CAPÍTULO 9
Aquela
manhã se iniciava chuvosa. Diana, baseada nessa fato, deixa que os filhos e as
sobrinhas dormissem até mais tarde um pouco, já que todo dia os acordava um
pouco cedo para as aulas. Ela e Mariah permanecem na cozinha conversando sobre o
encontro com Andy, amigo que há muito não viam.
A
chuva estava forte e não cedia. Gabi, noite passada, acabara dormindo no quarto
dos primos e Cacá, por ter ido deitar mais cedo que os outros, dormia no quarto
de hóspedes. Com o barulho da chuva, Taylor acaba acordando. Olha para seu lado
direito e vê Gabi deitada junto de Zac. Olha mais um pouco ao seu redor à
procura de Cacá, mas não a encontra. Ele olha pela janela e comenta
interiormente sobre o toró que caía. Resolve levantar. Quando estava descendo
as escadas, vê a porta do quarto de hóspedes aberta. Consegue enxergar a forma
dos pés de Cacá embaixo das cobertas. Só se via a ponta da cama. Como num
impulso, ele caminha devagar até o quarto. A chuva continuava muito forte lá
fora. Ele pára na porta do quarto de hóspedes e fica observando Cacá. Ela
dormia tranqüilamente. Taylor sorri. Cacá respira muito fundo e troca sua posição,
movendo apenas o seu tronco. Ele continua ali, parado, observando encantado ela
dormir. Ele olha para baixo pensativo. Depois de um tempo...
CACÁ>>
“O que ‘cê tá fazendo aí parado?”
Taylor
olha para Cacá assustado. Não imaginava que ela fosse acordar de repente e
fosse vê-lo ali.
TAY>>
“Ah, eu? É...
é que eu achei que ‘cê estava acordada. Daí vim ver.” – ele pensa rápido.
CACÁ>>
“Eu não tava, mas agora eu tô.” – se enfiando mais embaixo das cobertas
– “Tá frio, né?”
TAY>>
“É, bastante.”
CACÁ>>
“Hmm... acho que vou ficar aqui embaixo das cobertas mais um pouco.” – se
encolhendo toda e sorrindo. Taylor acha graça do jeitinho que Cacá sorriu. –
“Você num tá com frio?”
TAY
>> “Um pouco.”
Eles
ouvem alguém se aproximando pela escada. Era Diana.
DIANA>>
“Bom dia.” – beijando o filho na bochecha – “Oi, Cacá.” –
acenando de longe.
CACÁ>>
“Oi, tia.” – sorrindo.
DIANA>>
“Vocês não querem tomar café?”
TAY>>
“Não sei, se a Cacá quiser...”
CACÁ>>
“Eu vou ficar aqui mais um pouco e já desço.”
DIANA>>
“Tudo bem.”
Isaac
se aproxima com cara de sono e esfregando os olhos.
IKE>>
“Bom dia, gente... UAAAAAH!!”
DIANA>>
“Oi, filho.” – o beijando no rosto. Todos dizem bom dia.
IKE>>
“Putz, que fome.”
DIANA>>
“Vem que eu fiz waffles hoje pra vocês.”
IKE>>
“Nham nham...” – indo atrás da mãe.
TAY>>
“Você não vem?”
CACÁ>>
“Daqui à pouco.”
TAY>>
“Tá.” – virando para sair da porta do quarto quando volta para dizer algo
– “Ah, Cacá.”
CACÁ>>
“Fala.”
TAY>>
“É...” – pausa – “Só não demore, tá?”
Cacá
acha aquilo de uma docilidade incrível, mas manifesta apenas com um meigo
sorriso.
CACÁ>>
“Tá. Eu não vou demorar. Prometo.” – ainda com o sorriso. Taylor sorri
também sentindo-se melhor agora.
Ele
sai do quarto. “Esse Taylor... que
fofinho.” ela pensa.
Depois
que todos levantam e tomam café, a chuva passa e eles vão para a rua. Lá,
estava todo mundo, inclusive os amigos de Zac.
LÍ>>
“Gente, olha só. Depois de amanhã a noite a minha mãe vai dá uma saída e
deixou eu convidar todo mundo pra ir fazer zona lá em casa. ‘Cês topam?”
Todos
concordam.
IVY>>
“Mas a sua mãe num vai ficar brava?”
LÍ>>
“Nah... ela deixou.”
IKE>>
“Que horas?”
LÍ>>
“Ah, lá por umas oito ‘cês podem ir chegando.”
ZAC>>
“Beleza. Bom, eu vou ali com eles, tá? Já venho aí.”
TAY>>
“Lí, ‘cê tem certeza que não dá nada?”
LÍ>>
“Tenho.”
SCOTT>>
“Bom, qualquer coisa também, a gente sai batido de lá.” – todos riem.
MYRANDA>>
“Sabe o que eu tava pensando? Em alugar um filme. O que ‘cês acham?”
IKE>>
“Uma boa.”
LÍ>>
“Ah, daí ‘cê pode levar o filme que você quiser, Myra. ‘Cê escolhe e
leva, tá?”
MYRANDA>>
“Tuuuuudo bem.” – sorrindo.
SCOTT>>
“Vocês não querem andar de roller
não?”
TAY>>
“Hmm... tá.”
Taylor e Isaac entram em casa e voltam
com os patins deles e mais os de Gabi e Zac. Começam todos a andarem juntos. Até
uma hora em que Taylor patinava mais afastado de todos, sozinho, Duda se
aproxima dele.
DUDA>>
“Tay.”
Ele
vira para trás.
TAY>>
“Oi, Duda, fale.”
DUDA>>
“Eu queria falar com você.”
TAY>> “Estou ouvindo.” – olhando para frente. Duda patinava a seu
lado.
DUDA>>
“Por que aquele dia que eu te beijei você ficou tão bravo?”
TAY>>
“Eu? Bravo?” – não querendo entrar no assunto.
DUDA>>
“É, bravo.”
TAY>>
“Não sei...”
Taylor
olha para Cacá. Ela ainda não o tinha visto conversando com Duda. Ele sente-se
aliviado, mesmo sabendo que Cacá não iria ficar muito brava como costumava
ficar.
DUDA>>
“Você ficou super revoltado!”
TAY>> “Fiquei? Nossa, nem me lembro disso...”
Uma
coisa que Taylor detestava era falar do que estava sentindo. Não tinha muita
facilidade com isso. Preferia guardar para si seus sentimentos e não falar para
ninguém. Cacá era a única pessoa a qual ele havia realmente se aberto. Taylor
não imaginava que, algum dia, fosse encontrar alguém que se sentisse à
vontade para falar de seus sentimentos. Era só para ela que ele sentia que
deveria dar explicações, mesmo sabendo que o melhor a fazer era esclarecer
tudo para Duda de uma vez e acabar com o problema.
DUDA>>
“Então tá tudo bem entre a gente?”
TAY>>
“Tá... nós somos amigos, como antes.” – ele enfatiza a palavra
‘amigos’ para mostrar a ela que eles dois não eram nada mais do que isso.
GABI>>
“Taaaaaaaaay!!!!” – gritando mais de longe.
Ele
vai até a prima. Gabi queria apenas que Taylor patinasse mais próximo aos
outros. Duda estava tão chateada, que, sem avisar aos outros, ela vai para
casa. Zac, que patinava com as duas primas, vê quando Duda entra em casa.
ZAC>>
“Onde a Duda foi?”
GABI>>
“Por que?” – olhando na direção que Zac olhava.
ZAC>>
“Ela entrou em casa sem nem dá tchau.”
CACÁ>>
“Entrou? Mas por que?”
TAY>>
“O que ‘cês tanto olham aí?” – chegando ao lado de Gabi.
GABI>>
“A Duda. Ela
foi pra casa sem dizer tchau pra gente.”
Taylor
sente sua consciência pesar no mesmo instante. Ele sabia que era por causa da
conversa que ele havia acabado de ter com Duda.
TAY>>
“Ah, foi é?” – tentando disfarçar seu incômodo.
CACÁ>>
“Será que não é melhor alguém ir lá falar com ela?”
TAY>>
“Não!!!” – ele grita; todos o olham estranhando – “Quer dizer...”
– disfarçando de novo – “...eu não acho uma boa idéia porquê agora ela
deve tá querendo ficar sozinha... Isto, é claro, se ela estiver mesmo
triste.”
GABI>>
“É, faz sentido... Deixe quieto então por enquanto.”
Hora
do almoço. Todos vão para casa. Na casa dos Hanson, todos sentados à mesa. O
assunto entre os adultos era um só: o jantar com Andy e o filho único dele.
MARIAH>>
“E então, Didi, o que nós vamos preparar para ele hoje?”
DIANA>>
“Não sei... quem sabe um camarão na moranga ou algo do tipo...”
MARIAH>>
“Hhmm, gostei da sua idéia. Não vejo a hora de conversarmos sobre os tempos
de colégio. Puxa, vai ser um jantar muito agradável!” – ela diz com um
largo sorriso.
DIANA>>
“Verdade...” – sorrindo – “E você viu o Dave? Que lindo é aquele
menino! Nossa! É a cara
do
Andy!”
MARIAH>>
“Nossa, bonito mesmo... como o pai!” – soltando uma gargalhada logo a
seguir. Diana apenas sorri, pois sabia que Walker não gostava muito desse tipo
de observação da parte da esposa. Sim, ele era um marido muito ciumento.
DIANA>>
“Eu só lembro que ele era muito nosso amigo. A gente conversava muito com
ele, não é?”
GABI>>
“Com licença um minuto.” – Diana e Mariah a olham – “Será que vocês
podem explicar quem é esse cara afinal? Tipo, ‘cês tão falando dele desde
ontem quando a gente encontrou o figura no shopping. O que ele tem de tãããããããão
legal?”
MARIAH>>
“Ah, claro querida. Me desculpem, meus queridos, acho que nós deveríamos ter
esclarecido as coisas, não é?”
GABI>>
“É!”
MARIAH>>
“Bom, o Andy é uma amigo muito quisto por mim e pela Diana desde os tempos de
colégio. Nós éramos colegas de classe e sempre que podíamos, saímos
juntos.”
DIANA>>
“Era bastante divertido. Porém a nossa amizade durou pouco porque ele foi
expulso do colégio.”
CACÁ>>
“Nossa, o cara era meio pervertido pelo jeito...”
MARIAH>>
“Ah, um pouco. É que ele tinha uma filosofia de vida um tanto estranha. Era a
seguinte: ‘ferre-se o mundo’.”
TAY>>
“Não seria ‘foda-se o mundo’?”
DIANA>>
“Taylor!!! Que linguajar é esse??!” – o adverte.
TAY>>
“Desculpe, eu só tava corrigindo a tia Mariah.” – levantando os ombros
com uma expressão de inocência. Todos riem, menos Diana, Walker e Mackienze
(por não ter visto nada de errado na observação do irmão).
MARIAH>>
“Bom, de qualquer forma, o Tay está certo.”
IKE>>
“Hehe...”
Depois
do almoço, Taylor, Gabi, Zac, Cacá e Isaac vão para o jardim sentarem no sol
para conversarem um pouco. Mesmo tendo alguns raios de calor, nada espantava o
frio que fazia naquele dia. Após algum tempo ali, Zac cochicha algo com Gabi.
ZAC
(cochichando)>> “Vamos lá no quarto um pouco?”
GABI>>
“Tudo bem.”
Eles
levantam e saem. Chegando no quarto, os dois sentam no chão, um ao lado do
outro.
ZAC>>
“Sabe o que eu notei ontem?”
GABI>>
“Não.”
ZAC>>
“Que...” – ele a olha por um tempo – “Que o Adrian não ligou.”
GABI>> “É, eu reparei nisso também.”
ZAC>>
“Reparou?”
GABI>>
“Claro que sim. Eu tava mó preocupada, pensando no que ele ia me falar, nas
besteiras que ele ia ficar dizendo pra mim... eu não tava nem um pouco afim de
falar com ele!”
ZAC>>
“Ah tá... pensei que você tinha se importado.”
GABI>>
“Nah... nem.” – ela sorri.
Zac
sorri também e inclina-se para tocar-lhe os lábios. Antes que ele a beijasse
de língua, Gabi tira os lábios a uma pequena distância.
GABI
(sussurrando)>> “E se alguém aparecer?”
ZAC
(sussurrando)>> “Ah, a gente inventa alguma coisa na hora.”
Ele
toca os lábios de Gabi novamente. Se beijam de língua. Zac coloca sua mão por
dentro do moletom dela, em sua cintura, acariciando com delicadeza. Gabi apoia
uma de suas mãos no peito de Zac e a outra ela segurava, levemente, seu pescoço.
Se beijavam muito devagar, sem pressa nenhuma, não se preocupando nem um pouco
com a possibilidade de alguém aparecer. Zac tira seus lábios puxando os de
Gabi, lhe dando mais um selinho.
ZAC>>
“Já volto.” – ele sorri e toca os lábios dela antes de levantar e deixar
o quarto.
Gabi
estava muito feliz. Nem podia explicar o quanto. Durante a sua espera por Zac, o
telefone do quarto deles toca. Ela levanta atender.
GABI>>
“Alo?”
ADRIAN>>
“Gabi? Oi, é o Adrian.”
Zac
estava vindo.
GABI>>
“Ah, oi Adrian.”
Zac
quando ouve Gabi falando “oi Adrian”, pára na porta para ouvir. Em segundos
ele pensa no que estava fazendo, o quão sujo aquilo estava lhe parecendo. É
claro que ele confiava em Gabi, afinal, é a pessoa que ele mais ama, só que
ele precisava ouvir o tipo de conversa que ela tinha com Adrian. Se Zac
estivesse presente no quarto, com certeza Gabi não conversaria da mesma maneira
com ele.
ADRIAN>>
“E aí, como é que você tá, morando em Tulsa sem mim?”
GABI>>
“Ah, até que não tá tão difícil de agüentar.” – ela diz séria, porém
irônica.
Zac
sussurra para ele mesmo: “O que não está tão difícil de agüentar?”. É
óbvio que a imaginação de namorado inseguro de Zac já começou a funcionar.
Ele tinha certeza absoluta que o quê “não estava difícil de agüentar”
era ele ou a companhia de seus familiares (Diana, Taylor, Isaac, Walker...)
ADRIAN>>
“Hmm... que bom saber. Por que você não me deu mais notícia? Eu tava
preocupado.”
GABI>>
“Ah é?”
ADRIAN>>
“Mesmo à distância, eu continuando gostando de você.”
GABI>> “Nossa...”
Zac
ouvia atento à conversa.
ADRIAN>>
“Eu sei que, mesmo longe, eu ainda sou seu namorado.”
GABI>>
“Então eu tô namorando, atualmente, uma pessoa que eu não sinto
absolutamente nada.” – ironia sobre o suposto namoro que Adrian dizia ter
com Gabi.
Zac,
quando ouve aquilo, fica muito bravo. “Eu
não acredito que a Gabi não sente nada por mim!!”. Várias coisas
maquinavam na cabeça de Zac. Ele encaixa toda a frase que ouvia num diálogo
imaginário de Gabi com Adrian que ele mesmo montava.
ADRIAN>>
“Eu lembro quando eu ainda não tinha notado que você existia! Você não era
nada sem mim!!”
GABI>>
“Sinto falta de você daquele jeito.” – ela falava, calmamente, sobre o
quanto era bom quando ela e Adrian ainda não se conheciam.
Zac
fica indignado. “O que?? Saudades???”
ADRIAN>>
“Eu sei com quem você tá aí!!”
GABI>>
“Sabe? Como você sabe?” – rindo, porém num tom irônico.
Zac
pensou nesse momento: “Ele deve tá falando pra ela que sabe que é dele que ela gosta!”
ADRIAN>>
“É com aquele Zac, não é??”
GABI>>
“Você sabe quem é Zac por acaso??”
Zac
fica horrorizado com a maneira que ela havia falado seu nome.
ADRIAN>>
“Sei!! A Lourdes me falou dos seus primos pra mim!”
GABI>>
“E como é que você sabe que é o Zac? Você nem sabe de quem eu gosto.”
– calmamente.
Zac
continuava ouvindo: “O que??? Não é de mim que ela gosta?? Eu sei o que ela deve tá
falando. Ela deve tá tentando provar pra ele que é dele que ela gosta! Ele
deve ter falado o meu nome e agora ela deve tá contestando.”
ADRIAN>>
“Vai me dizer que não é desse Zac??”
GABI>>
“Olha, Adrian, eu pensei que, depois de tudo o que eu te disse agora no
telefone, você tivesse visto a verdade sobre tudo o que eu sinto em relação a
você. Mas já vi que nada do que eu te disse adiantou. Você continua vendo
tudo errado. Eu pensei que você já tinha entendido!”
Zac
estava quase chorando. Ele precisava sair dali. Então, ele desce correndo as
escadas passando pela sala, onde estavam Diana e Mariah, como um vulto. Estava
muito nervoso.
DIANA>>
“Zac, o que foi, filho??” – ela diz logo que vê o filho passar correndo
pela sala.
Ele
bate a porta da sala e sai para a rua.
DIANA>>
“Nossa, o que será que aconteceu?”
MARIAH>>
“Deixa, Diana... Nessa época de adolescência, todo mundo fica meio
rebelde.” – tenta tranqüilizar a irmã.
ADRIAN>>
“Do que você tá falando?? O que eu tô entendendo tudo errado??”
GABI>> “Eu não gosto de você, mas que saco!! Vê se entende de uma
vez!!”
ADRIAN>>
“Como assim não gosta?? E o nosso namoro??!”
GABI>>
“Adrian, nunca existiu um namoro!! É você que fica imaginando coisas!! Eu
nem se quer cheguei a gostar de você! Olha, nem sei porque eu tô aqui
discutindo essas coisas com você!! Não me procura mais, tá?? Tchau!!” –
desligando o telefone na cara de Adrian – “Putz, que cara chato!” – ela
fala sozinha.
Gabi
vai até o corredor à procura de Zac, mas não o vê por ali. Ela olha por
todos os quartos. Não o encontrando, ela vai até o jardim junto da irmã e dos
primos.
GABI>>
“Gente, o Zac não passou por aqui?”
IKE>>
“Não, Gabi.”
TAY>>
“Ele não tava com você?”
GABI>>
“Tava, mas não tá mais.”
CACÁ>> “Nossa, como é que você conseguiu perder o Zac??” –
brincando.
IKE>>
“Olha no seu bolso.”
GABI>>
“Ah, lembrei! Eu guardei ele dentro da minha gaveta.” – ela brinca –
“Eu vou atrás dele, daí depois, quando eu achar, a gente vem aqui, tá?”
– quando já estava saindo – “Ah, Cacá, depois quero falar com você.”
CACÁ>>
“Tuuuuuudo bem.” – ela sorri.
Gabi
vai até a sala, onde Diana e Mariah conversavam.
GABI>>
“Licença, mas ‘cês duas viram o Zac por aí?”
DIANA>>
“Ele passou agora aqui muito nervoso, querida. Eu estou super preocupada. Ele
saiu pra rua correndo, sem dizer nada. Parecia tão perturbado...” – ela diz
aflita.
GABI>>
“O Zac?” – estranhando – “Nossa, que estranho... Bom, mas não se
preocupe, tia, eu vou atrás
dele,
tá?”
DIANA>>
“T...tá.” – muito aflita.
MARIAH>>
“Calma, Didi, calma...” – vira para a filha – “Gabi, volta logo com
notícia dele, tá?”
GABI>>
“Tá.” – ela diz já saindo pela porta.
Enquanto
Zac andava, ele ia passando todo o diálogo, da maneira que ele acha ter sido,
em sua cabeça. Ele estava muito magoado. Não podia acreditar que Gabi havia
feito aquilo com ele. “Eu tinha certeza que a Gabi gostava de mim!! Até tirar com a minha
cara ela tirou com aquele cara!! Vagabunda!”. Zac andava muito rápido. É
quando ele passa por Lí.
LÍ>>
“Oi, Zac.”
ZAC>>
“Sai daqui, garota, me deixa!!!!!” – ele grita com ela.
Lí
percebe que Zac estava chateado com alguma coisa e vai atrás dele.
Gabi
andava pelo quarteirão à procura de Zac. Não o encontrava em lugar nenhum.
Ela gritava pelo nome dele, mas não obtinha resposta. Com a medida que o tempo
passava, e muito rápido, ela começava a ficar mais preocupada. Já faziam mais
de uma hora que ele havia sumido e ela não o encontrava em lugar algum. Já
estava andando há algum tempo e nada de encontrá-lo. Gabi olhava ao seu redor,
com a mão em sua testa, agora, desesperada.
GABI>>
“Zac, cadê você?” – ela fala sozinha.
Mais
um tempo andando e Gabi resolve voltar para casa. Lá, todos estavam reunidos na
sala muito preocupados. Mariah consolava a irmã. Walker ligava para todos os
amigos de Zac perguntando por ele. É claro que nenhum deles sabiam de nada. O
clima estava péssimo. Logo que Gabi entra em casa...
DIANA>>
“Gabi, cadê o Zac???”
GABI>>
“Eu não sei, tia! Eu procurei por tudo, por tudo! Não encontrei em lugar
nenhum! Fui até nas casas de todo mundo aqui da rua atrás dele e nada!” –
Gabi começa a chorar – “Eu não sei como ele pode ter sumido desse
jeito!” – Gabi chorava mais.
DIANA>>
“Mas onde será que ele tá?” – mais preocupada.
WALKER>>
“Calma, querida, o Zac deve estar na casa de alguém, deve estar passeando com
algum amigo dele...”
DIANA>>
“Mas ele nunca fez isso, Walker! E na casa de quem ele pode estar se nós
ligamos para todos os amigos dele??”
Gabi
chorava mais. Taylor vai até a prima.
TAY>>
“Gabi, você tava até agora procurando por ele?”
GABI>>
“Tava, mas eu não achei ele em lugar nenhum! Tay, onde é que tá o Zac? Como
é que ele some assim, sem dar notícias??” – chorando muito.
TAY>>
“Calma, Gabi...” – diz abraçando a prima. Gabi estava muito desesperada.
Ela segura Taylor forte e desaba no choro.
MARIAH>>
“Não podemos chamar a polícia?”
WALKER>>
“Não. Eles só consideram desaparecimento após 24 horas. E o Zac só está
desaparecido a duas horas.”
DIANA>>
“Que horas são?”
IKE>>
“São três e meia.”
CACÁ>>
“Bom, vamos esperar. Vai que ele aparece, né?”
Todos
sentam no sofá a espera de Zac. Mais duas horas se passam e nada. Diana estava
cada vez mais preocupada. Walker continuava ligando para a casa de várias
pessoas conhecidas à procura do filho.
WALKER>>
“Diana, já liguei para todo lugar que o Zac poderia estar.”
DIANA>>
“Onde que ele tá?? O meu filho querido...” – não mais chorando, mas
muito preocupada.
MACKIE>>
“Mamãe, cadê o Zac?” – com a voz chorosa.
DIANA>>
“Não sei, querido... mas daqui à pouco ele tá aqui.”
AVIE>>
“Mas por que ele foi embora, mãe?”
DIANA>>
“Mas ele não foi embora, Avie. O Zac só saiu sem avisar. Logo ele volta.”
Gabi
já estava mais calma, porém ainda estava muito preocupada. Ela estava sentada
no sofá abraçada com a irmã. Mackie acaba dormindo no sofá. Walker o leva
para a cama. Diana andava de um lado para o outro. Isaac e Taylor estavam
sentados na mesa de jantar quietos, num silêncio tenso. É quando eles ouvem o
barulho da porta abrindo. Todos viram em direção à porta e vêem Zac entrando
calmamente. Ele estava de cabeça baixa, aparentemente abatido e com um aspecto
cansado. Fechou a porta sem olhar para ninguém. Coloca os cabelos atrás das
orelhas e fica de frente para a família, cuja o olhavam com alegria.
DIANA>>
“Zac!!!!” – correndo abraçar o filho.
Todos
vão em volta de Zac para saber o que estava acontecendo com ele.
GABI>>
“Zac, onde você tava??? A gente tava super preocupado!!”
Zac
olha Gabi com desprezo e não responde à pergunta. Ela percebe. Sente aquilo
como uma punhalada ou algo que ferisse tanto quanto.
WALKER>>
“Zac, onde é que você estava, filho?”
ZAC>>
“Eu tava com a Lí, pai, só isso...” – sussurrando.
DIANA>>
“Mas então por que você saiu daqui tão nervoso?”
Zac
olha a mãe, até pensando em dizer algo, mas não consegue. Ele fica em silêncio
e abaixa seu rosto.
WALKER>>
“Zac, o que foi? Por que você não responde?”
ZAC>>
“É que eu tô cansado, pai...” – ele murmura.
Zac
falava baixo, com a voz um pouco trêmula. Seus olhos denunciavam uma grande
depressão.
WALKER>>
“A gente precisa conversar sério sobre o que aconteceu hoje, Zachary.” –
num tom mais bravo.
IKE>>
“Pai, será que a bronca não podia esperar até amanhã? O Zac não tá
legal... espera ele melhorar do que ele tem. E deixa eu tentar descobrir o que
é também...”
WALKER>>
“Tudo bem, mas ele vai ter que falar com a sua mãe explicando tudo. Ela tem o
direito de saber.”
IKE>> “Tudo bem, mas amanhã.”
Enquanto
Isaac terminava essa conversa com seu pai, Diana cobria Zac de perguntas, além,
é claro, de abraços e beijos.
ZAC>>
“Mãe, agora eu tô bem. Só que eu preciso descansar um pouco... por favor,
deixa eu subir?”
DIANA>>
“Tudo bem, filho, mas amanhã você me explica o que aconteceu direitinho, tá?”
Ele
faz sinal positivo com a cabeça e sobe para seu quarto. Lá, ele senta na sua
cama e Taylor, Cacá, e Isaac sentam a sua volta. Gabi fica em pé mais atrás.
IKE>>
“Zac, o que aconteceu?”
CACÁ>>
“Você ficou sumido o dia todo.”
Zac
olha para Gabi com desprezo mais uma vez. Já era a terceira ou quarta vez que
ele a olhava desse jeito. Gabi sentia um frio no estômago. Ela não estava
entendendo o porquê daqueles olhos tão irados em direção a ela.
ZAC>>
“Eu fui dar uma volta com a Lí, só isso...”
TAY>>
“Com a Lí, Zac? Mas como? Você não gosta dela.”
ZAC>> “Não gostava. Ela é uma pessoa incrível, sempre foi. Só
eu que não tinha percebido isso ainda. Ainda bem que eu descobri isso à
tempo...”
Gabi
não estava entendendo nada. Desde que Zac havia chegado em casa, ele não tinha
lhe direcionado a palavra.
ZAC>>
“Eu vou dormir um pouco antes do jantar de hoje.”
CACÁ>> “É mesmo, aquele Andy vem aqui em casa.” – se lembrando.
ZAC>>
“Eu vou dormir um pouco. Eu tô com muito sono.”
IKE>>
“Tudo bem... qualquer coisa chame a gente, tá?”
ZAC>>
“Tá...” – ele entra embaixo das cobertas, se cobre até a cabeça e fecha
os olhos.
Todos
saem do quarto, só Gabi que fica observando Zac da porta. Ela, então, devagar,
entra no quarto para fechar as cortinas.
ZAC>>
“O que você quer?” – abrindo os olhos.
GABI>>
“Eu...eu... só vim fechar a cortina para não entrar luz aqui.”
Zac
a olha dos pés à cabeça e fecha seus olhos. Gabi termina de fechar a cortina.
O quarto fica mais escuro, com apenas alguns raios de sol entrando pelas fendas
da janela. Ela o observa dormir um pouco. Cruza os braços. Gabi sente um frio,
um vento estranho dentro dela e abraça a si mesma para fazer passar. Sai do
quarto e fecha a porta.
CACÁ>>
“Gabi, como é que ele tá?”
GABI>>
“Eu não sei... o Zac tá tão estranho comigo.”
CACÁ>> “Como assim?”
GABI>> “Ele me olhou de uns jeitos... parece que tá com raiva de
mim.”
CACÁ>> “Imagine, Gabi, o Zac te adora.”
GABI>>
“Era o que eu achava também.”
CACÁ>>
“Ele só deve tá meio cansado por causa do que aconteceu hoje...só isso.”
GABI>>
“Tomara...”
Eles
descem para a sala onde estavam os adultos.
MARIAH>>
“E o Zac?”
DIANA>>
“Melhorou?”
IKE>>
“Ele dormiu.”
TAY>>
“Quando ele acordar, ele vai tá melhor.”
CACÁ>> “Ele quer estar acordado para o jantar com aquele amigo de vocês.”
DIANA>> “Mariah, o jantar!!”
MARIAH>>
“Esquecemos!!”
As
duas correm para a cozinha para preparar as coisas. Gabi se habilita a ajudar.
Taylor, Cacá e Isaac acabam ajudando também. No final, estava tudo pronto à
tempo. A mesa estava muito bonita.
DIANA>>
“Crianças, eu e a Mariah vamos subir para nos arrumarmos. Quero que vocês façam
o mesmo, ok?”
Todos
sobem, menos Gabi, que terminava de enxugar a louça. Ela estava muito chateada.
Não conseguia parar de lembrar dos olhares de Zac para ela. É quando ela ouve
o barulho de alguém se aproximando. Ela olha na porta da cozinha e vê Zac. Ele
a olha por um momento e sai dali.
GABI>>
“Zac, espera!” – correndo atrás dele.
Ele
pára. Olha Gabi do mesmo modo de antes.
GABI>>
“Bom, nada não... deixa pra lá...” – desistindo de falar com ele logo
que vê o olhar dele em relação a ela.
Ele
não diz nada e sobe as escadas. Gabi entra na cozinha. Joga o pano sobre o fogão.
Não conseguia entender o porquê daquilo. Ela sentia uma apreensão em falar
com Zac. Não tinha coragem, ainda. Fica um tempo olhando para o nada e sobe
também. Vai para o quarto de hóspedes. Ela entra bem desanimada. Cacá se
trocava.
CACÁ>>
“Nossa, Gabi, que cara é essa?”
GABI>> “Eu encontrei com o Zac agora.” – pausa – “Ai, Cacá, ele
me olhou de um jeito... parecia que eu tinha matado alguém da família dele.”
CACÁ>>
“Ele ainda tá te olhando daquele jeito sinistro?”
GABI>> “Tá... o pior que, do jeito que ele me olha, eu nem tenho
coragem de chegar muito perto.”
CACÁ>>
“Mas Gabi, se você não falar com ele, você só vai estar consentindo o
motivo pela qual ele está bravo com você. Vai dar a impressão de que você não
tá falando com ele por vergonha ou algo assim. Tipo: ‘eu sei que eu errei’
e coisas assim...”
GABI>>
“Mas eu não fiz nada!”
CACÁ>>
“Isso nós sabemos, mas ele não.”
GABI>>
“O que eu poderia ter feito para ele ficar de cara comigo...” – pensando
– “Nada! A gente tava super bem nesses últimos dias.”
CACÁ>>
“Gabi, se troca, é melhor. Depois a gente vê o que faz.” – entrando no
banheiro.
Gabi
vai até o armário e escolhe uma roupa. Depois de um tempo, todos na casa
estavam prontos. Eles descem para a sala, onde Diana e Mariah já perambulavam
dando os toques finais na casa e nos pratos. Zac não falava muito, mas sua
fisionomia parecia melhor, mais animada. Com Gabi já era o contrário. A
tristeza em seu rosto estava muito clara. Não tinha idéia do que fazer. Só
sabia de uma coisa – precisava conversar com Zac, mas não poderia ser naquela
hora, pois o jantar estava prestes a começar e as visitas já estavam à
caminho. É quando a campainha toca. Diana atende.
DIANA>>
“Andy, Dave, entrem, por favor. Sejam bem vindos.” – muito amistosa.
ANDY>>
“Olá, Diana, como vai?” – dando um abraço na antiga amiga.
MARIAH>>
“Andy, como vai?” – o abraçando também.
ANDY>>
“Mariah, olá. Muito
bem e você?”
WALKER>>
“Olá, Andy, como vai? A minha esposa falou muito de você.”
ANDY>>
“Puxa, é mesmo? Coisas boas, assim espero.”
WALKER>>
“Evidente, evidente.” – ele diz sorrindo.
O
clima entre os adultos estava muito agradável. Todos sentam no sofá para
conversarem um pouco.
DIANA>>
“Crianças, vocês podem ir para outro lugar, se quiserem. Mostrem ao Dave a
casa.”
IKE>>
“Tudo bem. Dave, por aqui.”
TAY>>
“Beleza? Taylor.” – dando sua mão para Dave.
DAVE>>
“E aí?” – cumprimentando Taylor com um aperto de mãos.
ZAC>>
“Zac.”
Dave
faz o mesmo com Zac.
IKE>>
“Essas aqui são a Gabi...” – Dave a beija na bochecha – “...e a Cacá.”
DAVE>>
“Oi, Cacá, tudo bem?” – a beijando na bochecha também.
CACÁ>>
“Tudin’.”
Começam
a andar pela casa, mas param na sala de TV.
IKE>>
“Curte video-game?”
DAVE>>
“Mas é lógico.”
TAY>>
“Tá afim de jogar um pouco?”
DAVE>>
“Beleza.”
Sentam
no sofá da sala de TV. Taylor instala o video-game e começam a jogar. Com o
desenvolvimento da conversa, Dave passa a se sentir mais à vontade com todos
ali. Ele havia achado Cacá muito bonita e, mesmo não sabendo a sua idade, ele
estava interessado nela. Ela estava sentada ao lado dele no sofá.
DAVE>>
“Cacá, você não joga?”
CACÁ>>
“Nem tô muito afim...” – ela sorri.
DAVE>>
“Mas se eu pedir, você joga?” – ele diz sorrindo, malicioso.
Cacá
sorri fingindo não ter entendido o comentário da maneira que Dave o queria.
CACÁ>>
“Tá, eu jogo... Qual jogo?”
Taylor
apenas observa não gostando muito da maneira com que Dave dirigia a palavra
para Cacá. O fato de Cacá ter correspondido isso o deixou mais aborrecido.
Até
que Cacá e Dave entram num acordo. Começam a jogar. Zac estava concentrado na
televisão. Falava pouco e parecia muito indiferente ao que acontecia ao seu
redor. Gabi o olhava discretamente pensando no que poderia ter acontecido a ele.
CACÁ>>
“Você joga bem, mas não é páreo pra mim. Hehe...”
DAVE>>
“Mas ninguém é páreo pra você.” – ele diz a olhando sério.
Cacá
entende a indireta, mas prefere levar na brincadeira. Sorri como se o que o Dave
havia lhe dito tivesse sido apenas para tirar algumas risadas. Mas é claro que
não foi nada disso. Taylor olha de canto e não gosta nada do que ouve. Dave
estava dando em cima de Cacá descaradamente e Taylor percebia isso. “Olha
o tipo...” ele pensa.
Gabi
estava tão desanimada quanto Zac. Ela precisava falar com ele, mas naquele
momento qualquer tipo de diálogo seria impossível. Sentia-se insegura em tomar
uma atitude em relação a situação em que o relacionamento dos dois se
encontrava.
Com
o passar do tempo ali, Dave flertava com Cacá em forma de indiretas e
trocadilhos que ele encaixava nas ocasiões. Taylor estava incomodado com
aquilo. Odiava a idéia de que pudesse perder Cacá sem ao menos tê-la
conquistado ainda. Cacá estava se divertindo com Dave – ria de suas
brincadeiras e o acompanhava nos raciocínios momentâneos. Até que Cacá vira
de repente para a irmã.
CACÁ>>
“Gabi, antes que eu me esqueça... eu chequei o nosso e-mail hoje.”
GABI>>
“E aí, alguém lembrou da gente?” – dramatizando propositalmente,
brincando um pouco.
CACÁ>>
“A Stella e o Ricardo me mandaram um oi. Eles tão se divertindo um monte lá
em Londres com a chegada das férias.”
GABI>> “Puxa, que bom...” – não muito empolgada – “Pelo menos
você tem amigos que te escrevem.”
CACÁ>>
“Mas quem disse que não chegou pra você também. O Adrian te mandou um, mas
é claro, eu não li... é anti-ético.” – ela brinca – “O Ike tava
junto. Ele viu que eu não li mesmo.”
Zac
levanta, na mesma hora, e sai da sala. Ele não podia ouvir falar em Adrian, que
a conversa no telefone vinha-lhe a cabeça. Ainda sentia uma grande mágoa em
relação a isso. Gabi o olha saindo, acompanhando com os olhos. Até que ela
assimila parte dos fatos. “O Adrian tem parte da culpa pelo Zac não estar mais falando
comigo.”
Mariah
entra na sala.
MARIAH>>
“Pessoal, a bóia tá servida.” – ela brinca. Todos riem e levantam indo
para a sala de jantar.
Na
mesa, todos falavam ao mesmo tempo, com exceção de Gabi e Zac. Cacá estava um
tanto empolgada com Dave, mas não deixou de notar o estranho clima entre sua
irmã e Zac. Os adultos se entretiam em histórias sobre a sua adolescência. Os
pequenos brincavam com a comida e Diana tentava, paralelamente, adverti-los.
Gabi discutia internamente todas as hipóteses que explicassem a indiferença de
Zac para com ela. Isso a afligia. Já Zac, pouco comia, dividindo seus
pensamentos com as conversas ao seu redor. Dave, que sentava ao lado de Camilla,
a olhava de modo insinuante, fazendo-a perceber seu interesse. Cacá, por sua
vez, não pretendia realmente corresponder tal sentimento, até porquê
preocupava-se com o que transmitia para Taylor. Mas não podia negar que estava
divertindo-se. E era exatamente esse sensação de agrado que Cacá demonstrava,
que o irritava.
DIANA>>
“Cacá, Tay, será que vocês podiam pegar a sobremesa e alguns pratinhos pra
mim por favor?”
CACÁ>>
“Claro.” – ela levanta prestativa. Taylor a segue. Na cozinha...
TAY>>
“Você parece ter se dado bem com o Dave, né...” – com um pouco de rancor
na voz. Cacá percebe.
CACÁ>>
“Ah, ele é gente boa...”
TAY>>
“Hmm...” – fingindo indiferença.
CACÁ>>
“Tay, tem alguma coisa errada?” – não entendendo o antipatia.
TAY>>
“Nada...” – não disfarçando nenhum pouco que estava chateado com algo.
CACÁ
(sorrindo)>> “Tay, olha, não tô a fim de brigar hoje. Vem, me ajuda
logo com essa sobremesa.” – com docilidade na voz, puxando-o, em seguida,
pela mão para ajudá-la com os pratinhos. Ele sorri desistindo da idéia de
começar uma briga, dando um ar de “tudo bem” à situação. Eles voltam
para a sala com tudo nas mãos.
Após
o jantar, os adultos retornam a sala de estar para conversarem mais um pouco,
enquanto Taylor, Cacá, Zac, Isaac, Gabi e Dave vão para o quarto dos meninos.
IKE>>
“Cacá...” – ele cochicha com a prima – “...você num notou uma
certa tensão pelas redondezas?” – ele brinca, mas falando sério.
CACÁ>>
“Uma certa tensão???? Uma senhora de uma tensão!” – ela diz sorrindo.
IKE>>
“Sinistro...”
GABI>>
“Gente, eu vou dormir. Eu tô com muito sono. Boa noite pra vocês.”
IKE>>
“Mas já?”
GABI>>
“Yeap.” – com um desbotado sorriso no rosto tentando esconder o real
motivo de seu “sono”.
CACÁ>>
“Então eu vou te colocar na cama...” – ela brinca – “Já volto.”
No
quarto...
CACÁ>>
“Gabi, o que tá acontecendo?”
GABI>>
“Com o que?”
CACÁ>>
“Você e o Zac! Que clima mais nada a vê que tá entre vocês!”
GABI>>
“É?” – colocando o pijama.
CACÁ>>
“É???? Nããããão, imagina...”
GABI>>
“Foi mau, Cacá, mas nem rola falar disso...” – deitando na cama.
CACÁ>>
“Tá, eu entendo... vou voltar lá, tá? Durma bem...” – ela sorri –
“Até amanhã.” – ela diz saindo do quarto à seguir.
Cacá
retorna para o quarto dos meninos e encontra Zac sozinho lendo um gibi do Batman
sentado em sua cama.
CACÁ>>
“Ué, cadê o povo?”
ZAC>>
“Tão jogando video-game, eu acho...” – não muito empolgado.
Cacá
vê aí a oportunidade perfeita de interar-se dos problemas entre o primo e
Gabi.
CACÁ>>
“Zac...” – ela senta ao lado dele – “...posso perguntar uma coisa?”
Zac
abaixa a revista e olha para Cacá.
ZAC>>
“Claro.”
CACÁ>>
“Tipo...” – um pouco receosa – “O que tá acontecendo?”
ZAC>>
“Nada que eu saiba... só o Batman que brigou com o Robin e o clima tá meio
tenso...”
CACÁ>>
“Será que não foi só no gibi que deu briga?”
Cacá
o olhava sério. Zac, inicialmente, não entende, mas depois percebe que o que
Cacá queria dizer não era brincadeira ou algo do gênero. Só então ele
compreende o que Cacá queria dizer.
ZAC>>
“Eu preferia não falar disso...” – olhando para o gibi.
CACÁ>>
“Isso eu até posso respeitar, mas eu não posso concordar em você
simplesmente virar a cara pra Gabi sem motivos aparentes.”
Ele
abaixa a cabeça e pensa por um instante. Zac tinha que concordar com aquilo.
ZAC>>
“Eu ouvi a conversa dela com o Adrian.”
CACÁ>>
“Que conversa?”
ZAC>>
“No telefone. Hoje ele ligou pra Gabi. E pelo jeito o amor deles é virtual
também...”
CACÁ>>
“Zac, que amor??”
ZAC>>
“Até e-mails ele mandou pra ela! Você mesmo disse...”
CACÁ>>
“...mas eu não disse nada de amor!”
ZAC>>
“A Gabi não gosta de mim, ela gosta dele!!”
CACÁ>>
“Zac, ‘cê tem noção do que você tá falando?? A Gabi não sente nada por
aquele nerds! Ela gosta de você, Zac!”
ZAC>>
“Era o que eu achava também...”
CACÁ>>
“Achava?”
Zac
relata todo o diálogo, da maneira que achava ter ocorrido, para Cacá
detalhadamente. Ele fala das coisas que Gabi havia dito para Adrian e as coisas
que ele pensava que Adrian havia falado. Cacá o ouve atentamente.
CACÁ>>
“Zac, eu tenho certeza de que você tá imaginando coisas.”
ZAC>>
“Cacá, mas se eu tô te dizendo que eu ouvi!”
CACÁ>>
“Zac, deve haver uma explicação para isso. Tudo bem que você pode estar
magoado, mas não é punindo a Gabi por algo que você nem tem certeza que ela
fez, que você vai resolver as coisas! Ela tá tão perdida, não sabe o que
fazer nem o que pensar. ‘Cê acha que tá certo o que você tá fazendo?”
ZAC>>
“Cacá, eu ouvi perfeitamente ela dizendo que sentia falta dele! O que mais
isso pode querer dizer??”
CACÁ>>
“Não tô duvidando de você!! O que eu tô dizendo é que você pode ter
ouvido alguma coisa errada!”
ZAC>>
“Eu não ouvi nada errado! Por que você não pergunta pra Gabi, hein?? Se ela
desmentir, ela é muito cara-de-pau...”
CACÁ>>
“Zac, pára de falar assim dela! A Gabi não é mentirosa!”
Silêncio.
CACÁ>>
“E a Lí?”
ZAC>>
“O que é que tem?”
CACÁ>>
“Você não odiava ela?”
ZAC>>
“A Lí foi muito legal comigo. Quando eu estava andando nervoso pela rua, ela
topou comigo e me levou pra casa dela logo que viu que eu tava mau. Daí eu
contei tudo pra ela, a gente conversou bastante.”
CACÁ>>
“E o que ela te disse?”
ZAC>>
“Que se eu ouvi a Gabi falando no telefone com o Adrian do jeito que eu te
contei, eu tô certo em estar tão revoltado. Ela também acha que eu deveria
acabar com a Gabi.”
CACÁ>>
“Ah, agora eu entendi! É claro que ela acha que você deveria acabar com a
Gabi! A Lí é apaixonada por você!”
ZAC>>
“Não, Cacá, acho que não...”
CACÁ>>
“Claro que ela é! Faz tempo que eu tô percebendo isso. Só que, se você for
mesmo acabar com a Gabi, o que eu não concordo nem um pouco, eu acho que você
tinha que ir pelo o que você sente e não pelo o que a Lí ou outra pessoa
acha.”
ZAC>>
“Eu sei disso... só que culpa tenho eu se o que a Lí acha é exatamente o
que eu quero fazer?” – ele diz sério.
CACÁ>>
“Você vai acabar com a Gabi?”
ZAC>>
“Vou ficar com alguém que não sente absolutamente nada por mim? Ela mesmo
disse isso no telefone.”
CACÁ>>
“Zac, agora sim você tá agindo como um garoto de 13 anos!”
ZAC>>
“O que??” – nervoso.
CACÁ>>
“A Gabi adora você e ela tem o direito, direito entendeu (!), de saber o que
tá acontecendo!! Eu tenho certeza de que tá havendo um grande engano!”
ZAC>>
“Você diz isso porque tá de fora!”
CACÁ>>
“Olha, Zac eu tô mais dentro do que você imagina. Quando você e a Gabi
brigaram, todas as vezes, fui eu quem a consolou, foi pra mim que ela desabafou,
chorando um monte, dizendo que tava desesperada porque não sabia mais o que
fazer pra você acreditar nela!! Portanto, eu sei muito bem de que tipo de
sentimento nós estamos falando aqui!!”
Zac
não diz nada. Não tinha o que dizer. Cacá não parecia estar inventando nada.
É quando Isaac aparece na porta do quarto.
IKE>>
“Cacá, o Dave tá querendo que você jogue uma partida de Multi-Racing Championship com ele.”
CACÁ>>
“Tô indo, Ike, valeu.” – Ike sorri e sai do quarto.
ZAC>>
“Pode ir lá, Cacá...” – com a voz baixinha.
CACÁ>>
“Eu vou sim...” – levantando – “Zac?” – ele a olha – “Você
ficou bravo comigo?”
ZAC
(abrindo um leve sorriso)>> “Claro que não...”
CACÁ>>
“Eu prometo que não vou me meter mais, mas é que eu gosto muito da Gabi e...
tipo... me preocupo com ela.”
ZAC>>
“Tudo bem, eu entendo...”
Cacá
sorri e sai do quarto. Zac fingi ler o gibi até Cacá sair. Quando ela sai, ele
abaixa a revista e suspira. Coloca sua mão na testa e fica parado olhando para
um ponto fixo, pensando nas coisas que Cacá havia lhe dito. Ele não queria
realmente acabar o namoro com Gabi, mas nada tirava-lhe da cabeça que ela
estava enganando-o com Adrian. Gabi era tão importante para ele. Zac não
sabia, se eles chegassem a romper, como iria conseguir ficar sem ela. Outra
coisa que o surpreendia naquele instante era ter descoberto em Lí uma pessoa
que ele jamais imaginava existir. Tinha certeza de que Lí fosse metida, fútil,
ao contrário da amiga querida a qual deparou-se à horas atrás. Depois de um
tempo pensando sobre isso, Zac resolve concentrar-se no gibi e tentar pensar
nisso mais tarde.
Na
sala de TV, Cacá conversava com Dave sentada ao lado dele no sofá, enquanto
Isaac e Taylor jogavam sentados no chão. Dave era um garoto atencioso, tinha
uma conversa agradável e, por estar interessado em Camilla, enfatizava isso um
pouco mais, o que é perfeitamente normal nesses casos.
DAVE>>
“Então quer dizer que você mora em Londres?”
CACÁ>>
“Poizé... eu só tô aqui enchendo o saco dos meus primos queridos por um
tempo.”
IKE>>
“Nossa, enchendo muito, Cacá!! Aliás, eu não sei como é que eu tô te agüentando
aqui tanto tempo!!”
CACÁ>>
“Hehehe...”
DAVE>>
“Nossa, Ike, pra ser bem sincero, te considero muito sortudo. Conviver com a
Cacá deve ser incrível!”
IKE>>
“É, realmente, ela é muito querida...” – ele diz sorrindo para a prima.
Taylor já não faz o mesmo. Fica sério.
TAY>>
“Dave, você não vai ficar aqui muito tempo, né?”
DAVE>>
“Infelizmente não. Eu vou voltar pra Sidney logo.”
CACÁ>>
“Mas vai demorar pra você ir, né?”
DAVE>>
“Você se importa com isso?” – sorrindo, feliz com o interesse de Cacá.
CACÁ>>
“Ah, Dave, te achei legal, por isso que perguntei.”
Taylor
olha para Isaac, que o observava. Isaac faz um movimento com a mão sinalizando
para que Taylor se acalmasse. Taylor respira fundo e volta a se concentrar no
jogo.
DAVE>>
“Eu vou embora no fim dessa semana, em torno de, mais ou menos, quatro ou
cinco dias.”
CACÁ>> “Ah...”
DAVE>>
“E você, Cacá, vai ficar por aqui quanto tempo?”
CACÁ>>
“Acho que ainda por um bom tempo... não sei exatamente, mas até minha mãe
terminar o que ela tem que fazer em Oklahoma City.”
DAVE>>
“Ah, sei... Mas você e sua irmã não vão morar por aqui, não é?”
CACÁ>>
“Pouco provável. A minha mãe adora Londres, além do que toda a nossa vida tá
feita lá.”
IKE>>
“Mas se vocês viessem morar aqui, iria ser bem mais legal que lá.”
CACÁ>> “É, isso é. Até porque a gente não tem aqueles big
friends em Londres. Tipo, o povo londrino é muito certinho. Às vezes
irrita!”
Taylor
continuava quieto.
DAVE>>
“É mesmo? Sabe que em Sidney, eu não posso reclamar das minhas amizades. O
único problema é que eu não encontro meninas como você lá.”
Cacá
sorri. Taylor estava quase espumando. Com a raiva que estava sentindo, ele
conseguiu afundar o botão do controle do video-game em sua mão.
TAY>>
“Droga!” – ele sussurra.
IKE>>
“O que foi, Tay?”
TAY>> “O botão do controle. Eu afundei sem querer.” – mostrando
para Isaac.
IKE>>
“Nossa...” – olhando o controle nas mãos do irmão – “Calma, acho que
tem outro controle aqui...” – abrindo a porta de um pequeno armário embaixo
da televisão – “Achei.” – dando a Taylor.
TAY>>
“Obrigado.”
DAVE>>
“Nossa, Taylor, ‘cê realmente leva a sério esse negócio de video-game.”
Taylor
faz uma expressão de ira. Isaac, após ver a fisionomia do irmão, tenta disfarçar
descontraindo um pouco.
IKE>>
“É, o Tay é bem competitivo mesmo...”
CACÁ>>
“Credo, Tay, ‘cê tá perdendo aí?”
TAY>>
“Vai ver que sim...” – seco.
Cacá
nota que havia algo errado, mas prefere deixar por isso mesmo. A última coisa
que queria naquele momento era iniciar uma discussão com Taylor.
Gabi
não conseguia dormir. Rolava de um lado para o outro na cama, mas nada de pegar
no sono. Resolve levantar então para ir ao banheiro. Ela levanta. Chegando lá,
vê o quarto dos meninos, que era logo ao lado do banheiro, vazio com a cama de
Zac um pouco bagunçada, mostrando que havia alguém ali à pouco tempo atrás.
O banheiro estava ocupado. Gabi espera encostada na parede ao lado da porta. É
quando, quem estava lá dentro, começa a mexer na fechadura para sair. Zac dá
de cara com Gabi. Eles ficam um tempo se olhando. Gabi queria dizer algo, mas não
tinha idéia do quê. Zac a olha com desprezo, dá as costas e, quando estava
entrando no quarto, Gabi decidi fazer algo.
GABI>>
“Zac!”
Zac
vira para trás sem dizer nada. Ele ainda a olhava do mesmo modo de antes.
GABI>>
“O que tá acontecendo, hein?” – ela começa um pouco receosa. Zac não
diz nada, permanece olhando-a sério – “A gente tava tão bem no começo do
dia. Daí você some do nada e volta estranho comigo. O que eu te fiz pra você
ficar me olhando com essa cara de nojo?”
Zac
a olha mais um tempo.
ZAC>>
“Eu ouvi a sua conversa com o Adrian.” – ele diz baixinho com a voz
raivosa.
GABI>>
“Como assim?” – não entendendo porque a conversa dela com Adrian poderia
tê-lo deixado tão bravo.
ZAC>>
“Como assim??? Eu ouvi as coisas que você disse pra ele!! ‘Sinto sua falta
daquele jeito, Adrian, pensei que você tinha entendido o que eu realmente sinto
por você, Adrian...’!!!” – ele a relembrava dos fatos muito nervoso –
“Como é que você pode ser assim tão cínica???!!”
Gabi
só então compreende do que Zac falava. Sim, ela realmente tinha dito essas
coisas, mas não da maneira que ele pensava. Zac havia trocado absolutamente
tudo.
GABI>>
“Zac, não, você entendeu tudo errado...”
ZAC>>
“E quando você disse que estava namorando alguém atualmente pela qual não
sentia nada?!?!? É isso que você sente por mim??? Nada????”
GABI>>
“Zac, não era de você que eu tava falando!” – com um tom de voz
entristecido.
ZAC>>
“O que?? Então não é comigo que você tá namorando????”
GABI>>
“Zac, deixa eu explicar! Nessa hora o Adrian tava afirmando que era ele o meu
namorado. Então eu ironizei, dizendo que então, se era assim, eu estava
namorando uma pessoa pela qual eu não sentia nada.”
ZAC>>
“Ah, essa é boa!! Agora você vai querer que eu acredite nisso??!!!”
GABI>>
“Mas é a verdade, Zac...” – agoniada.
ZAC>>
“E quando você disse que ‘sentia falta dele daquele jeito’??? Que jeito
é esse??? De quando vocês dois estavam juntos, é isso???”
GABI>>
“Claro que não, Zac... eu disse isso quando o Adrian falou que antes de me
conhecer, eu não era ninguém; daí eu ironizei de novo querendo dizer que
sentia falta dele longe de mim.”
ZAC>>
“Ah, tá!!!! Sei!!! Você falou no meu nome com um ar de nojo, Gabi!! Agora
você vai dizer o que??? Que foi sem querer????”
GABI>>
“Eu não disse o seu nome com nojo, Zac... eu só fiquei um pouco nervosa
quando ele começou a falar mal de você! Ele disse que a nossa empregada tinha
falado de vocês pra ele. Daí o Adrian começou a dizer que sabia que era com
você que eu tava namorando aqui. Só que ele tava chutando, porque ele nem sabe
quem é você! Por isso que eu falei aquilo, porque eu fiquei revoltada na
hora!”
ZAC>> “Mentira!!!”
GABI>>
“Zac, por favor, acredita em mim, eu tô falando a verdade...” – como que
uma súplica.
ZAC>>
“O mais patético foi você tentando convencê-lo de que é dele que você
realmente gosta!! ‘Adrian, eu pensei que, depois de tudo o que eu te disse no
telefone, você tivesse percebido tudo o que eu sinto em relação a você.’
Ah, dá um tempo!!! Como é que você quer que eu acredite em você,
garota???”
Gabi
estava desesperada. Não sabia mais o que fazer para provar para Zac que as
coisas que ele dizia eram absurdas.
GABI>>
“Zac, eu tava falando sobre a indiferença que eu sinto por ele!! Eu não
gosto do Adrian!! Será que você não entende que é de você que eu gosto????
Mas que merda!!!”
ZAC>>
“Olha, Gabi, eu não sei o que você tá achando!!! Que eu sou idiota, vai
ver...” – num tom de ironia – “Eu ouvi muito bem o que você falou!! Não
adianta você querer vir com essas explicações ridículas agora, porque eu não
vou acreditar em você!!! Você só tava comigo pra se divertir!!! Quem você
acha que é???” – Gabi estava muito agoniada – “Bem que a Lí falou
mesmo...”
GABI>>
“O que a Lí falou?”
ZAC>>
“Que você é mesmo uma mentirosa!”
GABI>>
“Zac, eu não acredito que você foi pelo o que disseram pra você!!”
ZAC>>
“Não, eu não fui pelo o que ninguém acha!! Acontece que eu concordo
com a Lí!!” – gritando – “Você é mesmo aquilo que a Cacá disse pra
você aquela vez que vocês brigaram!! Uma galinha!!!”
Gabi
não acreditou naquilo que ouviu. Como que por instinto, ela vira a mão no
rosto de Zac, acertando sua face com muita força. Ele chega a cair sentado na
cama estático, com a mão no lugar do tapa. A olha com fúria, porém Gabi não
sente-se intimada. Estava tão revoltada, que nenhuma cara feia a assustaria
naquele momento.
GABI>>
“Nunca...” – com a voz trêmula de raiva – “...nunca me chame disso,
entendeu? Eu não admito!” – dando de dedo em Zac.
ZAC>>
“Não dê de dedo em mim!” – ele diz levantando, ficando bem face a face
com ela. Gabi era um pouco mais baixa que ele, mas continuava com a mesma
revolta, falando no mesmo tom.
GABI>>
“Então mais respeito! Eu posso amar você, Zac, mais do que tudo nesse mundo,
mas eu não vou
admitir
que...” – ela respira; uma lágrima cai de seus olhos – “...que você me
afronte assim, como se soubesse muita coisa! Sabe do que mais? Você não sabe
nada! Nada, entendeu?!” – ela falava baixo, mas muito nervosa – “Eu amo
você, merda! Amo! Aquela conversa que eu tive com o Adrian no telefone foi um
erro sim, mas não errada ao seu ponto de vista!”
ZAC>>
“Só que...”
GABI (interrompendo)>> “Você já disse o que queria, agora é a minha
vez!” – ela o adverte – “Eu não deveria ter falado com ele, mas eu
precisava deixar claro pra ele o que eu sentia! Eu não ligo pro Adrian! Se ele
está vivo ou não pra mim não faz diferença! Entende isso de uma vez!” –
via-se tensão nos olhos de Gabi – “Se você não quer acreditar em mim, ótimo!
Faz o que você quiser! Mas não ouse me insultar de novo, Zachary, porque isso
é uma coisa que nunca ninguém vai fazer!”
Gabi
o olha fundo nos olhos e sai do quarto andando muito rápido em direção ao
quarto de hóspedes. Ouve-se ela fechando a porta com um pouco de força.
ZAC>>
“Merda!!!” – chutando com força a sua cama. Ele passa sua mão pelos seus
cabelos e suspira nervoso. Algumas lágrimas caíam, sem a vontade dele, pelo
seu rosto. Zac as segura, não as deixando rolar.
Gabi,
quando entra no quarto de hóspedes, tranca a porta e, encostada nela, coloca
suas mãos no rosto e começa a chorar muito. Ela sentia-se pequena, vulnerável.
Começa a deslizar com as costas na porta, até sentar no chão. Soluçava entre
suas lágrimas. Chorava muito mesmo, mas segurava um pouco para que Zac não a
ouvisse.
DIANA>>
“Vocês ouviram esse barulho?” – referindo-se ao chute que Zac deu em sua
cama.
MARIAH>>
“Do que?”
DIANA>>
“Não sei, como se alguma coisa tivesse quebrado ou algo assim...”
MARIAH>>
“Ah, devem ser os vizinhos se pegando.” – todos riem. Na sala, os adultos
continuavam conversando bastante empolgados. Ninguém havia ouvido nada. Tinham
como companhia Cacá, Dave, Isaac e Taylor, que riam com o quê os pais contavam
sobre os tempos de faculdade.
ANDY>>
“Bom, já está bem tarde. Acho que já está na hora de eu ir.” –
levantando do sofá.
DIANA>>
“Mas já, Andy? Certeza de que não quer ficar mais um pouco?”
ANDY>>
“Certeza, Diana. Eu poderia ficar aqui a noite toda conversando com você e
com a Mariah sobre nossos tempos de antes e sobre os de agora, mas eu preciso
ir. Amanhã acordarei muito cedo.”
DIANA>> “Tudo bem, eu entendo. Vamos levá-los até a porta então.”
Todos
se despedem e Andy e Dave vão para casa. Sobem então para o andar dos quartos.
DIANA>>
“Puxa, estava muito divertido, mas tudo o que eu quero agora é uma boa noite
de sono.”
WALKER>>
“Bom, então vamos subindo. Crianças, boa noite.”
CACÁ,
IKE & TAY>> “Boa noite.”
MARIAH>>
“Boa noite, meus queridos.”
CACÁ,
IKE & TAY>> “Boa noite.”
Os
adultos entram em seus devidos aposentos.
CACÁ>>
“Bom, gente, tava muito divertido, mas eu vou dormir.”
TAY>>
“É, eu também.”
IKE>>
“Caracas... que dor de cabeça. Acho que me empolguei na batida de coco.”
CACÁ>>
“Hehehe... boa noite, Ike.” – o beijando na bochecha.
IKE>>
“Até amanhã, Cacá.” – indo para seu quarto.
CACÁ>>
“Tchau, Tay.” – o beijando na bochecha.
TAY>>
“Tchau, Cacá.”
Cacá entra no seu quarto. Gabi já
dormia. Ela se troca e deita. Naquela noite, Cacá sonha com Dave.