriu mais a porta para que a Sharon pudesse ver.
Ariella
>> “Eles.”
Ike
>> “Oi. O Zac daqui a pouco chega. Ele tá terminando de se trocar.”
Sharon
>> “Mas vocês não estavam num jantar?”
Tay
>> “Nós estivemos. Mas já ‘cabou.”
Ariella
>> “Nossa, que rápido.”
Ike
>> “Tipo... ‘cê não vai convidar a gente pra entrar?”
Ariella
>> “Ah, claro... nossa, desculpe.” – muito sem jeito –
“Entrem.”
O Isaac e o Taylor estava com roupas mais confortáveis. Ambos estavam
usando calças de moletom. O Isaac usava uma regata e o Taylor uma blusa de
moletom muito larga, preta, lisa.
Eles entraram. O Isaac sentou no sofá de um lugar e o Taylor no chão.
Quando a Ariella estava fechando a porta, alguém segurou do lado de fora do
quarto, impedindo que ela encostasse a porta totalmente.
Zac
>> “Ei, não esqueçam de mim!”
A Sharon abriu um sorrisão quando ouviu a voz do Zac.
Ariella
>> “Oi, Zac. Entra
aí.” – sorrindo.
Zac
>> “Licençaaa!”
O Zac estava usando um pijama muito bonitinho. É claro que ele havia
colocado para chamar a atenção e tirar algumas risadas, mas mesmo assim, ele
estava lindo. O pijama era azul escuro com listras verticais brancas. E ficava
meio justo para ele porque, além do pijama ser alguns números menor, o Zac
também era meio fortinho para aquela roupa.
Sharon
>> “Nossa, Zac, que roupa mais fashion.” – disse, rindo.
Tay
>> “Zac, eu não acredito que ‘cê pegou o meu pijama!”
Agora já deu para entender o por quê de o pijama ter ficado tão menor
para o Zac. A Ariella olhou no mesmo instante para o Taylor.
Ariella
>> “É seu?”
Tay
>> “Ahm... quer dizer...”
Zac
>> “É sim. Só que ele tem vergonha de dizer.”
O Zac se jogou no sofá, do lado da Sharon.
Zac
>> “Oi, Sharon.” – com um sorriso sedutor, e escrachado, no rosto.
Sharon
>> “Oi, Zac...” – rindo.
Ariella
>> “Bom, já que o Zac roubou o meu lugar... (obrigado,
Zac!)... eu vou ter de sentar aqui no chão com o Tay.”
Zac
>> “Tenho certeza de que ele não vai se incomodar nenhum pouco.”
O Taylor nesta hora olhou para o Zac como uma cara muito, mas muito feia.
Ele podia até ter matado o Zac com aquele olhar assassino. O Zac notou que
tinha falado demais, mas achou melhor deixar quieto porque, normalmente, nestas
situações, quando tentamos concertar, acabamos piorando. O Isaac, percebendo o
clima ruim, tentou mudar de assunto.
Ike
>> “Mas e esse filme, não sai, não?”
Ariella
>> “Oba, a pipoca tá pronta.” – levantando a indo para a cozinha.
Tay
>> “Pipoca? Nham...”
Zac
>> “Está ficando bem interessante o negócio por aqui.”
Ariella
>> “Prontinho.” – disse, já sentando ao lado de Taylor – “Alguém
quer pipoca? Hehe.”
Todos
juntos >> “EU!”
Risadas. O filme começou. Estava frio naquela noite. O Isaac, que estava
de regata, não agüentava de frio.
Ike
>> “Gente, dá pra parar o filme só um pouquinho?”
Zac
>> “Não.”
Ike
>> “Por favor... é urgente.”
Ariella
>> “Ahm, querido, o filme é na TV à cabo. Fala, o que foi?”
Ike
>> “Será que ‘cês teriam um cobertor por aqui? É que eu tô
morrendo de frio.”
Sharon
>> “Tem sim, pera...”
A Sharon levantou e aproveitou para pegar coberta para todo mundo. Nossa,
foi uma bagunça na hora de se cobrir... o Zac não se ajeitava. Não sabia se
deitava no ombro da Sharon, se sentava de perna-de-índio no sofá, se deitava
com os pés no colo da Sharon... O cobertor do Taylor e da Ariella era meio
pequeno. Por isso, eles tiveram de se ajeitar bem próximos, morrendo de
vergonha um do outro.
Tay
>> “Tá te cobrindo tudo aí desse lado?”
Ariella
>> “Na verdade não, mas num tem problema, Taylor...”
Tay
>> “Tay.”
Ariella
>> “Ah, é. Desculpe.”
Tay
>> “Claro que tem problema. Pera...”
Ele foi chegando mais perto dela, até que estava sentados com os ombros
e pernas encostando. A Ariella queria morrer quando sentiu a coxa dele
encostando nela. Está certo que a perna dele era um pouco fina, mas as coxas não
eram nada mau. Todo mundo ajeitado, começaram a assistir ao filme novamente.
Vez ou outra, o Taylor começava a se mexer, para se ajeitar mais próximo da
Ariella. Ela percebia e ele não disfarçava. A situação estava muito engraçada.
Tadinho do Tay... não era dos mais discretos. Mas as atitudes dele eram tão
fofinhas. Quando ele sentava perto demais da Ariella e ela não tinha como
disfarçar que tinha percebido, o Taylor pedia desculpas e ia um pouquinho mais
para o lado. De tanto ele fazer isso, uma hora a Ariella “cansou”...
Ariella
>> “Tay, tudo bem... eu não me importo, não.” – cochichando.
Tay
>> “O quê?” – cochichando também.
Ariella
>> “Ah, tipo... você fica pedindo desculpas toda hora. Só pra dizer
que ‘cê não precisa se desculpar.”
Tay
>> “Ah... não?”
Ariella
>> “Não, ué. ‘Cê não tá me machucando nem nada.” – sorrindo.
Tay
>> “Quê?”
A Ariella estava falando meio baixo, para não atrapalhar o pessoal
assistindo, e por causa disso, o Taylor não escutava direito o que ela estava
falando. Então ela foi um pouco mais para frente para ele ouvir. Só que ele
também foi. Estava um pouco escuro, mas a luz da televisão iluminava bem. Bom,
se beijar eles não se beijaram, mas ficaram com os rostos muito próximos.
Tay
>> “Agora eu acho que tenho que me desculpar.” – sussurrando.
Ariella
>> “Não, tudo bem... você ainda não me machucou.” – ela
sussurrou, olhando-o nos olhos.
Tay
>> “Tá frio, né?”
Ariella
>> “Muito.”
O clima estava mais do que perfeito para um beijo. Os dois ficaram um
tempinho se olhando. A luz da televisão batia nos olhos dele e o azulzão
ficava bem clarinho. A Ariella ficava olhando para aquela boca desenhadinha e
sentia umas coisas fortes dentro dela. Então, para não dar tão na cara que
ela queria isso demais, ela virou o rosto um pouco para a televisão. Ela estava
nervosa. A Ariella, normalmente, no dia a dia, era bastante empolgada, falava
muito e não tinha costume de sentir vergonha. Mas quando o assunto era menino e
menino que ela gostava, gente, a coisa mudava totalmente. Ela tornava-se tímida,
não tinha mais coragem de nada, ficava mais na dela. E, por causa disso, ela se
tornava especial.
Mesmo quando a Ariella virou, o Taylor continuou olhando para ela. Ai,
que frio na barriga! Ele estava todo sério, sentado com as costas encostadas no
sofá, apenas com a cabeça virada, olhando para ela. A Ariella não sabia muito
o que fazer porque ela estava em uma situação que ela sempre sonhou estar, mas
que nunca imaginou que estaria. O Taylor continuou olhando para ela. A Ariella não
tirava os olhos da televisão.
Tay
>> “Ariella...”
Ela olhou para ele.
Tay
>> “Não tem problema mesmo eu ficar sentado um pouco mais perto?”
Ariella
>> “Claro que não, Tay...” – sussurrou.
O Taylor sorriu para ela muito meigo. Nossa, ele era muito fofo. E se
ajeitou bem pertinho da Ariella, abraçando-a pelo ombro. Aí ela se aconchegou
nele e continuaram assistindo o filme. Nas partes de maior medo, a Ariella
escondia seu rosto no pescoço dele. Ele era tão cheiroso... Em um determinado
momento, a Ariella apertou o joelho do Taylor numa cena de tensão. Na mesma
hora, ela o olhou muito sem graça e falou “Desculpe”, só mexendo os lábios,
sem fazer som nenhum. Ele sorriu e, por baixo do cobertor, procurou pela mão
dela e a segurou.
Tay
>> “Aperta a minha mão que não tem problema nenhum.” – sussurrou,
sorrindo.
A Ariella ficou muito sem graça, mas não achou a idéia das piores. A mão
do Taylor estava igual a daquele dia da batata frita. Bem quentinha, macia...
Ela virou para a televisão e não soltou da mão dele o filme inteiro. Nem ele
da mão dela.
E o filme chegou ao fim. Quando o Isaac levantou e acendeu a luz, o
Taylor e a Ariella se olharam na mesma hora. Ela soltou da mão dele, um pouco
envergonhada.
Ike
>> “Nossa, meu, que filme animal!”
Zac
>> “Eu gostei também!”
Sharon
>> “Ah, mais ou menos... não deu tanto medo assim.”
Ariella
>> “Não, ‘magina. Eu quase morri aqui de medo que eu fiquei.”
Sharon
>> “Ah, sei lá, vai...”
Zac
>> “Uaaaah... tô ficando com soninho...”
Ike
>> “Vamos indo, gentes?”
Tay
>> “É, tá tarde...” – levantando.
Todo mundo se despediu de todo mundo. Só na hora do Taylor dar tchau
para a Ariella, ele deu um beijinho no canto da boca dela.
Tay
>> “Tchau, até amanhã.” – sorrindo.
Ariella
>> “Tchau.”
A Sharon levou todo mundo até a porta, eles saíram e ela trancou o
quarto.
Sharon
>> “Boa noite, Ariella...”
Ariella
>> “Ai, ai... tchau.”
Sharon
>> “Eu, hein...”
Só
a Ariella podia entender o que ela estava sentindo naquele instante. Era muita
alegria para tentar explicar. E para quê explicar? Sentir só já estava
muito bom.