CAPÍTULO 8
DIN
DON
ð
DIANA>>
“Já vai!”
Era
muito cedo quando a campainha tocou na casa dos Hanson. Diana preparava o café
e Zac, o único que havia acordado, via televisão na cozinha para acompanhar a
mãe. Diana pára de fazer o que fazia e vai atender a porta.
DIANA>>
“Olá.”
LÍ>>
“O Zac já acordou?”
DIANA>>
“Já sim. ‘Cê espera que eu vou chamar, tá?” – muito educada; ela vai
até a cozinha – “Zac, tem uma menina na porta querendo falar com você.”
ZAC>>
“Comigo?”
DIANA>> “É.”
Diana
permanece na cozinha e Zac segue até a porta.
LÍ>>
“Oi, Zac.”
ZAC>> “Lí??? O
que ‘cê quer comigo?”
LÍ>>
“Desculpe aparecer tão cedo, mas é que eu sei que nos sábados ‘cê acorda
cedo pra ver os desenhos e como eu queria falar só com você...”
ZAC>> “Fala.” – frio.
LÍ>>
“Tipo...”
ZAC>> “Fala logo.”
LÍ>> “Eu queria fazer um acordo de paz.”
ZAC>> “Paz? Paz do que?” – não entendendo.
LÍ>>
“Das nossas brigas.”
ZAC>> “Que brigas?? A gente nem briga! Aliás, a gente nem se fala!”
LÍ>>
“Então! Eu quero que a gente comece a se falar.”
ZAC>>
“Mas por que deveríamos? Não tá bom do jeito que tá?”
Diana
estava passando.
DIANA>>
“Zac, não vai convidar a sua amiga para entrar?”
ZAC>>
“Tá...” – com má vontade – “Entra, Lí.”
LÍ>>
“Com licença.”
Zac
vai até a cozinha. Lí o segue. Zac senta na pia e Lí numa das cadeiras.
ZAC>>
“Senta aí.” – apontando para as cadeiras na cozinha.
LÍ>>
“Bom, então... eu queria que a gente pelo menos convivesse.”
ZAC>>
“Mas a gente convive.”
LÍ>>
“Zac, o que ‘cê tem contra mim, hein?”
ZAC>>
“A questão não é ter algo contra, a questão é não ter nada a favor.”
LÍ>>
“Mas eu nunca te fiz nada!”
ZAC>>
“E eu disse que fez?!”
Zac
não tinha nada realmente contra Lí, apenas não gostava muito dela. Lí, um
pouco menor que ele, cabelos escuros cheios de mechas loiras, estilo mais
skatista de se vestir, normalmente conquistava a todos os meninos ao seu redor,
pois, além de ser bonita, era muito legal.
LÍ>>
“Mas então, por que ‘cê num pode me tratar um pouco melhor?”
ZAC>>
“Mas eu nem falo com você, Lí!”
LÍ>>
“Nossa, é a primeira vez que ‘cê me chama pelo meu nome.”
ZAC>>
“Grande coisa...”
LÍ>>
“Aí ó, tá vendo o tipo de coisa que ‘cê faz?”
Lí
realmente detestava essa indiferença de Zac, afinal, de todos os meninos que
conheceu até hoje, Zac foi o único que lhe chamou a atenção. Talvez por ter
sido o único que não se apaixonou por ela logo de cara. Ela não amava ele
profundamente, mas sentia algo por ele.
ZAC>>
“Tá, tá, eu vou tentar melhorar...” – querendo terminar aquela conversa
o mais rápido possível.
LÍ>>
“Você sabe qual é o meu nome?”
ZAC>>
“Lí, ué.”
LÍ>>
“Esse é o meu apelido.”
ZAC>>
“Agora ‘cê já tá exigindo muito da minha pessoa.”
LÍ>>
“É Liana.”
ZAC>>
“Legal...” – indiferente de novo.
Os
dois ouvem um barulho de alguém descendo as escadas. Era Gabi. Ela entra na
cozinha.
GABI>>
“Oi... Lí?” – ela diz sorrindo parada na porta.
LÍ>>
“Oi, tudo bem?”
Gabi
vai até ela e a beija no rosto. Então vai até Zac, que a beija no canto da
boca, e fica ali ao lado dele. Lí percebe.
GABI>>
“Vocês tavam conversando? Eu posso sair se vocês quiserem...” – ameaçando
andar para sair.
ZAC>>
“Não, pode ficar.” – segurando-a pela cintura.
LÍ>>
“E também, eu já tava indo mesmo...” – ela disse levantando.
ZAC>>
“Ah, tudo bem então. Tchau, Lí. ‘Cê sabe onde é a porta, né?”
GABI>>
“Zac!!” – ela vira para Lí – “Vem, Lí, eu te acompanho.”
Gabi
a leva até a porta, Lí vai embora e ela volta para cozinha.
GABI>>
“Zac, credo, que falta de educação!”
ZAC>>
“Ah, desculpe, mas é que eu não gosto muito dela...”
GABI>> “Tá brincando?? Sabe que eu nem tinha percebido?” – irônica.
ZAC>>
“Tá, eu sei que às vezes eu dou uma exagerada, mas é que, meu, olha o tipo!
A menina vem aqui em casa às nove da manhã pra pedir trégua das nossas
brigas! Meu, nem falo com essa menina direito!”
GABI>>
“Eu acho que ‘cê é muito estúpido com ela.”
ZAC>>
“Eu falei pra ela que ia tentar melhorar, mas num garanto...”
Gabi
fica em silêncio.
ZAC>>
“Dormiu bem?”
GABI>>
“Uhun. Muito bem.” – sorrindo.
ZAC>>
“Tá com fome?”
GABI>>
“Um pouco.”
ZAC>>
“Pera...”
Zac
levanta, vai até a geladeira e apanha um copo de iogurte para Gabi.
ZAC>>
“Ó.”
GABI>>
“Obrigada, Zacky.” – ela dá um selinho na boca dele achando aquela
atitude muito meiga.
ZAC>>
“De nada.”
Diana
entra na cozinha.
DIANA>>
“Bom dia, Gabi, nem tinha te visto.”
GABI>>
“Bom dia, tia.”
DIANA>>
“Eu já vou servir o café, tá?”
GABI>>
“Tudo bem.”
Zac
e Gabi vão assistir um pouco de televisão.
A
manhã passa. Depois do almoço, estava todos reunidos na sala.
MARIAH>>
“Gente, eu tava querendo ir no cinema hoje. O que ‘cês acham?”
Todos
adoram a idéia.
IKE>>
“Pra ver o que?”
MARIAH>>
“Ah, o que vocês quiserem.”
ZAC>>
“Star Wars!”
Todos aderem à sugestão.
MARIAH>>
“Tudo bem, são vocês quem sabem.” – ela concorda.
TAY>>
“Vamos a noite, vai ser mais legal.”
Todos
adoram a idéia novamente.
MARIAH>>
“Por mim...” – ela concorda novamente.
Sendo
assim, todos vão para a rua. Lá estavam Myranda, Lí, Scott, Ivy, Duda e os
amigos de Zac (que estavam jogando adivinhem o que? Rockey).
IKE>>
“Oi, Myra.” – diz se aproximando com um largo sorriso.
MYRANDA>>
“Oi, Ike. Nossa, que sorriso é esse?”
IKE>>
“Ah, nada...” – ele diz.
MYRANDA>>
“Ah, me fala.”
IKE>>
“Nada, sério.” – apenas feliz por estar perto de Myranda.
DUDA>>
“Oi, gente.” – ela diz para Gabi, Zac, Taylor e Cacá. Todos eles
respondem simpáticos.
Taylor
entra em casa para pegar uma coisa qualquer. Zac convida Gabi para jogar rockey
com eles, mas todas as meninas acabam indo também.
GABI>>
“Vem Cacá!!”
CACÁ>>
“Hoje eu vou ficar só olhando, gente, ‘brigada.” – ela sorri
agradecendo.
Cacá
fica um tempo ali sentada observando o jogo. É quando Taylor sai da casa e
senta do seu lado sem dizer nada. Depois de um tempo...
TAY>>
“Num vai jogar?”
CACÁ>>
“Hoje não...”
TAY>>
“Você sempre joga, por isso que eu tô perguntando.” – tentando prolongar
o assunto.
CACÁ>>
“É, mas é que hoje... sei lá... nem tô a fim.”
Silêncio.
Os dois olhavam o jogo. Gabi faz um gol. Zac corre abraça-la.
TAY>>
“O que será que a sua mãe vai fazer quando souber?”
CACÁ>>
“Deles?” – olhando para Zac e Gabi abraçados – “Ah, nada de mais... só
alguns ataques cardíacos... mas nada que ela não supere...” – ela diz
entre várias pausas. Taylor ri.
TAY>>
“Ela não é mesmo a favor da idéia de primos namorarem, né?”
CACÁ>>
“Sei lá porquê ela não concorda. Fazer o que se eles se gostam? Se gostam e
pronto! Não tem essa de ser primo ou não!” – Cacá parecia falar dela
mesma.
TAY>>
“Ainda bem que eles estão juntos, né? Imagine como seria se eles se
gostassem, mas estivessem separados. Eles iriam sofrer demais.” – falando
dele e de Cacá.
CACÁ>>
“Se eles estão juntos é porquê deu tudo certo pra eles, nada ‘conteceu
que pudesse atrapalhar. Nem nenhum dos dois fez nada para estragar isso.”
TAY>>
“Sabe que o maior índice de pessoas que se gostam e que estão separadas, é
por causa de enganos ou mau entendidos?” – dando uma indireta que Cacá
entende perfeitamente.
CACÁ>>
“Tay, nem vem, tá? Essas coisas não podem ser calculadas e transformadas em
porcentagens! Essas coisas acontecem com todo mundo! Sentimentos fazem parte,
assim como o sofrimento.”
TAY>>
“Outra pesquisa dizia que o maior índice de namoros bem sucedidos na adolescência
são entre primos.”
CACÁ>>
“Ah, é mesmo?” – ela acha graça.
TAY>>
“Verdade!” – ele sorria mostrando sua mentira.
CACÁ>>
“Tay, ‘cê num foi feliz nessa.”
TAY>>
“Bom, se você não quer acreditar em mim, eu não posso fazer nada, tá?”
– ele brinca.
Duda
olha de longe Taylor e Cacá rindo juntos. Ela resolve se aproximar.
DUDA>>
“Nossa, o que ‘cês tanto acham graça?” – querendo especular.
TAY>>
“Nada não...” – ficando sério.
DUDA>>
“Cacá, ‘cê não quer jogar?”
CACÁ>>
“Não, ‘brigada. Tá bom aqui conversando com o Tay.”
DUDA>>
“Mas o jogo tá bem massa. Vem!” – sorrindo.
TAY>>
“Não, ela vai ficar aqui comigo. Até porquê eu não quero que ela vá.”
– ele diz enganchando seu braço no de Cacá. Ela sorri para Duda.
CACÁ>>
“Ordens superiores, Duda.”
Duda
solta um cínico sorriso e sai muito brava.
TAY>>
“Menina chata!”
CACÁ>>
“Não fale nada porquê ‘cê ficou com ela.” – ela provoca.
TAY>>
“Eu não estava em sã consciência.”
CACÁ>>
“Sei, sei. Engraçado... homem quando faz cagada, ou diz que estava bêbado ou
diz que não estava em ‘sã consciência’. Curioso, não é mesmo?” – irônica.
Taylor
ri.
TAY>>
“É da natureza masculina.”
CACÁ>>
“Fazer cagada?”
TAY>>
“Não, omitir os seus erros.”
O
jogo termina. Todos vão para casa almoçar. A tarde, Isaac vai até a casa de
Myranda para ajudá-la com um trabalho do colégio. Diana leva as crianças para
o shopping com Mariah e Walker. Gabi, Zac, Taylor e Cacá passaram a tarde toda
no jardim, sentados nos sol, na grama, conversando. Gabi e Zac abraçados e Cacá
sentada bem próxima a Taylor, mas só. É quando a noite chega e junto com ela,
Isaac da casa de Myranda. Eles entram em casa.
DIANA>>
“Aí estão vocês. Vão se arrumar porque daqui à pouco nós já vamos
sair.”
Taylor,
Isaac, Zac, Cacá e Gabi sobem as escadas correndo. Cada um vai para o seu
quarto (elas para o de hóspedes).
GABI
(fechando a porta)>> “Cacá, que roupa ‘cê vai?”
CACÁ>>
“Num tenho nem noção.” – fuçando em seu guarda-roupa.
GABI>>
“Cacá...”
CACÁ>> “Quié?” – olhando algumas blusinhas, sem fazer contato
visual com a irmã.
GABI>>
“E você e o Tay?”
CACÁ>>
“O que é que tem?”
GABI>>
“Como é que ‘cês tão?”
CACÁ>> “Ah, como sempre...”
GABI>>
“Será que hoje não dá nada?”
CACÁ>> “Nah...” – tirando um vestido de um cabide.
GABI>>
“E tem a nossa mãe também, né?”
CACÁ>>
“É...”
GABI>>
“O Tay não disse mais nada?”
CACÁ>>
“Ele dá umas indiretas, mas só isso... eu não dou muita trela. Sei lá, ele
ficou com a Duda de novo... nem sei se eu ‘inda quero ficar com ele. Não
porque eu não gosto mais dele, mas mais por amor próprio, entende?”
GABI>>
“Mas o que ‘cê sente mesmo por ele?”
CACÁ>>
“Eu adoro ele, só que, tipo, ele beijou a Duda... sei lá, Gabi... vai ver
que ele ‘inda tá a fim dela.”
GABI>>
“Ele me disse que ela agarrou ele.”
CACÁ>> “É, ele me disse isso também...”
As
duas já colocavam as suas roupas.
GABI>>
“Mas então?? Por que ‘cê num ‘credita nele?” – vestindo uma calça jeans.
CACÁ>>
“Porque se eu acreditasse seria muito burrice da minha parte.”
GABI>>
“Não concordo, Cacá. Eu acho que ele tá falando a verdade.”
CACÁ>>
“Bom, acho que eu vou esperar mais um pouco, só pra ter certeza.”
GABI>>
“De quê?”
Cacá
fica quieta um tempo. Ela olha a irmã.
CACÁ>>
“De que ele gosta mesmo de mim.”
Um
tempo depois, elas estavam prontas. As duas estavam lindas. Gabi usava uma calça
jeans, uma bota e uma blusinha preta
com listras. Cacá usava um vestido (a qual ela tinha tirado do cabide enquanto
conversava com Gabi) preto, bem básico. Elas descem as escadas. Todos já
estavam prontos. Zac, Taylor e Isaac se apresentavam muito bem arrumados também.
CACÁ
(cochichando)>> “Eu amo quando o Tay coloca blusa de gola V.” –
comenta sobre a blusa vermelha que Taylor estava vestido junto de uma calça
preta um pouco mais justa.
GABI
(cochichando)>> “E eu amo quando o Zac usa essas blusas de linho coladas
no corpo.” – referindo-se a blusa de linho verde musgo que Zac usava
acompanhado de uma calça baggy creme
de bolsos do lado.
Todos
entram no carro, inclusive Jessica e Avery, e vão para o shopping. Mackenzie
prefere ficar dormindo. Lá, eles compram os ingressos e entram na sala de
cinema escolhendo lugares mais atrás. Sentam, da direita para esquerda, Jessica,
Avery, Diana, Mariah, Isaac, Cacá, Taylor, Gabi e Zac.
ZAC
(cochichando)>> “Você tá linda.” – no ouvido de Gabi.
GABI
(cochichando)>> “Obrigada, você também.” – sorrindo.
O
filme começa. Durante, Zac e Gabi estavam de mãos dadas, discretamente. Ninguém
percebe. Taylor estava achando o filme muito chato. Estava incomodado com alguma
coisa, não sabia com o que. Nem tinha com o que se incomodar, mas não estava
sentindo-se muito bem ali. Não estava mais brigado com Cacá, já estavam se
falando novamente. Mas o que era então? Ele resolve sair para pegar um pouco de
ar. Ele levanta e sai da sala de cinema. Cacá estranha. Alguns segundos depois
da saída de Taylor, era ela que começava a se sentir inquieta.
GABI
(cochichando)>> “Cacá, onde o Tay foi?”
CACÁ
(cochichando)>> “Sei lá.” – ela diz levantando os ombros.
DIANA
(cochichando)>> “Cacá, onde foi o Tay?”
CACÁ
(cochichando)>> “Não sei, tia.”
MARIAH
(cochichando)>> “Vai atrás dele então, querida, por favor.”
Cacá
levanta imediatamente, afinal, era exatamente o que queria fazer. Ela sai da
sala de cinema e olha ao redor. Não vê Taylor primeiramente, mas com alguns
passos a frente, consegue vê-lo sentado no degrau que havia depois que se
passava as roletas em direção às seis salas de cinema. Cacá vai até ele e
senta ao seu lado.
CACÁ>>
“Oi...”
TAY>> “Oi.” – sorrindo.
CACÁ>>
“Por que ‘cê saiu no meio do filme?”
TAY>>
“Aquele filme é muito chato.”
CACÁ>>
“É, eu também tava achando.”
TAY>> “Eu não sei porque a minha mãe não quis ver Star Wars. Seria
bem mais legal.” – ele reclamou.
CACÁ>>
“É... mas... foi só por isso mesmo?”
TAY>>
“Foi sim.”
CACÁ>>
“Você quer voltar lá pra dentro?”
TAY>>
“Nem faço questão. ‘Cê pode voltar se quiser...”
CACÁ>>
“Nem...”
TAY>> “Quer dar uma volta então?”
CACÁ>>
“Hmm... tá.”
Eles
levantam e saem andar um pouco. Começam a passear pelo shopping conversando. Até
que sentam num banco embaixo da escada rolante.
CACÁ>>
“Será que não tem importância a gente fica aqui? Nossas mães não vão
reclamar?”
TAY>>
“Acho que não dá nada... e se der também, dá bem pouquinho.”
Cacá
ri. Taylor sorri satisfeito por ter feito-a rir. Silêncio. Os dois se olham.
Cacá sorri e abaixa a cabeça. Um tempo depois...
TAY>>
“Você ainda não acredita em mim?”
CACÁ>> “Tay...” – não querendo tocar no assunto.
TAY>>
“Acredita?”
CACÁ>> “Bem de verdade mesmo? Eu acredito mais ou menos.”
TAY>>
“Mais pra mais ou mais pra menos?”
CACÁ>>
“Mais ou menos.”
TAY>>
“Hmm... e como alguém acredita mais ou menos em alguém?”
CACÁ>>
“É que eu acredito, mas também não acredito.”
TAY>>
“Hmm...”
CACÁ>>
“O shopping tá meio vazio hoje, né?”
TAY>>
“É...”
Os
dois estavam sentados um ao lado do outro. Cacá definitivamente não queria
falar sobre o assunto. Taylor percebia isso, o que, aliás, o deixava bem
chateado. Ele sentia como se Cacá tivesse mesmo perdido toda a confiança nele.
“Por que a Duda tinha que me beijar
aquele dia??!!” ele pensava. Então eles começam a conversar normalmente
de novo. Taylor contava um fato qualquer para Cacá, quando, enquanto ele
falava, uma mecha de seus loiros cabelos cai em seu rosto, frente a seus olhos.
Cacá fica olhando para a mecha e a tira do rosto de Taylor colocando atrás de
sua orelha lentamente. Ele observava todo aquele movimento dela. Quando ela
termina, desliza a pontas dos dedos pela bochecha de Taylor. Ele fica olhando
para ela fixamente. Ela corresponde os olhares. Taylor olha para a sua boca. Cacá
sente um frio na barriga com o seu rosto tão perto do dele. Taylor coloca seus
dedos no rosto de Cacá e toca-lhe os lábios com seu polegar. Ela fecha os
olhos por um momento e os abre de novo. Taylor começa a se aproximar para beijá-la.
Cacá fecha o olhos. Eles sentiam que iriam se beijar, agora de verdade. Taylor
não pensa muito e aproxima seus lábios dos dela. A olha por um curto período
de tempo antes de encontrar seus lábios com os de Cacá, como se quisesse
gravar bem aquele instante. Era aquele momento ou nunca mais.
DUDA>>
“Tayyyyy!!!!!!!!” – ela grita.
Pelo
jeito, não foi dessa vez que eles se beijaram. Os dois afastam seus rostos e
viram olhando para trás de Taylor, que era da onde o chamado vinha.
TAY>>
“Duda?” – ele vira para Cacá – “Mais que merda...” – ele diz
baixinho.
DUDA>>
“O que ‘cês tão fazendo aqui?”
TAY>>
“Nós? Fazendo? Nós estávamos fazendo até você chegar!” – um
tanto grosseiro.
CACÁ>>
“É que a gente estava no cinema e como o filme estava chato, resolvemos sair
de lá.”
DUDA>>
“Ah, legal! Eu
tô com a minha mãe e com a Lí.” – apontando para sua mãe mais distante
– “Só que a Lí foi comprar uma calça numa loja no andar de cima. Se vocês
quiserem eu posso ficar aqui com vocês.”
TAY>> “Não, não, pode ir lá com a sua mãe, sério. A gente tá bem
aqui sozinhos.” – grosso novamente.
DUDA>>
“Mas eu posso ficar aqui com vocês, não posso?”
TAY>>
“Não pode não porque... porque...” – pensando em algo para dizer –
“... porque a gente tá falando umas coisas em particular.”
DUDA>>
“Ah...tá...” – bem decepcionada – “Tudo bem então. Tchau pra vocês.”
– saindo.
CACÁ>>
“Ela gosta pacas de você, Tay...”
TAY>>
“É, pode ser...”
CACÁ>>
“Sei lá, acho que aquela vez que ‘cês ficaram, significou muito pra ela. Não
foi só por ficar.”
TAY>>
“Tá, mas eu não gosto dela.”
CACÁ>> “Eu sei... ou pelo menos acho que sei.” – ela dá uma
ironizada.
Continuam
conversando mais um tempo normalmente. Taylor sentia uma forte vontade de se
abrir com Cacá, dizer tudo o que estava sentindo, mas não podia. Era a
primeira vez que uma garota realmente o fazia sentir-se bem. Ele gostava de
conversar com Camilla, de estar perto dela. Nunca tinha sentido algo assim antes
em relação a uma garota a que estivesse a fim. Mais um tempo de conversa, os
dois voltam para a porta do cinema. Seus parentes ainda assistiam o filme, mas não
demoram muito a sair.
MARIAH>>
“Posso saber onde vocês estavam??” – não realmente nervosa.
CACÁ>>
“Calma mãe, a gente só ficou andando pelo shopping. Aquele filme tava muito
chato.”
TAY>>
“É, tia Mariah, a gente tava só passeando. Até encontramos com uma amiga
nossa e ficamos conversando com ela um bom tempo.” – ele exagera.
DIANA>>
“Mas então, se pretendiam ficar lá fora, por que não avisaram? Nós ficamos
preocupadas.”
TAY>>
“É que a gente não pretendia.”
MARIAH>>
“Bom, tudo bem, vamos dar uma volta e tomar um lanche na praça de alimentação
para esquecer essa confusão.”
Mariah
e Diana iam mais a frente enquanto os outros caminhavam mais atrás.
GABI>>
“Quem vocês encontraram?”
TAY>>
“A Duda.”
IKE>>
“A Duda? Nossa,
não sabia que ela vinha aqui no shopping. Ela mal sai de casa pra andar de roller
com a gente.”
CACÁ>>
“Poizé, mas ela tava aí com a mãe dela.”
TAY>>
“Infelizmente...”
GABI>>
“Zac, ‘cê num tá a fim de ir comigo ver um cd aí que eu quero?”
ZAC>>
“Claro.”
MARIAH>>
“Vão, mas não demorem, ok?”
GABI>>
“Tá, a gente já volta.”
Os
dois saem andar. Quando já estavam no andar de baixo, Zac segura a mão de
Gabi.
ZAC>>
“É um saco não poder andar de mãos dadas com você perto da sua mãe,
sabia?”
GABI>>
“Sabia. E como sabia!”
ZAC>>
“Será que vai ser escondido pra sempre?”
GABI>>
“Ah, Zac, não faz pergunta difícil!” – ela brinca.
Zac
sorri e beija Gabi na boca, de língua. Os dois se abraçam forte morrendo de
saudades, pois desde que Mariah havia chegado, eles não haviam passado nenhum
tempo sozinhos.
ZAC>>
“Tava com saudades.” – segurando-a pela cintura.
GABI>>
“É, eu também.” – sorrindo com seus braços no pescoço de Zac.
Zac
então a beija novamente. Estavam mesmo sentindo muita falta um do outro. Depois
do longo beijo, eles começam, de mãos dadas, a caminhar pelo andar em que
estavam.
ZAC>>
“Você não quer ir lá ver o cd?”
GABI>>
“Quero sim.”
Os
dois entram na primeira loja de cds que encontram e começam a olhar alguns. É
quando Zac é cutucado nas costas.
Zac
e Gabi não esperavam encontrar com alguém conhecido por ali. Duda, após
cumprimentá-los, repara que estavam de mãos dadas. Os dois não soltam as mãos,
pois não adiantava mais; Duda já tinha visto.
DUDA>>
“E aí, tão passeando?”
GABI>>
“É, só dando umas voltas.” – ela sorri tentando disfarçar o nervosismo.
ZAC>>
“E você, tá sozinha?”
DUDA>>
“Não, tô com a Lí. Ela tá em alguma parte da loja, não sei aonde
exatamente.”
Zac
e Gabi se olham e, discretamente, soltam suas mãos. Uma pessoa sabendo já era
o suficiente.
DUDA>>
“Sabe que eu encontrei com o Tay e com a Cacá? Eles não estão com vocês?”
ZAC>>
“Estão, mas ficaram lá com as nossas mães.”
DUDA>> “Ah, tá...” – ela olha um ponto mais distante por trás do
ombro de Zac – “Ah, tá lá a Lí.”
LÍ>>
“Oi, gente! Que coincidência encontrar com vocês aqui.” – sorrindo.
GABI>>
“Tudo bem, Lí?” – sorrindo.
DUDA>>
“Bom, já que vocês dois estão aqui, fiquem um pouco aqui conosco. Só um
pouco...”
ZAC>>
“Tudo bem, a gente fica sim.” – não vendo problema nenhum. Gabi concorda.
DUDA>>
“Legal. Gabi, vem cá comigo rapidinho me ajudar a escolher um cd.” –
puxando-a pela mão deixando Zac com Lí.
LÍ>>
“Que bom te encontrar aqui, Zac.”
ZAC>> “É...”
LÍ>> “Por que você e a Gabi tão andando sozinhos?”
ZAC>>
“Porque a gente tava a fim.” – seco.
LÍ>>
“Ah... e aquele nosso acordo, ‘inda tá valendo?”
ZAC>>
“Sei lá, deve tá...”
LÍ>>
“Mas como é que você...”
ZAC (interrompendo)>> “Vamo’ ali com elas?” – saindo dali de perto
e indo até onde estavam Gabi e Duda. Lí vai logo atrás.
ZAC>>
“Escolheram?”
DUDA>>
“Uhun.”
GABI>>
“Lí, ‘cê gosta de Jewel?”
LÍ>>
“Mais ou menos.”
GABI>>
“Hmm... e de 5ive?”
LÍ>>
“Adoro!”
GABI>>
“Vem cá que eu vi um single deles
aqui. Quer ver?”
LÍ>>
“Claro.”
As
duas saem.
DUDA>>
“Zac, desculpa ser enxerida, mas........” – pausa – “ .......‘cê tá
ficando com a Gabi?”
ZAC>>
“Tô sim.”
DUDA>>
“E vocês não querem que ninguém saiba?”
ZAC>>
“É, não queremos não.”
DUDA>>
“Então eu só queria dizer que num vou falar pra ninguém, tá?”
ZAC>>
“Valeu Duda.” – sorrindo sinceramente.
DUDA>>
“Que isso, ‘magina.... ‘cê é meu amigo, num é? Então.” – ela diz
sorrindo.
ZAC>>
“Nem pra Lí, tá? Aliás, muito menos pra ela.”
DUDA>>
“Tudo bem.”
GABI>>
“Zac...” – se aproximando – “...não é melhor a gente indo?”
ZAC>>
“É melhor sim. Bom, tchau, Duda, valeu mesmo.”
DUDA>>
“De nada, Zac...”
GABI>>
“Tchau pra vocês.”
Os
dois saem da loja.
LÍ>>
“Pelo o que ele te agradeceu?”
DUDA>>
“Nada não...”
LÍ>>
“Ele não me deu tchau, como sempre ele faz.” – desapontada.
DUDA>>
“Lí, esquece o Zac, ele não quer nada com você.”
LÍ>> “Tá, mas eu quero muito ficar com ele.”
DUDA>>
“Mas ‘cê nem gosta dele. Deixa o Zac pra quem gosta mesmo dele.”
LÍ>>
“Se tivesse alguém, mas nem tem.”
DUDA>> “Você que pensa...” – ela fala mais baixo para Lí não
ouvir.
Zac
e Gabi voltam para a mesa.
MARIAH>>
“Nossa, demoraram, a comida já está quase chegando.”
ZAC>>
“É que a gente encontrou a Lí e a Duda. Ficamos conversando e nem vimos a
hora, tia.”
GABI>>
“É, mãe, desculpe...”
MARIAH>>
“Imagina, meus queridos...” – ela sorri com meiguice.
A
comida chega. Enquanto comiam, iam conversando.
MARIAH>>
“Ah, Gabi, já estava esquecendo. O Adrian te procurou lá em Londres.”
GABI>>
“Como é que você sabe se você não estava lá?”
MARIAH>>
“É que a Lourdes me ligou ontem e ela me disse que ele tá que nem louco atrás
de você.”
GABI>>
“Ah...” – mostrando não estar nem um pouco impressionada.
Zac
prestava atenção na conversa.
MARIAH>>
“Ele vai te ligar hoje lá na casa da sua tia. A Lourdes deu o telefone de lá
pra ele.”
GABI>>
“Ela deu?? Mas por que?”
MARIAH>>
“Porque ele disse pra ela que era seu namorado e que estava morrendo de
saudades suas.”
GABI>>
“Mas ele não é meu namorado!”
MARIAH>>
“Então ele se candidatou ao cargo.”
GABI>>
“Mas quem disse que tá tendo eleição? O cargo não está disponível.”
Zac
sorri e olha para baixo.
MARIAH>>
“Bom, querida, isso você vê com ele hoje à noite. Mas sabe, eu também
achava que vocês estavam namorando.”
GABI>>
“Não... a gente nem chegou a ter alguma coisa.”
MARIAH>>
“Ah...”
Continuam
comendo. Zac coloca a mão na perna de Gabi e eles se olham. Os dois sorriem um
para o outro.
MARIAH>>
“Diana, olha lá!” – apontando para um homem numa outra mesa – “Aquele
não é o Andy, aquele que estudou com a gente?”
DIANA>>
“Nossa, é mesmo. Mas será que é ele mesmo?”
MARIAH>>
“Está parecendo. Vamos até lá falar com ele?”
DIANA>>
“Vamos sim.”
Mariah
e Diana levantam da mesa.
ZAC
(cochichando)>> “Gostei do que você disse.”
GABI
(cochichando)>> “Do que?”
ZAC
(cochichando)>> “Da parte que você disse que o cargo não está disponível.”
GABI
(cochichando)>> “É que ele já foi preenchido.” – ela sorri e toca
os lábios de Zac discretamente.
Todos,
agora Zac e Gabi também, olhavam para onde Mariah e Diana iam. Elas se
aproximam de um homem alto, de cavanhaque, cabelos claros lisos um pouco
compridos (caídos na testa fazendo-o jogá-los um pouco para trás) ombros
largos; estava acompanhado de um garoto, aparentemente de uns 15 anos, numa
outra mesa não muito longe da que eles estavam.
CACÁ>>
“Gabi, ‘cê sabe quem é?”
GABI>>
“Não tenho nem noção.”
TAY>>
“É amigo da faculdade da tia Mariah e da nossa mãe.”
ZAC>>
“Hmm...” – agora entendendo.
Os
cinco ficam observando elas conversarem com o homem. Depois de alguns minutos de
conversa, as duas retornavam à mesa acompanhado do tal homem e do garoto.
DIANA>>
“Crianças, esse aqui é o Andy, nosso amigo da faculdade.”
ANDY>> “Olá.” – sorrindo muito simpático – “Esse é o meu
filho Dave.”
DAVE>>
“Oi.” – sorrindo.
Dave
era muito bonito. Muito parecido com o pai, também tinha cabelos claros, lisos,
jogados. Seus olhos eram bem escuros e seus traços eram muito fortes. Seus lábios
grossos destacavam seu rosto; não era
muito
alto, pode-se dizer que tinha, aproximadamente, 1,72 de altura. Tinha um sorriso
muito bonito. Possuía ombros largos e um corpo definido, porém muito de leve.
MARIAH>>
“E então, Andy, aceita o convite da Diana?”
ANDY>>
“Tudo bem. Já que estou só de passagem pela cidade, logo retornarei a
Sidney, aceitarei o seu convite para jantar, Diana.” – muito simpático.
DIANA>>
“Ótimo. Assim poderemos recordar todo o nosso tempo de faculdade.”
ANDY>>
“Mas quando será esse jantar?”
MARIAH>>
“Que tal amanhã à noite?”
DIANA
>> “Eu sei que é um pouco em cima da hora, Andy, mas é que Mariah também
está só de passagem por aqui. Em torno de dois dias ela estará embarcando
para Oklahoma City.”
ANDY>>
“Imagine, está tudo bem. Eu e meu filho estamos a passeio. Viemos visitar a
família. Minha esposa, Monica, está aqui também, mas ficou na casa da mãe.”
DIANA>>
“Será um prazer que ela compareça ao jantar também.” – sorrindo.
ANDY>>
“Tudo bem, temos que ir agora.”
Trocam
telefones, Andy e Dave se despedem e vão embora. Mais um tempo ali e eles vão
para casa também. Naquela noite, Adrian não ligou. Gabi sente um grande alívio
por isso.