CAPÍTULO 11
Ariella
>> "A gente não vai sair?"
O Seu Hanson explicou que eles tinham que esperar o povo acalmar lá
fora, porque senão iriam voar em cima da Ariella e da Sharon também.
Ariella
>> "Então não é melhor nós entrarmos por outro lugar?"
Na mesma hora, o Seu Hanson olhou sério para o produtor, o Seu Sabec,
com aquela cara de "tá pensando o que eu estou pensando?". Parecia
que eles estavam se entendendo por telepatia, conversando sobre algum outro
motivo pela qual não os permitia de entrar como gente normal, pela porta da
frente.
Walker
>> "Bom... a gente poderia entrar lá pelos fundos."
Sabec
>> "Só que tem algumas fãs lá atrás também."
Walker
>> "Então teríamos que apelar para a saída de incêndio."
Sharon
>> "Que qui é?" – ela perguntou, não acreditando.
Sabec
>> "Saída de incêndio."
Ariella
>> "Mas por quê? O que é que tem nós entrarmos pela porta?"
Walker
>> "O Christopher não pode ser visto."
Sharon
>> "E por quê não?"
Walker
>> "Jogada de marketing."
As
duas >> "Aaaa..."
O que que tinha a ver o povo ver ou não ver o produtor, o Seu Sabec?
Como se as fãs fossem gostar mais, ou menos do Hanson porque viram o "Chistopher
Sabec". Óóóóóó... Nada a ver. Mas vai entender essa gente famosa, não
é? Bom, o Seu Hanson pediu para que o motorista desse a volta para que eles
pudessem entrar pela saída de incêndio. Fez umas ligações no celular...
Walker
>> "Nós estamos subindo." – ele disse pelo telefone, assim
que o carro parou.
Sharon
>> "Subindo?"
Então elas entenderam. A saída de incêndio dos Estados Unidos eram
aquelas escadas que nós sempre vemos em filmes do Batman, que ele sempre escapa
por essas escadas ou persegue o bandido naquelas becos, que também são cheios
de escadas iguais àquela que a Sharon e a Ariella olhavam agora.
Sharon
>> "A gente vai ter que subir isso tudo?" – olhando para cima.
Ariella
>> "Ah, Sharon, vamos. Vai
ser legal. Quantas meninas não amariam estar no nosso lugar agora?"
Sharon
>> "Amariam?" – enrugando a testa.
Ariella
>> "Ahm...é."
Subir
escadas não era exatamente a coisa que a Sharon mais amava fazer. Ela não era
chegada num esforço físico, nem numas ginásticas forçadas.
Walker
>> "É no último andar, meninas. Podem começar a subir."
Sharon
>> "A parte divertida..." – ela sussurrou.
Ariella
>> "Mas não tem perigo de alguém ver a gente aqui?" – já
subindo.
Sabec
>> "Não. Acho que não." – não muito certo.
Foram subindo as escadas, até que chegaram no último andar. A Sharon
estava morrendo, tendo uns ataques de falta de ar, implorando por água. A
Ariella já não estava tão nervosa a respeito. Estava mais concentrada no que
iria encontrar lá dentro e com quem iria encontrar. Talvez pessoas famosas,
talvez pedissem para que ela respondesse a algumas perguntas, talvez a pediriam
para fazer uma sessão de fotos com o Hanson... quem sabe? Se ela já tinha
chegado até ali, não duvidava de mais nada. Uma mulher loira, alta e com uns airbags
consideráveis os aguardavam na entrada da saída de incêndio. Nossa... entrada
da saída? A saída tem uma entrada? E a entrada tem uma saída? Ou é a saída
que não pode ser só saída, então dizem que ela tem uma entrada?
Mulher
loira >> "Por favor, meus queridos, é por aqui."
Walker
>> "Obrigado." – disse, simpático. Aliás, muuuuito simpático.
Sabec
>> "Walker, Walker... imagina se a Diana fica sabendo disso?"
– rindo.
Walker
>> "Que isso, Christopher? Eu
sou um homem íntegro." – seguindo a moça e o que ela tinha de mais
avantajado.
Sabec
>> "E aquela senhorita à frente tem um belo par de... bom, você
sabe." – sorrindo, malicioso – "E daí?"
Mmm... agora eu entendi o porquê da simpatia do Seu Hanson. Quem disse
que os homens do Hanson também não tinham algo entre as pernas? Aliás, como
todo homem, esta região às vezes lhes sobem à cabeça e eles deixam que
controlem todos os seus sentidos, princípios, ética e racionalidade. Lastimável...
Mulher
loira >> "Os seus filhos estão aqui, Mr. Hanson. Podem entrar."
– disse o objeto de desejo, sorrindo.
Walker
>> "Muito obrigado, Srta. Debby."
Debby? Pensei que o nome dela fosse Barbie.
Eles entraram nos camarins, que tinha vista para o salão principal, onde
estaria ocorrendo a entrevista coletiva em alguns minutos. Os três esperavam
pelo início do evento, sentados no sofá macio, item básico de camarins,
conversando e combinando algumas das respostas que eles dariam naquela
entrevista.
Ike
>> "E não esqueçam. Se perguntarem o que nós conhecemos do Brasil,
falem dos jogadores de futebol. Sempre perguntam isso e a gente nunca sabe o que
dizer."
Tay
>> "Sóóóó..."
Walker
>> "Filhos..."
Os três viraram em direção ao chamado e viram o Seu Hanson, o Seu
Sabec e a Ariella e a Sharon.
Tay
>> "Oi, gente. Chegaram?" – sorrindo, meigo.
Zac >> "Não, Taylor, é a Sharon, mas é a Stone. E é a Ariella, mas esta é a pequena sereia." – revirando os olhos.
Tay
>> "Pequena sereia é Ariel. Não Ariella, seu inútil."
Zac
>> "Whatever..."
Ariella
>> "Meu, tem muita gente lá fora."
Ike
>> “Por que ‘cês demoraram tanto para entrar?”
Sharon
>> “Porque nós demos uma de bombeiro hoje.” – ela disse, um pouco
mal humorada.
Ariella
>> “Ah, Sharon, foi legal...” – disse, sorrindo.
Zac
>> “Vocês por acaso subiram pela escada de incêndio?” – perguntou
olhando para a Sharon.
Sharon
>> “Ahm... ahan.” – ela respondeu meio tímida.
Tay >> “Haha... de novo, pai?”
Walker
>> “Ah, mas é divertido... vocês não acharam, meninas?”
A Sharon olhou para a Ariella e virou os olhos, sem ninguém perceber.
Ela estava de costas para todo mundo e a Ariella de frente.
Ariella
>> “Foi sim, Mr. Hanson. “ – sorrindo.
A Sharon também teria achado mais interessante o passeio, se ela não
estivesse sentindo tudo o que ela estava sentindo. Ela estava angustiada, louca
para falar com alguém sobre o que estava acontecendo... o problema é que a
Sharon não era de falar. Dificilmente ela contava para a Ariella, que era a
melhor amiga dela, sobre coisas de sentimento e essas coisas que a gente sente
quando gosta de alguém. Muitas vezes, a Ariella tinha que ficar adivinhando o
que era, porque a Sharon não gostava de falar. Ela tinha problemas para
expressar as coisas que ela sentia, o que estava dentro dela. Sabe aquelas
coisas que você nunca disse em voz alta, mas sentiu a vida todinha? Então.
Bom, como a Sharon estava um pouco chateada, a tendência era ela ficar meio
chata, mal humorada e implicante. A Ariella já sabia que tinha alguma coisa
errada com a amigona dela porque conhecia a Sharon melhor do que ela mesma.
Walker
>> “Isaac, Zac... faltam só vocês para serem maquiados.”
Zac
>> “Nossa, mais da metade da banda não está pronta ainda. E agora??”
– referindo-se a ele e o irmão mais velho. Todos riram. O Zac e o Isaac
levantaram. Quando já estava saindo...
Zac
>>” Sharon, ‘cê não quer vir com a gente?” – ele disse, todo
meigo.
A Sharon ficou completamente sem saber o que fazer. Gaguejou um monte,
mas acabou indo. O Zac a tratava como se fosse a melhor amiga dele. A Sharon
odiava aquilo, mas sabia que, no fundo, era culpa dela. Isso a matava por
dentro.
Tay
>> “A Sharon tá chateada?”
Ariella
>> “Não sei...”
A Ariella sabia, mas é claro que ela não queria falar daquele assunto
ali, sozinha com o Taylor. Tanta coisa mais interessante para beijar, quer
dizer... cof, cof... conversar. Para quê falar do problema alheio, não é
mesmo?
Tay
>> “E...” – tentando começar um assunto determinado.
Ariella
>> “Fala.” – ansiosa, mas tentando disfarçar.
O Taylor estava exageradamente sem jeito. Mais tímido do que o normal.
Sabe quando você sente que a pessoa já está pensando em fazer alguma coisa, já
está planejando algo, e, por causa disso, ela começa a ficar sem jeito por
antecipação? Então, era isso que o Taylor aparentava estar fazendo. A Ariella
percebeu isso.
Tay
>> “Você veio por que você quis ou...”
Pronto. Agora estava mais do que provado que ele estava pensando alguma
coisa. Quando alguém começa a fazer perguntas cretinas, sem a menor razão de
ser, como esta que o Taylor acabou de fazer para a Ariella, era porquê alguma
coisa tinha.
Ariella
>> “Você quer saber se eu vim obrigada, se me chicotearam para vir...
é isso?”
Então o Taylor percebeu que tinha falado merda.
Tay
>> “Desculpe...” – rindo dele mesmo. – “Eu não queria perguntar
isso. É que eu estou um pouco nervoso...”
Ariella
>> “Com o quê?”
Tay
>> “Sei lá, acho que é a entrevista... não sei direito...”
Ele não olhava a Ariella nos olhos. Bom sinal. Então eles começaram a
conversar umas besteirinhas desse tipo. “Nossa, ‘cê viu como esfriou agora?
Engraçado, porque de dia estava calor” e coisas sem o menor propósito. Por
causa disso, o Taylor começou a se soltar mais, a ficar mais a vontade. Ele até
começou a olhar a Ariella diretamente nos olhos. Estamos progredindo, Taylor,
estamos progredindo...
Ariella
>> “Você ainda tá nervoso?”
Quando a Ariella perguntou isso, o Taylor ficou olhando para ela, sério,
pensativo. Ela notou que ele estava reparando nela, nos detalhes do rosto, no
momento que eles estavam passando juntos. E ele deu aquele sorrisinho de novo. O
mesmo do dia da cozinha. O sorrisinho de quando dava uns daqueles ataques nele
de coragem. A Ariella percebeu isso na mesma hora. E o coração dela começou a
bater bem acelerado, começou a dar dor de barriga e a ansiedade dela só
aumentou.
Tay
>> “Acho que não.” – ele disse, bem baixinho.
Ariella
>> “Que bom, porque...sei lá, acho que é pior quando você entra para
dar uma entrevista nervoso e, tipo... é melhor para a concentração. Sabe que
uma vez a minha tia me contou que quando a gente tá nervoso, é bom respirar 35
vezes com a cabeça virada para baixo e...”
Aí a Ariella deu de falar sem parar, bem rápido. Ela estava nervosa
demais, porque o Taylor continuava olhando para ela com aquele cara de coragem,
com aquela expressão séria, com aquele olhar que despia a alma da Ariella
inteira, que a tornava vulnerável em relação a ele. O Taylor sabia que ela
estava nervosa, mas sentia que ela queria a mesma coisa que ele. Enquanto a
Ariella falava, o Taylor ficava só observando. Eles estavam sentados em cima de
umas caixas, de frente um para o outro.
Ariella
>> “...mas dizem também que é muito bom para a circulação você
correr uns três minutos em círculos, mas no sentido anti-horário, porque se
for no horário, não tem o mesmo efeito...”
E dá-lhe falar. Então o Taylor colocou a mão no rosto dela, como um
pedido de silêncio, para que ela pudesse concentrar também, do mesmo jeito que
ele estava concentrado. Concentradíssimo, eu diria. A Ariella ficou quieta e
olhou para ele. Aquele olho azul. Ai, aquele azul... nossa, era de nocautear
qualquer cidadão. O jeito que o Taylor a olhava... parecia que ele estava lendo
todos os pensamentos dela. A Ariella, por um momento, parou de pensar coisas
como “Meu santinho, ele vai me beijar, socorro!” porque ela tinha certeza de
que ele estava lendo isso. O Taylor escorregou a mão pelo rosto dela até que a
mão caísse no colo da Ariella. E ele deixou a mão lá, apoiada na perna dela.
Com a outra, ele colocou o cabelo da Ariella atrás das orelhas e, com o dedo
indicador, foi contornando cada traço do rosto dela, até os lábios. E se
aproximou. E tocou a boca dela, muito devagar, dando só um beijinho primeiro. O
corpo da Ariella formigava inteiro. Inteirinho. Ela não sentia os pés dela no
chão, a bunda dela na caixa, os joelhos dobrados... nada. Estava tudo voltado
para a boca dela sendo beijada pelo Taylor. Sim, ele era um menino tímido...
mas só antes de conseguir o que ele queria. Porque depois, ele tornava-se muito
atrevido, sem vergonha de nada. Começou a beijar ao redor da boca da Ariella,
quase matando ela de tanta vontade. Ela queria um beijo, um com muita língua,
baba, nariz se batendo. E, cansada de esperar por isso, colocou as duas mãos no
rosto dele e puxou com tudo o Taylor para ela, fazendo com que os dois
finalmente se beijassem como ela queria. Ele abriu bem a boca e beijou muito a
Ariella. Mas muito mesmo. E apertou muito a perna dela, já que a mão dele
estava por ali mesmo... A Ariella bagunçava o cabelo dele, mordia o lábio,
corria as mãos pelo ombro e tórax dele... enfim, fez tudo o que ela desejou
fazer desde o dia em que se tornou uma fã de Hanson.
Tay
>> “Nossa...” – ele parou um pouco para respirar, sorrindo, com uma
cara de tarado.
A Ariella só sorriu. E continuou beijando.
Ike
>> "Caham" – ele
tossiu.
Os dois se largaram na mesma hora. A Ariella deu um pulo para trás e
ajeitou o cabelo. O Taylor também arrumou as madeixas loiras dele e limpou o
canto da boca. O Isaac, o Zac e a Sharon olhavam para eles com aquele olhão
arregalado. O Isaac ficou um pouco assustado quando viu os dois naqueles amassos.
A Sharon estava branca e o Zac não parava de rir da cara do Taylor, que estava,
a essas alturas, vermelho-canetinha.
Ike
>> "Desculpe interromper este interlúdio romântico, mas é que a
gente já vai entrar, Taylor."
Tay
>> "Ah, claro, claro..." – levantando. – "Eu... eu já
estava indo."
Os três saíram dali e a Sharon sentou ao lado da amiga. A Ariella
estava um pouco sem jeito, porque... bom, ela estava mesmo se amassando com o
Taylor e não é lá muito confortável quando pessoas conhecidas te encontram
fazendo essas coisas.
Sharon
>> "Nossa, nossa, nossa, nossa, nossa, nossa..." – ela começou,
falando daquele jeito rapidinho dela, com uma palavra quase esmagando a outra.
Muito legal.
A Ariella abriu um sorrisão.
Ariella
>> "Você viu?" – sorrindo.
Sharon
>> "Nah... nem vi." – completamente irônica. – "Sua
vaca suja!! Sua mú!! AAHH!!" – rindo e gritando ao mesmo tempo.
A entrevista, que prometia ser "A" entrevista, foi bem normal.
As mesmas perguntas de sempre, as mesmas respostas de sempre... uma chatice. A
Sharon e a Ariella não paravam de rir baixinho e falar do amasso do Taylor com
a Ariella. Ela contou para a Sharon como foi um monte de vezes, a pedido da própria.
Sharon
>> "Então ele beija bem mesmo?"
Ariella
>> "Púúúútz! Muuuuito bem!"
Sharon
>> "Ai, que invejona..." – fazendo cara de choro. –
"Sua bucefaléia!"
Ariella
>> "Hahaha..."
A Ariella só ria. Depois
da entrevista, todo mundo voltou para o hotel, mas foram direto para os seus
quartos. Os três estavam mortos de cansaço. É que ficar sentado respondendo
pergunta deve cansar muito, mas tudo bem, né... A Ariella era só alegria. A
Sharon nem tanto. Não conversaram muito depois. só a Ariella que ficava
repetindo e repetindo e repetindo a descrição de como foi o beijo dela com o
Taylor. A Sharon estava começando a ficar irritada já. Até que elas
deitaram, a Ariella não disse mais nada e elas dormiram.