CAPÍTULO 11

Zac havia tido uma péssima noite de sono. Conseguira pegar no sono alguns minutos pela madrugada, porém por pouco tempo. Ele senta na cama e coloca seus cabelos, que caíam em seu rosto, para trás. Olha Isaac e Taylor dormindo em suas camas. Levanta, com sua camiseta azul marinho e seu shorts mais curto, e vai até o escritório. Senta no chão, frente ao sofá azul. Olha no relógio sobre a estante. 5:30. Ele coloca seu corpo mais para frente e deita sua cabeça no sofá. A luz do escritório estava apagada. O sol já estava nascendo e o dia lá fora começava a tomar cor, iluminando parcialmente o recinto. Zac lembra então do primeiro beijo que ele e Gabi compartilharam ali, exatamente onde ele sentava-se. Lembra de cada toque, da respiração dela em seu rosto, do calor com que o corpo de Gabi lhe queimava, da adrenalina por causa da possibilidade de alguém entrar a qualquer momento, dos seus sorrisos internos por finalmente beijar a quem desejava tanto. Zac fecha os olhos e lembra de cada sensação. Uma saudade lhe toma o peito. É quando, viajando em suas lembranças, ele ouve a porta ranger mostrando que alguém entrava. Ele abre os olhos. Era Mackenzie, seu irmão mais novo.

MACKIE>> “Zac... o que ‘cê tá fazendo aqui?” – coçando os olhos de sono.

ZAC>> “O mesmo que você.” – ele sorri – “Vem cá comigo.”

            Mackenzie vai até o irmão e senta ao seu lado.

ZAC>> “O que foi? Caiu da cama?”

MACKIE>> “Não... sonhei que o Jafar queria me pegar.”

ZAC>> “Eu já disse pra você e pra Jessie pararem de ver esse Alladin toda noite.”

MACKIE>> “Eu tô com sono, mas num quero dormir.”

ZAC>> “Por que não?”
MACKIE>> “Eu tenho medo que o sonho volte. Posso ficar aqui com você?”

ZAC>> “Tá. Mas só se você prometer pra mim que num vai mais ver essa fita!”

MACKIE>> “Mas eu gosto do Gênio...”

ZAC>> “É pegar ou largar.”

MACKIE>> “Tá, eu prometo...”

ZAC>> “Então tá feito. Pode ficar.”

MACKIE>> “Obrigado...” – ele se ajeita melhor no colo do irmão – “Zac?”

ZAC>> “Quié?”

MACKIE>> “E se o Jafar voltar?”

ZAC>> “Ih, Mackie. ‘Té parece que num conhece o seu irmaozão aqui!”

MACKIE>> “Você é mais forte que ele?”

ZAC>> “Mas é claro! Se ele vier aqui te pegar, eu vou fazer picadinho dele.” – mexendo os dedos todos juntos ao dizer ‘picadinho’; Mackie ri.

MACKIE>> “Zac, pode te contar um segredo?”

ZAC>> “Pode.”

MACKIE>> “A Gabi tem um galo.”

            Zac muda a expressão do rosto.

ZAC>> “Ããã?”

MACKIE>> “Era de estimação.”

ZAC>> “Por que você acha isso?”

MACKIE>> “Porque eu vi ela chorando ontem com a Cacá. Sabe o que ela dizia? Que não queria ter batido nele, mas ele chamou ela de galinha.” – Zac mexe os olhos entendendo do que seu irmão falava – “Acho que a Gabi brigou com o galo dela porque ele confundiu ela com a namorada dele...”

ZAC>> “Não, Mackie... a Gabi não tem um galo.”

MACKIE>> “Tem sim! Ela falou! Sabe o que ela falou também? Que ama ele e que sente falta dele. Eu acho que o galo dela fugiu porque ela bateu nele. Por isso que ela tava chorando.”

ZAC>> “Pode ser, Mackie, pode ser...”

Diana preparava o café. Ela olha no relógio. “Está na hora de chamar as crianças.” ela pensa. Diana sobe as escadas, acorda os filhos. Dá pela falta de Zac na cama dele.

DIANA>> “Tay, cadê o Zac?”

TAY>> “Não sei, mãe...”
DIANA>> “Ai, será que ele sumiu de novo?”

TAY>> “Não, mãe, ele deve tá acordado.”

            Diana vai chamar as sobrinhas. Gabi e Cacá levantam rapidamente. Diana procurava por Zac nos quartos.

GABI>> “Tia, o que ‘cê perdeu?”

DIANA>> “O Zac.”

            Diana entra no escritório e vê Zac abraçado a Mackenzie deitados no sofá azul. Diana sorri.

GABI>> “Achou?” – entrando no escritório.

DIANA>> “Achei sim.” – ela sorri.

            Gabi olha na direção que Diana olhava. Ela sorri. Zac e Mackie dormiam tão tranqüilamente, passando uma ternura para quem olhava. Gabi acha aquela cena muito meiga.

GABI>> “Nossa... isso merecia até uma foto.”

DIANA>> “É... que fofo, não é?”

            Gabi observava Zachary dormir e aquela serenidade que ele demostrava naquele momento era tamanha, que ela começa a lembrar do Zac pela qual ela havia se apaixonado. Algo muito forte lhe toma o peito. Uma vontade de abraçar Zachary muito forte, de tê-lo novamente junto dela.

DIANA>> “Dá até dó de acordar, né?

            Gabi não diz nada. Fica olhando admirada.

DIANA>> “Gabi?”

GABI>> “Ã?”

DIANA>> “Onde você estava, querida?” – sorrindo.

GABI>> “Concentrada na fofura do....” – ela pensa – “...do Mackie...hehe.”

DIANA>> “Pena que eu devo acordá-los.”

            Enquanto Diana os acordava delicadamente, um flash vem à cabeça de Gabi. A cena de Zac acariciando seu rosto num quarto escuro onde ela dizia ‘te amo’ e ele retribuía o carinho. Mas quando? Ela se esforçava para tentar concretizar melhor a cena em sua mente, mas ela não conseguia.

DIANA>> “Queridos, vamos, levantem.”

ZAC>> “Ah, mãe...”

MACKIE>> “É, mamãe...”
ZAC>> “Ainda tá cedo.”

DIANA>> “Levantem, meninos... Mackie, mamãe preparou sucrilhos.”

            Mackie levanta na hora animado.

MACKIE>> “Vem, Zacky!!!” – chacoalhando o irmão – “Vem!!! Tem sucrilhos!!!”

ZAC>> “Tá, tá!!!!”

            Gabi continuava com aquela cena na cabeça. Ela sentia como se tivesse sido real demais para um sonho. Zac levanta e vê Gabi ali parada na porta olhando para um ponto fixo. Ele lembra a noite passada. É quando ele sai do quarto, passando por ela, sem dizer nada. A olha nos olhos por rápidos segundos. Gabi o olha também.

            Depois do almoço, eles vão para a rua conversar um pouco com o pessoal. Todos estavam lá. Zac vai jogar rockey um pouco com os seus amigos para se distrair. Taylor e Cacá, de mãos dadas, conversavam com Scott, Gabi e Ivy.

SCOTT>> “Tay, sábado o Adam vai dá uma festa. Tá a fim de ir? Vamos, Cacá? Vamos, Gabi?”

TAY>> “Ah, beleza... por mim...”
CACÁ>> “A gente só tem que dá uma checada no que a nossa tia acha disso.”

GABI>> “Poizé... ordens dos superiores...”

            Risadas.

IVY>> “Ô, gente, ‘cês ‘tão sabendo da Duda?”

SCOTT>> “O que aconteceu com a Duda?”

IVY>> “Eu fui lá na casa dela hoje, logo depois do almoço, pra falar com ela, porque ela num tinha ido no colégio. A mãe dela atendeu a porta. Ela disse que a Duda não podia porque ela estava ocupada. Bom, então eu voltei pra casa, esperei um pouco e resolvi ligar. A Duda que atendeu. Ela tava chorando muito e me disse que tava mó mal.”

CACÁ>> “Mas por quê?”

IVY>> “Por causa...” – ela olha para Taylor – “...de você, Tay.”

            Taylor muda sua expressão.

IVY>> “Ela gosta pra burro de você. Quando ela soube que você tava com a Cacá, ela quase desidratou de tanto chorar.”

TAY>> “Sério?”

IVY>> “É... ela tá lá agora, chorando trancada no quarto. Eu tentei dá uma força, mas num ‘dianta. Ela tá mau mesmo.”

            Taylor começa a se sentir um pouco culpado, afinal, quando começou a perceber o que sentia pela prima, passou a desprezar Duda completamente. A evitava descaradamente e agora, com a notícia que Ivy havia lhe dado, ele enxergava bem o quão estúpido ele havia sido.

GABI>> “Ai... ela gosta mesmo do Tay, né?”

IVY>> “Sabe, a Duda é muito minha amiga. Desde que ela chegou aqui, eu e ela temos sido muito amigas uma da outra. Eu fiquei tão chateada de ver ela daquele jeito. Ela soluçava no telefone. Terrível mesmo. Eu disse para ela se acalmar, mas num teve jeito.”

SCOTT>> “Será que a gente deveria falar com ela?”

TAY>> “Será que eu deveria?”

            Todos olham para Taylor.

IVY>> “Tay, eu num sei se é uma boa você ir falar com ela pra dizer o quanto a amizade dela é importante pra você ou de como você nunca deveria ter ficado com ela sem sentir nada, porque só vai piorar.”

TAY>> “Mas eu preciso dizer essas coisas pra ela!”

IVY>> “Não, Tay, você não precisa! Na hora em que você cortava ela daquele jeito boçal ou quase batia nela quando ela tentava te beijar, não parecia que a Duda era muito importante pra você!! Então num vai chegar na menina e inventar um monte de mentira sobre como você tá arrependido só pra VOCÊ se sentir melhor!!” – Ivy estava claramente tomando as dores da amiga; ela parecia bastante revoltada – “Mas já que você já fez a cagada, a próxima atitude que você for tomar, tem que ser realmente válida! Pelo menos válida o suficiente pra fazer a Duda se sentir melhor!”

TAY>> “Mas...”

IVY>> “Você vai falar com ela apenas se tiver alguma coisa de bom pra você dizer a ela! Se você estiver mesmo arrependido da monstruosidade que fez, pensa melhor sobre o assunto e tenta enxergar a Duda como ela realmente é.”

            Todos ficam em silêncio. No fundo, cada pessoa ali presente concordava plenamente com o que Ivy havia falado. Taylor abaixa a cabeça e pensa.

IVY>> “O fato da Duda gostar muito de você, não significa que você tem o direito de humilhá-la como você humilhou.” – olhando-o séria.

            Ivy não tinha noção que fosse ficar tão nervosa com o assunto. Ela acha melhor sair dali para evitar mais bate-bocas.

SCOTT>> “Caramba...”

CACÁ>> “Tay, você vai falar com a Duda, né?”

TAY>> “Vou sim... mas não sei o que. O que a Ivy acabou de dizer foi a verdade mais dura que eu tive de admitir pra mim mesmo em meus dezesseis anos de vida.”

GABI>> “É...”

CACÁ>> “Ai... agora até eu tô me sentindo mau.”

            Cacá solta a mão de Taylor e entra em casa.

TAY>> “Cacááá??”

GABI>> “Deixa, Tay. Deixa que eu falo com ela.” – seguindo a irmã.

SCOTT>> “Nossa, realmente. Sentimento de mulher é algo muito fácil de se magoar.”

TAY>> “Meu, eu num sabia que a Duda gostava tanto assim de mim. Achei que era só afinidade, tá ligado? Tipo, aquele negócio de se ficar, passa...”

SCOTT>> “Sabe que eu também?”

TAY>> “Meu, eu preciso falar com essa menina agora!”

SCOTT>> “Tay, não! Espera um pouco. A Duda ainda tá muito sentida e, como a Ivy falou, agora ‘cê só vai piorar. Se ela te ver, é capaz de entrar em depressão!”

TAY>> “É, tá certo... acho que eu vou esperar um pouco mais.”

SCOTT>> “Tipo, Tay... falando nessas paradas, o Zac e a Lí tão ficando?”
TAY>> “Não. Mas parece, né não?”

SCOTT>> “Muito! Cara, eu ‘inda num saquei a da Lí. Se ela sabe que o Zac num quer nada mais do que amizade com ela, por que ela insiste?”

TAY>> “É, Scott... as mulheres...”

SCOTT>> “Vai entender...”

TAY>> “Poizé...”

            É quando Zac arremessa a pastilha bem forte na cabeça de Taylor. Todos riam enquanto Taylor corria atrás do irmão mais novo. É quando Duda sai de sua casa, que era diagonal a casa dos Hanson, logo em frente ao lugar que eles todos sempre ficavam. Todos param para olhá-la, menos Isaac e Myranda por não saberem o que acontecia. Ela, de cabeça baixa, sobe a sua quadra. Ivy vai até ela. Taylor observava atento. Não sabia-se o que elas estavam falando, mas as duas subiam a rua juntas. Taylor as olha até sumirem ao virarem uma rua. Taylor estava sentindo-se péssimo. Não sabia o que fazer à respeito, mas sabia que precisava tomar alguma atitude.

ZAC>> “Tay, quer jogar?”

TAY>> “Ããã?”

ZAC>> “Jogar, Tay! Sabe, quando ‘cê entra num time em que todos tem um objetivo comum de fazer o gol... Dãã!”

TAY>> “Tá, quero sim...”

Taylor precisava se distrair um pouco. Estava muito tenso.

            Isaac e Myranda estavam sentados na calçada um pouco mais distantes dos outros.

IKE>> “Claro que não! Eu não falava muito da Anny!”

MYRANDA>> “Claro que falava! Você sempre ficava dizendo pra mim do quanto ela querida com você!”

IKE>> “A Anny??? Meu, eu acabei com ela justamente por ela ser extremamente fria comigo!”

            Isaac e Myranda não estavam exatamente discutindo. Era algo saudável, entre sorrisos, sem sentimento nenhum de inimizade.

MYRANDA>> “Mas...” – ela pensa – “...é verdade, Ike... você tá certo. Eu acho que tô confundindo o seu caso com o de outra pessoa...”

IKE>> “Ah, até que enfim você lembrou!”

MYRANDA>> “Mas você gostava dela, não gostava? Não foi só por ela ser fria que você terminou.”

IKE>> “É que... bem... você lembra que, naquela época, eu e você saímos aquela noite e... rolou aquele beijo, coisa e tal...”

MYRANDA>> “É, lembro.”

IKE>> “Poizé, depois desse dia, eu fiquei meio confuso, sabe...”

MYRANDA>> “Não.”

IKE>> “É que depois daquele dia eu comecei a não ter tanta certeza se eu gostava mesmo da Anny...”

MYRANDA>> “Ah. Tipo... você se sentiu culpado.”
IKE>> “Não, não era culpa. Era outro tipo de sentimento. É que naquele época... tipo... depois que a gente se beijou... quer dizer... eu...”

MYRANDA>> “Ah, entendi!” – ironizando as meias frases de Isaac.

IKE>> “Desculpe, é que eu não sei como falar isso...”
MYRANDA>> “Falando ué.”

IKE>> “Obrigado, Myra, você me ajudou bastante.”

MYRANDA>> “Hehehehe...”
IKE>> “Bom, como eu estava dizendo...”

MYRANDA>> “Ou melhor, tentando dizer...”
IKE>> “Isso. Eu tava tentando dizer que naquela época, depois que a gente se beijou....” – ele respira fundo – “Eu comecei a pensar muito mais em você do que eu deveria realmente.”
MYRANDA>> “Como assim?”

IKE>> “Myra, por favor, não peça para ser mais específico...”

MYRANDA>> “Seja mais específico.”
            Myranda sabia do que Isaac falava, mas queria muito ouvir aquilo com todas as letras que lhe fossem possíveis.

IKE>> “Bom, é que eu comecei a achar que o quê eu sentia por você era algo mais forte do que uma amizade.”

MYRANDA>> “Ah... está começando a ficar mais claro.”
IKE>> “E, como a Anny não era mais importante pra mim, eu resolvi terminar porque nada me fazia voltar a gostar dela.”

MYRANDA>> “Então, quem era importante pra você naquela época?”
IKE>> “Você.”

            Myranda arregala os olhos e sorri. Não esperava exatamente essa resposta. Ela ainda gostava muito de Isaac, mesmo achando que esse seu sentimento tão particular não pudesse um dia chegar a ser correspondido. Mas naquele momento, ela começava a sentir que isso estava começando a se tornar possível.

MYRANDA>> “Eu??”

IKE>> “É.”

MYRANDA>> “Nossa...” – olhando para frente.

IKE>> “Eu não sei, era muito estranho. Quando eu estava com a Anny, era só em você que eu pensava. Eu me sentia muito mau, pois o que eu tava fazendo era tão errado, quanto, quanto...” – ele a olha – “...quanto começar a gostar da minha melhor amiga.”

ZAC>> “IKEEEEE!!! QUER JOGAAAAAAR???????” – gritando de longe atrapalhando a conversa.

IKE>> “NÃÃÃÃÃÃÃÃO!!!!!”

MYRANDA>> “Ah, sabe que a minha irmã vai chegar do Brasil essa semana?”

IKE>> “Nossa, a Meredith! Quanto tempo que eu não vejo ela.”

MYRANDA>> “Verdade. Desde que ela foi morar lá, ela veio pra cá só uma vez, que foi no ano retra-retrasado.”

IKE>> “Quando ela vem?”

MYRANDA>> “Logo... não sei direito. Isso se ela vier, porque talvez não dê certo por causa do trabalho dela lá.”

IKE>> “O que ela faz lá?”

MYRANDA>> “Ela é atriz, mas no momento ela tá sendo a garota propaganda da Embratel. Sabe aquele 21, lá?” – Isaac faz que sim com a cabeça – “Poizé. Ela é paga pra sair falando ‘faz um 21’.”

IKE>> “Hehehe... com quantos anos ela tá?”

MYRANDA>> “18.”

            Taylor jogava muito concentrado e dava tudo de si, como se tentasse colocar todos os seus pensamentos sobre suas jogadas.

LEO>> “Pô, o Tay é muito bom! Alguém do time de vocês tem que vir pro nosso! Tá muito forte o de vocês!”

ZAC>> “Ah, nada a vê! Tem 4 em cada time! Tá certinho!”

KEVIN>> “É, mas ‘contece que o Tay é muito bom!”

ZAC>> “Não, ele vai ficar aqui, assim como todos os outros do nosso time.”

JOE>> “Mas que cocô! ‘Cês não podem ficar com quatro! Se alguém sair do time de vocês, daí sim vai ficar certo!”

LÍ>> “Ah, parem de discutir essas besteiras! Vai ficar assim os times e pronto! Concordo com o Zac!”

ELIJAH>> “Mas claro, né? Quem foi que falou?? O Zac...”

KEVIN>> “Lí capacho do Zac!!”

JOE>> “Se o Zac cagar na cabeça da Lí, é capaz de ela agradecer!!”

            Taylor se mata de rir. Zac segura o riso. Ele vira o rosto para o lado contrário a que estava Lí e ri um pouco baixinho. Seus amigos vêem e começam a gozar mais ainda de Lí.

LÍ>> “Isso não é verdade!!!”

            Leo e Kevin rapidamente armam um teatro, sendo que Leo imitava Lí e Kevin o Zac.

KEVIN>> “Lí, tô com uma vontade de socar alguém...” – com uma voz mais grossa.

LEO (imitando Lí)>> “Zaquizinho, você não gostaria de me dá uma porrada pra ver se melhora?” – com uma voz bem fina.

KEVIN>> “É, seria bem conveniente.” – com a mesma voz grossa de antes.

            Kevin fingi socar Leo.

LEO>> “Zac, nossa, muito obrigada!” – com a voz afinada.

            Zac não se agüenta e ri. Taylor gargalhava. Lí estava furiosa, afinal, não é fácil ouvir a verdade quando ela te atinge de alguma maneira.

LÍ>> “Vocês são uns escrotos!”

ZAC>> “Hehehe...”
LÍ>> “Zac, eu não acredito que você achou graça nisso!!!!!” – com as mãos na cintura indignada.

LEO (imitando Lí novamente)>> “Ai, Zac, então eu também achei!”

LÍ>> “Sabe o que vocês são?! Uns infantis!!” – ela diz saindo nervosa.

ZAC>> “Hahahahahahahahahahahahahahahaha!!!” – soltando sua risada logo que Lí sai.

LEO>> “Putz, Zac! Depois que a Lí ficou sua amiga ela virou uma chata!!”

ELIJAH>> “É! Tudo o que você fala, a menina abaixa a cabeça e diz amém! Que idiota!”

ZAC>> “Meu, tipo...” – entre risos – “Nossa, agora ‘cês sacanearam com a garota.”

KEVIN>> “Pô, tava irritando aquela Lí te puxando o saco!!”

TAY>> “Tipo, Zac... nada contra a Lí, aliás, eu gosto pacas dela, mas, haha, seus amigos tão certos. A Lí

tava, haha, meio chata já...” – rindo.

ZAC>> “Ai, agora ela deve tá brava comigo também e com certeza eu vou ter que conversar com ela aquelas coisas chatas do tipo...”

KEVIN>> “Sóóóóó, aquelas conversas tipo: ‘Acredite, Lí, você é a minha melhor amiga! Depois que você saiu de lá, eu dei um monte de porrada no Kevin e no Leo.”

LEO>> “A nossa amizade é mais forte que tudo!”

            Zac e Taylor riam junto dos outros amigos de Zac.

ZAC>> “Pô, sério... eu odeio essas conversas, cara. Como é que eu vou dizer na cara da menina que eu achei muito engraçado o que ‘cês fizeram?”

            Na casa dos Hanson, Cacá e Gabi já haviam conversado e jogavam um pouco de video-game.

GABI>> “Sabe que ontem eu tive um sonho mó sinistro...” – concentrada no jogo.

CACÁ>> “O que ‘cê sonhou?” – concentrada na tela.

GABI>> “Que o Zac foi lá no nosso quarto enquanto eu dormia. No sonho, ele sentou do meu lado na cama e ficava passando a mão no meu rosto... tão fofo...”

CACÁ>> “Ai, que amor...” – sorrindo.

GABI>> “Daí eu olhei pra ele e perguntei se era ele mesmo. Ele falou com uma voz tão doce: ‘Dorme...’. Daí eu disse que amava ele e ele disse ‘eu também’.”

CACÁ>> “Você deve ter acordado super bem...”

GABI>> “Ah, mais ou menos... sei lá, deu mó saudade do Zac... e também, pareceu tão real, sabe? Parecia que era ele mesmo ali do meu lado, que num era sonho.”

            Cacá estava muito concentrada no jogo. Não havia ligado os fatos ao ocorrido.

CACÁ>> “Sabe que ontem, lá no quarto dos meninos, quando você foi dormir, a gente mandou ele ir lá falar com você.”

GABI>> “Imagino o quanto ele deve ter chiado...”

CACÁ>> “Nada, Gabi! Ele foi!”

GABI>> “Foi??” – largando o controle.

CACÁ>> “Foi.” – sorrindo.

GABI>> “E??”

CACÁ>> “Você tava dormindo...”

GABI>> “Ai, que droga...”

            Silêncio. As duas voltam suas concentrações para o jogo. É quando Cacá e Gabi se olham ao mesmo tempo pensando a mesma coisa.

CACÁ>> “Ele...”

GABI>> “É, ele...”

GABI & CACÁ>> “Foi!”

GABI>> “Então num era sonho! Ele disse mesmo que me amava!!”

CACÁ>> “E passou a mão no seu rosto e tudo mais!!”

GABI>> “Eu preciso falar com o Zac!”

CACÁ>> “Calma, calma...Ele falou com você hoje?”

GABI>> “Não.”

CACÁ>> “Hmm... então, se ele não falou, é porque, às vezes, o que ele fez ontem, foi só um momento em que o orgulho dele deu uma aliviada, tipo uma fraqueza, entende?”

GABI>> “Mas mesmo assim, eu preciso falar com ele!”

CACÁ>> “Sei lá, Gabi... se o objetivo dele fosse mesmo fazer as pazes, com certeza ele já teria vindo falar com você hoje. Não acho uma boa idéia...”

GABI>> “É... tá certo... vou esperar mais um pouco...” – ela apoia sua bochecha em sua mão fechada – “Ai, Cacá... sinto muita falta do Zac... por que ele tinha que ouvir aquele telefonema escroto e entender tudo errado?! Que saco!”

CACÁ>> “Bom, até ‘cê explicar pro Zac que Sapólio num é óleo de sapo, a gente já tá em Londres...”

GABI>> “Cacá, isola isso agora!” – brava.

CACÁ>> “Desculpe, Gabi, mas o Zac é muito orgulhoso! Acho que até no dia que ele mesmo começar a acreditar no que você disse pra ele sobre ele ter se confundido em relação ao telefonema, só de orgulho, é capaz de ele continuar brigado com você!”

GABI>> “Ô exagero...”

CACÁ>> “Faz pouco tempo que ‘cês brigaram, né não?”

GABI>> “Fazem dois dias.”

CACÁ>> “Então, acho que daqui uns 4 dias ele é até capaz de voltar a falar com você.”
GABI>> “4 dias? É muito tempo...”

CACÁ>> “Quem sabe até uns 5, 6... pela personalidade dele...”

            Gabi já estava triste.

CACÁ>> “Mas temos que levar em conta o quanto imprevisível ele é. Quem sabe ele não entra por essa porta agora e...”

            Cacá é interrompida pela porta abrindo. Era mesmo Zac. Gabi e Cacá o olham espantadas.

CACÁ>> “Você, por acaso, não veio... tipo...”

ZAC>> “Avisar que o Tay tá te procurando.”

CACÁ>> “Ah tá, hehe, tô indo.” – ela não segura o sorriso.

ZAC>> “O que foi?”

CACÁ>> “Nada, nada... hehe...”

            Zac estranha e sai da sala. Cacá e Gabi começam a rir baixinho.

GABI>> “Nossa, só faltava ele querer falar comigo.”

CACÁ>> “É, porque o mais difícil, que era entrar bem na hora que eu falei, ele fez.” – as duas riem.

            Elas saem da sala. Cacá vai até a cozinha, que era onde estava Taylor. Avery aparece e Gabi fica assistindo televisão para acompanhá-la.

CACÁ>> “Tay, ‘cê tava me procurando?” – parada na porta.

TAY>> “É, tava sim...” – sentado no balcão.

            Cacá vai até Taylor, parando em sua frente, ficando quase entre as pernas dele.

TAY>> “Tipo... ‘cê ficou brava?”

CACÁ>> “Com o que?”

TAY>> “Com aquelas coisas que a Ivy me disse...”

CACÁ>> “E eu deveria?”
TAY>> “Poizé... é o que eu queria saber...”

CACÁ>> “Não, eu não fiquei brava. Eu só não me senti muito bem com aquilo, afinal, sei lá, era por minha causa que você cortava a Duda.”

TAY>> “Mas você não ficou brava?”

CACÁ>> “Não, sério...”

            Taylor, com suas pernas, entrelaça Camilla pela cintura e a puxa para bem junto dele. Ela estava agora muito perto, apoiando as suas mãos nas coxas de Taylor.

TAY>> “Mas ‘cê sabe que... tipo... que eu gosto de você, não sabe?” – colocando os cabelos de Cacá atrás de sua orelha.

            Camilla sorri olhando em seus olhos azuis.

CACÁ>> “Sei sim...”

            Taylor sorri mais uma vez com doçura. Ele toca os lábios de Camilla e a beija suavemente. Ela tira um momento sua boca e o olha. Taylor a olha nos olhos e fita sua boca. Eles se beijam de língua. Cacá o abraça pelo pescoço. Taylor envolvia a cintura de Cacá com as pernas e suas mãos tocavam seu rosto. A sensação para os dois era ainda um pouco nova, pois era seu segundo beijo. Cacá gostava da maneira com que Taylor lhe puxava os lábios a cada instante em que o beijo deles tornava-se mais intenso. Ele segurava o rosto de Camilla com a palma das mãos, mobilizando-o, porém sem usar força, e puxava os lábios dela com delicadeza. Ela simplesmente adorava aquilo. Taylor beijava muito lentamente, movendo sua língua de maneira lenta e suave; suas mãos se moviam vagarosamente, dando um certo atrativo ao beijo. Cacá sentia seu corpo mais quente. Taylor vai descendo sua mão, que estava na bochecha dela, até o pescoço. Ele desliza seus dedos de leve na nuca de Camilla. Ela sente um arrepio nas costas e respira fundo. Escorrega então suas mãos, as duas, pelo tórax de Taylor, levando-as então para seus braços. Ele começa a sentir que o momento estava muito íntimo e que Cacá estava muito à vontade. Coloca sua outra mão entre os cabelos dela. Com a sua outra mão, que agora se encontravam nos ombros de Camilla, ameaça tocar seus seios. Cacá fica um pouco nervosa. Taylor a beijava ainda sem pressas, demorava para completar suas ações. Ele então desce a mão estrategicamente, como Cacá pensava. A toca esperando algum protesto. Num primeiro momento, Camilla deixa, mas logo depois ela se afasta dele, tirando seus lábios um pouco sem jeito.

TAY>> “Desculpe...”

CACÁ>> “Não, tudo bem... acho que eu fiquei um pouco nervosa.” – ela diz sem olhá-lo nos olhos.

TAY>> “Eu me empolguei um pouco.” – ainda sentado no balcão.

            Silêncio. Taylor desce do balcão e vai até Camilla. Ele a abraça pela cintura de frente para ela.

TAY>> “Desculpe, tá?”

CACÁ>> “Tudo bem... mesmo...” – sorrindo.

            Taylor sorri e a beija.

            Na rua, todos ainda estavam lá. É quando todos vão embora, deixando apenas Zac, Isaac, Gabi e Avery, que após desistir de assistir a televisão, seguiu Gabi com a permissão da prima mais velha.

IKE>> “Zac, a Meredith vai vir pra Tulsa dentro de alguns dias.”

ZAC>> “Sério? Mas ela vai ficar aqui?”

IKE>> “Não, só visita...”

GABI>> “Quem é ela?” – olhando para Isaac.

AVIE>> “Ah, eu lembro dela! Por acaso é aquela bonita?”

ZAC>> “Essa mesma.”

IKE>> “Ela é irmã da Myra. A Meredie foi para o Brasil uns tempos para tentar a vida lá.”

GABI>> “Brasil? Nossa, meio longe, hein?”

IKE>> “Poizé. É que ela se informou sobre a faculdade de alguma coisa lá, que eu num tô lembrando agora, que disseram pra ela que era muito boa.”

GABI>> “Aaah.”

IKE>> “Nossa, ela deve tá muito diferente. A Myra disse que ela tá muito bronzeada. Lá no Brasil as praias são muito bonitas.”

ZAC>> “Com quantos anos ela tá agora?”

IKE>> “19.”

            Diana aparece na janela.

DIANA>> “Ikeeeee, telefooone!!”

IKE>> “Tô iiiiindo.” – ele vira para Gabi e Zac – “Já venho aí, gente.” – levanta e entra em casa.

            O clima pesa. Gabi estava muito sem jeito. Até poderia começar uma conversa com Zac sobre a noite passada, mas com Avery ali ficaria impossível. Silêncio, daqueles mortais, que pesam nas costas.

AVIE>> “Por que ‘cês estão tão quietos?”

Zac e Gabi se olham.

ZAC>> “Apenas acabou o assunto, Avie.”

AVIE>> “Ah... ‘cês ‘inda tão brigados, né não?”

            Zac olha a irmã não entendendo nada. Gabi espreme os olhos sentindo que vinha confusão pelo caminho.

ZAC>> “O que?”

AVIE>> “Tão, num tão?”

ZAC>> “É claro que não, Avie. A gente é amigo e...”

AVIE>> “Por que será que todo mundo acha que eu sou burra? Eu sei que ‘cês brigaram, tá?”

GABI>> “Avie...” – sussurrando; Avery a olha – “Não...” – balançando a cabeça negativamente.

AVIE>> “Por que não? O Zac não sabe que você e ele brigaram?”

ZAC>> “Mas a gente não brigou, Avie.”

AVIE>> “Foi o que a Gabi disse quando eu perguntei, mas eu sei que brigaram, tá Zac!”

            Lí se aproxima. Pela primeira vez, Gabi fica feliz com a chegada dela.

LÍ>> “Oi, Zac.” – olhando feio, mostrando ainda estar sentida pelo o ocorrido de a pouco.

ZAC>> “Lí, oi...” – levantando do chão.

AVIE (cochichando)>> “Gabi, quem é essa?”

GABI (cochichando)>> “Concorrência.”

LÍ>> “E então, já parou de rir de mim com os seus amigos?” – séria.

ZAC>> “Lí, eu queria me desculpar com você por hoje. Eu jamais tive a intenção de tirar com a sua cara ou algo assim...”

            Gabi só observava, assim como Avery.

LÍ>> “Sei... deu pra perceber bem isso quando você tava rindo com os seus amigos!”

ZAC>> “Imagina, Lí. Eu achei engraçado apenas o jeito deles, mas não do que ele estavam dizendo.” – inventou ele na hora.

LÍ>> “Olha, Zac, eu pensei que a gente fosse amigo. Mas não foi isso que você demostrou pra mim hoje.”

ZAC>> “Mas não é nada disso...”

            Lí já havia perdoado Zac há muito tempo, mas como Gabi estava ali perto, ela resolveu fazer um pequeno show para esfregar na cara dela que Zac gostava mesmo de Lí, à ponto de implorar pela sua amizade. Mau sabia Lí que Zac não estava tão preocupado assim.

AVIE>> “Que menina idiota! O Zac tá namorando com ela?”

GABI>> “Não sei... isso você vai ter que perguntar pra ele, Avie...”

            Lí sai brava, com a certeza de que Zac iria atrás dela. Mas não é bem o que acontece. “Menina idiota...” ele pensa.

GABI>> “Você não vai atrás dela?”

            Zac a olha sério.

ZAC>> “Não...”

AVIE>> “Ô Zac! ‘Cê tá namorando com essa menina aí?”

ZAC>> “Não, Avie, não tô não.” – um pouco sem paciência.

AVIE>> “E o que ela é sua então?”

ZAC>> “Nada... era amiga, mas agora nem sei mais... ela tá muito brava comigo.”

AVIE>> “Que besta...”

            Gabi permanecia em silêncio. Zac estava em pé a sua frente.

AVIE>> “Por que ela ficou brava com você?”

ZAC>> “Ah, porque... porque....”

GABI>> “Porque andaram falando umas verdades pra ela, Avie.”

            Zac olha Gabi. Não esperava que ela realmente fosse dizer algo.

AVIE>> “Ah... verdades?”

GABI>> “É.”

ZAC>> “Não é bem assim, Avie. Acontece que, às vezes, as pessoas ficam com inveja da amizade dos outros e tentam magoar esses outros só por causa disso!” – indireta para Gabi.

GABI>> “Inveja??? O que??”

ZAC>> “É! Inveja!”

AVIE>> “Ih... acho que tá na minha hora...” – saindo discretamente.

GABI>> “Zac, eu não tô com inveja de você e da Lí!!!”

ZAC>> “Ah não?? E então por que você fica fazendo aquelas caras quando eu tô com ela, hein??? Por que ‘cê fala dela como se ela tivesse fazendo algo errado??”

GABI>> “Ah, e dar em cima do meu namorado não é errado???”

            Zac se espanta com aquele comentário. Por dentro, aquela frase de Gabi havia lhe soado agradável. Silêncio por alguns minutos.

GABI>> “Me responde, Zac.” – com uma voz bem baixa.

            Zac a olha. Gabi o olhava com certa tristeza. Ele queria muito dizer que sim, que ele era seu namorado, que sempre havia sido e que nunca deixou de ser, que ainda a amava muito, mas é quando a conversa dela com Adrian lhe vem à cabeça.

GABI>> “Não é inveja o que eu sinto. Eu só... é só...”

            Gabi interrompe a si mesma quando percebe que seus olhos se enchiam de lágrimas. O que ela menos queria era chorar na frente de Zac. Ele nota os olhos de Gabi. Ela respira fundo e começa novamente.

GABI>> “É só... que eu não gosto de ver você desse jeito com ela. Tudo bem que você não goste mais de mim, mas eu acho que você podia respeitar um pouco o meu sentimento.”

            Os olhos de Gabi estavam cheio de lágrimas, mas ela não estava chorando. Zac queria dizer muita coisa, mas não queria ao mesmo tempo.

ZAC>> “Mas quem disse que eu tô namorando com ela ou ficando?”

            Gabi levanta, ficando de pé na frente de Zac.

GABI>> “Ah não?! Desde quando andar abraçados e de mãos dadas pra cima e pra baixo é coisa de amigo?! Zac, vocês vivem abraçados, ficam conversando bem de pertinho, a Lí vive agarrada a você!!”

ZAC>> “A gente é muito amigo, só isso!”

GABI>> “Mas num é o que parece!”

ZAC>> “Engraçado, na hora que você tava falando com o Adrian pelo telefone com toda aquela intimidade, também não estava parecendo que vocês não tinham mais nada!!”

GABI>> “Zac, aquilo foi um engano!! Eu já te disse!! Eu não falei aquelas coisas pro Adrian no sentido que você pensa!!”

ZAC>> “Bom, então pelo jeito a gente tá empatado!! Assim como você não acredita em mim, eu também não acredito em você!”

GABI>> “Mas Zac, por que você não acredita em mim?? Que ridículo!! Eu não gosto do Adrian!!”

            Todos que passavam pela rua, olhavam os dois discutindo de pé, em plena calçada.

ZAC>> “E eu não gosto da Lí!!”

GABI>> “Então por que ‘cê tá fazendo isso??”

ZAC>> “Porque...” – ele percebe que já estava com seu rosto muito próximo ao de Gabi – “Porque...” – Zac a olhava fixamente. Gabi olha para a boca de Zac e o olha nos olhos de novo. Os dois começam a se aproximar. Zac respirava alto; dava para ouvir o ar nervoso que saía de sua boca. Gabi o olhava. As bocas deles estavam bem perto uma da outra. É quando Diana grita pelo nome de Zac.

DIANA>> “Zaaaaac, a Lí no telefooooooone!!!!!”

            Zac se afasta de Gabi e entra logo em casa. Gabi fecha os olhos e, com a mão em sua testa, suspira.

ZAC>> “Alo.” – um pouco sério.

LÍ>> “Oi, Zac. É a Lí.”

ZAC>> “É, eu sei...” – não parecendo ligar muito.

LÍ>> “Bom, liguei, porque eu acho que ‘cê deve tá querendo me dizer alguma coisa, né?”

ZAC>> “Eu tô?”

            Zac não estava com nenhuma vontade de conversar com Lí sobre nada. Sua voz demonstrava uma secura enorme.

LÍ>> “Você não acha que me deve desculpas?” – com uma voz firme, tentando intimar Zac.

ZAC>> “Desculpas pelo o quê?? Por eu ter rido do que eu achei graça?”

LÍ>> “Você tava rindo da minha cara!”

ZAC>> “Não, eu não estava! Olha, Lí, quer saber bem o que eu acho? Eu já te pedi desculpas, tá?! ‘Cê não aceitou porque você não quis! Eu já te expliquei tudo, já me desculpei... eu acho que não tô devendo nada pra você!”

LÍ>> “Ai, Zac, como você tá sendo grosso comigo!”

ZAC>> “Lí, mas é que... poxa, você me tira do sério de vez em quando...”

LÍ>> “Tudo bem... eu já entendi. É a Gabi, não é? Eu sei, vocês voltaram e agora você não quer mais ser meu amigo. Por causa dela!!”

ZAC>> “Não, Lí, eu e a Gabi não voltamos. E eu não quero deixar de ser seu amigo.”

LÍ>> “Eu sei que vocês voltaram, tá?? Eu vi muito bem vocês dois conversando sozinhos, sem ninguém por perto!”

ZAC>> “Ah, tinha a Avie...” – um pouco irônico.

LÍ>> “Zac!!”

ZAC>> “Tá, tá... brincadeirinha...”

LÍ>> “Sei...”

ZAC>> “Lí, eu tenho que desligar.”

LÍ>> “Eu sei o que ‘cê tá tentando fazer! ‘Cê quer fugir do assunto! Mas não, tudo bem, ‘cê ‘inda vai sentir minha falta, Zachary!”

ZAC>> “Lí, eu só disse que tinha que desligar! Eu não sei porquê você tá brigando comigo! Eu já falei que eu e a Gabi não voltamos! A gente nem se fala direito!”

LÍ>> “Você ainda gosta dela!”

ZAC>> “E se eu ainda gostar?? O que ‘cê tem a ver com isso?? Lí, isso não tem nada a ver com a nossa amizade!”

LÍ>> “Como não??? É por causa dela que você não fala mais comigo direito!”

ZAC>> “Lí, nossa, a minha mãe, eu tenho que desligar.”

LÍ>> “Mas...”

ZAC>> “Nossa, ela tá aqui brigando comigo. Tchau...”

LÍ>> “Zac!!”

ZAC>> “Tchau, tchau.”

LÍ>> “Zac!!”

TU...TU...TU...TU...TU...TU... TU...TU...TU... TU...TU...TU... TU...TU...TU... TU...TU...TU...

            Zac senta no sofá para pensar um pouco. O que Lí andava fazendo começava a irritá-lo. Sim, ele ainda gostava de Gabi, mas admitir isso, até para ele mesmo, era muito difícil. É quando Taylor e Cacá saem da cozinha juntos, de mãos dadas.

TAY>> “Ô Zac, o que ‘cê tá fazendo aí sozinho?”

            Gabi entra na sala nesse mesmo instante.

CACÁ>> “Oi, Gabi.”

GABI>> “Oi.”

ZAC>> “É que eu ‘cabei de desligar o telefone com a Lí.”

TAY>> “Ah...”

CACÁ>> “E o Ike, cadê?”

TAY>> “Foi com a Myra pegar a irmã dela no aeroporto.”

            No aeroporto Internacional de Tulsa, estavam lá Isaac, Myranda e seus pais à espera da irmã mais velha, Meredith, que chegava a qualquer instante pela companhia TAM. Os olhos de todos estavam sempre atentos a todos os aviões que desembarcavam.

MYRANDA>> “Olha lá, mãe!! É a Meredie descendo!!!”

            Todos vão rapidamente para o portão 4 para apanhar Meredith. Ela aparece. Todos a abraçam, sua mãe chora um pouco. Ela vira para Isaac e o olha um pouco incrédula.

MEREDIE>> “Ike?? Eu não acredito!! É você mesmo??”

IKE>> “Olá, Meredie. Seja bem-vinda.” – sorrindo.

            Ela o abraça.

MEREDIE>> “Você tá muito...muito....diferente.”

IKE>>”Hehe... você também. Eu diria que 21 vezes mais bonita.” – todos riem.

            Eles pegam o carro no estacionamento e vão para casa. Lá, Meredie colocas suas malas no quarto e senta para conversar um pouco com a irmã e o amigo.

MEREDIE>> “Mas e aí, gente? Como é que vocês estão?”

IKE>> “Ah, tudo bem... Muita coisa mudou aqui desde que você foi embora.”

MYRANDA>> “É verdade...”

MEREDIE>> “Ike, nossa, você tá alto. Tá... assim... bonito.”

            Finalmente Meredith disse a palavra que ela queria dizer desde que tinha visto Isaac no aeroporto. Bonito. Ele havia pensado a mesma coisa dela. Os dois estavam assustados um com o outro. Myranda percebe algo diferente no ar entre os dois e não gosta muito.

IKE>> “Obrigado. Você também está linda.” – sorrindo.

MYRANDA>> “Mas então, Meredie, como é que foi a sua temporada no Brasil?”

MEREDIE>> “Nossa, foi maravilhoso! Aquele país é lindo! Vocês precisam conhecer! Tudo lá é bonito, colorido, o povo é o máximo, te tratam super bem!”

IKE>> “Puxa, então você deve tá bem boiando nas coisas daqui, certo?”

MEREDIE>> “Nossa, com certeza. Eu num sei o que tá se passando pra esses lados. A cidade mudou muito?”

IKE>> “Muito. Construíram um monte de coisas novas.”

            Myranda sentia que os dois a excluíam da conversa sem querer.

MEREDIE>> “Puxa, eu acho que vou precisar de um guia, se é assim.” – sorrindo.

IKE>> “Se você quiser, hoje à noite eu posso te levar pra conhecer tudo.”

            Myranda não acreditava. Sua irmã e seu melhor amigo marcavam um encontro ali, bem na sua frente, e ela não podia fazer nada.

MEREDIE>> “Puxa, eu adoraria!” – sorrindo – “À que horas, mais ou menos?”

IKE>> “Ah, umas nove eu posso passar aqui te pegar?”

MEREDIE>> “Perfeito.”

IKE>> “Tudo bem. Combinado.” – levanta – “Bom, é melhor eu indo. Já está tarde e eu preciso me preparar pra ser um guia hoje à noite.” – ele sorri.

MEREDIE>> “Você vai se sair muito bem.” – ela sorri.

            Myranda estava de boca aberta. A situação fugira completamente de seu controle. Isaac se despede das duas e vai para sua casa.

MYRANDA>> “Eu não acredito nisso!” – olhando para a irmã, que estava de costas arrumando seus livros na prateleira de seu quarto.

MEREDIE>> “O que, Myra?”

MYRANDA>> “Você mau chegou e já vai sair com alguém! E pior! Com o meu melhor amigo!”

MEREDIE>> “Não, Myra, não é nada demais. Eu e o Ike só vamos dar umas voltas.”

MYRANDA>> “Não, eu não consigo acreditar nisso...” – ela olha para Meredith – “Você fez em cinco minutos uma coisa que eu demorei anos pra fazer! Isso é muito injusto...” – saindo do quarto.

            Isaac chega em casa. A família toda já jantava, reunidos na mesa.

WALKER>> “Ike, aonde você estava, meu filho?”

IKE>> “Desculpem a demora. É que eu fui ver a irmã da Myra que voltou do Brasil.”

DIANA>> “E como ela está?”

IKE>> “Ah, tá bem... saudável... hehe...”

            Zac e Taylor riem. Gabi e Cacá se olham. Não entendem muito bem a piada. Isaac senta à mesa e come junto dos outros. Depois do jantar, Diana e Walker colocam as crianças na cama e vão dormir em seguida. Taylor, Gabi, Zac vão assistir um pouco de TV e Cacá, junto de Isaac, vai para o quarto para escolher uma roupa legal para seu encontro com Meredith.

CACÁ>> “E aí, Ike, já tem uma noção do tipo de roupa que ‘cê vai querer?”

IKE>> “Ah, nada assim muuuuuuuito fashion.” – Cacá ri – “Algo mais... básico.”

            Ela fuça no guarda-roupas de Isaac e encontra um roupa perfeita.

CACÁ>> “Gostou dessa?”

IKE>> “Uhun, muito.” – sorrindo.

CACÁ>> “Viu, Ike... eeeee... a Myra?”

IKE>> “O que tem ela?”

CACÁ>> “Vocês dois não estavam juntos?”

IKE>> “Ela não gosta de mim, Cacá. Ela deixou bem claro que a única coisa que ela procurava em mim era um grande amigo. E como eu não sou idiota, já entendi o recado e não vou mais tentar nada com ela.”

CACÁ>> “E vai tentar com a irmã dela?”

IKE>> “Não sei se isso é bem um encontro. Tipo, acho que nem estou esperando muita coisa. A Meredie é muito bonita. Ela já deve estar comprometida.”

CACÁ>> “Ah... mas pelo o que ‘cê me contou, eu acho que o jeito que ela te pediu pra sair é bem típico de quem tá afim. Não era bem de um guia que ela tava atrás quando te convidou pra mostrar a cidade pra ela.”

IKE>> “Ah, sei lá, Cacá... eu vou esperar e ver o que ‘contece.”

            Isaac se troca e vai buscar Meredie na casa dela. Cacá volta para junto dos outros na sala de televisão.

GABI>> “O Ike já foi?”

CACÁ>> “Foi sim.”

Todo estavam sentados no sofá quando alguém abre a porta. Era Avery e Jessica

AVIE>> “Gabi...”

GABI>> “Avie? O que ‘cê tá fazendo acordada a essa hora?”

JESSIE>> “A gente num consegue dormir.”

AVIE>> “Você lê uma estória pra gente?”

GABI>> “Ler história?”

TAY>> “Meninas...”

JESSIE>> “Por favor...”

GABI>> “Não, tudo bem, Tay, eu leio sim. Não tem problema nenhum.”

            Zac observava. Não queria que Gabi saísse dali, pois já que não podia tocá-la mais, queria ao menos ficar perto dela. Ela levanta e sai com as primas.

            Isaac buzina na casa de Myranda. Meredith aparece na janela e faz sinal para que Isaac esperasse um pouco. Myranda espia da janela e vê Isaac aguardando pela sua irmã. Sai e corre para o seu quarto. Meredith sai de casa e entra no carro. Estava belíssima, tanto que Isaac não conseguia disfarçar seus olhares para ela.

MEREDIE>> “Bom, pelo jeito você gostou do que eu estou vestindo.” – ela brinca.

IKE>> “Puxa, me desculpe... é que...” – sem graça.

MEREDIE>> “Tudo bem, eu não me importo. Eu me ofenderia se você nem tivesse notado.”

IKE>> “Você está muito bonita.” – ele sorri.

MEREDIE>> “Obrigada. Você também.”

            Isaac dá a partida no carro e eles começam a rodar sem lugar certo.

IKE>> “E aí, o que ‘cê quer primeiro?”

MEREDIE>> “Sabe, eu tava pensando... acho que ver pontos turísticos numa noite bonita dessa seria um desperdício, não é?”

            Isaac olha para ela não entendendo muito bem.

MEREDIE>> “Você não gostou da idéia, né? Tudo bem, esquece...”

IKE>> “Não! Eu adorei a idéia! É que eu achava que você ia querer só olhar as atrações turísticas, coisa e tal...”

MEREDIE>> “Puxa, não mesmo!”

IKE>> “Então vamos!”

            E vão dar umas voltas pela cidade.

GABI>> “E eles são felizes para sempre.”

            Gabi olha para as duas primas. Elas já dormiam. Gabi fecha o livro e coloca-o na estante branca que havia frente à cama delas. Ela abre a porta e, antes de fechá-la, apaga a luz. Gabi volta para a sala de televisão. Abre a porta e senta no sofá. A televisão estava ligada, mas não havia ninguém. “Acho que eles já voltam...” ela pensa. Assiste um pouco quando a porta abre. Ela olha para trás. Era Zac. Ele senta ao lado de Gabi no sofá sem dizer nada. Ela fica um tempo quieta, olhando a TV.

GABI>> “Cadê a Cacá e o Tay?”

ZAC>> “Não sei. Eles queriam ficar sozinhos e saíram.” – sem tirar os olhos da TV.

            Silêncio novamente. Os dois assistiam a TV.

GABI>> “Ah, eu queria te perguntar um negócio.”

            Zac abaixa a cabeça.

ZAC>> “Fala.”

GABI>> “Bom, é que, tipo... aquele dia da casa da Lí, eu tive um sonho meio estranho...”

            Zac não diz nada.

GABI>> “Só que eu sei que num foi sonho, foi muito real, entende?”

            Zac continua quieto.

GABI>> “Você foi no meu quarto, não foi?”

            Zac não diz nada.

GABI>> “E você disse que me amava.” – olhando para Zac ao seu lado; ele olhava para a tela.

            Gabi fica olhando-o por um tempo, reparando na maneira que Zac olhava para tela. Ele não prestava atenção no que passava na televisão. Apenas não queria responder a pergunta de Gabi.

GABI>> “E você acariciou o meu rosto...” – olhando para ele.

ZAC>> “Eu acho que você sonhou isso.”

GABI>> “Não, eu senti a sua mão no meu rosto.”

            Zac olha para baixo.

GABI>> “E eu ouvi você dizer muito bem que também me amava.”

ZAC>> “Não, você sonhou isso.”

GABI>> “Não, eu não sonhei, Zac. Mesmo com a saudade que eu tô de você...” – ele finalmente a olha – “Eu saberia muito bem discernir um sonho de uma coisa que aconteceu.”

            Zac permanece olhando-a. Os dois se olhavam.

GABI>> “Por que é tão difícil de admitir?”

ZAC>> “Admitir o que?”

GABI>> “Que você sente a minha falta.”

            Zac fica quieto. Ele olha para a televisão.

GABI>> “Zac, olha...” – ela olha para as mãos em suas pernas – “...eu amo muito você. Eu não sei se vou tentar te fazer acreditar em mim mais alguma vez. Cansei. Não agüento mais chorar por sua causa.” – ela falava muito calmamente – “Eu não sei como você pôde pensar que um dia eu pudesse te trocar por aquele escroto do Adrian. Eu amo você, Zac... muito.”

            Zac estava com a cabeça baixa. Parecia que ele estava chorando.

ZAC>> “Pára.” – sem olha-la.

GABI>> “Desculpe, mas eu precisava te dizer essas coisas. A minha conversa com o Adrian foi exatamente tudo aquilo que você ouviu. Só que eu dizia tudo ironicamente. Eu NUNCA senti nada por nenhuma outra pessoa como eu senti por você.” – ela olha para cima – “Nossa... eu tinha certeza que ia dá certo... mesmo com tudo o que existia que pudesse atrapalhar... eu tinha certeza que ia dá certo.”

            Zac estava com seu rosto abaixado, escondido entre seus loiros cabelos.

GABI>> “Bom, acho que é isso que eu queria te dizer. Acabou mesmo. Eu juro que eu não queria isso, Zac. Mas parece que com você não tem conversa. É o que você acha e pronto. Tudo bem, vai ser assim então.”

            Gabi havia dito todas as palavras muito calmamente. Não havia se alterado por nenhum momento. Ela então se levanta e, quando estava na porta, já saindo...

ZAC>> “Eu fui no seu quarto sim.”

            Gabi pára na porta. Ainda não tinha aberto. Larga a fechadura e vira para Zac.

ZAC>> “Eu fui...”

GABI>> “Eu sabia que sim.”

            Zac vira para Gabi sentado no sofá mesmo.

ZAC>> “Você acha que eu não tô sofrendo?? Que pra mim tá sendo muito fácil ficar longe de você??”

GABI>> “Mas então??? Por que você fica me fazendo sofrer assim??”

            Zac levanta e vai para mais perto de Gabi.

ZAC>> “Como você acha que eu fiquei quando eu ouvi aquela sua conversa com o Adrian, hein?? Até em me matar eu cheguei a pensar! Tava tudo muito claro na minha cabeça! Você não gostava mais de mim!”

GABI>> “Zac, eu nunca deixei de gostar de você!”

ZAC>> “Mas aquela sua conversa! As coisas que você dizia! Parecia que você e ele...”

GABI>> “Nunca ouve um ‘você e ele’ entre eu e o Adrian!”

ZAC>> “Mas eu fiquei confuso, caramba! Como que você queria que eu ficasse, Gá?!”

GABI>> “Eu sei, eu entendo, mas...”

ZAC>> “É claro que eu sinto sua falta! Por que você acha que eu me preocupo tanto em que você me veja com a Lí?? Eu precisava te ferir também, Gá, pra provar pra mim mesmo que eu não precisava de você!”

GABI>> “Zac, mas você não podia!! Eu te amava, eu te amo! Você não podia... a Lí fica esfregando na minha cara que tá com você, sendo que quem tinha que tá no lugar dela, lá, abraçada com você, perto de você, era eu!”

ZAC>> “Mas cada vez que eu pensava em você, nos momentos que a gente ficou junto, no jeito que você me beijava, o quanto a gente ria juntos, ao mesmo tempo que me doía, eu já lembrava de você e do Adrian... daí aquela raiva voltava toda de novo.”

GABI>> “Mas...”

            Cacá abre a porta.

CACÁ>> “Oi, gente! Vocês não querem vir aqui comigo e com o Tay? Venham! A gente tá lá no jardim vendo as estrelas.”

            Gabi e Zac se olham. Sem dizer nada, apenas seguem Camilla. Já lá fora, Taylor estava com Cacá deitada em sua barriga e Gabi e Zac deitados um ao lado do outro, um pouco perto.

CACÁ>> “Bonito, né não?”

TAY>> “É...”

CACÁ>> “Gabi, final de semana que vem, talvez a nossa mãe não venha.”

GABI>> “Por que?”

CACÁ>> “Ela tá meio ocupada lá.”

GABI>> “Tudo bem...”

            Isaac e Meredith passeavam de carro. Não sabiam para onde iriam exatamente.

IKE>> “O que você gosta de fazer?”

MEREDIE>> “Ah, Isaac...”

IKE>> “Ike.”

MEREDIE>> “Ah, claro, Ike...” – eles se olham; ela sorri – “O que você quiser.”

IKE>> “O que você quiser? Hhmm... não, eu não sei onde fica.”

            Meredie ri.

IKE>> “A gente podia ir em algum barzinho por aqui.”

MEREDIE>> “Hmm... isso me soa muito divertido.”

            Eles param em um bar dançante, de boa aparência e ambiente agradável. Eles sentam numa mesa e pedem refrigerante, os dois.

MEREDIE>> “Você não bebe?”

IKE>> “Não, eu evito.”

MEREDIE>> “Nossa, que virtude.” – ela sorri.

            Os dois conversam por um tempo, uma conversa descontraída, divertida. Meredith relata sobre o seu tempo no Brasil e Isaac ouvia muito interessado. Eles riam. Isaac e Meredith davam-se tão bem, que pareciam nunca terem se separado, como se sempre tivessem estado juntos. É quando uma música lenta começa a tocar.

IKE>> “Quer dançar?”

MEREDIE>> “Mas é claro.”

            Isaac levanta e tira Meredith para dançar segurando-a pela mão com cavalheirismo. Ele a envolve pela cintura e ela o seu pescoço. Dançavam em círculos, muito lentamente, no ritmo da música. Isaac apoia sua boca no ombro de Meredith. Ela fecha os olhos e abraça Isaac mais forte no pescoço. Ele a puxa para um pouco mais perto. Ele levanta o seu rosto e sente o perfume que Meredith usava. Começa a acariciar as costas dela com delicadeza, em movimentos circulares. Giravam muito lentamente, quase que parados no mesmo lugar, apenas acompanhando o ritmo suave da música. Até que ela acaba. Os dois levam um tempo para se desligarem. Se olham.

MEREDIE>> “Você dança bem.” – ela sorri.

IKE>> “Você também.”

            Se olham mais um tempo. Meredith solta-se de Isaac.

MEREDIE>> “Vamos sentar?”

            Eles voltam para a mesa.

MEREDIE>> “Isaac, a sua namorada tem sorte. Você dança bem mesmo.”

IKE>> “Namorada? Não, não, eu acho que não.”

MEREDIE>> “Por que não?”

IKE>> “Porque eu não tenho namorada.”

MEREDIE>> “Não acredito!”

IKE>> “E por que não?”

MEREDIE>> “Mas como? Essas meninas aqui de Tulsa estão cegas?!” – Isaac ria – “Como é que nenhuma delas não te notou ainda??”

IKE>> “Nossa, será que eu sou tudo isso e não tava sabendo?”

            Meredith ri.

MEREDIE>> “Você é mais legal do que eu pensava.” – ela sorri.

            Taylor, Cacá, Gabi e Zac continuavam deitados no gramado. Um incômodo cercava os pensamentos de Gabi. Não conseguia raciocinar direito em cima da conversa que havia tido com Zac. Ela sentia que a conversa não estava terminada, ainda existia algumas coisas que ela precisava falar com ele. Zac olhava o céu. Pensava em tudo que havia dito para Gabi e o que ele tinha ouvido dela. Ele queria tanto conversar com Gabi mais um pouco. Ela estava bem ali, ao seu lado, deitada. Zac só queria virar de repente e beijá-la. Beijá-la muito forte. Beijá-la por muito tempo.

GABI>> “Cacá, que horas são?”

CACÁ>> “Uma da manhã. Por que?”

GABI>> “Gente, tá muito bom aqui...” – levantando – “...mas eu acho que vou dormir.”

            Todo mundo senta. Zac não queria que Gabi fosse. Ele precisava falar com ela.

CACÁ>> “Fica, Gabi.”

GABI>> “Não, eu tô com um pouco de dor de cabeça.”

TAY>> “Ah, Gabi, fica, por favor.”

GABI>> “Não, Tay, eu tô com...”

ZAC>> “Fica.”

            Gabi olha Zac espantada. Cacá e Taylor se olham e então olham para Gabi de olhos arregalados.

CACÁ>> “Gabi, por favor...”

            Zac a olhava com expectativa.

GABI>> “Tá, eu fico...”

            Ela senta ao lado de Zac novamente. Começam a conversar. Zac não falava nada e Gabi pouco. Gabi, um tempo depois, deita e não diz mais nada. Estava acordada, mas não participava mais da conversa entre Taylor, Cacá e, agora, Zac. Um bom tempo depois...

TAY>> “Gente, vamos entrar?”

ZAC>> “Vamos.”

CACÁ>> “Mas tá tão bom aqui fora conversando.”

TAY>> “Mas a gente continua conversando lá dentro.”

CACÁ>> “Tá...” – olha para a irmã – “Gabi.”

            Ela não diz anda.

CACÁ>> “Gabi?”

ZAC>> “Ela dormiu.”

            Gabi estava encolhida, dormindo aparentemente, de maneira profunda.

CACÁ>> “E agora? A gente acorda ela?”

ZAC>> “Tudo bem, deixa que eu cuido dela aqui. Podem entrar vocês dois. A gente já vai.”

CACÁ>> “Mas...”

TAY>> “Cacá, deixa eles aí. Vem...”

            Os dois saem. Zac deita ao lado de Gabi e se apoia em seu braço, ficando, assim, com o rosto um pouco levantado. Ele desliza seus dedos pelo rosto dela devagar. Gabi estava com o rosto um pouco para o lado, não completamente virado. Zac a olhava.

ZAC>> “Te amo tanto...” – ele sussurra.

            Gabi não se move. Parecia mesmo dormir profundamente. Zac inclina-se para frente e toca os lábios de Gabi levemente para não acordá-la. Ele afasta seus lábios, mas não o seu rosto. A olha mais um pouco e a beija, um selinho carinhoso, no canto da boca de Gabi. Ela continua imóvel, apenas respira fundo sem abrir os olhos. Zac a pega no colo, leva até o quarto e a deita na cama. É quando Zac percebe que Gabi não estava com roupas apropriadas para dormir. Ele vai atrás de Cacá. Entra na sala de estar e vê Camilla e Taylor se beijando intensamente.

ZAC>> “Ops... Nem era nada importante mesmo...” – ele fala sozinho e sai da sala.

            Ele volta para o quarto. Gabi estava deitada na cama.

ZAC>> “Acho que eu vou ter que fazer isso sozinho.”

            Zac tira a blusa de Gabi, tentando olhá-la o menos possível. Coloca a camisola logo nela e só então tira suas calças. Ajeita-a na cama, a cobre, apaga a luz e sai do quarto.

- - > Capítulo 12

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