CAPÍTULO 4

Ariella >> “Tá, finge que veio só buscar alguma coisa, mas já ‘tamos subindo para descer mais tarde.”

Sharon >> “Ah, e eles já acreditaram.”

            Eles vinham se aproximando. Logo já conseguiriam vê-las.

Ariella >> “Tá, então vamos nos esconder em algum lugar.”

Sharon >> “Ai, Ariella, que ridículo!”

Ariella >> “Tá, então pára de reclamar e dá uma idéia melhor!”

Sharon >> “Vem atrás de mim e faz o que eu faço.”

            A Sharon saiu do restaurante, andando com naturalidade, como se estivesse ali por algum motivo mais importante do que o jantar. Ela cruzou os braços, olhou ao redor, fez cara de impaciente.

Ariella >> “Que que ‘cê tá fazendo?!” – cochichou.

Sharon >> “Me imita e fica quieta.”

            Então a família Hanson se aproximou. Eles foram logo cumprimentando, como sempre, simpáticos.

Tay >> “Chegaram cedo, hein?” – sorrindo.

Sharon >> “Não, sabe o que é? É que a Martinha ficou de encontrar com a gente aqui um pouco antes do jantar para umas coisas lá e até agora não apareceu.”

Ike >> “Então aproveitem e entrem com a gente.”

Sharon >> “Mas a gente ainda nem se arrumou.”

            Ô mentira.

Zac >> “Ah, mas vocês estão bem assim...”

Diana >> “É verdade.” – sorrindo bem simpática – “Logo a equipe de vocês estará aqui... venham.”

Sharon >> “Bom, já que vocês insistem...”

            A Ariella ficou espantada. Até cochichou com a amiga uma coisa lá qualquer e as duas sentaram com os Hanson, incrivelmente sorridentes. Mas a alegria durou alguns segundos, porque quando elas e a família Hanson estavam sentando, o Viana e algumas pessoas da equipe chegaram. E sentaram ali junto com eles. A conversa começou formal. Sabe aquelas coisas bem de gente adulta, que não sabe o que dizer, começa a falar umas coisas nada a vê, bem nerds mesmo, do tipo: “Mas esse restaurante aqui é muito bom mesmo”. Pois é. Mas depois melhorou porque as meninas se soltaram mais. Quer dizer, a Sharon quase não falava. A Ariella já falava demais. Mas os três se divertiam com elas. O Zac achava muito engraçado quando a Ariella falava alguma coisa que a Sharon não gostava e a Sharon fazia aquelas caras de brava.

Sharon >> “Ariella!!”

            O Isaac e o Taylor riam também, mas o Zac era o que mais gostava.

Ariella >> “O que, Sharon?!”

Viana >> “Ok, ok, vamos nos concentrar na entrevista, por favor.”

Sharon >> “Ah, Seu Viana, a gente já falou tanto disso... vamos mudar de assunto um pouco.”

Zac >> “É mesmo.”

            Todo mundo na mesa olhou para ele. É que ninguém esperava que ele fosse se manifestar sobre o assunto, ainda mais para concordar com a Sharon ao invés de concordar com o Seu Viana. O Zac até se assustou com aquele bando de cara olhando para ele.

Zac >> “O que que eu disse?”

Sharon >> “Não, é que... bom, esquece, vai...”

Zac >> “Não, fala.”

Sharon >> “Ah, é que... ah, nada.”

Zac >> “Ah... ok.”

            Nossa, ele desistiu assim?! Que frouxo! Eu se fosse esse Zac, tinha insistido até a Sharon falar.

Viana >> “Tudo bem, não fala-se mais da entrevista hoje, mas amanhã...”

Zac >> “Eu estava adorando falar da entrevista...” – totalmente e completamente irônico – “...mas é que já deu pra entender bem o que é e o que não é pra fazer.”

            E eles ficaram lá conversando mais um tempão. E nenhum dos assuntos incluiu a dita da entrevista. Foi tudo bem natural, com muita risada e coisas do tipo. A medida que os meninos foram se soltando, a Sharon e a Ariella iam vendo como eles eram diferentes do que elas achavam. O Taylor foi o que mais chamou atenção, digamos assim. É que ele não tinha um jeito sedutor, como mostravam sempre. Ele era extremamente distraído, meio bobinho, que demorava para pegar as piadas do Zac. O garoto era a meiguice em forma de gente. Já o Ike... quer dizer, o Isaac (nossa, que intimidade...) era mais na dele. Muito simpático, é verdade, mas falava só quando precisava mesmo. Não era de fazer tantas brincadeiras e falar tantas besteiras. Agora, o Zac... Nossa! Se você desse espaço para ele, não tinha quem segurasse. Falava muito e só besteira. A Sharon quase morria de rir com ele. Ela não costumava fazer muitas brincadeiras na frente de pessoas que ela não conhecia muito bem, mas por algum motivo, o Zac a fez sentir-se bem. Às vezes, ela até o acompanhava em algum raciocínio inútil que ele começava. Mas tinha momentos que o Zac parava. Ficava quieto um tempo, olhando para baixo, pensando. Aí ficava aquela falta de barulho na mesa. Um tempinho depois ele começava de novo, de repente, sem avisar ninguém. Bem estranho mesmo. Mas ainda assim, os três eram pessoas muito legais.

Viana >> “Bom, está tarde, minha gente...”

“Ai, não! Eu não quero ir embora!” – a Ariella pensou na hora.

Zac >> “Aaaah, nãããão!”

Walker >> “Zac.”

            O Seu Hanson olhou meio feio para o Zac. Ele queria mesmo que os filhos fossem dormir. Sério, mas a cara que ele fez para o Zac dava até medo. Isaac e Taylor ficaram sem jeito com a situação do irmão.

Zac >> “Ah... tá bom. Desculpa...” – abaixando a cabeça.

Viana >> “Bom, acho melhor nós irmos, meninas.”

Sharon >> “Okay, baby...”

            Todo mundo levanta. Aquela normal disputa de não-deixa-que-eu-pago ocorre, mas o seu Viana venceu. Vai ver que ele se sentia na obrigação de pagar ou alguma coisa do tipo.

            Então foi todo mundo para o elevador. Tiveram que fazer duas viagens porque tinha muita gente. As pessoas foram entrando e, naturalmente, os adultos foram entrando na frente, deixando só os adolescentes de fora.

Tay >> “A gente sobe depois...”

            E a porta do elevador fechou. O Taylor apertou o botão para chamar o elevador de novo. E aquele silêncio básico tomou conta. O Isaac tossiu para tentar disfarçar um pouco a quietude, mas não adiantou muito.

Zac >> “Nossa, que demora.” – olhando para os números sobre a porta que mostravam os andares.

Ariella >> “É...”

Sharon >> “Ai, eu acho que eu esqueci o meu casaco.”

Zac >> “Aonde?”

Sharon >> “Vai saber.”

            O Zac achou isso muito engraçado.

Zac >> “Hehe... quer ajuda pra procurar?”

Sharon >> “Ahm... é... tipo... sei lá, vai... NÃO! NÃO É ISSO! Quer dizer...” – super calma a menina – “Se você quiser...”

Zac >> “Você quer que eu vá?” – sorrindo.

            A Sharon sentiu que o Zac estava só querendo, sei lá, brincar um pouco. Ele era daquele jeito mesmo... que estranho era aquilo para ela. Saber como o Zac era. Como ele era de verdade, sem ser pelas revistas.

Sharon >> “Ah... bom, eu acho que eu vou precisar de ajuda pra procurar... o restaurante é meio grande e tal...”

            Logo depois que a Sharon terminou essa frase, ela se achou a pessoa mais idiota do mundo! Mais sem graça de todas! Sabe aquele intervalinho que existe enquanto a pessoa terminou de contar a piada e a outra que está ouvindo, está pensando para tentar entender? Então, nesse intervalinho de milésimos de segundos, a Sharon fez a maior reflexão sobre a piada dela. E não gostou nada do que ela concluiu. Mas o Zac sorriu. Ele sorriu daquele jeito de quando alguém não achou graça nenhuma do que a outra pessoa falou, mas sorri só para deixar claro que não é uma piada ruim que vai mudar a opinião que ela tem sobre você. Entenderam? Se não, leiam de novo. Eu sei que ficou meio confuso.

Zac >> “Vamos?” – falou para a Sharon; olhou para o Taylor – “Já subo, ok?”

Tay >> “Okie dokie.”

            E o Zac foi com a Sharon. E deixou o Isaac, o Taylor e a Ariella lá, sozinhos.

Tay >> “Ela é sua irmã?”

Ariella >> “Quem? A Sharon? Nossa, não.” – a Ariella achou muita graça – “Ela é minha amigona, mas não irmã.”

Tay >> “É que parece.” – sorrindo.

Ike >> “É, parece.”

Ariella >> “Por quê?”

Tay >> “O jeito de vocês uma com a outra... sei lá...”

            O elevador chegou. O Isaac entrou. Por algum motivo que eu não entendi quando me contaram, o Taylor ficou parado na frente do elevador pensando em alguma coisa. A Ariella, nada burra, também não entrou.

Ike >> “Vocês estão pensando em entrar ainda hoje?”

Então os dois se olharam.

Ike >> “Bom, enquanto vocês resolvem, eu vou subindo.”

             A porta do elevador fechou.

Tay >> “Ike, espera!”

            Ops. Tarde demais.

Tay >> “Meu, por que eu não entrei no elevador?”

Ariella >> “Hehe...”

Tay >> “Por que você não entrou?”

Ariella >> “Por que você não entrou?”

Tay >> “Por causa disso que eu falei. Tava dormindo, sei lá...” – colocando as mãos no bolso, todo fofo – “Você?”

Ariella >> “Ah... digamos que pelo mesmo motivo que o seu.”

Tay >> “Digamos?” – sorrindo.

Ariella >> “É.” – sorrindo também.

Tay >> “Mmm... digamos é meio vago.” – sorrindo.

Ariella >> “Desculpe... é só o que eu tenho a dizer no momento.”

Tay >> “Menina de poucas palavras você.” – sorrindo.

Ariella >> “Hehe...”

            Enquanto o Taylor e a Ariella conversavam esses papos suuuper cabeça e que com certeza os levariam a algum ponto de cultura no cérebro deles, a Sharon estava entrando no restaurante com o Zac.

Sharon >> “Deve tá lá na mesa que a gente estava sentado.”

            Então o Zac parou. E ficou olhando para ela.

Zac >> “Mmm... será?” – sério.

Sharon >> “É, ué.”

Zac >> “Às vezes não.”

Sharon >> “Como não?”

Zac >> “Vai que, sei lá...” – pensou um pouco – “Pegaram o seu casaco?”

Sharon >> “Por que pegariam o meu casaco?”

Zac >> “Pra fazer algum tipo de experimentação em laboratório, sei lá.”

            A Sharon fez cara de quem não estava entendendo muita coisa.

Sharon >> “Que que ‘cê tá falando?”

Zac >> “Vai que é isso? Tem tanta gente estranha por aí...”

Sharon >> “Não faz sentido. Faria se fosse o seu casaco.”

Zac >> “Eu nunca levo casaco para lugares públicos.”

Sharon >> “E quando tá frio?” – como se o desafiasse.

Zac >> “Aí eu nem sequer tiro o casaco.”

Sharon >> “Tá, que seja, vai...” – começando a andar.

            A Sharon foi caminhando em direção à mesa que eles estavam sentados antes. O Zac foi seguindo a Sharon. Mas quando ela se aproximou da mesa, ela parou de repente. O Zac quase bateu de frente com as costas dela.

Zac >> “O que foi? Por que ‘cê parou?”

Sharon >> “Ops...” – olhando para a mesa.

Zac >> “O que é?” – olhando para a Sharon, quer dizer, para o cabelo dela.

Sharon >> “Olha.”

            O Zac olhou em direção ao que ela olhava.

Zac >> “Aaah, já vi.”

Sharon >> “E agora?” – sem tirar os olhos das pessoas que ocupavam a mesa.

Zac >> “Será que a gente devia avisá-los?” – olhando para lá também.

Sharon >> “Não, acho que a gente deveria só pedir licença.”

Zac >> “Mas eles precisam saber que camarão não faz bem à essa hora do dia.”

            A Sharon só virou para trás e o olhou com aquela cara. O Zac riu. É claro que ela não agüentou aquele sorrisinho fofo do Zac e riu também.

Zac >> “Brincadeira.” – rindo.

Sharon >> “Meu, eu aqui realmente preocupada com o casaco...Não, tudo bem...” – rindo também, mas fazendo o máximo para parecer brava.

Zac >> “Ah, Sharon, que isso...” – sorrindo.

            Ela o olhou boba. Era a primeira vez que ele falava o nome dela. Pelo menos com aquele tom todo fofo, com aquela voz queridinha, sorrindo daquele jeito. Ele estava sorrindo só para ela naquele momento. Não era como ela estava acostumada, vendo os programas, onde ele sorria para todo mundo, sem direcionar o olhar para ninguém. Não. Era só para ela mesmo. Ficou um tempo parada olhando para ele. Ela tinha certeza de que ia chorar. Não, pior! Ela teria um daqueles ataques de falta de ar intermináveis, que provavelmente não passariam nunca. Mas ela precisava se controlar. Não podia deixar que aquilo acontecesse, não ali na frente dele. Ah, deixa para morrer depois.

Zac >> “A brincadeira foi tão ruim assim? Nossa, que cara...”

Sharon >> “Ahm... não. Quer dizer, não é isso...” – ela gaguejou um monte – “Eu... eu só tô preocupada com o meu casaco, só isso.”

            Ela virou para frente, se sentindo uma idiota mais uma vez.

“Ai, eu devia ter rido! Que monga que eu sou!! Ai, saco!”

            O Zac ficou quieto depois disso. Coitado, deve ter achado que não foi feliz mesmo com a brincadeira. Mau sabia ele que tinha sido mais feliz do que nunca...

 

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