CAPÍTULO 10
Bem
de manhãzinha, a Sharon foi acordada por alguma hóspede no corredor gritando
muito alto "Eca, eca, eca, abaixo a cueca!". A Sharon ficou muito
brava. Ela odiava ser acordada. A Ariella também tinha acordado, mas estava
sentada na cama dela se matando de rir. A Sharon não estava achando muita graça.
Levantou muito brava, abriu a porta e deu um puta berro:
Sharon
>> "Cala a boca, sua bucefaléia!!"
E, com toda a finess e boa educação que ela recebeu durante o seu
crescimento, ela bateu a porta com muita força. A Ariella, a essas alturas,
estava tendo um espasmo de tanta que ria.
Sharon
>> "Meu, que isso?? Nem pra dormir dá mais aqui??" – ela
disse, deitando novamente, toda brava.
Lá no último andar do hotel, onde estava toda a família Hanson, o Zac
também não estava conseguindo dormir aquelas maravilhas. O Taylor dormia muito
pesado e estava com o rosto apoiado no travesseiro de maneira bem torta. Estava
quase babando. E por causa disso, a respiração dele saía comprimida e,
consequentemente, uns sons meio bizarros saíam da boca dele. O Zac já tinha um
sono meio sensível. Caía um lenço, ele acordava. E como os barulhos que o
Taylor fazia não eram dos mais suaves, o Zac não conseguia dormir.
Zac
>> "Putz, Taylor... parece trator afogando." – ele resmungou.
É, não tinha jeito. O Zac até colocou o travesseiro na cabeça e se
cobriu até onde deu. Mas não adiantou. O ronco do Taylor estava potente mesmo.
Aí ele se encheu e levantou. Colocou o moletom, já que estava sem camisa, e só
embaixo das cobertas era quentinho. Pegou o bagulhinho dele de prender o cabelo
e fez um rabo bem soltinho, com um monte de fiozinho caindo no rosto dele. Ele
sentou no balcão da cozinha. Estava morrendo de sono. Foi quando ele viu o
casaco da Sharon em cima da mesa. Fazia um tempão que o homem do restaurante
tinha levado para ele, no quarto deles e o Zac tinha esquecido de devolver para
a Sharon. Ele sorriu. Lembrou do dia do restaurante... a Sharon toda sem jeito,
toda envergonhada, toda tímida. Lembrou também de como ela desmaiou quando ele
a beijou, no dia em que ela passou mal. E riu de mais umas coisas que ele
lembrou. E deu uma saudadinha da Sharon... daquelas bem pequenas, mas que se não
matar logo, podem fazer um estrago grande. O Zac levantou, colocou uma roupa
melhor, pegou o casaco e foi pegar o elevador.
"ECA,
ECA, ECA!! ABAIXO A CUECA!!" a menina continuava gritando no corredor.
Sharon
>> "Gente, eu vou dar um tiro nessa escrota!"
Ariella
>> "Eu já perdi o sono, então..."
Sharon
>> "Cara, por que essa doente mental tá gritando isso de
cueca?"
A Sharon levantou e parou na porta do quarto. Abriu e ficou olhando a
menina pulando com uma cueca samba canção na mão, gritando: "ECA, ECA,
ECA! ABAIXO A CUECA!".
Sharon
>> "Filha, que que 'cê tem, hein?"
A garota não respondeu e continuou gritando. Haha... imaginem a cena. O
elevador parou no andar delas e, de dentro dele, saiu o Zac, com o cabelo preso
num rabo bem frouxo, com aquele bando de cabelo no rosto dele. Chato, muuuuito
chato... A Sharon, quando viu ele saindo do elevador, entrou no quarto correndo.
A Ariella não entendeu de primeira a pressa da amiga, mas logo que viu o Zac,
pegou na hora.
"ECA,
ECA, ECA! ABAIXO A CUECA!"
Zac
>> "Quê?" – ele disse, rindo.
Ariella
>> "Oi, Zac. Beleza?"
Zac
>> "O que essa menina tá fazendo?" – disse se aproximando da
Ariella.
Ariella
>> "Deve ser algum ritual, sei lá..."
O Zac achou graça.
Zac
>> "A Sharon tá aí?"
Ariella
>> "Tá sim, entra aê." – ela fechou a porta, depois que o
Zac entrou – "Acordou cedo também? Ou tinha algum cara gritando no seu
andar sobre a calcinha?"
Zac
>> "Nah... foi algo pior. O ronco do Taylor."
A Ariella deu uma gargalhada.
Ariella
>> "Nossa... que sexy."
Zac
>> "Não conta pra ele que eu te contei, por favor."
Ariella
>> "Pó' dexá..."
Zac
>> "Cadê a Sharon?"
Ariella
>> "Shasháááá..."
Zac
>> "Shashá?"
Sharon
>> "Ai, Ariellaaaa!" – ela gritou do banheiro. O Zac soltou
uma gargalhada.
Ariella
>> "Ai... é que ela não gosta muito desse apelido."
Zac
>> "Ah, eu gosto." – rindo.
A Sharon saiu do banheiro arrumada já, cabelo penteado, etc, etc...
Garota ligeira. Mas imagine se o Zac vê a Sharon desarrumada? Nossa, acho que
é capaz de ela ter um colapso.
Sharon
>> "Esse apelido é muito podre." – ela disse, um pouquinho
brava. Mas não muito, só um pouquinho.
Zac
>> "Por quê? É a sua cara." – sorrindo.
Sharon
>> "Ai, não fala isso."
Zac
>> "Eu queria falar com você, Sharon. 'Cê pode agora?" – com
uma cara de que era sério.
A Sharon já ficou toda preocupada. Para o Zac aparecer àquela hora da
manhã e ainda dizendo que queria conversar, era porque era sério. Não que ela
não quisesse falar com ele, mas quando o assunto é sério, as pessoas costumam
conversar de pertinho e olhando no olho. E olhar nos olhos do Zac Hanson, não
era algo que a Sharon fazia com aquela naturalidade. Quando a gente gosta, olhar
para a pessoa não é fácil. Perturba
a gente.
Sharon
>> "Sobre?"
O Zac preferiu não falar ali, na frente da Ariella. Desde quando a
devolução de um casaco é assunto sério? Então, se ele declarasse que era só
do casaco que ele queria falar, a Ariella iria perceber, a Sharon também, e
ficaria uma situação daquelas famosas "cadê-um-saco-de-pão-pra-eu-enfiar-a-cara??".
Ele só queria ficar um tempo sozinho com a Sharon. E ninguém precisava ficar
sabendo disso. Só ele e, se fosse o caso, ela também.
Ariella
>> "Tudo bem, tudo bem.. eu já entendi. Eu acho que eu vou ali
gritar um pouco com a mulher do corredor e já venho." – ela disse,
saindo do quarto.
Quando a Ariella fechou a porta, a Sharon sentou no sofá do quarto. O
Zac sentou do lado dela, com o casaquinho na mão. Antes de eles falarem
qualquer coisa, deu para ouvir a Ariella lá fora, gritando que nem uma louca
com a mulher da cueca. Eles riram.
Zac
>> "Mas então... o que eu queria falar com você..." – ele
olhou para o casaco – "... era sobre o seu casaco."
Sharon
>> "O que 'conteceu com ele? Rasgou?"
Zac
>> "Não, não é isso... calma." – ele disse sorrindo muito
fofo. A Sharon quase morreu.
Sharon
>> "Ah... que susto..."
Zac
>> "É que o cara levou o casaco pra mim faz um tempo já, só que eu
nunca lembrava de te devolver."
Sharon
>> "E...?" – não entendendo o porquê de ele estar explicando
aquilo.
Zac
>> "E... desculpe."
Sharon
>> "Desculpe?"
Zac
>> "É."
Sharon
>> "Eu acho que eu perdi alguma coisa no meu do seu inglês porque eu
não entendi o motivo de 'cê estar se desculpando."
Zac
>> "Por não ter te devolvido antes."
A Sharon ficou olhando para ele não entendendo muita coisa.
Sharon
>> "Ahm... tá."
Zac
>> "Sério?"
Sharon
>> "Sério??"
Zac
>> "Sério que tá?"
Sharon
>> "Que tá?" – ainda sem entender.
Zac
>> "Que tá tudo bem."
Sharon
>> "Tipo... ahan..."
Zac
>> "Legal." – ele sorriu.
Sharon
>> "Você achou que eu ia ficar brava porque você não trouxe o
casaco aqui antes pra mim?" – ela arriscou.
Zac
>> "É, acho que sim..."
Sharon
>> "Que estúpido."
Ela
arregalou os olhos com a mão na boca na mesma hora.
Sharon
>> "Quer dizer, não!! Eu não tava falando de você! Ai, cocô...
Zac, discupa. Eu não quis... Ai... blah."
Zac
>> "Nossa, haha... tudo bem, calma. Eu entendi."
Sharon
>> "Eu quis dizer que... ai, sei lá, vai..."
Zac
>> "Fala."
A Sharon estava com o rosto abaixado. O Zac agachou um pouco com a cabeça
para olhar para o rosto dela. Ela estava com vergonha de novo. Bom, eu não sei
se eu estaria muito confortável em frente a uma boca daquelas. A Sharon
levantou o rosto um pouco e ficou olhando. O Zac estava esperando por ela dizer
alguma coisa para ele, se explicar, não se sabe. O cabelo estava atrás das
orelhas, com aquele monte de fiozinhos caindo pela bochecha dele. Lindo. Era
incrível como os detalhes que faziam do Zac esse menino tão bonito,
perturbavam a Sharon. Ela se perdia cada vez que olhava para ele.
Zac
>> "Me fala."
Sharon
>> "Ãã? Falar o quê?"
Zac
>> "O que você quis dizer."
Sharon
>> "Não, é que... sei lá... nem lembro."
Zac >> "Não?"
Sharon
>> "Sei lá, esqueci... não lembro. Blah."
Zac
>> "Ah, tá..."
Silêncio. O Zac agora pensava. Lembrou do dia em que ele começou a
beijar a Sharon e ela desmaiou. Ele queria beijá-la de novo, mas não queria
que ela passasse mau dessa vez porque, se isso acontecesse, ele não poderia
beijá-la por muito tempo. Ele ia ter que parar. E o Zac não estava pensando
nisso. Ele queria beijar bastante. Pensou em perguntar para ela se podia, mas
desistiu da idéia logo que percebeu que ela poderia passar mau do mesmo jeito.
Quem sabe se ele fosse devagarinho, chegando pertinho... Não, ela morreria de
vergonha. É, teria de ser de repente, sem avisar, do nada, rapidinho. Aí,
dependendo, ele beijava ela mais uma vez.
Zac
>> "Sharon?"
Quando a Sharon levantou o rosto, o Zac se inclinou rápido e encostou a
boca na dela. Ela levou um susto e ficou paradinha, de olhão aberto, sentindo
aquele monte de coisas, tudo ao mesmo tempo. Um bando de sentimentos bagunçados.
Então ele colocou a mão na bochecha dela e pressionou o rosto da Sharon contra
o dele. Ela continuava em choque. O Zac tirou a boca um pouco, mas não afastou
muito o rosto. Ficou olhando para ela, com os olhos pertinhos do dela, revezando
encará-la e observar sua boca. A Sharon queria dizer um monte de coisas. Um
monte de frases estavam gritando na cabeça dela, um monte de pensamentos... mas
ela não sabia qual escolher para dizer. E o Zac ali, esperando. Então a
Ariella entrou no quarto, falando alto:
Ariella
>> "Ai, gente, chega. Aquela menina da cueca é muito esquisita. Que
horror! Eu que não vou ficar lá pulando com uma garota que pensa que não se
deve usar cuecas. Vai que ela é uma psicopata que tem obsessão por roupas de
baixo?" – ela olha para os dois – "Nossa, gente, que foi? Que
caras..."
Zac
>> "Nada, por quê?" – sério a ponto de convencer Ariella de
que não havia nada mesmo.
Ariella
>> "Ah, que susto... é que 'cês tão com umas caras..."
Zac
>> "Bom, mas deixa eu indo." – ele levantou – "Tchau,
Sharon." – deu um beijinho no rosto dela. Depois foi até a Ariella e a
beijou no rosto também.
Durante aquele dia todinho, a Sharon não disse mais nenhuma palavra. Mas
nenhuma mesmo. Ela ficava olhando para um ponto fixo o tempo todo, pensando no
beijo. Ela lembrava de cada sensação, cada movimento, cada ventinho que passou
por ali na hora. Ela não podia esquecer de nada. Volta e meia, a Ariella pegava
ela olhando para cima, de olhos fechados, sorrindo.
Ariella
>> "Sharon, que que isso?"
A Sharon só abria os olhos correndo, ficava séria e olhava assustada
para a amiga.
Ariella
>> "Sharon, por que 'cê não fala mais?"
É claro que ela não respondia. Era como se, se ela falasse, parte das
sensações que ela estava presenciando naqueles instantes, fossem sumir ou
mudar. Ela queria preservar mais um tempo o instante do beijo, que parecia que
continuava recente na boca dela.
À noite, eles combinaram de fazer alguma coisa juntos. De tarde eles não
puderam ficar pelo hotel porque tinham uns compromissos. Então, quando era bem
tardão, lá por umas nove da noite, o Isaac interfonou lá para o quarto delas
para convidá-las para saírem com eles. Elas se trocaram e desceram na
portaria, onde estava todo o pessoal, incluindo o povo da MTV Brasil.
Martinha
>> "Onde 'cês pensam que vão, garotitas?"
Ariella
>> "A gente vai sair com eles, filha."
A Martinha quase teve uma geração inteira de filhos. Ela detestava o
fato de as meninas estarem ficando cada vez mais íntimas dos meninos. Toda vez
que eles iam sair juntos, era assim: ela começava a falar, falar, a xingar, a
dizer o quanto aquilo era absurdo. E tudo isso, ela fazia mexendo naquele cabelão
esquisito e ajeitando os óculos gigantescos dela. Até que chegava o Seu Viana
super gente boa para defender as duas dos sermões chatos da véia. Sempre tudo
em português, porque a Martinha não era burra de brigar com elas em inglês. Aí
o Hanson entenderia e com certeza, eles defenderiam a Ariella e a Sharon. Essa
Martinha era uma frustada, que só sabia tentar estragar a felicidade dos
outros. Se ela já era um pouco velhinha para passar por esses momentos bons que
só passamos quando somos adolescentes, o problema era todo e completamente
dela. A Sharon era a que mais estressava com a Martinha e com os "garotitas"
dela. A Ariella também não gostava, mas dava só umas cortadas e deixava
quieto.
Viana
>> "Deixa elas, Martinha... deixe que saiam. Se o pai dos meninos
deixaram, quem somos nós para não permitirmos?"
Martinha
>> "Nós somos os donos disso aqui, Viana. Precisamos manter uma
certa organização e limitá-las de algumas coisas."
Viana
>> "Mas por quê, Martinha? Que tipo de organização nós vamos
mostrar ter não deixando elas saírem com os meninos?"
A Martinha ficou totalmente sem respostas. Não tinha o que dizer, já
que o Seu Viana estava muito certo.
Zac
>> "Tá, 'cês vão poder ir com a gente ou não vão?"
Ariella
>> "Vamos sim. É só essa Martinha que tá azucrinando, mas nem dá
nada."
Walker
>> "As meninas vão com a gente?"
Ike
>> "Vão. Tem problema?"
Walker
>> "Não, imagine, claro que não."
Ariella
>> "E aonde que nós vamos?"
Tay
>> "Numa entrevista aí. Lembra, aquela que eu te contei que nós teríamos
de fazer, naquele dia da batata frita. Sabe?"
Ariella
>> "Ah, só, lembrei."
Tay
>> "Então."
Zac
>> "É, mas o legal vai ser depois da entrevista. Nós pedimos pro
nosso pai deixar a gente em algum lugar legal."
Ariella
>> "Mas aqui a gente não entra em lugar nenhum. Só maiores de 21
que..."
Ike
(interrompendo) >> "Nós sabemos. Nós não vamos a nenhum barzinho
ou coisa parecida. A gente vai dar uma andada, passear, ir em algum lugar
aberto..."
Ariella
>> "Ah... 'tendi."
A Sharon continuava quietinha, só prestando atenção. Ela não queria
falar. Claro, em algum momento ela acabaria dizendo alguma coisa, mas ainda não
sentia vontade nenhuma de falar nada.
Zac
>> "Beleza, Sharon?" – quis saber se ela concordava. A Sharon
só balançou a cabeça, fazendo que sim, sem olhar o Zac no olho.
Walker
>> "Então vamos, gente, que já está em cima da hora."
Em cima da hora... Estava nada. Só que o Seu Hanson era muito fanático
com horários. Ele sempre queria chegar nos lugares bem antes só para não ter
o perigo de chegar atrasado. A mulher dele, a Dona Diana, vivia falando para
ele, brigando: "Walker, querido, não precisa sair já. Querido, tá cedo
ainda", mas não adiantava. Nunca adiantou. O Seu Hanson gostava de chegar
cedo e pronto. Não tinha quem mudasse a idéia dele de que: "para você
ser um profissional competente, você precisa chegar cedo aos compromissos. Um
atraso abala a carreira e a opinião pública sobre o seu trabalho". Ai,
que exagero... O Hanson poderia chegar umas três horas atrasado na entrevista,
que era capaz daquele bando de repórteres puxa-sacos pedirem desculpas por
ELES, os repórteres, estarem lá tão cedo.
Então eles saíram do hotel. No carro, o Taylor e o Isaac explicavam
para as duas como era o esquema de segurança e porquê elas não poderiam ser
vistas por nenhuma fã de lá. A Sharon entendia tudo em silêncio e a Ariella
ia concordo com tudo, perguntando, falando... O Zac já estava começando a
ficar incomodado com aquele silêncio da Sharon. Parecia que era alguma coisa
com ele, sentia isso. Bom... ele estava completamente certo.
Zac
>> "Sharon?" – sussurrando.
A Sharon estava sentada do lado dele no carro. Só precisou virar o
rosto.
Zac
>> "O que aconteceu?"
Ela não disse nada. Continuou olhando para ele.
Zac
>> "Você não fala. Por quê?"
A Sharon olhou para baixo.
Zac
>> "Foi por causa do que eu fiz hoje, né?"
Ela olhou para ele. Demorou um pouco, mas acabou balançando a cabeça,
dizendo que sim.
Zac
>> "Eu sabia disso..." – disse chateado. – "Desculpe.
Eu não queria ter te deixado assim. Eu não queria te beijar a força. Por
favor, não pense que eu sou esse tipo de cara que agarra as meninas a força só
porque é famoso. Desculpe, Sharon...Você está pensando coisa ruim de
mim?"
A Sharon balançou a cabeça bem rápido, dizendo que não.
Zac
>> "Não mesmo?"
Ela
balançou bem rápido de novo, dizendo que não.
Zac
>> "Mas mesmo assim... eu quero que você me desculpe. Eu pensei que
você queria que eu beijasse você. Como eu sou convencido... Me desculpe. Por
favor."
A Sharon tinha um discurso todinho pronto na cabeça. Cada palavra estava
na ponta da língua, prontinha para sair e mostrar para o Zac como ele era
importante para a Sharon. Só que a Sharon não contava com uma coisinha: a
timidez dela. O Zac ficou ali, com uma carinha triste, todo arrependido, se
sentindo o pior dos piores, enquanto a Sharon gaguejava um monte. Não saía uma
palavrinha sequer. Nada, nem um "imagina, Zac que isso". Ele ficou
olhando para ela, esperando pelo que ela ia dizer. Até que uma hora, alguma
coisa saiu:
Sharon
>> "Ahm... não tem problema. Quer dizer... sei lá... a gente é
amigo e tal..."
Amigo?!
Putz, Sharon! O Zac ficou se sentindo o mais idiota dos mais idiotas de
todos os idiotas do mundo.
Zac
>> "Amigos? Claro, eu deveria ter desconfiado que era só amizade que
você queria." – então estendeu a mão para ela, sugerindo um aperto de
mão. – "Tudo bem, a gente é amigo agora." – ele disse, tentando
disfarçar que estava um pouquinho chateado com aquilo.
Então eles chegaram no lugar que eles estavam indo. A Sharon queria
pular de uma ponte. Sharon, se 'cê quiser, eu mesma lhe empurro de lá porque
essa do amigo foi a pior de todas da história inteira, incluindo as monguisses
do Taylor. Ela estava muito arrependida. Não entendia porquê tinha dito aquilo
para ele.