CAPÍTULO 10

Logo pela manhã, Diana acorda seus filhos e sobrinhas para algumas aulas de biologia, trigonometria e álgebra. Ela entra no quarto dos filhos.

DIANA>> “Queridos, bom dia.”

ZAC>> “Ah, mãe...” – virando para o outro lado.

DIANA>> “Hora da aula.”

TAY>> “Não, mãe... ainda é muito cedo.” – cobrindo sua cabeça com o cobertor.

DIANA>> “Filhos, vamos, levantem.”

IKE>> “Mãe, tão te chamando lá embaixo.” – virando para o outro lado.

DIANA>> “Bom, eu vou chamar as primas de vocês. Espero vocês lá embaixo.” – fechando a porta do quarto.

ZAC>> “Ai, que preguiça incrível…” – sentando na cama.

IKE>> “Aulas…quem foi o inteligência rara que inventou isso?” – já de pé calçando os seus chinelos.

TAY>> “Bom, eu é que não fui.” – saindo de baixos das cobertas, vestindo apenas seus shorts, sem camisa.

ZAC>> “Mesmo você sendo uma inteligência raríssima...” – indo até o armário para trocar sua camiseta azul marinho básica e seu shorts.

            Diana entra discretamente no quarto das sobrinhas. As acorda e sai do quarto.

CACÁ>> “Bom dia, Gabi.” – ainda sem olhar a irmã.
GABI>> “Bom dia.”

CACÁ>> “Dormiu bem?” – só agora olhando para a irmã – “Gabi, os seus olhos.”

GABI>> “O que tem eles?”

CACÁ>> “Estão inchados.”

GABI>> “Ah, estão?” – colocando as mãos sob seus olhos.

CACÁ>> “Você andou chorando?”

GABI>> “Eu?”

CACÁ>> “Não, eu. Claro que é você!”

GABI>> “Foi ontem...”

CACÁ>> “Você e o Zac conversaram, né?”

GABI>> “Antes tivesse sido uma conversa...”

CACÁ>> “Brigaram muito feio, é?”

GABI>> “Feio? A gente quase se pegou na porrada.”

CACÁ>> “Peraí...” – abrindo a porta do quarto e saindo.

            Gabi senta esperar na cama. Até que Cacá volta com Diana.

CACÁ>> “Tia Diana, será que não tem nada que a gente podia fazer para diminuir esse inchaço nos olhos da Gabi?”

DIANA>> “Nossa...” – examinando os olhos de Gabi – “Mas o que foi isso, Gabi?”

GABI>> “Ééé... foi...”
CACÁ>> “É que a Gabi às vezes tem esses negócios, sabe tia. Não é nada demais, ela só sofre de olherisse.”

            Diana ri.

DIANA>> “Tudo bem, eu vou trazer uma compressa de gelo.” – sai do quarto.

GABI>> “Olherisse?” – sorrindo.

CACÁ>> “Foi a primeira coisa que deu na telha.” – levantando os ombros.

            Diana retorna ao quarto com um pote cheio de gelo e um pano de prato. Ela senta ao lado de Gabi na cama, enrola um cubo de gelo na ponta do pano e deposita rente aos olhos de Gabi.

GABI>> “Ai!”

DIANA>> “Doeu?”

GABI>> “Não, ardeu um pouco.”
DIANA>> “É que essa região dos seus olhos está muito sensível.”

CACÁ>> “Vai melhorar com essa compressa, né tia?” – observando o que Diana fazia.

DIANA>> “Vai, vai sim.” – apalpando os olhos de Gabi com o pano sobre o gelo.

TAY (abrindo a porta do quarto)>> “Oi, gente. Nossa, o que tem nos olhos da Gabi?” – chegando bem perto.

DIANA>> “Olherisse.” – ela diz brincando.

IKE (entrando em seguida)>> “Olá, pessoal. O que ‘cê tá fazendo com a Gabi, mãe?” – chegando em volta dela.

DIANA>> “Ela só tá com um pouco de ardência e inchaço nos olhos, só isso...” – concentrada no que fazia.

GABI>> “Mas nada que eu não supere…” – ela diz olhando para os primos sem mover a cabeça (para não atrapalhar o trabalho de Diana). Eles riem.

Zac entra no quarto.

ZAC>> “Oi.” – ainda com o shorts, a camiseta azul marinho básica, que usa para dormir, e seus chinelos.

DIANA>> “Oi, filho, entra.”

GABI>> “Ai!”

DIANA>> “Opa, desculpe, querida.”

            Gabi sorri. Zac fica observando o que sua mãe fazia.

ZAC>> “O que aconteceu?” – colocando os cabelos soltos atrás das orelhas.

CACÁ>> “A Gabi tá com olherisse.”

ZAC>> “O que é isso?”

DIANA>> “É que os olhos da Gabi estão sensíveis. Por isso estou fazendo compressa.” – tirando o pano dos olhos de Gabi – “Pronto, o inchaço já diminui.”

            Gabi levanta e vai até o espelho.

GABI>> “É, melhorou. Se não estivesse ardendo, estaria perfeito.”

DIANA>> “Bom, meninos, vocês já podem voltar para o quarto se trocarem.” – olhando no relógio – “São oito horas. É, ainda dá tempo de um pouco de aula.”

CACÁ>> “E a nossa mãe, tá aonde?”

DIANA>> “Ela foi ao aeroporto comprar a passagem para ela viajar hoje à tarde.”

CACÁ>> “Ah...”
DIANA>> “Mas se troquem. Vocês precisam tomar café ainda. Eu vou esperar lá embaixo.” – saindo do quarto.

TAY>> “Ainda tá ardendo, Gabi?”

GABI>> “Não, melhorou já.” – sorrindo.

            Zac apenas observava. Ele não diz nada.

IKE>> “Isso acontece com os olhos quando a gente chora muito.”

            Zac olha para Gabi na mesma hora.

GABI>> “Não sei...”

CACÁ>> “Gente, eu e a Gabi queríamos nos trocar. ‘Cês podiam dar uma licencinha?”

TAY>> “Claro.” – sorrindo.

            Os três saem do quarto. Todos se trocam e descem para tomar café. Durante as aulas, Gabi e Zac às vezes cruzavam seus olhares, mas logo desviavam. Mariah chega em casa e, um tempo depois, eles almoçam. Após a refeição, todos vão para a rua conversar com os amigos. Cumprimentam a todos. Zac abraça Lí. Gabi os olha discretamente. Sentam para conversar na calçada.

SCOTT>> “E aí, Lí, a gente vai mesmo na sua casa hoje à noite?”

LÍ>> “Vão, claro.”

ZAC>> “A que horas mesmo, Lí?”

LÍ>> “Lá por umas oito.”

TAY>> “Beleza.”

            Começam a conversar isoladamente. Lí vai até a casa de Ivy com a própria para apanharem uma coisa qualquer. Zac conversava com Duda e os outros conversavam juntos.

DUDA>> “Ah, Zac... sabe aquele negócio que eu não podia contar pra ninguém?”

ZAC>> “O que é que tem?”

DUDA>> “Bom, eu só queria que você soubesse que eu não contei pra ninguém. E não pretendo contar também.”
ZAC>> “Não, tudo bem... a Lí já sabe.”

DUDA>> “Sabe? Mas você não queria que ela soubesse...”

ZAC>> “A Lí é uma grande amiga agora.”
DUDA>> “Sério? Mas eu pensei que...”

ZAC>> “Não, eu não odeio mais ela.”
DUDA>> “Ah... bom, então você já deve saber que ela é afim de você.” – achando realmente que ele já sabia.

ZAC>> “A Lí?? Afim de mim??”

DUDA>> “Ai... Você não sabia? Droga, eu contei! Por favor, diz que você sabia, Zac...”

ZAC>> “Não, é claro que eu sabia... imagine.”
DUDA>> “Ufa... nossa, agora você me assustou de verdade.”

LÍ>> “Oi, Zac!” – pulando em seu pescoço.

ZAC>> “Oi, Lí.” – segurando seus braços em seu pescoço.

DUDA>> “Onde você foi, Lí?”
LÍ>> “Fui na casa da Ivy com ela pra pegar o walkman dela. Fui só fazer companhia.”

DUDA>> “Ah...”

SCOTT>> “Líííííí!!”

LÍ>> “Já vou!! Eu já volto, tá Zac?”

ZAC>> “Tudo bem.”

DUDA>> “Zac, e a Gabi?”

ZAC>> “Duda, eu não quero falar disso, tá?”

DUDA>> “Desculpe...”
ZAC>> “Dá nada...”

DUDA>> “Você vai ficar com a Lí?”

ZAC>> “Não, a gente é só amigo.”

DUDA>> “Ah...” – ela olha para baixo – “Posso só dizer uma coisa?”

ZAC>> “Pode, claro.”

DUDA>> “Sou mais a Gabi.”

            Zac expreme os olhos sinalizando incompreensão. Duda o olha e sai de perto. Ele então entende o que Duda quis dizer. Até mesmo Zac preferia Gabi a Lí, mas tentava enganar-se do contrário. Mais um tempo ali, Diana os chama para se despedirem de Mariah, que já havia chamado um táxi para levá-la ao aeroporto. Eles entram.

MARIAH>> “Bom, gente, lá vou eu de novo.”

CACÁ>> “Dessa vez você vai demorar muito pra voltar, mãe?” – abraçada à mãe.

MARIAH>> “Não sei, depende de como estiverem os negócios lá sem mim.”

GABI>> “Você liga, né?”

MARIAH>> “Claro que sim, querida.”

DIANA>> “Mas ligue, Mariah.”

MARIAH>> “Pode deixar, Di. Ah, diga para o Andy que eu deixei um forte abraço para ele.”

DIANA>> “Digo sim.”

            Todos abraçam Mariah. Um tempo depois o táxi chega e ela vai embora. Logo que Diana fecha a porta, a campainha toca.

DIANA>> “Andy? Olá.” – surpresa.

ANDY>> “Me desculpe, Diana por vir sem avisar, mas é que eu queria me despedir da Mariah. Ele está aí?”

DIANA>> “Puxa, Andy, ela acabou de sair.”

ANDY>> “Não acredito. Então o táxi que eu vi saindo era ela?”

DIANA>> “Era sim. Mas entre. Assim pelo menos você não perde a viagem. Onde está o Dave?”

ANDY>> “Está no carro. Vou chamá-lo.”

            Andy chama Dave no carro e os dois entram. Taylor, ao ver que Dave acompanhava o pai, já adianta-se em não gostar nenhum pouco da idéia.

IKE>> “Dave, e aí, cara? Beleza?”

DAVE>> “Tudo bem.”

ZAC>> “Olha só, ‘cê curte roller?”

DAVE>> “Ah, consigo ficar em pé.”

            Cacá ri. Taylor acha ruim.

ZAC>> “Vamo’ andar de roller então! Ike, a gente ‘inda tem aquele roller que a nossa vó deu de Natal pra mim, mas que ficou muito grande?”

IKE>> “Temos sim, ‘bora lá.”

            Taylor não diz nada, afinal, havia detestado a idéia. Zac apanha o par de patins a qual estava se referindo, todos calçam seus pares e vão para a rua. O mesmo pessoal de sempre estava lá. Isaac já dispõem-se em apresentar Dave para todo o resto. Introduções feitas, passam a andar.

MYRANDA>> “Ike, quem é ele?”

IKE>> “O Dave? Filho de um amigo da minha mãe e da minha tia de infância.”

MYRANDA>> “Ele é bonito.”
IKE>> “Ah, ‘cê achou é?” – enciumado, mas não demostrando isso.

MYRANDA>> “Achei. Ah, tava esquecendo. ‘Cê vai hoje na casa da Lí, né?”

IKE>> “Vou sim. Por que?”

MYRANDA>> “Não, é que elas querem que eu loque um filme, mas eu não sei qual. ‘Cê não tá afim de ir comigo hoje na locadora pra escolher alguns?”

IKE>> “Claro. Eu já não tinha me oferecido?”

MYRANDA>> “Não que eu me lembre...”
IKE>> “Bom, de qualquer jeito, eu vou com você sim.”

MYRANDA>> “Ah, Ike, mais uma coisa...”

IKE>> “Hmm?”

MYRANDA>> “Sabe que, eu tava pensando... a gente podia sair de novo qualquer dia desses...” – sem jeito.

IKE>> “Claro, claro...” – ele diz sorrindo.

DAVE>> “Cacá, você anda muito bem.”

CACÁ>> “Obrigada. Por que você não experimenta correr com o patins? É muito massa!”

DAVE>> “Vou tentar.”
            Dave pega velocidade e começa a descer a rua. Cacá fica observando impressionada, pois Dave era muito com os patins. Fazia manobras e andava com muita segurança. Depois de algumas piruetas e coisas do tipo, Dave se aproxima de Cacá e Gabi (que estava com a irmã o tempo todo).

DAVE>> “E aí?”

GABI>> “Caracas, Dave!”

CACÁ>> “Meu, mas ‘cê é bom mesmo, hein??”

DAVE>> “Puxa, muito obrigado.”

IKE>> “Uau...”

ZAC>> “Ô Dave, ‘cê num quer me ensinar um pouco qualquer dia desses não?”

            Dave ri. Todos o elogiavam, menos Taylor que, de uns tempos para cá, havia desenvolvido uma certa implicância por ele. Cacá sai andar com Dave para conversar.

GABI>> “Nossa, como o Dave anda bem, né?”

TAY>> “Não acho...”

GABI>> “Não?”
TAY>> “Esse cara é muito metido! Olha o tipo, fica se mostrando para a Cacá como se fosse só isso que a impressionasse.”
GABI>> “Ô Tay, é impressão minha ou existe um ciúmes colossal por trás dessa sua indignação?”

TAY>> “Eu?? Com ciúmes??”

GABI>> “Tudo bem, Tay, não precisa mais dizer nada. O ciúmes agora já está na sua testa.”

            Começa a escurecer.

LÍ>> “Gente, eu vou indo embora para casa, tá? É que eu tenho que arrumar as coisas pra você irem lá.”

ZAC>> “É, acho que a gente já tá indo também...”

LÍ>> “Tudo bem. Zac, vamo’ comigo até em casa?”

ZAC>> “Tá.”

            Gabi abaixa a cabeça. Lí segura a mão de Zac e vão subindo a rua de mãos dadas. Cacá se aproxima da irmã, que estava mais afastada dos outros.

CACÁ>> “Calma, Gabi...”

GABI>> “Calma, Cacá?? Como que você quer que eu tenha calma??? O Zac fica fazendo essas coisas só pra esfregar na minha cara que tá super feliz com o fim do nosso namoro! E essa Lí?? Já que ela sabe que a gente terminou, por que não respeita um pouco?!”

CACÁ>> “Mas ‘cê sabe que ele tá só fingindo, não sabe? ‘Cê sabe que, na verdade, o Zac tá sofrendo tanto quanto você, né?”

GABI>> “Sei sim...”

CACÁ>> “Então.”

GABI>> “O Zac é muito orgulhoso. Nem quando ele mesmo sabe que está errado, ele pede desculpas ou volta atrás. Imagina então quando ele acha que tá certo! Vixi, e aí que não sai nada mesmo. Se depender dele, a gente vai ficar brigado pra sempre.”

CACÁ>> “Mas e na outra vez que vocês brigaram, bem no começo do namoro... Não foi ele que foi atrás de você?”

GABI>> “Nada, Cacá! Eu quase morri tentando fazer ele entender que eu não gostava do Scott e que eu não tava com ele só por estar. Depois que eu já tinha desistido de tentar, ele veio falar comigo.”

CACÁ>> “É verdade... Eu não sabia que o Zac era assim.”

GABI>> “Fora que ele é muito teimoso! Pode descer Jesus lá do céu dizendo que eu não gosto do Adrian, pode vir alguém da companhia telefônica com a minha conversa e do Adrian gravada numa fita, pode vir até a nossa mãe dizendo que é dele que eu gosto... nada vai adiantar. Ele, ainda assim, vai continuar achando que eu menti para ele e que eu gosto é do Adrian.”

CACÁ>> “Nossa, Gabi... Mas como é que pode tanto orgulho?”

GABI>> “Cada um tem um jeito, Cacá... O Zac é assim.”

CACÁ>> “Mesmo se ele começar a sentir que tá te perdendo, ele não vem falar com você?”

GABI>> “Daí eu não sei. Eu sei o quanto que o Zac gosta de mim. Ele gosta muito. Se ele ver que tá me perdendo, é capaz de ele atropelar o orgulho dele e vir falar comigo. Mas isso é uma hipótese. O Zac é muito imprevisível, você nunca sabe o que ele vai fazer ou dizer.”

CACÁ>> “Deve ser difícil namorar alguém assim.”

GABI>> “Eu adoro.” – ela diz sorrindo; Cacá ri – “Mas mesmo assim, eu não devia ter um dado um tapa no rosto dele. Devia ter dado dois!!”

CACÁ>> “Você deu um tapa nele?”

GABI>> “Mas eu num te falei que a gente quase se pegou na porrada?”

CACÁ>> “Mas eu pensei que era no sentido metafórico da palavra.”
GABI>> “É que ele me chamou de galinha. Daí eu não podia deixar quieto! Pô, o fato de ele achar que eu enganei ele, não significa necessariamente que ele esteja certo.”

CACÁ>> “Você deu um tapa nele... Uau...”

GABI>> “Mas também, Cacá, o menino me chamou de galinha!!” – ela pensa um pouco – “O menino que eu mais amo nesse mundo me chamou de galinha... Deprimente, não?” – ela brinca um pouco.

CACÁ>> “Se o Tay me chamasse de galinha, eu ia sair correndo, chorando que nem uma monga.”

GABI>> “É que a gente é muito diferente, Cacá.”

CACÁ>> “Ainda bem...” – as duas riem – “Eu que não iria querer sair por aí distribuindo socos em todo mundo! Aliás, Dona Gabriela, reparou que já é o segundo tapa que você fornece em alguém?”

GABI>> “Ai, Cacá, credo, nem me lembre disso...”

CACÁ>> “Eu posso garantir, Gabi: os seus tapas são muito doídos. Coitado do Zac... não sei como ele não ficou desfigurado, coitado...”

GABI>> “Cacá, que horror!” – rindo e empurrando a irmã de leve pelo ombro. As duas riem.

DIANA>> “Crianças, está na hora!! Venham!!”

MYRANDA>> “Hora de quê?”

TAY>> “Da gente entrar...”

            Zac estava vindo, com as mãos no bolso. Caminhava bem lentamente. Ele se aproxima.

TAY>> “Vem, Zac. A gente tem que entrar.”

ZAC>> “Beleza.”

            Se despedem dos amigos e entram em casa. Diana havia colocado a mesa para que todos, junto de Andy e Dave, pudessem lanchar. Quando todos já estavam sentados...

DIANA>> “E então, Andy, ainda ficará por aqui muito tempo?”

ANDY>> “Não sei, Diana... Talvez eu e Dave retornemos para Sidney semana que vem.”

DIANA>> “Mas que pena...”

WALKER>> “Sempre que quiser, Andy, você poderá nos visitar.”
ANDY>> “Obrigado, Walker. Adorarei voltar aqui para vê-los de novo.”

DAVE (cochichando)>> “Cacá, será que, quando eu for embora, eu posso te escrever?”

CACÁ>> “Claro, Dave, que pergunta.” – ela diz sorrindo.

            Taylor, que estava sentado frente a Cacá, faz uma expressão não muito amistosa. Ela o olha. Taylor fita Cacá por alguns segundos e abaixa a cabeça. Cacá sente-se mal. Gabi come pouco também. Não estava com muita fome. Zac tentava não olhá-la, mas vez ou outra, pegava-se observando-a com a cabeça abaixada, olhando-a de baixo para que ela não o visse. Logo que percebia sua fraqueza, desviava seu olhar. Gabi não chegou a perceber, pois não queria olhar para Zac. Temia mais um olhar de desprezo vindo dele. Zac já sentia falta de Gabi, mas não podia perdoá-la por tê-lo enganado. Odiava ter de ficar longe, mas não aceitava o que ele achava ela ter feito. Porém, ao mesmo tempo que sentia-se saudoso, guardava uma grande revolta em seu interior. Não pretendia perdoá-la tão cedo.

GABI>> “Com licença.” – levantando da mesa.

DIANA>> “Mas já, Gabi?”

GABI>> “É, tia.” – ela sorri – “Não estou com muita fome.”

DIANA>> “Tudo bem, você que sabe.”

            Gabi sobe para o quarto de hóspedes. A porta estava encostada. Quando empurra, vê Avery mexendo em alguns itens de cabelo, como presilhas, miçangas, arquinhos, que ela havia deixado em cima da cama. Avery se assusta e levanta rapidamente com os olhos arregalados.

GABI>> “Calma, Avie, não tem problema não. Pode mexer à vontade.” – entrando no quarto.

AVIE>> “Ah, tá...” – ela sorri aliviada – “É que eu pensei que você fosse brigar como os meus irmãos fazem. Não posso mexer nas coisas deles. Dá última vez que eu peguei um boné do Zac pra brincar, ele brigou comigo.”

GABI>> “Sério?” – mostrando interesse no que Avery contava.

AVIE>> “É. Ah, mas não tem problema, porque depois a mamãe brigou com ele também.” – ela sorri largamente.

GABI>> “Hehehehe...” – Gabi senta ao lado da prima na cama – “Mas sobre as minhas coisas de cabelo, você pode pegar o que quiser. É só me pedir.”

AVIE>> “Legal!”

            Avery começa a mexer nos objetos novamente. Silêncio.

AVIE>> “Esse aqui é muito legal!” – mostrando o prendedor de cabelo que Zac mais gostava que Gabi usasse.

GABI>> “É...” – não muito empolgada por causa das coisas que o prendedor a fez se lembrar.

AVIE>> “O que foi?”

GABI>> “Eu? Nada, por que?”

AVIE>> “É que agora você fez rosto de quem ia chorar. Quer dizer, de quem tá com vontade de chorar, mas não vai chorar por minha causa.”

GABI>> “É?” – sorrindo.

AVIE>> “Você tá muito triste, né?”

GABI>> “Não tem como mentir pra você, né Avie?”

AVIE>> “É, não mesmo.” – ela sorri – “A mamãe sempre fala que eu consigo ver através da mentira das pessoas. Eu nunca entendi isso muito bem, mas acho que é algo bom.”

GABI>> “Definitivamente é.”

AVIE>> “Por que será que as pessoas sempre escondem o que tão sentindo?”

GABI>> “Porque, às vezes, esconder é menos dolorido do que mostrar.”

AVIE>> “E nas outras vezes?”

GABI>> “Vergonha. Ou tem vezes que falar não vai adiantar, não vai mudar nada mesmo...então pra quê falar?”
AVIE>> “Mesmo que a pessoa esteja falando a verdade?”

GABI>> “Uhun.” – ela olha para baixo.

AVIE>> “Eu acho que você não devia ficar triste, Gabi...”
GABI>> “É, eu também acho...” – sorrindo de leve.

AVIE>> “Sabe, toda vez que eu tô triste, a mamãe fala pra mim cantar.”
GABI>> “Cantar?”

AVIE>> “É! Ela diz que quando a gente canta, tudo que existe de bom dentro da gente, mas que tá escondidinho por causa da dor, começa a crescer, crescer, crescer até a dor ir embora.”

GABI>> “Você sempre canta quando você tá triste?”

AVIE>> “Sempre. Às vezes a mamãe canta comigo. Às vezes a Jessie... mas quando eu tô sozinha, eu faço a dor passar só comigo cantando mesmo.”

GABI>> “Isso é bom... só que eu não sei se cantar vai resolver o meu problema...”

AVIE>> “Você tá com saudades de casa?”

GABI>> “Antes fosse...”

AVIE>> “Então é o Zac, né?”

            Gabi arregala os olhos surpresa.

AVIE>> “É, não é?”

GABI>> “Não, imagina... por que você acha isso? Eu e o Zac somos amigos e...”

AVIE>> “Tudo bem, eu sei que é.”

            A maneira segura com que Avery a olhava, assustava Gabi. Percebia que, independente da mentira perfeita que ela pudesse inventar, não iria fazer Avery acreditar por ela simplesmente saber da verdade.

AVIE>> “Vocês brigaram, né?”

            Gabi pensa um tempo, mas desiste de tentar disfarçar o que Avery já sabia.

GABI>> “Como você sabe disso?”

AVIE>> “Eu ouvi vocês dois brigando.”

GABI>> “Como?”

AVIE>> “É que eu tava esperando o Zac sair do banheiro pra mim ir. Eu tava ali no meu quarto. Quando eu ouvi o barulho da porta abrindo, terminei de colocar a minha barbie pra dormir e fui. Depois que eu fiz xixi e tava saindo do banheiro, ouvi vocês brigando no quarto dos meus irmãos. O Zac tava gritando muito alto. Eu pensei que ele fosse bater em você.”

GABI>> “Era o que ele queria fazer, acredite.”

AVIE>> “Mas quem bateu nele foi você, né?” – séria.

GABI>> “Ah, ‘cê viu essa parte...”
AVIE>> “Vi.”

GABI>> “Eu sei, Avie, você deve tá pensando coisas horríveis de mim. Que eu sou um monstro porque eu dei um tapa no Zac... eu te entendo, aliás, eu nem vou tentar mudar a sua opinião sobre isso porque...”
AVIE>> “Nah, nem tô pensando nada disso.”

GABI>> “Não?”

AVIE>> “Não.” – sorrindo.

GABI>> “E o que você tá pensando?” – temendo um pouco a resposta.

AVIE>> “Que vocês deveriam voltar a namorar.”

            Mais uma vez, Gabi é pega de surpresa.

GABI>> “Ãã??”

AVIE>> “Vocês tavam namorando, né? Eu ouvi o Zac dizer...”

GABI>> “Avie, só pra saber, mas você contou isso pra tia Diana?”

AVIE>> “Não. Você quer que eu conte?”

GABI>> “Não, por favor, não conta nada pra ela...” – com as palmas das mão encostadas uma na outra, implorando.

AVIE>> “Tudo bem, eu não conto não.”
GABI>> “Mesmo? Por favor, é muito importante que você guarde segredo...”
AVIE>> “Pó dexá!” – sorrindo – “Eu te prometo que eu não vou falar nada, nem pra Jessie. Eu sempre quis ter um segredo bem secreto pra guardar.” – ela sorri novamente.

GABI>> “Obrigada, Avie.”
AVIE>> “De nada...” – ela sorri.

DIANA (gritando da sala)>> “AVIIIIIIIE!!!!”

AVIE>> “Já vôôôôôô!!!!” – olha para Gabi – “A mammy tá chamando. Deve ser a sobremesa. Você não quer?”
GABI>> “Não, ‘brigada.” – ela sorri.

AVIE>> “Tá bom.” – quando já estava saindo – “Ah, Gabi!” – volta a frente da prima – “Eu gosto muito de você, sabia?”

GABI>> “Eu também.”

AVIE>> “Você também gosta muito de você?”

GABI>> “Não, de você” – ela diz rindo.

            Avery sorri e beija Gabi no rosto. Quando já estava quase na porta...

AVIE>> “Ah, Gabi!”

            Gabi vira para ela.

AVIE>> “Não esquece de cantar, tá?”

GABI>> “Pode deixar.” – ela sorri. Avery sai correndo pelo corredor. Gabi apanha o prendedor de que Avery havia falado e fecha os olhos. Suspira fundo e lembra das palavras da prima menor. É quando Taylor aparece na porta.

TAY>> “A Avie tá aqui?”
GABI>> “Ela já desceu.”

            Taylor entra no quarto.

TAY>> “Você não vai se arrumar pra gente ir na casa da Lí?”

GABI>> “Nem sei se eu vou...”
TAY>> “Por que não?” – sentando ao lado de Gabi.

GABI>> “Fazer o que lá? Ficar olhando a Lí e o Zac se agarrando um monte? Não, muito obrigada.”

TAY>> “Bom, quem sabe se divertir um pouco.” – Gabi o olha – “Vamos, Gabi, com a gente. Eu não te garanto que o Zac e a Lí não vão se agarrar, mas acho que ‘cê vai se distrair um pouco.”

GABI>> “É, pode ser...”
TAY>> “Vamos, por favor...”

GABI>> “Tá, eu vou.”

TAY>> “Isso!” – ele a beija no rosto – “Você não vai se arrepender.” – sorrindo. Gabi sorri também.

IKE>> “Oi, ‘cês tão aqui.” – entrando no quarto – “O Dave vai com a gente.”
TAY>> “O que????”

IKE>> “É isso mesmo. O pai dele vai ficar por aqui até um pouco mais tarde, então a nossa mãe disse pra ele ir com a gente.”

TAY>> “Ah, mas que merda!!” – levantando.

CACÁ>> “O que que é uma merda, Tay?” – entrando no quarto acompanhada de Dave.

TAY>> “Nada não...”

GABI>> “Gente boa, vamo’ se arrumar então?” – tentando mudar rapidamente de assunto.

IKE>> “Vamos sim.”

DAVE>> “Bom, eu vou esperar na sala, beleza?”

CACÁ>> “Vai lá, Dave que a gente já desce.”

            Taylor e Isaac saem do quarto e vão para o deles. Cacá e Gabi começam a se trocar. Depois de um tempo, todos estavam prontos. Vão até a sala, onde estavam Diana e Andy.

DIANA>> “Vocês querem que eu leve vocês?”

IKE>> “Não precisa não, mãe. Pode deixar que eu mesmo dirijo.” – sorrindo cinicamente.

DIANA>> “Hmm... não sei... Fale com o seu pai sobre o carro.”

IKE>> “Ô PAAAAAAI!!!!!” – subindo até o escritório.

ANDY>> “Dave, meu filho. Eu não vou demorar muito aqui, portanto, não demore para voltar.”

”É, não demore pra voltar. Não seria melhor ele nem ir, senhor Andy?” – Taylor pensa.

CACÁ>> “Tudo bem, eu trago ele até aqui quando ele achar que deve voltar.”

“Nãããão, Cacá!!!” – Taylor pensa.

ANDY>> “Obrigado, Camilla.”

CACÁ>> “Imagina.” – sorrindo.

IKE>> “Prontinho...” – descendo as escadas com as chaves do carro nas mãos – “Carro liberado. Vamos?”

            Todos entram no carro e vão. A casa de Lí era muito perto, mas Isaac precisava do carro, pois ele e Myranda iriam até a locadora, que fica um pouco distante do bairro deles. Chegam à casa de Lí. Tocam a campainha. Ela atende.

LÍ>> “Oi, gente! Entrem!” – sorrindo.

IKE>> “Lí, esse é o Dave. Ele é um amigo nosso.”

LÍ>> “Oi, Dave, beleza?”

DAVE>> “Tudo bem.”

            Cada um que ia entrando, cumprimentava Lí com um beijinho no rosto. Zac estava na frente de Gabi. Quando ele foi entrar, Lí deu um forte abraço nele e um beijinho perto dos lábios. Gabi sente uma raiva enorme, pois parecia que Lí fazia de propósito.

LÍ>> “Oi, Gabi, tudo bem?”

GABI>> “Tudo...”

            Todos estavam reunidos na sala de estar, o lugar mais confortável da casa. Estavam sentados no sofá e em grandes almofadas no chão. Gabi se ajeita numa delas perto de Scott.

LÍ>> “Bom, já que nem todo mundo chegou ainda, acho que o Ike e a Myra podiam indo na locadora.”

IKE>> “Vocês é quem sabem...”
MYRANDA>> “Bom, então a gente vai indo. Algum filme específico?”

ZAC>> “Suspense.”

IVY>> “Ah não, eu morro de medo!”

CACÁ>> “Ah, Ivy, suspense é bom.”

LÍ>> “Decidido, suspense.”

“Nem que fosse pornochanchada, sendo o Zac que escolheu, tá escolhido! Ai, que guria mais escrota!” – Gabi pensa.

IKE>> “Tudo bem. A gente já volta aí.”

            Isaac e Myranda saem.

LÍ>> “Enquanto isso, ‘cês querem comer alguma coisa?”

SCOTT>> “Acho que tá meio cedo pra isso...”

            Lí, então, senta ao lado de Zac enganchada a seu braço. Gabi ficava tão irritada com aquilo, que só conseguia pensar nos dois daquele jeito, muito amigos. Cacá senta ao lado da irmã por um instante.

CACÁ>> “Gabi, a sua cara tá muito simpática. Menina, ‘cê nem sabe.” – brincando.

GABI>> “Bom, Cacá, ‘cê queria que tivesse como?? A única coisa que eu consigo pensar são em métodos de torturas e em maneiras de matar lentamente com o triplo de dor!!”

CACÁ>> “Tadinha da Lí...”

GABI>> “Tadinha mesmo!”

CACÁ>> “Cê acha que eles vão ficar hoje?”

GABI>> “Quem?”

CACÁ>> “O Zac e a Lí.”
GABI>> “Olha, num fala isso nem brincando!”

            Na locadora de vídeos...

MYRANDA>> “Ike, o que ‘cê acha de Pânico?”

IKE>> “Todo mundo já deve ter visto...”

MYRANDA>> “Que tal... ‘xô vê... Eu sei o que vocês fizeram no etc etc etc...”

IKE>> “Nome básico... hehe...”

MYRANDA>> “Até eu terminar de falar o nome do filme, a locadora já fechou.”

            Isaac ri.

IKE>> “Acho que esse também já viram.”

MYRANDA>> “E o Eu ainda sei o que etc etc etc?”

IKE>> “Hhm... pode ser.”

MYRANDA>> “Vamo’ levar esse então?”

IKE>> “Tudo bem.”

            Os dois vão até o caixa pagar.

FUNCIONÁRIA>> “São 3,85.”

            Isaac paga enquanto Myranda terminava de olhar uns filmes ali por perto. Ela se aproxima.

MYRANDA>> “Quanto que dá, moça?”

FUNCIONÁRIA>> “O seu namorado já pagou, querida.”

            Isaac e Myranda ficam muito sem graça. Myranda deixa um sorriso escapar sem querer.

IKE>> “É, nós somos apenas amigos. Os melhores, eu diria.”

MYRANDA>> “Não, moça, quer dizer, tipo...a gente não é namorado.”

FUNCIONÁRIA>> “Ah não? Puxa, que pena. Vocês combinam muito.” – sorrindo.

MYRANDA>> “Ah, obrigada... eu acho...”

IKE>> “Boa noite.”
FUNCIONÁRIA>> “Boa noite.”

            Os dois saem em silêncio da loja. Entram no carro.

MYRANDA>> “Nossa, que absurdo, né?”

IKE>> “Poizé...” – dando a partida no carro.

MYRANDA>> “Da onde ela tirou que nós somos namorados?” – rindo – “Nossa, que doida.”

IKE>> “Nós combinamos, Myra, por isso que ela nos confundiu com namorados.”

MYRANDA>> “A gente? Combinar?”

IKE>> “Claro. Assim como nós somos grandes amigos, nós seríamos um bom casal também.”

            Isaac a olhava com ternura. Myranda não sabia o que dizer. Ela só havia dito o que havia dito para tentar esconder a sua alegria quando aquela funcionária chamou Isaac de seu namorado. O caminho de volta eles fazem em silêncio.

            Na casa de Lí, estava muito animado. Todos conversavam muito e riam. Lí não saía do lado de Zac um minuto. Sempre estava abraçada a ele, pendurada em seu pescoço, fazendo-lhe carinhos no cabelo... enfim, sempre via-se os dois juntos. Gabi estava muito irritada com aquilo. Cacá e Dave conversavam. Taylor preferia conversar com Scott, pois estava tão revoltado com a afinidade de Cacá e Dave, que era melhor que não dirigi-se-lhes a palavra. Ivy e Duda participavam da conversa. Duda, por sua vez, não tirava seus olhos de Taylor, cujo nem se quer notava. É quando Isaac e Myranda chegam.

LÍ>> “Que filme ‘cês pegaram?”

IKE>> “Eu ainda sei o que vocês fizeram no verão passado.”

MYRANDA>> “Alguém aqui já viu?”

SCOTT>> “Eu, mas dá nada vê de novo porque é muito legal.”

ZAC>> “A gente vai ver agora?”

LÍ>> “Você que sabe, Zac... ‘Cê quer ver agora ou mais tarde?”
“Lí, por que você não pula da ponte? ‘Claro, Zac. Você prefere que eu pule de costas ou de bico?’” – Gabi imagina um diálogo entre Zac e Lí – “Ai, que menina mais idiota! Que nojo! Se o Zac meter um soco na cara dela, ela é capaz de agradecer!”

ZAC>> “O que todo mundo preferir.”

            Todos acabam votando por ver agora. Isaac arruma o filme no vídeo. Todos se ajeitam e o filme começa. No escuro da sala, Zac aproveitava para, às vezes, observar um pouco Gabi. Ela estava muito concentrada na tela, por isso não percebia que ele às vezes a olhava. Lí estava enganchada ao braço de Zac e com sua cabeça encostada no ombro dele. No meio do filme...

DAVE (cochichando)>> “Cacá, eu tenho que ir.”

CACÁ (cochichando)>> “Ah, tudo bem. Vem que eu te levo.”

            Os dois levantam e saem ali da sala.

GABI>> “Dave, ‘cê já tá indo?”

DAVE>> “Já sim. Tchau pra todos.”

TODOS>> “Tchau.”

            Cacá sai com Dave. Taylor fica observando. Lá fora, eles vão caminhando devagar até a casa dos Hanson. Na frente dela...

DAVE>> “Cacá, ‘cê não precisa entrar comigo.”

CACÁ>> “Certeza?”

DAVE>> “Certeza.”

            Taylor olhava a televisão, mas não prestava atenção no que estava vendo. Só conseguia pensar em Cacá sozinha com Dave em uma rua escura, numa noite estrelada. Não, ele não iria agüentar muito tempo. Taylor começa a ficar inquieto, não parava de se mexer. Gabi, que estava próxima a ele, estranha.

GABI (cochichando)>> “Ô, Tay, tá com pulga nas partes, menino??” – brincando.

TAY (cochichando)>> “Desculpe, Gabi, não queria te atrapalhar...” – um pouco envergonhado.

GABI (cochichando)>> “É a Cacá, né?”

TAY (cochichando)>> “É...”

GABI (cochichando)>> “Vai lá então ué.”

            Taylor nem pensa duas vezes, levanta rapidamente e sai da casa. Andava pela rua ansioso, pois temia encontrar algo que não fosse gostar de ver.

DAVE>> “Bom, chega de conversa, né?”

CACÁ>> “É, eu tô perdendo o filme lá.”

DAVE>> “Então, tchau...”

            Dave envolve a cintura de Cacá na intenção de beijá-la. Ela não entende nada.

CACÁ>> “Dave, o que ‘cê tá fazendo?”

            Taylor se aproximava e vê os dois com os rostos muito juntos. Ele fica furioso e, com uma expressão muito irritada na rosto, se aproxima dos dois. Empurra Dave com muita força, afastando-o de Camilla. Cacá se assusta ao ver a expressão nervosa que Taylor carregava em seu rosto.

TAY>> “Larga ela!!!” – com fúria nos olhos.

DAVE>> “Taylor?? O que ‘cê tá fazendo aqui?????” – chegando mais próximo de Taylor para intimá-lo.

CACÁ>> “Tay? Da onde ‘cê surgiu?”

TAY>> “Se você encostar nela de novo, eu te mato!!!”

DAVE>> “Ah, mas eu pago pra ver.” – sorrindo com cinismo.

TAY>> “Não diz isso de novo se você não quiser...” – com a voz baixa e nervosa dando de dedo em Dave.

DAVE (interrompendo)>> “Não quiser o que?? Apanhar??” – encarando-o.

CACÁ>> “Rapazes, por favor, nós somos civilizados...”

DAVE>> “Desculpe, Taylor, mas eu não bato em mulher.”

            Quando Taylor ouve isso, seu sangue ferveu. Ele fecha sua mão e soca Dave em cheio no rosto. Dave percebe que está sangrando no nariz e, com muita raiva, voa para cima de Taylor.

CACÁ>> “Parem!!!! Parem com isso!!!!!” – em pânico, pois não sabia o que fazer.

            Os dois começam a brigar no asfalto. Cacá estava desesperada. Ela dá um jeito de se enfiar no meio dos dois para separá-los. Consegue, porém acaba levando um leve empurrão no rosto. Taylor e Dave estavam um de frente para o outro se olhando com ira.

CACÁ>> “Vocês tem problema mental?!?!”

DAVE>> “Esse inútil que mais parece uma menina que...”

            Taylor tenta ir para cima dele de novo. Cacá não permite.

CACÁ>> “Dave, entra!!”

DAVE>> “Cacá, mas é...”

CACÁ>> “Entra logo, merda!!!”

            Dave olha Taylor com nojo, arruma sua blusa com violência e entra em casa. Cacá suspira e começa a andar devagar para frente, como se pensasse, deixando Taylor para trás.

TAY>> “Cacá...” – indo atrás dela.

CACÁ (virando de repente para ele)>> “Taylor, ‘cê tá louco????? O que te faz pensar que ‘cê pode chegar batendo como se eu fosse propriedade sua????”

TAY>> “Mas acontece que...”
CACÁ>> “Taylor, o que ‘cê tem na cabeça??? Meu Deus, você deu um soco no Dave porque ele tentou me beijar sem nem ao menos saber se o que estava acontecendo ali era da minha vontade também!!!!”

            Cacá ia cada vez mais para frente, se afastando da frente da casa dos Hanson. Taylor ia seguindo-a.

TAY>> “Peraí! Você tava correspondendo ao beijo daquele otário????”

CACÁ>> “E se eu estivesse??? O que ‘cê ia fazer??? Bater em mim também???”

TAY>> “Você tava????” – chegando bem junto dela.

CACÁ>> “Não, eu não estava, mas isso não muda nada!!! O que você fez foi escroto, ridículo, mentecapto, nojento, irracional, asqueroso, mundano e de uma infantilidade imensa!!!! Não tinha porquê você bater nele, Taylor!!!!”

TAY>> “Claro que tinha!!!! Pô, eu gosto de você, Cacá!!! Eu não ia conseguir olhar você beijando aquele Dave mula e ficar quieto!!!!”

A rua estava deserta. Era tarde da noite. Ouvia-se apenas os carros passando na avenida movimentada mais próxima.

CACÁ>> “Eu também gosto de você, Taylor e é exatamente por isso que eu não queria que você tivesse feito isso... porque não precisava...” – com uma voz que mostrava cansaço.

            Taylor se aproxima dela. Fica bem à sua frente olhando-a. Cacá estava com uma de suas mãos em sua testa segurando sua cabeça, olhando para o chão pensando.

TAY>> “Me desculpe... eu agi sem pensar mesmo.” – falando mais baixo.

CACÁ>> “Claro que foi sem pensar! Se você tivesse pensado você nunca teria feito algo assim.” – não com um tom de braveza, mas sim como se estivesse dando uma bronca em Taylor.

            Taylor abaixa a cabeça aceitando o sermão de Cacá. Ela o olha.

TAY>> “Tipo... eu não tô machucado, assim... coisa e tal...”

CACÁ>> “Aqui.” – colocando seu dedo no arranhão que havia na bochecha de Taylor, sem demonstrar preocupação nenhuma.

TAY>> “E ‘cê não tá com pena de mim?”

            Cacá ri.

CACÁ>> “Tay, o corte! Você está bem?? Tá doendo em algum lugar?!” – fingindo preocupação exagerada – “Me saí bem como mocinha frívola?” – sorrindo.

TAY>> “Marcas da sobrevivência, querida.” – brincando também, engrossando um pouco a voz.

            Cacá ri serena. Taylor estava bem frente à ela. Eles começam a se olhar. Taylor coloca sua mão no rosto de Cacá. Ela permanece imóvel, enquanto Taylor aproximava sua boca a dela. Antes de tocar seus lábios, Taylor a olha um instante. Fecha os olhos e toca suavemente a boca de Camilla. Ele tira os lábios e, ainda de olhos fechados, puxa os dela levemente. Cacá assenta suas mãos no peito de Taylor. Ele a abraça pela cintura e, devagar, abre sua boca, encaixando na de Camilla. A beija de língua. Cacá, ao sentir a boca de Taylor daquela maneira tão perto, o abraça com força pelo pescoço. Ele a cerca pelo quadril trazendo-a bem junto dele. Se beijavam com serenidade, sem pressas ou ansiedades. Camilla concentrava-se nos movimentos da língua de Taylor, em seus toques, na sua respiração. O abraçava forte e mexia nos seus cabelos loiros com carinho. Cada vez mais, Taylor pressionava Cacá mais forte contra ele. As mãos dela entre os seus cabelos começam a descer pelo seu peito com sutileza. Cacá estava tão ansiosa por esse beijo, que mal conseguia pensar. Ela segura o rosto de Taylor. Ele abria sua boca cada vez mais e, assim, o beijo tornava-se cada vez mais intenso. Taylor passa a abraçar Camilla com mais segurança, levando-a a fazer coisas que ela normalmente não faria. Ela segurava o pescoço dele, com certa força, com seu polegar próximo às bocas, a qual se perdiam num beijo cálido. A pele de Camilla estava numa temperatura acima do normal, como se o que sentia por dentro, estivesse sendo mostrado por fora. Isso deixava Taylor mais estimulado. Suas mãos se perdiam agora pelo quadril e pelas coxas dela. Cacá deixava. Ela tira seus lábios um instante. Ela com as mãos no peito de Taylor e ele envolvendo-a pelo quadril. Os dois se olhavam. Cacá sorri. Ele também. Continuam se olhando. Taylor então fica sério e vai em direção aos lábios de Cacá para beijá-la novamente. Ela vai um pouco para trás, interrompendo. Queria dizer algo.

CACÁ>> “É...” – solta uma suave risada de satisfação – “...não é melhor nós voltarmos?” – sorrindo.

TAY (sussurrando)>> “Melhor? Por que?” – sorrindo.

CACÁ>> “Não sei, a gente já tá aqui a tanto tempo e... sei lá, a rua tá meio deserta, tá escuro...”

            Taylor sorri. A beija mais uma vez colocando sua língua rapidamente na boca de Camilla. Depois, rápidos beijinhos em seus lábios.

TAY>> “Tem certeza?” – sorrindo.

CACÁ>> “Agora nem tanto.”

            Os dois riem baixinho.

CACÁ>> “Ah, tipo, a gente pode ficar lá com todo mundo...eu acho, pelo menos.”

TAY>> “Tudo bem.”

            Taylor segura a mão de Cacá e a olha. Ela aperta a mão de Taylor e os dois vão para a casa de Lí. Lá, todos ainda assistiam ao filme. Taylor e Camilla entram no quarto em que o filme era assistido de mãos dadas. Todos percebem, mesmo com as luzes apagadas. Cacá senta ao lado da irmã com Taylor abraçando-a.

GABI (cochichando)>> “Cacá, que fashion!” – sorrindo.

CACÁ>> “Yeap.” – sorrindo.

            O filme termina, um tempo depois. Todos comentavam ao mesmo tempo sobre os personagens, os assassinos e coisas do tipo. Lí, que estava com a sua cabeça apoiada no ombro de Zac, levanta indo à frente de todos.

LÍ>> “Bom, gente, agora que o filme acabou, a gente podia pedir uma pizza ou algo assim.”

            Todos adoram a idéia.

LÍ>> “Então vamo’ ali na sala procurar alguma coisa na lista telefônica.”

            Todos levantam e vão, exceto Gabi, que fica ali um tempo sentada, pensando um pouco. Ela estava muito irritada com Zac e Lí. Como podia Lí ser tão cínica ao ponto de dar em cima de Zac na frente de Gabriela? Porém, ao mesmo tempo, estava muito magoada, pois não entendia como Zac poderia estar fazendo algo assim com ela sendo que ele, achava Gabi, ainda a amava.

ZAC>> “Lí, cadê o meu moletom que ‘cê tava usando?”

LÍ>> “Tá lá no sofá da sala de TV, Zac.”

            Zac vai à sala de TV para apanhar seu moletom preto da Hard Rock. Gabi estava sentada no sofá ao lado do moletom. Zac pára e a olha quando percebe sua presença. Gabi o olha também. Ele desvia o olhar para o seu moletom. Ela olha o moletom também. Os dois se olham novamente. Gabi entende que, o quê Zac queria, estava ali ao seu lado, mas ele mostrava-se apreensivo justamente pela vestimenta estar muito próxima de Gabi.

GABI>> “Eu não mordo.”

ZAC>> “Mas ataca.”

Gabi entende que Zac falava do tapa que ela havia lhe dado no dia anterior.

GABI>> “Mas só quando necessário.” – ela diz séria.

            Zac não diz mais nada e vai até ela apanhando o moletom. No momento em que mais se aproximou dela, Zac conseguiu sentir seu perfume. Ele sai logo. Gabi espera um tempo e se junta aos outros também.

LÍ>> “Nossa, Zac, ‘cê foi fabricar o moletom?”

            Gabi estava ao lado de Lí e olha para Zac quando ouve o que ela diz. Ele percebe que Gabi o olhava, mas não a olha.

ZAC>> “Não, é que tava atrás do sofá, daí eu demorei um pouco pra encontrar.”

“Putz, que mentira!!!” Gabi pensa.

            Pizza escolhida, todos sentam no grande sofá da sala de estar para conversar e aguardar pela pizza. Zac senta no sofá de uma pessoa e Lí no braço do sofá com a mão no ombro dele. Gabi estava no sofá da frente ao lado dos amigos. Taylor e Cacá estavam sentados no chão, ela entre as pernas dele encostada em seu peito. Duda os olhava. A conversa estava animada. Zac estava quieto. Evitava falar entre muitas pessoas. Lí ria alto das piadas de Scott e Isaac. Até que Zac levanta e vai até a cozinha beber água. Lí vai atrás dele. Gabi se incomoda. Cacá percebe e chama a irmã para sentar ao seu lado. Gabi vai.

CACÁ (cochichando)>> “Calma, Gabi...”

GABI (cochichando)>> “Cacá, eu vou lá naquela cozinha e ver o que tá acontecendo!”

CACÁ (cochichando)>> “Gabi, o que ‘cê vai fazer? Bater nela também?”

TAY (cochichando)>> “Também? A Gabi já andou batendo em mais gente?”

GABI (cochichando)>> “Qualquer dia eu te explico, Tay...”

TAY (cochichando)>> “Eu sei que eu num tô na conversa, mas Gabi, eu acho que o Zac ‘inda gosta de você. Por isso, nem se preocupe, porque da parte dele num vai ‘contecer nada.”

GABI (cochichando)>> “Tá, e da parte dela? Ela é muito esperta, Tay, num tá investindo desse jeito no Zac só pra conquistar a amizade dele.”

TAY (cochichando)>> “Esperta ou não, não é dela que ele gosta.”

GABI (cochichando)>> “Tay, essa foi a coisa mais fofa que eu já ouvi na vida.”

CACÁ>> “Vai lá não, Gabi... eu num acho uma boa idéia.”

GABI>> “É... eu também num tô com pique pra brigar hoje não...”

            Isaac chega ao lado de Gabi.

IKE (cochichando)>> “O que ‘cês tão cochichando aqui?”

CACÁ (cochichando)>> “Sobre a Gabi e o Zac.”

IKE (cochichando)>> “Gabi, ‘cê reparou como a Lí colou no Zac, né?”

GABI (cochichando)>> “Com certeza!”

IKE (cochichando)>> “Só pra avisar, mas o Zac odeia isso! Né, Tay?”

TAY (cochichando)>> “É verdade. Daqui à pouco ele enche da Lí, ‘cê vai ver, Gabi.”

            Na cozinha...

LÍ>> “Ô Zac...”

ZAC>> “Oi, Lí. Vim só tomar água.”

LÍ>> “Eu sei... é que eu queria ficar um pouco sozinha com você.”

            Zac estranha. Toma logo a sua água.

ZAC>> “Vamos voltar pra lá?” – passando por ela.

LÍ>> “Espera.” – o parando – “Zac, eu notei que você tá muito diferente comigo.”

ZAC>> “Nós somos amigos agora, não somos?”

            Lí o olha e, segurando em seu rosto, tenta beijá-lo. Ele não permite, indo para trás.

ZAC>> “Lí, o que ‘cê tá fazendo?”

LÍ>> “Eu pensei que ‘cê também queria.”

ZAC>> “Lí, a gente é muito amigo agora, mas só isso.”

            Lí então percebe que ainda não estava na hora certa para fazer isso. Ela precisava de uma saída perfeita e bem rápido. Pensa em algo.

LÍ>> “Nossa, Zac me desculpe, por favor. Eu jurava que você estava querendo isso, por isso tentei te beijar, por ser muito sua amiga, entende? Eu, na verdade, não queria que a nossa amizade acabasse com uma besteira dessas, mas como achava que você estava começando a gostar de mim, tentei te beijar pra...”

ZAC (interrompendo)>> “Tudo bem, Lí, tudo bem, eu entendi. A causa é nobre, mas não é nada disso.”

LÍ>> “Me desculpe... Puxa, que idiota.”

ZAC>> “Tudo bem, sério. ‘Contece nas melhores famílias.” – sorrindo.

LÍ>> “Valeu, Zac. ‘Cê é um grande amigo.”
ZAC>> “Bom, então vamos voltar lá pra sala porque...” – já saindo.

LÍ>> “Zac.”

            Ele a olha.

LÍ>> “Você ‘inda gosta da Gabi?”
ZAC>> “Lí, olha, eu não queria...”
LÍ (interrompendo)>> “Gosta ou não?”
ZAC>> “Lí, ‘cê é muito minha amiga, mas isso é uma coisa que pertence só a mim.”

LÍ>> “Entendo...”
            Zac sorri, abre a porta da cozinha e eles voltam para junto dos outros. A pizza chega. Todos sentam à mesa para comer. Estava muito divertido. Gabi começa a se animar mais e a rir bastante com as brincadeiras dos meninos. Zac continuava quieto, apenas acompanhando com os olhos o que acontecia. Às vezes ria um pouco, mas falava muito menos. Ele sentia-se um pouco incomodado com o divertimento de Gabi, pois ela não mostrava mais estar chateada. Na verdade, ela estava. Tentava apenas se distrair um pouco. Cacá e Taylor estavam sentados um ao lado do outro, abraçados. Vez ou outra, trocavam alguns beijos, mas nada de muito intenso. Scott contava sobre o baile de formatura de sua irmã mais velha, agora casada e vivendo em outra cidade, em que ele teve de dançar valsa com ela.

SCOTT>> “Coitada da minha irmã. Eu pisei muito no pé dela!!” – todos riam – “Querem ver como foi? Gabi, por favor.”

Scott levanta e puxa Gabi pela mão, convidando-a para “dançar” com ele. Era apenas uma demonstração. Scott ameaça alguns passos levando Gabi para os lados de maneira delicada. Ela ria, assim como os outros. Zac não gosta. “Isso porque ela dizia que não gostava do Scott!” ele pensa. Zac era bastante ciumento e desconfiado. Qualquer contato diferente que Gabi tinha com outra pessoa do sexo oposto, já era motivo para a sua imaginação entrar em ação. Scott solta Gabi e os dois sentam novamente.

LÍ>> “Scott e Gabi... hhmm... um casal simpático.” – ela diz com o intuito de concretizar a brincadeira, como se aderisse à idéia de Gabi e Scott juntos.

SCOTT>> “Lí, não viaja, era só brincadeira.”

LÍ>> “E quem disse que eu tava falando sério?” – sorrindo irônica.

            Gabi fica sem graça. Silêncio de todos. O clima que de repente aparece era ruim adicionado a esse terrível silêncio.

IKE>> “Bom, mas vamos terminar de comer isso aqui antes que esfrie. Nossa, engraçado... essa frase soou como uma das da minha mãe.”

            Todos riem quebrando aquele gelo. Depois que todos já estavam satisfeitos, Lí os leva até a sala da lareira, onde a luz estava apagada e a lareira acesa iluminando o lugar. Havia algumas almofadas no chão, a qual todos se acomodam. Gabi senta junto de Ivy e Duda, próximas à lareira. Zac senta do outro lado da sala, na direção diagonal à elas. Lí acomoda-se junto de Zac, com sua cabeça deitada no ombro dele. Cacá bem abraçada a Taylor próximos a Isaac e Myranda, perto da lareira. Lí liga o som com o controle remoto. Uma música lenta, suave deixava o lugar mais confortável. Ela olha para Zac, sorri e se aconchega melhor em seu peito. Zac não diz nada, apenas deixa. Não gostava muito da idéia de ter Lí assim tão íntima, principalmente depois do quase beijo na cozinha de à pouco, mas não queria fazer nada que pudesse parecer grosseiro. Gabi já não dava mais importância, ou pelo menos, fingia não dar. Ela sentia-se irada com as atitudes de Lí, mas não havia nada que ela poderia fazer sobre isso, afinal, Zac parecia consentir. A conversa estava animada. Nem todos participavam. Alguns, como Cacá e Taylor e Isaac e Myranda, conversavam paralelamente. Até que fica tarde e todos vão embora, ficando apenas Isaac, Taylor, Zac, Gabi e Cacá.

IKE>> “Tay, acho melhor nós irmos.”
TAY>> “Você acha?”

IKE>> “Tá tarde pra caramba.”

CACÁ>> “Vamos chamar a Gabi e o Zac então.”

TAY>> “Zac…” – Zac olha – “Vamo’ bora?”

ZAC>> “Vamos sim.”

LÍ>> “Ah, por quê? Fiquem mais um pouquinho.” – segurando a mão de Zac.

            Gabi levantava do chão.

IKE>> “Foi mau, Lí, mas a gente tem que ir.”

LÍ>> “Tudo bem, então...”

            Lí sorri para Zac e beija-o no rosto um pouco insinuante. Zac sorri mostrando uma sensação falsa de que havia gostado. Gabi abaixa a cabeça e fingi não ter visto. Lí se despede de todos, menos de Gabi, pois ela já estava lá fora, parada na porta do carro à espera dos outros. Todos saem da casa e entram no carro. Gabi estava furiosa. No carro, sentou na janela e Zac ao seu lado. Ele notava que alguma coisa havia deixado-a irritada. Sabia o que era. Gabi olhava pelo vidro segurando seu queixo com só um dos dedos e com uma expressão seca no rosto, sem nenhuma fisionomia definida. Só via-se que ela estava bastante revoltada.

            Chegando em casa, todos sobem para os quartos. Todos já dormiam e as luzes todas estavam apagadas. Cacá vai com os primos para o quarto deles conversar um pouco. Gabi passa direto e vai para o quarto de hóspedes. Zac observa, mas, mesmo aspirando ir até ela, seu orgulho engana-o do contrário.

TAY>> “Zac, ‘cê num acha que devia falar com a Gabi?”

ZAC>> “Eu?? Falar o que??”

CACÁ>> “Shhh!! Fala baixo, Zac!!” – com um baixo tom de voz.

ZAC>> “Não tenho nada pra falar com ela.” – com um ar de indiferença.

            No quarto de hóspedes, Gabi arrumava-se para dormir.

IKE>> “Nada mesmo, Zac? ‘Cê tem certeza?”

ZAC>> “Absoluta! O que eu vou falar com uma pessoa que me enganou do jeito que ela fez?!”

CACÁ>> “Ela não te enganou, Zac!!! Foi você quem se enganou!! Tudo aquilo que ela te contou foi

verdade!!!”

ZAC>> “Ah, Cacá, ‘cê quer que eu acredite naquilo?! Dá um tempo, né?!”

TAY>> “Zac, ‘cê ‘inda gosta dela. Por que ‘cê num tenta falar com ela mais uma vez?”

IKE>> “Você vai perder a pessoa que você gosta por uma besteira dessas?”

TAY>> “Vai lá falar com ela, Zac… ela tá tão magoada por causa desses negócios de você com a Lí.”

CACÁ>> “Aliás, ‘cê num acha uma sacanagem isso que você tá fazendo com ela?”

ZAC>> “Tá, tá!!” – levantando as mãos na altura do peito – “Eu vou, eu vou!!”

            Zac sai do seu quarto em direção ao de hóspedes em passos lentos. Ele bate duas vezes de leve na porta e a abre. A luz estava apagada.

ZAC>> “Gabi?”

Zac não vê Gabi em lugar nenhum. É quando ele olha para a cama e a vê dormindo. Ele vai até ela e senta ao seu lado. Fica um tempo observando-a dormir. Ele coloca os cabelos que caíam no rosto de Gabi atrás de suas orelhas e desliza seus dedos pelo rosto dela. Gabi se manifesta com alguns movimentos. Abre um pouco os olhos.

GABI>> “Zac? É você?” – sussurra entre palavras sonolentas.

            Zac sorri.

ZAC>> “Dorme...” – acariciando os cabelos de Gabi.

            Gabi se ajeita bem próxima a Zac, com um de seus braços nas pernas dele, fecha os olhos e dorme.

GABI>> “Te amo...” – já com os olhos fechados.

ZAC>> “Eu também...” – ele diz baixinho, como se nem ele mesmo quisesse escutar.

            Zac abaixa a cabeça. Uma lágrima teima em cair, mas ele rapidamente termina com a sua natureza, esfregando os olhos e limpando-os. Respira fundo. Delicadamente, ele tira o braço dela que descansava em sua coxa, levanta e sai. Antes de fechar a porta, ele a olha mais uma vez. “Te amo...” ele pensa.

ZAC>> “Muito.” – ele sussurra.

            Zac abaixa o olhar, fecha a porta e sai.

- - > Capítulo 11

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