CAPÍTULO 8
De manhã, todo mundo
acordou cedo. O Walker foi chamar os filhos quando eram seis e meia. A Fernanda
também tinha aula e eles iam deixá-la na porta do colégio onde ela estudava
antes de irem para a sessão de fotos da revista Atrevida, num estúdio fotográfico
ali perto. Os meninos e a Fer colocaram rapidinho suas roupas, escovaram os
dentes e fizeram todas aquelas coisas que você faz toda santa manhã.
–
Certeza de que não fica ruim para vocês me deixarem no colégio? Eu posso ir
de metrô, na boa.
–
Imagina, Fãr... não custa nada – o Zac falou.
Eles
desceram tomar café e já correram para a van, na garagem. Passaram no colégio
dela, ela deu um beijinho na bochecha de cada um dos três e saltou correndo do
carro. E o Hanson foi para o tal do estúdio. Enquanto eles estavam sendo
maquiados, o celular do Zac tocou. Ele pediu licença para a maquiadora e
atendeu:
–
Alo?
–
Oi, Zachary.
O
coração do Zac começou a bater uns milhões por hora.
–
Oi, Pri. E aí?
–
Tá ocupado?
–
Mais ou menos... mas pode falar.
–
O que 'cê tá fazendo? Se agarrando com a Fernanda?
–
Ela nem está aqui, Priscila.
–
Ah...
–
Mas como você está?
–
Bem. Apesar de você ter saído do Jô sem nem ao menos dar tchau pra mim.
–
Puxa... eu queria mesmo falar com você sobre isso... eu...
–
Zac, desliga o celular – o Walker disse.
–
Eu tenho que ir, Pri. Mas por que você não vem até aqui o estúdio para a
gente conversar melhor?
–
Que estúdio?
–
De uma revista chamada Atrevida –
ele disse, cheio de sotaque.
–
Eu encontro. Tchau.
O
Zac desligou o telefone. Terminada a maquiagem, as fotos começaram. O Taylor
adorava essas sessões de fotos, adorava posar, fazer aquele monte de caras que
ele fazia, de sedutor, de meigo, de bravo... E nossa, como ele era fotogênico.
Passado
um tempo, a Priscila chegou e ficou no cantinho da sala com uma amiga dela que
ela tinha levado junto, observando o trabalho do fotógrafo.
–
Tudo bem, pessoal, vamos dar um tempo – ele gritou.
O
Zac aproximou-se da Priscila e da amiga dela.
–
Oi, Pri.
–
Oi, Zac. Essa aqui é a Vanessa.
–
Oi – o Zac disse um pouco frio. – Pri, será que a gente não pode
conversar... sozinhos?
–
Eu não posso deixar a minha amiga sozinha.
–
Não tem problema. – O Zac virou para trás. – Isaac!
–
Oi, maninho – o Isaac se aproximou.
–
Essa aqui é a Vanessa. Vanessa, esse aqui é o Isaac. Será que você podia
conversar um pouquinho com ela enquanto eu falo com a Pri? – o Zac disse.
–
Pode deixar comigo – o Isaac sorriu.
O
Zac pegou a Priscila pela mão e eles foram conversar em outro ambiente, um que
não tinha ninguém, numa sala ao lado.
–
Pronto, assim é melhor – o Zac falou logo que fechou a porta. – Bom, Pri...
eu queria muito me desculpar com você sobre aquele dia. Eu acho que não falei
mais com você aquele dia porque... bom, nós estávamos brigados.
–
Não justifica, Zac.
–
Tudo bem, eu sei... eu ando fazendo muita merda com você. Também sei disso.
Mas eu vou pedir para que você me perdoe mais uma vez.
–
Você vem me pedindo isso desde que você chegou aqui, Zachary.
–
Por favor, não me chame assim.
–
Bom... sobre te perdoar... não sei.
–
Olha, Pri... eu juro que não quis te magoar nem fiz de propósito.
–
Tudo bem, Zac... eu te perdôo, mas eu acho que é a última vez.
O
Zac sorriu meio que não querendo sorrir, meio forçado, e disse:
–
Bom, podemos voltar pra lá então?
–
Quê? Zac, espera... poxa, faz um tempão que a gente não dá um beijo.
–
Eu sei, Pri... é que... eu não posso te beijar ainda.
–
Quê?!
–
Eu não posso.
–
E eu posso saber por quê? – a Pri perguntou irritada, com as mãos na
cintura.
–
É que... bom, eu preciso acertar umas coisas com a Fãrnanda primeiro.
–
Como assim?
É,
o Zac estava ferrado. Como que ele ia dizer para a Priscila que tinha encontrado
um beijo melhor do que o dela?
–
Ah, não é nada de mais... é só...
A
Priscila se encheu daquela conversa e agarrou o Zac de uma vez para ele parar de
falar tanto. Imagine se a Fernanda teria alguma coisa a ver com o beijo que ela
queria dar no Zac. "Que absurdo. Ela está com o Isaac, não está? Então",
ela pensou.
–
Wow... – ele disse, se afastando.
– Bom, mas eu preciso continuar com as fotos. Vamos lá?
A
Priscila não disse mais nada. Tinha alguma coisa errada com aquele beijo que
ele deu nela. Estava mais frio, menos empolgado. Antes era aquele calorão só
da Priscila encostar no Zac. Os beijos dele sempre eram bastante quentes. E
aquele, nossa, tinha sido tão chocho. Sabe quando você sente que a outra
pessoa não estava concentrada ali?
Quando
a Priscila e o Zac chegaram no estúdio, o Taylor estava se olhando no espelho e
o Isaac já estava dando um trato na Vanessa. Os dois estavam no maior dos
beijos. O fotógrafo entrou e eles iniciaram a sessão de novo.
Depois
que terminou, o Zac foi com a Priscila e com as amigas xaropes dela na casa
dela. Estava um saco, porque a Pri não parava de querer se mostrar para as
amiguinhas, de fazer charminho para o Zac, como quando eles estavam todos
sentados na sala e a Priscila disse:
–
Zac... eu tô com frio.
–
Mas tá calor, Pri.
Ele
não estava no humor para este tipo de besteira.
–
Zac, poxa... a sua Pri está com frio, babe.
–
Mas Priscila, tá quente.
As
amigas dela ficaram olhando para eles, estranhando aquela atitude do Zac, já
que a Priscila tinha contado e aumentado um monte de coisas para elas. Falou que
o Zac era completamente apaixonado por ela, que corria atrás dela um monte, que
ela não podia dizer qualquer coisa sobre não estar bem que, pronto, ele já
quase morria e fazia de tudo para ajudar. Se fosse há uma semana atrás, quem
sabe. Mas agora... nem.
–
Zac, poxa! Eu tô com frio.
Ele
levantou e pegou um casaco que estava em cima da cadeira da escrivaninha e jogou
para ela.
–
Tó, veste – ele disse, bem seco. – Eu vou telefonar ali, já venho. –
saindo do quarto com o celular na mão.
A
Priscila ficou toda sem jeito na frente das amigas. Tentou se explicar, mas não
tinha muito o que dizer sobre aquilo. Então ela pediu licença e foi falar com
ele no corredor, da onde ele estava ligando:
–
Zac, porra! Que que te deu?!
–
O que eu fiz? – guardando o celular.
–
Por que você fez aquilo no quarto?!
–
O quê? – ainda não entendendo.
–
Você jogou um casaco pra mim, sendo que eu tava com frio!
–
Ué! Você queria que eu jogasse uma camiseta?
–
Não é isso! Meu, 'cê não lembra o que você fazia quando eu falava isso??
–
Te dava um casaco sem jogar?
–
Zac!
–
Tá, tá! Não lembro!
–
Você me abraçava, porra!
–
É, mas você sempre dizia que não adiantava nada!
Aí
a Priscila lembrou. Ela fazia cú doce até nos momentos românticos deles dois.
–
Tá, mas... era brincadeira! – ela pensou rápido em algo.
–
Não, Pri. Não era, não. E olha, daqui à pouco o Eddie tá aí. É melhor eu
indo esperar por ele na frente da sua casa. Você está aí com as suas
amigas... Eu não quero atrapalhar.
A
Priscila podia implorar de joelhos que o Zac não ia ficar, porque ele
simplesmente não queria. Não adiantava, ele estava pensando na Fernanda. Não
tinha como não pensar depois do que tinha acontecido noite passada, o primeiro
beijo de não-amigos deles.
O
Eddie logo chegou porque o Zac disse no telefone para ele ser o mais rápido
possível. A Priscila não brigou porque ela estava muito chateada para isso.
No
caminho, o Zac ficou pensando em tudo e, nossa, ele estava completamente
perdido. Ele não sabia o que fazer, não tinha certeza de nada do que estava
sentindo, aí lembrou que um dia ele ia ter de embora do Brasil e ia deixar a
Priscila e a Fernanda lá. E se não desse tempo de decidir o que ele queria? E
se ele tivesse de ir na dúvida? Putz, que bagunça! O Zac só queria a bateria
dele. Ele definitivamente precisava dar umas tocadas para ver se passava aquela
angústia de não saber o que fazer, de não estar no controle da situação.
Chegaram ao hotel.
–
Eddie, onde que tá o Tay?
–
Estava no quarto.
– Beleza. Valeu, Eddie.
–
You're welcome, kid.
Tinha uma salinha no
hotel, uma com um espelhão enorme, onde os funcionários montaram os
instrumentos para eles ensaiarem quando desse vontade. O Zac voou para lá.
Queria ficar sozinho, pensar um pouco... Sentou na bateria, pegou as baquetas e
começou a tocar alguns solos de algumas das músicas que ele mais gostava. Ele
batia forte com as baquetas, fazendo um barulho bem alto, chamando a atenção
de todos que passavam por ali. Quando ele tocava bateria, ele pensava melhor,
ele ficava mais calmo e conseguia ainda fazer o que ele mais amava no mundo, além
de beijar na boca. O Zac ficou um bom tempo lá, batendo com força no
instrumento, deixando sair toda a confusão da cabeça. Ele só parou quando o
Taylor entrou com o notebook dele na mão:
–
Zac?
–
Oi, Tay. Que que 'cê tá fazendo com isso? – o Zac disse, olhando o
computador nas mãos dele.
–
Tava falando com a Marion. Mas já voltou?
–
Pois é... não estava tão legal assim lá na Priscila.
–
Brigaram?
–
Nah... só não estava legal. Tinha umas amigas dela lá, muito escrotas.
–
Aaah... – Sentou no chão, de frente para a bateria. – Mas e aí? Beleza?
–
Tudo... se não fosse uns detalhes que andam me tirando o sono... Não que eu
realmente tenha tentado dormir, mas... – brincou.
–
O que aconteceu? Alguma coisa com a Fãr?
–
Bingo – o Zac disse, dando um batida em um prato.
–
Ficou com ela de novo?
–
Bingo – dando mais uma batida.
–
Você não pretende bater nisso toda vez que eu acertar alguma coisa, né? – o
Taylor enrugou a testa.
–
Ah, desculpe – dando um sorrisinho.
–
Mas conta aê. O que aconteceu?
–
Ontem a noite rolou uns beijos, digamos... menos amigos.
–
Menos amigos? Tipo, uns amassos?
–
É, mas você falando assim dá um ar de baixaria aos nossos beijinhos. – O
Taylor riu. – Mas tá, foi mais ou menos isso...uns amassos.
–
Mas como?
O
Zac explicou toda a história do cara de cabelo verde.
–
Aí foi isso... E sei lá, sabe... eu tava muito a fim da Fãr ontem à noite.
– Ele passou as mãos pelos cabelos, começando da testa e descendo até as
pontas. – Nossa, Tay, foi um tesão.
–
Foi, é? – o Taylor disse, sorrindo feliz.
–
Muito. A gente se beijou acho que a noite toda. E cara, foi mais... devagar, eu
acho. Sei lá, com a Priscila parecia que era tão rápido, entende? Não dava
dez minutos de beijo, a gente já tava na cama. Agora com a Fãr... sei lá, foi
tão mais sem pressa. Eu não queria correr, tirar a roupa dela e pronto. Eu
queria ficar com ela ali, curtindo, entende? Não sei explicar.
–
Não precisa, porque eu tô entendendo – o Taylor sorriu.
–
And man... você não tem noção da
ira que eu fiquei quando a Fãr contou que aquele cara tinha encostado nela no
elevador. Na boa, Taylor, eu queria matar aquele cara de porrada.
–
Meu, deu pena dele agora. Eu não quero nem saber como esse indivíduo deve ter
apanhado.
–
É, realmente. Eu bati pacas.
–
Mas e a Priscila?
–
Cara, sei lá... hoje lá na casa dela, eu não queria estar lá. Não queria
estar com ela, ouvindo a voz dela, aquelas amigas irritantes dela...
–
Você queria estar aonde?
–
Com a Fãr – o Zac disse baixinho.
–
Mas então por que não liga pra ela?
–
Ah, Tay, e se eu estiver pensando nela assim porque o que aconteceu, aconteceu
ontem? Tipo... porque tá muito recente ainda? E eu precisava pensar... eu adoro
a Fãr. Eu não quero perder a amizade dela de jeito nenhum. Ela ainda é a
minha melhor amiga.
–
Claro que sim. Só que agora com vantagens.
O
Zac riu.
–
Tay, fala sério. Meu, e se eu magoá-la? O que é que eu faço?
–
Bom, Zac, que alguém nessa história vai se magoar isso é básico, né? Ou a
Priscila ou a Fãr. E independente de qual das duas for, você vai ficar triste
também.
–
Só...
–
Eu acho que você já tá gostando da Fãr.
–
Isso é o que você quer.
–
Também. Mas pra mim, 'cê gosta dela.
–
Eu não sei se eu quero gostar dela. A nossa amizade era tão legal...
–
Zac, você fala de um jeito... parece que só porque vocês ficaram, estão
proibidos de serem amigos.
O
Zac só olhou para o irmão, querendo que ele prosseguisse.
–
Não é porque rolou uns amassos...
–
Taylor, não fala "amassos", pô.
–
Tá, desculpa... só porque rolaram uns "acontecimentos anormais"
entre vocês que a amizade tem que necessariamente acabar?
–
Mas e se ficar melado? Que nem é comigo e com a Priscila? Eu não quero aquela
melação de novo.
O
Taylor começou a rir.
–
Do que 'cê tá rindo, exatamente?
–
Zac, você desencanou mesmo da Priscila, hein?
–
Por que tá dizendo isso?
–
Meu, olha o que você falou. O que antes você chamava de amor, agora você tá
chamando de "melação".
–
Mas eu ainda gosto dela. Só que não tanto como antes.
–
Claro que não. Porque você tá gostando da Fãr.
–
Taylor, eu ainda não tenho certeza disso.
–
Mas eu tenho.
–
Whatever...
–
Você quer ficar com a Fãr de novo?
–
Não sei, Tay... – o Zac respondeu, olhando para as baquetas. – Eu só vou
saber disso quando eu vê-la de novo hoje.
–
Liga pra ela vir aqui.
–
Ai, não sei... e se ele pensar que agora eu só quero ficar com ela e mais
nada? Ou que a nossa amizade acabou e a gente vai só se beijar a partir de
agora?
–
Ela não vai pensar nada disso. Vocês são amigos antes de tudo.
Alguém
bate na porta. Era o Eddie.
–
Com licença?
–
Oi, Eddie, entra aí.
–
A sua amiga, a Fãrnanda está aqui no hotel.
O
Zac deu um pulo da bateria.
–
Tá?
–
Subiu com o Isaac. Mas já deve estar descendo porque ela está procurando você,
Zac.
–
Really? Cool! – ele sorriu. – Se
você encontrar com ela, fala pra ela que eu estou aqui.
–
Ok – o Eddie disse, saindo.
–
Nossa, não pensei que fosse vê-la tão já.
–
Já sabe o que vai dizer? – o Taylor perguntou.
–
Não exatamente, mas eu 'té que sou bom com improviso.
–
Pensa bem no que vai dizer, Zac, pra não estragar tudo.
–
Pode deixar.
–
Bom, então eu...
O
Taylor foi interrompido pela porta abrindo. Era a Fer. Quando ela viu o Zac ali,
sentado na bateria, o coração dela disparou. Estava tão nervosa porque nem
sabia direito como iria conversar com ele. Sabia que precisava.
–
Oi, gente. Tô atrapalhando?
–
'Magina, Fãr... entra aí. O Taylor já estava saindo, né Tay?
–
Claro, claro... conversem aí que eu vou mandar um e-mail pra Marion ali na
portaria. – Passou pela Fer e deu um beijinho de oi. – Tchau para vocês.
A
Fernanda entrou, meio sem jeito, arrumando o cabelo. Quando estava de costas
para o Zac, fechando a porta da sala, respirou fundo: "Haja
normalmente", ela pensou. E só então se virou.
–
Oi, Zac – sorriu.
–
Hey, Fãr. What's up?
–
Ah, nada de mais... o básico. – Ela se aproximou. – Tava tocando?
–
Yeah.
–
Meu, isso deve ser muito difícil de tocar.
–
Difícil? Fala sério...
–
Se você perguntar pra mim se é difícil usar modess por quatro dias seguidos
todo mês, eu também vou te dizer que não é difícil. – O Zac riu. – Você
acha fácil porque sabe, né querido?
O
clima estava voltando ao normal.
–
Tenta então pra você ver – ele disse, levantando do banquinho.
–
E seu eu quebrar? – receosa.
–
Fãr, não vai quebrar.
A
Fer chegou perto do instrumento, consequentemente do Zac, e sentou. Sentiu o
cheirinho bom do perfume dele.
–
Você também vai querer colocar modess depois para ver como é? – ela
brincou.
–
Três chances para você adivinhar – ele brincou também. – Primeiro, você
tem que sentar assim, ó...
O
Zac ajeitou os pés dela e as mãos com o maior cuidado.
–
Isso. Agora, toca alguma coisa aí.
–
"Toca alguma coisa aí", ele diz. Claro, né Zac, como se eu tivesse a
maior idéia de como faz isso.
–
Fãr, bate a baqueta em qualquer lugar pra eu ver a sua noção de ritmo.
–
Se eu bater na minha cabeça, deve sair o maior som, cara... – ela brincou.
A
Fernanda bateu um pouquinho só, muito envergonhada, fazendo quase nenhum
barulho.
–
Ah, Fãr, que isso? 'Cê tá com medo de acordar alguém, por acaso? Bate com
força nisso.
–
Ok, sir.
A
Fernanda meteu uma porradona nos pratos e ficou batendo sem o menor ritmo nos
tamborzinhos e pisando um monte no pedal que tinha embaixo.
–
Tudo bem, tudo bem, chega! – o Zac implorou para ela parar. – Nossa, Fãr,
isso me lembrou muito a Zöe quando senta aí e resolve tocar uma musiquinha pra
nossa mãe.
–
Puxa, eu estou tão ruim assim?
–
Não, tá pior.
–
Zac, não enche!
–
Tá, então ó... vamos começar com uma coisa bem básica.
Aí
o Zac começou a explicar para ela com a maior das paciências como tocar um
trechinho qualquer que ele inventou na hora.
–
Mas eu queria tocar aquele teu solo em Man
From Milwaukee.
–
Fãr, não zoa, vai.
–
Mas é sério.
–
Primeiro aprende isso.
–
Tá.
Ele
segurava as mãos dela e ia conduzindo a Fer bem queridinho. Ele estava com a
cabeça no ombro dela, mas sem encostar, abraçando-a por trás. Às vezes ela
queria sair tocando sozinha, mas o Zac já cortava, segurando forte sua mão.
–
Cuidado pra não arrancar fora, minino.
–
O quê?
–
A minha mão.
–
Não tô apertando com força.
–
Mas acontece que eu sou mulher. E em mulher, um sopro quebra uma costela – ela
brincou.
–
Ô exagero...
O
Zac ficou ali ensinando para a Fernanda até que ela aprendeu bem aquele
pedacinho que ele tinha inventado só para ela.
–
Woohoo! Mamãe, olha eu! – ela gritava enquanto repetia as batidas
seguidamente e rapidinho. O Zac ria muito.
–
Nossa, Fãr, já dá até pra me substituir na banda quando eu não puder tocar
ou alguma coisa assim.
–
Jura? Mas eu vou ter de usar peruca loira?
–
Não, eu não vou te obrigar a passar pelo o que eu passo desde que sou
considerado gente.
–
O quê?
–
Ser loiro.
–
Você não gosta do seu cabelo?
–
Eu não gosto da cor dele.
–
Como você consegue?
–
Fãr, é horrível!
–
Não, horrível é o Nick Carter sem camisa. O seu cabelo é lindo.
–
Pára, eu não quero falar do meu cabelo.
–
Zac, mas ele é bonito.
–
Odeio! Eu queria ter cabelo preto, pretão mesmo, da cor do Eddie.
–
Bom, a cor do Eddie é realmente de invejar, mas... cara, o seu cabelo é lindo.
A
Fernanda já estava de pé, em frente a ele.
–
Não acho – ele disse.
–
Eu amo o seu cabelo.
–
Não sei como.
A
Fernanda virou o Zac para o espelho.
–
Olha lá – ela disse.
–
Tô olhando.
–
Agora olha o seu cabelo.
–
E?
–
O que você tá vendo?
–
Uma coisa muito amarela.
–
Pergunta o que eu tô vendo.
–
O que você tá vendo?
–
A coisa amarela mais linda do mundo.
O
Zac sorriu meio sem jeito. Virou para ela.
–
O seu cabelo é lindo. Você é – ela disse sorrindo.
Ops.
Aquilo saiu muito sem querer. O Zac sorriu porque gostou daquele comentário,
mas a Fer foi ficando vermelha, roxa, azul com bolinhas amarelas. E se afastou
do Zac, andando para o outro lado da sala.
–
E também, Zac, tanta gente com cabelo muito pior que o seu e que não pode
fazer nada para mudar isso. Sei lá, 'cê não devia reclamar do seu cabelo.
O
Zac se aproximou dela.
–
O você disse aí?
–
Que você não devia reclamar do seu cabelo.
–
Não, não. Antes disso.
–
Que tinha gente com cabelo muito pior que o seu.
–
Antes.
–
Que o seu cabelo é lindo.
–
Depois.
–
Que tinha gente com cabelo pior que o seu.
–
Fãr... – ele disse, espremendo os olhos.
–
Zac, não enche!
–
Fala, Fãr. Eu quero ouvir.
–
Como se você nunca tivesse ouvido isso.
–
Não de você.
Ela
ficou olhando para ele quieta, como se pensasse sobre aquilo.
–
Se eu disser que te acho a garota mais linda que eu já vi na vida, não vai ser
diferente do que quando o Isaac te diz isso?
–
Ahm... ahan – ela confirmou, tímida.
–
Então repete o que você disse.
–
Ai, Zac... não sei se eu quero.
–
Por favor...
–
Mas é que aquilo escapou. Eu não teria dito aquilo tão na boa raciocinando
direito, mesmo achando aquilo de verdade.
–
Nossa, quanto "aquilo" – ele brincou. – Então você me acha
bonito?
A
Fer ficou vermelha de novo. Se o Zac tivesse perguntado isso há alguns dias atrás,
ela responderia na maior "Zac, tu é maravilhoso, amigo". Mas agora
era diferente. O Zac não era mais simplesmente aquele amigão da Fernanda, que
dava para falar tudo e de tudo. Eles tinham se beijado do jeito não-amigo, pô.
E a partir daí, o que o outro está pensando de você se torna incrivelmente
relevante.
–
Acho – ela disse, sem jeito, mas tentando mostrar coragem.
Além
disso, o Zac agora desarmava a Fer. Deixava ela tão vulnerável quanto uma
formiguinha perante aquela garoa de fim de tarde.
–
Mesmo com esse cabelo?
Ela
riu.
–
Mesmo com ele todo aí – olhando para as madeixas loiríssimas do Zac.
Ele
sorriu e olhou para baixo.
–
E por quê? – a Fer perguntou.
–
Por que o quê?
–
Por que é diferente eu dizendo que você é bonito do que as outras milhares de
meninas que concordam comigo?
–
Me responde você.
–
Não. Eu já respondi demais hoje. Sua vez.
–
Porque você é importante pra mim. As outras meninas que concordam com você, não.
–
Ah...
Silêncio de novo.
–
Você quer conversar de ontem? – ele finalmente disse.
–
Não sei... eu vim aqui pra isso, mas... não sei.
–
A gente ainda é amigo, não é?
–
Claro! – ela disse com firmeza. – Não tenha dúvidas disso nunca.
–
Que bom. Eu queria ouvir isso mesmo.
Ela
sorriu. O Zac continuou:
–
Então, se tiver alguma coisa que você queira me dizer sobre ontem... I'm
listening to you.
–
Ah... claro... Ahm...
–
Fãr, fala o que você quiser falar.
–
Ah, ok. – Ela pensou um minuto. – Bom... eu... Ai, Zac, tô meio insegura de
falar.
–
Não fique porque eu não tô aqui pra julgar nada.
–
Tá bom. The same here. – O Zac
sorriu. – Bom... eu... gostei pacas de ontem. E... não me arrependi nenhum
pouco. – Nossa, o Zac abriu um puta sorrisão nessa hora. – Mas... – o
sorriso murchou no rosto dele. – Calma, não faz essa cara que não é nada de
ruim. – Ele aliviou. – Mas eu fiquei com um pouco de medo de a nossa amizade
mudar, de a gente parar de se falar, de você não ter gostado, de você ter se
arrependido, de não ter sido como você esperava... – O Zac balançou a cabeça
negativamente sem parar, preocupado. – Por isso que eu vim falar com você
hoje. Pra ver se acertava isso com você. Pronto, terminei. Agora você.
–
Eu também gostei de ontem. Muito. E fiquei com o mesmo medo que você, de a
nossa amizade acabar e coisas piores até. E não, eu não me arrependi porque não
foi algo que eu fiz por impulso. Eu estava realmente querendo aquilo. Eu te
beijei sabendo muito bem o que eu estava fazendo.
A Fer amou aquilo.
–
E outra coisa... – ela começou. – Eu não quero que você pense que vou te
pressionar a terminar com a Priscila ou a parar de falar com ela e coisas do
tipo porque eu sabia muito bem dela e dos riscos que eu estava correndo quando
deixei rolar ontem. Eu sei da sua situação com ela, tudo...
–
Valeu.
O
Zac queria dizer que não sabia mais sobre os sentimentos dele pela Pri, que
achava que estava começando a gostar da Fer... mas ele não tinha certeza de
nada. Por isso, preferiu ficar quieto.
–
Mas então... – ela disse.
Ele
se aproximou mais, até ficar bem de frente para ela.
–
Estranho como estava tudo bem ontem, né, antes daquilo acontecer com você no
elevador.
–
É... pra mim, eu ia só descer, pegar o colchão lá, voltar e pronto. Normal.
–
Eu também achei que ia te ajudar como um melhor amigo. Mas acho que eu não fiz
muito certinho, né?
Ela
sorriu. A Fernanda já estava gelando muito nessa hora. O Zac já estava muito
perto e falando baixo pra caramba. Ela sabia que um beijo podia surgir a
qualquer momento.
–
É... acho que melhores amigos não beijam na boca, né? – ela disse, tentando
disfarçar o nervosismo.
Então
ele segurou as mãos dela e as colocou em volta do pescoço dele.
–
A gente não tá muito melhor amigo agora, né? – ela perguntou, já prevendo
o beijo.
Ele
sorriu maroto e balançou a cabeça, negando.
–
É, eu imaginei mesmo... – ela disse.
Aí
não preciso nem dizer, né? O Zac virou o rosto e encaixou a boca dele na da
Fer, puxando ela com bastante força para junto dele. Ela subiu as mãos pela
nuca dele, indo até os cabelos, mexendo-os suavemente. Ele ficou acariciando as
costas dela e a cintura, bem devagarinho, com muito carinho no toque. Então
tirou os lábios um minuto e beijou o pescoço dela. A Fer estava com uma
blusinha de botão vermelha, de tricô. O Zac levantou o rosto e olhou para
blusa, começando a abrir botãozinho por botãozinho. A Fernanda inclinou o
rosto e o beijou na boca, apoiando as mãos nas laterais das coxas dele. Quando
já estava a blusa aberta, ele olhou um tempo para a parte descoberta do corpo
dela, ela respirando forte e o sutiã preto. Tudo muito lentamente. Olhou-a de
novo e a beijou, seguindo com os beijos pelo queixo, o pescoço, o tórax e
beijou a região curva onde começam os seios. Parou um instante e ficou
observando. Desenhou com os dedos os lábios da Fer e voltou a beijá-la na
boca. Abaixou um pouco a alça do sutiã e tocou os seios delicadamente. Por
baixo da camiseta, a Fernanda sentiu toda as costas do Zac e desabotoou a calça
dele só para provocar, ao mesmo tempo que mordia seu lábio inferior. Isso
deixou o Zac louco. Então ele começou a desabotoar a calça jeans da Fer e
abaixou o zíper. Ela parou de beijá-lo e sussurrou:
–
Zac, Zac...
–
Desculpe, eu acho que eu me empolguei.
–
Bom, isso foi mesmo porque eu tô praticamente pelada aqui... – Ele riu. –
Mas é que eu acho que é melhor a gente desesquentar um pouquinho porque... eu
não tô mais conseguindo me controlar, entende?
–
Eu percebi mesmo – sorrindo.
–
E também... você acaba comigo desse jeito, Zac.
–
Por quê? Juro que não é essa a intenção.
–
Não, é que... é muito bom beijar você.
–
Eu posso dizer o mesmo.
–
Melhor a gente se recompor e sair.
–
Será que dá para esperar só um pouquinho? – ele pediu educado.
–
Aconteceu alguma coisa?
O
Zac só olhou para baixo. A Fer olhou também e riu muito.
–
Ah, claro... eu entendo... Claro que dá, 'magina...
–
Eu não posso sair daqui assim.
–
Não mesmo – ela disse, olhando para o "problema" dentro da calça
do Zac.
...
Passado um tempo, o
Taylor desceu até a salinha de ensaio e encontrou o Zac e a Fer conversando.
Ela sentada na bateria e ele em pé do lado.
–
Licença? – o Tay falou, entrando.
–
Toda – o Zac disse.
–
Taylor, saca só o puta solo de bateria que eu aprendi com o Zac.
A
Fernanda estava realmente empolgada com a idéia e tocou o pedacinho minúsculo
que o Zac ensinou para ela. O Taylor aplaudiu e fez uma cara mó forçada de
impressionado.
–
Uau, Fãr, 'cê tá mandando bem mesmo, hein?
–
'Brigada, Tay. Eu já sabia mesmo que tinha esse dom para a música. Especialmente
the drums.
–
Nossa... a gente podia colocar isso em alguma música nossa, Zac.
–
Claro, Tay, tá lindo mesmo.
–
Aí, nos shows, quando chegasse essa parte na música – a Fer falava
empolgada. –, eu surgia no palco, sentava na bateria e tocava.
–
Daí depois de cinco segundos, você levantava e saía – o Zac disse, tirando
com a Fer.
–
Pô, Zac, não brocha a minha performance! – a Fernanda retrucou. Ele riu.
–
Mas Zac, eu vim aqui te chamar porque o pai vai fazer reunião agora com a gente
e com o Chris.
–
Ah, beleza...
–
Então eu vou indo, gente boa... – a Fer disse, levantando.
–
E eu vou subindo. Tchau, Fãr. Zac, tô te esperando lá em cima. – O Taylor
então saiu e fechou a porta.
–
Já vai mesmo? – o Zac perguntou, chegando pertinho.
–
Não, eu vou subir com você e palpitar umas idéias minhas lá na reunião de
vocês – ela ironizou. – Vou, né Zac? Já são sete horas e eu prometi pra
Dona Mariliz que voltava pra jantar.
–
Ah... ok then.
–
Ok... então... tchau.
A
Fernanda não sabia bem o que fazer nem onde que beijava. O Zac ficou olhando
para ela, sério. Então a Fer olhou para aquela bocona e optou por ela ao invés
da bochecha dele. O Zac segurou a cintura dela e se beijaram bem devagarinho. E
bastante. Sabe como são essas despedidas, né? Muuuuito tempo depois, o Zac
levou ela para a portaria e ela saiu. Havia poucas fãs por ali então não teve
muito problema.
A
Fernanda chegou em casa e a Mariliz já veio avisar que uma garota tinha ligado.
A Manu, a mais atual melhor amiga da Fer. Elas eram amigas há quase quatro
anos. Tinham estudado juntas na 6º série e depois disso, nunca mais deixaram
de se falar. Até que tornaram-se "as" amigas. A Fernanda correu ligar
para ela. Depois de um tempo de conversa...
–
Pô, Fê, a gente nunca mais fez aquelas reuniões à noite.
–
Sóóóó... Verdade. Vem dormir aqui hoje então.
–
Woohoo! Mas a sua mãe não vai encher?
–
Nah... ela gosta de você.
–
Sei... ela não suporta os meus estresses.
–
Ninguém suporta, Manu. Só eu.
–
É, isso até faz um sentido.
–
E olha que honra. Você vai assistir o meu programa favorito junto comigo,
comendo pipoca.
–
Ah, não, Fernanda! Aqueles xaropes, não!
–
Ah, Manu...
–
Fê, você não pode ser normal! Você é uma adolescente! Não tem vergonha de
amar os Power Ranger??
–
Mas é massa!
–
Úúúú! Pra uma criança de dois anos é tecnologia de ponta. Mas você tem 16
anos na cara, mulher!
–
Hehehe...
–
Tá bom, então. Tô indo praí agora. Umas oito eu chego aí.
–
Tá bom. Tchau.
E
desligaram o telefone. A Fernanda estava morrendo de saudades da Manu. Cara,
elas conversavam muito. Mas quando eu digo muito, não é aqueles muitos básicos
que todas as amigas conversam. É muito mesmo! Mas muuuuito! Se deixasse, elas não
paravam de falar.
Quando
era oito horas, lá estava a Manu, tocando a campainha da casa da Fernanda. Elas
duas se abraçaram, fizeram aquele escândalo super agradável e entraram
correndo no quarto da Fer para colocar as fofocas em dia. É claro que Hanson,
Zac e Taylor e Isaac foram mencionados. A Manu ficou sabendo de toda a história,
desde que eles tinham chegado no Brasil porque das histórias da Internet, da
Priscila e tal, ela já sabia.
–
Ah, mas eu quero ver esse Hanson ao vivo – a Manu falou, com aquela cara de
curiosa.
–
Pode deixar, você vai sim.
–
Woohoo! Seguuuura!
–
Ai, Manu! – gritou, olhando no relógio. – Vai começar o Power Rangers!
Daqui uns minutos! Vem logo!
A
Fernanda levantou correndo da cama e voou para o quarto da mãe dela. A Manu ia
atrás, só reclamando. Mas fazer o quê? O jeito era assistir o dito do Power
Ranger No Espaço.
Elas
estavam deitadas na cama, já comendo pipoca que a Mariliz tinha feito,
assistindo.
–
Cara, mas esse tiozinho vermelho é muito lindo – a Fer falou.
–
Fala sério, Fernanda! Ele tem mecha loira no cabelo! Um sujeito que usa mechas
loiras no cabelo não merece nenhum tipo de respeito!
–
Ah, Manu, pô! O cara é lindo!
–
Realmente... pra uma drag queen, ele tá maravilhoso.
A
Fernanda deu um puta tapa na testa dela.
–
AAHH! EU ODEIO QUANDO VOCÊ FAZ ISSO! – a Manu gritou.
–
Shhh. Presta atenção lá que eles vão se transformar, minina!
Foi
quando a campainha tocou. A Fernanda nem ouviu porque estava muito concentrada
dando uns beliscões na Manu por causa do tal cara das mechas. A Manu só metia
o pau. A Fernanda ria porque quando a amiga dela resolvia meter o pau, nossa.
Segura a menina.
Na
TV, o garoto das mechas apontava para uma prancha de surf:
"Mas
o que é isso?"
"Uma
prancha de surf. De que planeta você veio, garoto?"
– a dona da lanchonete disse.
–
Fê, cara, ele não sabe o que é uma prancha de surf! Que indignante!
–
Pô, Manu, respeita. Ele não é da Terra, ele é de outro planeta.
–
Ai, você fala como se ele fosse um coitado que precisasse de defesa.
–
E precisa. Ele é lindo. E os meninos lindos merecem ser defendidos.
–
Esse cara a essas alturas deve estar rico por causa desse programa estúpido que
explora a inocência das crianças debilóides que assistem esta merda.
–
Merda?! Não é merda!
–
Você tá certa. Isso é muito pior.
A
Fernanda começou a rir e, com a chegada dos comerciais, ficou argumentando com
a Manu sobre a qualidade do seriado. Foi quando alguém bateu na porta. Elas
gritaram "Entra!" juntinhas, mas ninguém se manifestou.
–
Mãe, é você?
Então
o Zac abriu a porta bem devagarinho, todo receoso.
–
Excuse me?
–
Zac! Hey! – a Fer
deu um pulo da cama.
–
Pode entrar?
–
Claro – com um sorrisão.
–
Nossa, Fê, disfarça essa cara de monga – a Manu disse em português.
–
Ah, claro, valeu – a Fernanda disse.
–
Não vai apresentar, Fãr? – o Zac falou.
–
Ah, essa aqui é a minha amigona, a Manu.
–
Hello – a Manu disse.
–
Hey – o Zac sorriu. – O Taylor tá
lá no carro. Será que ele podia entrar também?
–
Dãã. Claro!
–
Eu disse pra ele, mas ele tava mó sem jeito. Vou lá chamar.
O
Zac saiu do quarto.
–
Por favor, Fê, diz que o Taylor é o do meio – a Manu falou.
–
É sim.
–
Que chaaaaaato! – a Manu caiu para trás, na cama.
–
Ih, Manu, nem se anima porque ele tá de rolo com a morena do M2M.
–
Mas eu não sou ciumenta.
–
Dããã. Ele gosta dela, filha.
–
Por enquanto, queridinha. Deixa ele conhecer a potência da LaDy MaNu aqui.
–
Ah, claro, eu tinha esquecido do seu incrível poder de sedução – a Fernanda
ironizou.
–
Até parece que não me conhece, Fê – a Manu brincou, se achando um monte.
Então
os Power Rangers voltaram e a Fernanda se posicionou de novo para assistir.
–
Fê, desliga a TV. Dá tempo. Eles ainda não viram a coisa brega que a gente tá
assistindo.
–
Ah sim, você acha realmente que eu vou deixar de assistir o meu programa
favorito por causa deles? Você realmente pensou isso? Ha-ha-ha.
Achô, né? Power Ranger forever, minha filha.
–
Putz... que mega mico.
O
Zac retornou rapidinho com o Taylor. Este estava um pouco sem jeito porque não
fora idéia dele ir até lá com o irmão mais novo. Foi o Zac que o obrigou
porque o Taylor não saía muito de casa e o Isaac aquela noite ia ver a
Vanessa, aquela amiga da Priscila que ele ficou na sessão de fotos.
–
Chegamos – o Zac disse.
–
Shhh! – a Fer advertiu. – Tô assistindo.
–
O que vocês tão vendo?
–
O programa preferido dela – a Manu explicou. – Mas só dela, que fique bem
claro.
O
Zac olhou para a TV indignado.
–
Fãr, Power Rangers, Fãr?
–
Shhh, eu disse. Sentem aí e silêncio que o gostosão tá prestes a salvar a
Terra do mal.
–
Gostosão? – o Zac perguntou.
–
O cara das mechas. Dá pra crer nisso? – a Manu falou.
O
Zac fez uma cara de quem não gostou muito. Então ele e o Taylor sentaram para
assistir.
–
Oi – o Taylor sussurrou para a Manu.
–
Oi – ela sorriu. – Tudo bem?
–
Como é o seu nome?
–
Manu.
–
Taylor – estendendo a mão para ela, mas a Manu nem viu e deu um beijinho no
rosto, como de costume aqui. O Taylor ficou um pouco perdido, mas nada grave.
Então
o garoto de mechas se transforma em Ranger Vermelho e começa a lutar com uns
monstros ridículos que soltavam uns poderes mais ridículos ainda.
–
Ai, gente... ele é lindo... – a Fer falou em suspiros.
O
Zac fez cara feia, mas a Fernanda nem viu. Ela estava tão entretida com a TV
que podia passar um trator na frente dela que ela não ia nem notar.
–
Fê! Ele tem mechas, Fê!
–
Manu, ele é o cara mais lindo, maravilhoso, tesudo, gostoso e de bom coração
que eu já conheci na minha vida!
–
Bom coração?! – a Manu se matou de rir.
Nossa,
o Zac não gostou nada daquilo. Como que um cara da televisão podia ser mais
tudo isso que ele, para a Fernanda? Que absurdo.
–
E muito bom, diga-se de passagem. Aliás, muuuuito bom, se é que você me
entende – a Fer falou.
Quanto
mais a Fer falava do carinha das mechas, mais o Zac ia ficando irritado. Não
que ele tivesse bufando de ódio, mas sabe aquela raivinha que faz você ficar
chato e torna tudo a sua volta irritante? Era bem assim que o Zac estava.
–
Esse cara é um gay – ele finalmente se manifestou.
–
Aleluia! Um pouco de sabedoria aqui! – a Manu gritou com as mãos para cima. O
Taylor achou graça.
–
Zac, você deveria estar do meu lado e não contra mim – a Fer falou,
brincando.
–
Mas ele é mesmo – o Zac confirmou.
–
Não, ele não é, não! Fiquem sabendo vocês que ele é o cara mais lindo do
mundo pra mim – a Fer brincou. – Portanto, não venham falar dele pra mim.
Se
a Fer tivesse idéia do tanto que esse comentário deixou o Zac enciumado, ela
jamais teria dito isso. Ele estava levando a sério, sendo que a Fer só estava
brincando. Ela achava o Ranger de mechas bonito, mas não era tanto assim.
–
Ele parece o Scott Moffat – o Taylor enfim disse alguma coisa.
A
Manu teve um colapso de riso.
–
Putz... eu vou ter de concordar com isso – a Fer falou.
–
Porra, desliga isso. Vamos fazer outra coisa – o Zac reclamou.
–
Mas eu queria tanto ver... – a Fer falou.
–
Não tô a fim de ver isso.
A
Fernanda desligou a televisão e ficou fingindo que estava apaixonada,
suspirando a todo momento, só para brincar. Todo mundo ria dos comentários que
ela fazia sobre o cara das mechas, menos o Zac. Este ficava imóvel, com aquela
cara de bunda, achando tudo um saco.
Eles
foram para o quarto da Fernanda. Todo mundo se acomodou, só o Zac que ficou em
pé.
–
Zac, pode sentar. Não paga nada – a Fer falou.
–
Eu acho que eu vou ligar para o Eddie.
–
Mas por quê? – o Taylor disse, não querendo ir embora.
–
Licença. Eu vou ligar e já volto.
A
Fernanda enrugou a testa não entendendo muito bem o que estava acontecendo ali.
–
Fiquem aí que eu já venho – ela falou, indo atrás do Zac.
Ele
estava na sala, já discando os números.
–
Zac, Zac... não liga, espera... – Ela chegou perto dele. – O que que foi? 'Cê
tá chateado com alguma coisa?
–
Não, só quero ir embora.
–
Mas você acabou de chegar – a Fer falou, implorando para ele não ir. –
Fica, por favor.
–
Não.
–
Zac, que aconteceu? 'Cê tá estranho.
–
Tô é? Posso dizer o mesmo de você.
–
Mas o que eu fiz? – ela disse, chateada. Nunca tinha brigado com o Zac antes.
–
Nada. Eu só quero voltar para o hotel.
O
Zac estava seco no jeito de falar e um pouco agressivo. A Fernanda estava
desesperada já, nunca tinha passado por uma situação como aquela com ele.
–
Zac, por favor. Não faz isso. Me fala o que foi.
–
Eu não quero te atrapalhar com o teu Power Ranger. Pode voltar lá assistir, se
quiser.
A
Fernanda ficou pensando um pouco, relacionou tudo e descobriu o que era:
–
Peraí... 'cê tá assim porque... eu fiquei falando do cara da TV?
O
Zac não respondeu nada, com a maior cara de bravo.
–
Zac, é por isso?
Ele
continuou quieto.
–
Zac, eu não acredito – ela riu. – Ô Zac, você... tá com ciúmes?
–
Eu por acaso disse que tava, Fãr?!
A
Fernanda riu de novo.
–
Zac, fala sério... você pensou sobre isso que você tá falando? Sobre a situação?
Você tá com ciúmes de um cara da TV. Da TV, Zac.
–
Você tá apaixonada pelo cara.
–
Claro que eu tô. Aliás, semana que vem, eu tô embarcando lá para os Estados
Unidos para ir atrás dele e pedir ele em casamento – ela disse, irônica.
–
Não duvido. Ele não é o cara mais lindo do mundo pra você?
–
Zachary Walker, você não pode estar falando sério... Zac! Você tá brigando
comigo por causa do Ranger Vermelho?! – Aí a Fernanda começou a rir muito.
– Zac... olha...
Então a Fernanda segurou as mãos dele, mas o Zac se livrou com força.
A Fer ficou muito puta.
–
Meu, Zac, você é um mimado, sabia?! Cara, como é que pode você estar bravo
comigo por causa de um programa de TV?! Eu te beijei ontem e hoje, garoto! Você
simplesmente esqueceu desse fato? E porra, a gente é amigo! Pensei que a gente
tivesse diálogo!
A
Fernanda ficou parada olhando para ele, esperando uma reação. Mas o Zac era
orgulhoso demais, dava raiva.
–
Tsc – ela saiu.
Quando
a Fernanda abriu a porta do quarto, a Manu e o Taylor estavam conversando e
estava rolando um clima. Ela não podia simplesmente entrar e acabar com tudo.
–
Ai, meu saco peludo... – a Fernanda falou, fechando a porta.
Encostou
na parede e ficou quieta, pensando. Riu, não acreditando que tinha brigado com
o Zac pelo motivo que ele apresentou a ela. Ele apareceu na porta do corredor e
se aproximou. Ficou quietinho olhando para a Fer, com uma mão no bolso e a
outra colocando os cabelos atrás das orelhas. Um tempo olhando para ele também,
a Fer disse:
–
Você acabou de brigar comigo por causa de um cara de mechas loiras que faz o
Power Ranger Vermelho ou foi impressão minha? Não, deve ter sido, não é possível
que você tenha brigado comigo por uma coisa dessas...
O
Zac deu três passos tímidos para poder ficar bem pertinho dela. E abraçou a
Fer pela cintura bem forte, escondendo o rosto no pescoço dela. Respirou bem
fundo para sentir o cheiro da Fernanda e levantou o rosto, apoiando o queixo no
ombro dela, ainda abraçados. Ela o envolveu pelo pescoço, acariciando os
cabelos dele.
–
Zac... – ela disse, sem soltá-lo. – Pra quê eu ia querer um cara que só
tem umas mechas loiras mó podres, sendo que eu tenho um loirásso inteiro muito
mais gostoso e bem mais pertinho de mim?
O
Zac riu. Olhou para ela.
–
Você não concorda? – ela disse.
–
Concordo. Principalmente com o pedaço do "muito mais gostoso".
–
Ai, Zac... essa sua humildade é algo, assim, realmente tocante.
–
É, eu sei.
Eles
estavam abraçados, ele segurando-a pela cintura e ela envolvendo-lhe o pescoço.
–
E agora? – a Fer perguntou.
–
E agora o quê?
–
Eu te abraço e digo "Puxa, amigão, que bom que a gente já se
acertou" – a Fer fez mó voz grossa. O Zac riu muito. –, ou eu te dou
um puta beijo de língua e... deixo rolar?
–
Mmm... nossa, Fãr, eu acho que eu preciso pensar muito antes de responder isso
– o Zac brincou, fazendo a Fernanda rir. – Tô só brincando... Você quem
sabe.
A
Fer sorriu para ele e o abraçou muito forte. Mas muito mesmo.
–
Ai, Zac... que que tá acontecendo entre a gente afinal...? – ela sussurrou.
Ele
se soltou da Fernanda e olhou sério para ela.
–
Não tenho nem idéia, Fãr... Mas eu sei que a sua amizade e a sua boca são básicas
para eu poder viver feliz.
A
Fer riu:
–
Obrigada, Zac. Isso foi muito animador.
–
Tudo bem, eu tava brincando, mas ao mesmo tempo não tava.
–
Entendi.
–
Você acredita em mim, não acredita?
–
Claro – sorrindo.
O
Zac parou de sorrir e ficou sério, como todas as vezes em que ele ia beijá-la.
E foi isso que ele fez. Encaixou a sua boca na da Fer e beijou. Mas a Fernanda não
deixou rolar muito, como as outras vezes, porque a mãe dela podia aparecer ali
a qualquer momento e não ia ser muito agradável.
–
A gente deveria entrar aí? – a Fer perguntou, olhando para a porta do quarto
dela.
–
I don't know... o que 'cê acha?
–
Que sim.
–
Ahm... tudo bem.
A
Manu e o Taylor estavam conversando muito animados, falando umas besteiras e
rindo um monte. Ele tinha adorada a Manu e se sentia mó a vontade de falar
merdas e qualquer outra coisa com ela. O Zac tossiu. Os dois olharam para ele e
a Fernanda.
–
Tay, nós temos que ir.
–
Verdade... – ele disse, levantando. – Já ligou para o Eddie?
–
Ainda não. Mas já tô ligando.
O
Zac ligou para o Eddie, que não demorou muito para chegar. Na hora de se
despedir, o Taylor deu um beijinho na Manu, prometeu que eles iam se ver de novo
e disse que tinha adorado conversar com ela. Ela agradeceu e disse o mesmo. O
Zac deu um beijinho no rosto da Fer, eles entraram na van e foram embora. As
duas foram para o quarto conversarem e contarem uma para a outra o que tinha
acontecido.