CAPÍTULO 9
E a Priscila, coitada... Estava muito perdida. Não tinha nem idéia do
que estava acontecendo com o Zac. Ele andava muito diferente. Nem ligava mais
desesperado para ela, pedindo para ser perdoado, às vezes por uma coisa que ele
nem tinha feito. A Pri já estava muito acostumada com aquilo de não ter de
correr atrás dele, de não ter de se preocupar em procurá-lo porque, com
certeza, ele o faria mais cedo ou mais tarde. As coisas não estavam mais como
antes. Ou seja, o Zac não dependia mais da Priscila para viver. Ele já
conseguia respirar sem pedir a permissão dela. Ela chorava noite e dia por
causa disso. Só queria o Zaquizinho dela como era antes. Só queria o
relacionamento deles como era antes. Antes de ele perceber que entre os dois só
existia sofrimento. E que a Priscila fazia do Zac o ursinho particular dela. Ela
pisava quando queria e amaciava quando queria. Ela só não sabia que até os
ursinhos tomam consciência de vez em quando.
A
Priscila não tinha ido nem à aula aquela manhã. Ficava plantada ao lado do
celular dela esperando tocar, na esperança de ser o Zac. Mas, vendo que ele não
ia ligar mesmo, ela resolveu tentar ligar porque a agonia estava incomodando
demais.
–
Hello? – o Zac atendeu com aquela
voz sonolenta. Sim, ela o acordou de novo.
–
Oi, Zac. É a Priscila.
–
Ah, oi, Pri – olhando no relógio. Sete e meia da manhã.
–
Você tá ocupado?
–
Não muito. Só estava dormindo, mas nada importante... – ele ironizou.
–
Desculpe... se quiser, eu te ligo depois...
–
Agora que 'cê me acordou, fala, Pri.
–
Será que a gente podia se ver hoje?
–
Ah, hoje você quer me ver? – ele disse, rancoroso.
–
Muito – com uma voz completamente angustiada.
Esse
não era o normal da Priscila. O Zac se assustou e ficou preocupado porque, para
ela falar humilde daquela maneira, sem tentar parecer superior e sem levantar a
voz, deveria ser sério.
–
Aconteceu alguma coisa? – ele perguntou.
–
Acho que sim... eu não sei – ela disse, com a voz triste.
–
Você tá ocupada agora?
–
Não...
–
Quer conversar?
–
Quero. Vem aqui em casa.
–
Tudo bem. É tempo de eu me trocar e ir.
–
Tô esperando. Tchau.
Então
ela desligou o telefone. Estava mais aliviada porque iria conversar com o Zac.
Ainda não sabia muito bem o que ia dizer, mas precisava perguntar o que estava
acontecendo.
O
Zac deu um pulo da cama, colocou a primeira roupa que ele viu na frente e correu
pedir para o Eddie levá-lo até a casa da Pri. Desesperado? Ele? Nah...
imagina. Só quando estava quase chegando que ele percebeu que estava usando uma
blusa do Taylor por engano.
–
Valeu, Eddie – ele disse, saindo da van.
–
Take care, kid. This girl is not the best for you, you know what i'm
saying?
–
Eu sei o que é melhor para mim, Eddie. Mas valeu por se preocupar.
–
It's my job.
O Zac sorriu.
–
Você me espera aqui?
–
Claro.
O
Zac sorriu e correu apertar a campainha da casa da Priscila. A mãe dela atendeu
e ficou muito feliz ao ver que era o Zac, mesmo ele estando com uma cara de sono
terrível e um tanto descabelado. A Dona Mãe da Priscila não agüentava mais
ver a filha chorando pelos cantos por causa dele. Talvez enfim eles fossem se
acertar.
–
Licença? – o Zac disse, entrando no quarto da Priscila.
–
Entra. Senta aí – ela disse, sorrindo de leve.
O
Zac sentou ao lado dela no pequeno sofá de apenas dois lugares do quarto.
–
E aí? Tudo bem? – ele disse, baixinho.
A
Priscila demorou um pouco para responder, mas respondeu:
–
Não.
–
O que foi, Pri? O que eu fiz dessa vez?
–
Nada. E é exatamente esse o problema.
Ele
sabia do que ela estava falando. Abaixou a cabeça e não disse nada.
–
Zac. Você não gosta mais de mim?
–
Gosto, claro que eu gosto!
–
Então o que tá acontecendo?
Ele
levantou para andar um pouco.
–
Eu não sei direito. As coisas estão meio confusas para mim ultimamente.
–
O que que tá confuso? O que que mudou?
O
Zac ficou meio receoso de falar. Só olhou para ela, pedindo que ela adivinhasse
para que ele não tivesse de dizer em voz alta.
–
É a Fernanda, não é?
Ele
olhou para baixo.
–
Não é, Zac?
–
É sim.
A
Priscila ficou puta, não precisa nem dizer. Ela fez uma cara de ódio e começou
a gritar um monte de coisas, num inglês misturado com português, que o Zac
entendia nada. Ficou muito brava mesmo e quando isso acontecia, ela não
costumava querer esconder ou disfarçar. Começaram a escorrer umas lágrimas
dos olhos dela, mas ela continuou gritando. O Zac pegava uns "That
bitch" e "I knew!"
nos meios do gritos dela, mas só.
–
Pri, Pri, calma... pára de gritar, por favor.
A
mãe da Priscila escutava os gritos da filha e fechou a porta do seu quarto para
não ouvir mais. É claro que ela ficava muito triste com aquilo. Era a filha
dela.
–
Eu não acredito que é a Fernanda o motivo de você estar me ignorando! – a
Priscila gritou.
–
Pri, calma. Por favor.
A
Priscila parou de gritar, limpou os olhos e ficou olhando para ele com a mesma
cara de ódio de antes.
–
Pri... eu tô sendo sincero com você. Leva isso em consideração, tá?
A
Priscila estava com os braços cruzados, olhando para ele, quieta.
–
Eu... eu não sei o que eu tô sentindo – ele explicou receoso.
A
Priscila ameaçou começar a gritar de novo, mas o choro não deixou. Ela
escondeu o rosto nas mãos, caiu sentada no sofá e começou a chorar muito. O
Zac sentou ao lado dela e tentou abraçá-la, mas a Pri se livrou.
–
Sai... – ela disse.
–
Eu ainda gosto de você. Muito. Mas eu não agüentava mais você brigando
comigo por tudo. A gente não parava de discutir. Era 24 horas! E a Fãr... bom,
ela sempre estava ali, do meu lado, me consolando, me ajudando... E isso
aproximou a gente ainda mais.
–
Mas... por quê?! E daí que ela te ajudava?! E daí que ela é sua amiga?! EU
sou a sua namorada! Você pode ter uma amiga e uma namorada sem ficar confuso,
porra!
–
Eu sei, mas... – Ele respirou fundo. – você nunca estava lá quando eu
precisava. Nunca. Parecia que... que você só queria brigar e discutir e ficar
separada de mim... E a Fãr não. Eu sentia que ela gostava de estar comigo. A
gente conversava muito, ela fazia eu me sentir bem. Enquanto eu chorava por sua
causa, a Fãr estava segurando a minha mão. E era você que devia estar lá
comigo. Não era, Pri? – o Zac explicou com todo o carinho do mundo. Ele não
queria brigar porque não andava no clima para isso.
–
Mas como eu ia segurar a tua mão e te consolar, se a gente estava brigado?!
–
Esse é o problema. A gente sempre estava brigado. Ou seja, você nunca estava
comigo.
–
Então 'cê veio conversar comigo por quê, se ela é bem melhor do que eu?!
–
Porque eu ainda gosto de você e não sei o que eu tô sentindo direito.
–
Mas eu não vou ficar esperando você se decidir, querido – a Priscila disse,
sarcástica. – É bom você pensar logo.
–
Pri, por favor.. tenha um pouco de paciência. Você não pode querer exigir de
mim agora total atenção sendo que na hora que eu precisei você não tava nem
aí! – ele aumentou o tom de voz.
A
Pri ficou pensando um tempo.
–
Zac... eu... eu amo você. Você sabe disso, não sabe?
–
Sinceramente, Pri? Não sei, não.
–
Eu sei que eu sou meio brigona. E que eu discuto por tudo. É só o meu jeito.
Mas eu amo você mais do que tudo no mundo.
–
Você nunca tinha me dito isso, assim – ele sorriu.
–
Assim como?
–
Tão sincera.
–
É o meu jeito, Zac. Eu não sou de ficar falando como você faz.
–
Eu também não sou de ficar falando. Mas acontece que eu gosto de você.
Ela
não disse nada. Silêncio.
–
Você ficou com ela?
O
Zac sabia que essa perguntar apareceria. Ele tinha a esperança de não, mas
seria muito ingenuidade dele achar que a Priscila não perguntaria isso. Ainda
mais ele dizendo tão claramente que achava estar gostando da Fer.
–
Fiquei, Pri.
Ela
fechou os olhos. Doía demais ouvir aquilo.
–
Mais de uma vez?
–
Yeah...
–
Quantas vezes?
–
Não sei dizer, mas...
–
Quantas, Zac?! – ela gritou.
O
Zac não queria falar.
–
Eu... eu não sei.
Mas
o número não parava de martelar na cabeça dele: 3 beijos daqueles meio de
amigos e 3 vezes com intenções. Você vai chegar ao número 6, se você for
bom de cálculos.
–
Você gostou? – a Pri perguntou, já quase chorando de novo, mas desta vez,
com muita raiva.
–
Pri, por que você quer saber essas coisas?
–
Responde.
Ele
deu aquela pausa antes de dizer o que a Priscila mais temia ouvir:
–
Gostei.
–
Sai daqui, Zac.
–
Pri...
–
Vai embora, por favor... – já chorando, de cabeça baixa.
–
Pri, por favor, eu...
–
Zac, sai agora.
–
Mas eu queria conversar...
–
Conversar sobre o quê?! Hein?! Eu não quero saber mais!! A Fernanda deve ser
boa mesmo, né Zac?! Pra te fazer esquecer assim tão rápido da sua namorada!!
Que que ela fez, Zac, hein? Deu pra você? Foi isso?! Mas isso eu também faço,
porra! O que tem de diferente na Fernanda?! Eu odeio essa infeliz!!
A
Priscila estava vociferando. A voz dela saía tremida de nervoso e mágoa e as
palavras completamente agressivas. Dava para entender as razões dela, afinal,
ela amava demais o Zac. E ele estava triste também e muito, porque, mesmo com a
Fernanda no meio de tudo, ele ainda gostava muito da Pri. Mas ele não sabia o
que fazer. Logo ele estaria deixando o Brasil e não tinha idéia de como ia
fazer para resolver aquela situação.
–
Pri, eu... eu não queria que as coisas acontecessem assim, eu juro. Eu não
queria te machucar.
–
Mas machucou! Olha, Zac, no momento, eu não quer nem olhar pra você! Vai logo
embora porque eu tenho mais o que fazer! Eu devia ter ido para a aula, ao invés
de ficar aqui preocupada com você e com a gente... Pensando num relacionamento
que já tá inteiro fudido.
O
Zac não falou mais nada e saiu do quarto da Priscila. Quando ele fechou a
porta, ouviu a Priscila aos prantos, perguntando-se coisas em português que ele
não conseguiu entender.
–
Shit – ele sussurrou.
Foi para a van e, em
silêncio, o Eddie voltou para o hotel. Ainda era cedo, umas nove horas, e o
Taylor e o Isaac continuavam dormindo. O Zac entrou no quarto e foi direto para
a sacada. Eram problemas demais rodeando a cabeça dele. Estava tudo muito
confuso. Ele precisava se acalmar porque a vontade que ele tinha era de sair
quebrando tudo. Pensou na Fernanda, mas ela estava na aula naquele momento. Então
recorreu ao seu mais eterno esconderijo. Ascendeu um cigarro e fumou tranqüilamente,
confirmando ainda mais sua fraqueza de um garoto de 14 anos.
...
A Fernanda chegou em
casa para o almoço e já correu ligar para a Manu. Elas tinham combinado de
passar a tarde juntas, já que a Fer não tinha nada para fazer e ainda estava
com saudades da amiga.
–
Então tá, Manu. A gente se encontra na frente do shopping. Tchaus.
A
Fernanda saiu de casa, fechou a porta e tocou o telefone. A Mariliz atendeu e
era o Zac.
–
Puxa, Zac, ela acabou de sair. Ela saiu com a Manu e volta só mais tarde –
ela disse no inglês precário dela que o Zac entendeu.
–
Ah, ok. Thanks.
Ele desligou puto,
porque queria ter pego a Fer em casa. Ele tinha que contar para ela o que ele
tinha decidido. Estava ansioso, não parava quieto no quarto, andava de um lado
para o outro, relembrando a conversa com a Priscila. O Zac estava sentindo-se
muito culpado. Pela primeira vez, ele quis ir embora do Brasil.
A
Fernanda e a Manu estavam andando pelo shopping, dando umas risadas básicas, se
divertindo muito. Quando essas duas se juntavam para falar besteira, nossa, não
tinha quem segurasse. Elas falavam demais e só coisas nada aproveitáveis.
Já
a Priscila estava em casa, deitada em sua cama, chorando bastante. A mãe dela
até tentava consolá-la, mas aquele não era um caso que iria passar apenas com
algumas palavras de conforto. A Pri estava profundamente magoada e sabia que,
desta vez, ter um ataque de frescura, ou fazer um dos seus showzinhos, não ia
trazer o Zac de volta, como costumava trazer.
O
Taylor apareceu lá no quarto para a alegria do Zac. Ele precisava falar com
alguém, pedir uma opinião externa sobre se o que ele pretendia fazer em relação
àquela situação toda era mesmo o melhor. Não sei se o Taylor seria o mais
indicado para fazer isso, porque ele era meio tranqüilão, bem daquele tipinho
"siga o seu coração" e "o que você decidir, eu vou te
apoiar". Mas ainda assim, ele dizia umas coisas muito certas, daquelas que
você acha que ele tirou de algum lugar e que realmente te ajudam. Porém, ele
ainda achava que:
–
Você já conversou com a Pri, Zac. Agora fala com a Fãr também.
...
Era mais ou menos umas seis e meia da tarde quando a Fernanda chegou em
casa. A Mariliz não tinha chegado ainda. A Fer trocou de roupa e deitou no sofá.
O telefone tocou.
–
Alo?
–
Oi, filha, tudo bem?
–
Oi, mãe. Onde 'cê tá?
–
Pra isso que eu liguei. Sua vó passou mau hoje à tarde e estou indo levá-la
ao hospital.
–
É muito sério? – ela disse, preocupada.
–
Agora já está tudo bem. Eu vou ter de dormir com ela porque eu não quero deixá-la
sozinha, então cuide da casa pra sua mãe e vê se não faz bagunça.
–
Belê.
–
Convida a Manu pra dormir aí, só para você não ficar sozinha.
–
Aê! Beleza, mãe.
–
Então cuide-se. Um beijo.
–
Tchau, mãe.
A
Fernanda colocou o telefone no gancho e só faltou soltar fogos de tão feliz
que ela ficou. Não que ela tivesse curtido a idéia de a avó dela estar
doente, mas é que ela amava ficar sozinha em casa. Então ela lembrou do Zac.
–
Faz tempo que eu não vejo ele...
Não
tinham se visto aquele dia inteiro, por isso a Fer já sentiu falta. E o Zac
estava sentindo o mesmo lá no hotel, ainda mais porque ele estava desesperado
para falar com ela.
–
Zac, tenta ligar de novo – o Taylor disse.
–
Mas eu acabei de tentar e ela não estava em casa.
–
Tenta, por favor. Aí você pára de bater nas coisas e me deixa ler em paz.
Quando
o Zac estava nervoso, ele via bateria em tudo. E ficava batucando, fazendo uns
barulhos meio irritantes, porque ele batia forte e o som saía alto.
–
Alo? – a Fer atendeu.
–
Oi, Zac. Tudo bem? – toda feliz.
–
Será que a gente podia se ver agora?
–
Claro. Eu tô sozinha aqui em casa, se quiser vir aqui...
–
Beleza. Vou falar com o meu pai e tô indo.
–
Tá. Tô esperando. Tchau.
O
Zac desligou e foi direto para o guarda-roupas escolher algo diferente para
vestir.
–
Pra quê vai colocar outra roupa?
–
Porque eu quero.
–
Mas tá bom assim.
–
Eu vou conversar com a Fãr, Tay. Não quero ir com essa roupa podre.
–
Desde quando DKNY é podre?
–
Taylor, acho que tão te chamando lá embaixo – ele disse, se enchendo.
O
Zac procurou, procurou e acabou pegando uma camiseta meio justa verde musgo de
gola v, um colete preto por cima e uma calça jeans. E é claro, os óculos básicos
dele que depois do clip If Only, ele não deixou mais de usar. Tudo bem que
estava de noite, mas só para dar um tchan no visual.
Correu
falar com o Walker que quase não deixou o Zac ir, mas ele encheu tanto o saco,
que conseguiu a permissão. O Zac correu pedir para o Eddie levá-lo e eles
foram para a casa da Fernanda. Chegaram no prédio, o Eddie interfonou, o Zac
desceu, subiu e o segurança ficou lá, esperando por ele.
–
Oi, Zac, entra aí – a Fernanda disse, abrindo a porta.
Ele
deu um beijinho no rosto dela de oi e entrou.
–
Tá tudo bem? 'Cê tá com uma cara – ela disse.
–
É que eu queria muito falar com você.
–
Ah, beleza. Senta aí que eu vou só ligar uma música.
A
Fer pegou o Cd dela do David Coverdale. E colocou Love
is blind, a música preferida dela. O Zac já sentiu aquela vontade de estar
com a Fer, mas conseguia controlar. Não era algo arrebatador, mas sim suave, de
um carinho forte que aflorava-lhe na pele, deixando-o completamente caidinho
pela Fer. Então veio à cabeça como era com a Priscila. Ele sentia algo louco,
muito forte que dificilmente ele controlava. Nossa, totalmente diferente...
–
Você não disse que odiava o Mickey? – ele disse, referindo-se ao camisetão
que ela usava.
Ela,
que colocava o Cd no som, apenas olhou para trás e sorriu. O Zac ficou
observando-a. De camisetão bem largo, listrado branco e azul, do Mickey,
abrindo a caixinha do Cd com o maior cuidado por ser o álbum do David Coverdale,
o seu cantor preferido. Ele sorriu. A Fer estava incrivelmente linda naquela
noite. Ele não sabia explicar o que havia de diferente no sorrisão alegre que
ele já estava tão acostumado a ver, no jeito de ela colocar o cabelo embolado
na altura da nuca porque incomodava no rosto, nos movimentos de coçar atrás da
perna com o dedão do outro pé... A música começou a tocar baixinha, bem
suave... Para ele, estava todo um clima naquela sala. E não podia porque não
era assim que ele queria conversar com a Fer, morrendo de vontade de estar com
ela.
–
E então? – ela disse, sentando no chão, mais para frente do sofá que ele
estava sentado.
O
Zac saiu do sofá e sentou de frente para ela no chão também.
–
Bom, Fãr... eu... eu queria falar com você sobre as coisas que andam
acontecendo.
A
Fernanda só levantou a sobrancelha, entendendo do que ele estava falando.
–
Eu... eu conversei com a Pri hoje, Fãr. – Ela não disse nada. – E... bom,
eu contei pra ela o que...
A
Fernanda interrompeu na mesma hora:
–
Você contou que a gente estava ficando?
–
Contei.
–
Zac... mas... putz!
–
Eu não podia mais mentir pra ela, Fãr. Sei lá, eu gosto da Pri.
A
Fernanda ficou olhando séria para ele, não conseguindo disfarçar muito bem o
quanto aquele comentário incomodou.
–
O que mais que você disse pra ela?
–
Bom, eu... – Ele passou a mão pelos cabelos. – Merda, eu não sei como
conversar disso com você.
–
Por que não? Você não falou com a Priscila, que eu imagino ser o mais difícil?
Então fala pra mim também, ué, que sou sua amiga e vou entender.
–
Acontece que é mais difícil falar pra você do que pra ela.
A
Fernanda enrugou a testa.
–
Eu gosto da Pri, Fãr. Eu quero continuar com ela – ele disse, sério.
–
Você chegou a essa conclusão?
–
É, cheguei.
–
Se é o que você quer, eu te apoio, Zac.
–
Desculpe, eu não queria...
–
Imagine, Zac. Esquenta, não. Eu tô na boa. A gente é amigo, não é? Então
– ela disse, sorrindo.
–
Você jura que não está chateada comigo?
–
Claro que não. Imagine. Eu só quero que 'cê faça o que você achar ser o
melhor pra você. Fazendo isso, você já ganha o meu apoio. É meio automático
– ela brincou.
O
Zac sorriu e abraçou a Fer bem forte, sentado mesmo. Ela ficou meio sem jeito e
se soltou um pouco rápido. Quando eles se afastaram, se olharam nos olhos
profundamente, como sempre acontece quando você termina de abraçar alguém.
Então o silêncio. E a música prevalecendo, suave... O Zac sentiu aquela
vontade de novo, só que mais forte. E olhou para a boca da Fer. Ela já sabia o
que ele queria.
–
Nem pense nisso, Zac.
Ele
riu e olhou para baixo.
–
Bom, Fãr, então é melhor eu ir embora, né?
–
Você quem sabe.
O
Zac levantou e arrumou a camiseta que estava meio abarrotada no bumbum.
–
Valeu por entender. E desculpe aparecer assim, só para falar esse bando de
besteiras.
–
Imagine.
Ela
o levou até a porta, ele a abraçou e desceu. A Fernanda fechou a porta e foi
sentar no sofá, um pouco atordoada. A música estava no repeat... As lágrimas começaram a brotar nos olhos da Fernanda e,
então... ela começou a chorar. Mas chorar muito. E socava o sofá com força
enquanto as lágrimas caíam. A dor apertava o coração da Fernanda, forte,
fazendo a garganta doer e esmagar o choro engasgado, misturado com uma angústia
enorme. As coisas nunca pareceram estar tão erradas.
O
telefone tocou:
–
Alo? – a Fer atendeu com a maior voz de choro.
–
Fê? Ô 'miga, que que aconteceu? Por que 'cê tá chorando? – a Manu disse,
preocupada.
–
Ai, Manu... vem pra cá, por favor... – a Fer falou, chorando.
–
Me considere aí já. Tchau!
O
Zac e o Eddie ainda estavam na frente do prédio da Fernanda, dentro da van,
conversando.
–
Kid... are you sure about Priscila? Is she that you really want?
–
Eu não sei, Eddie. Quer dizer, eu acho que ela é a que eu devo gostar. Eu
magoei ela demais... eu não podia ter feito o que eu fiz. Ter deixado as coisas
com a Fãr passarem da amizade.
–
Essas coisas não são nunca nossa culpa, Zac. Se não fosse para acontecer nada
entre você e a Fãrnanda, simplesmente não teria acontecido. E eu acho que, se
você se apaixonou assim pela Fãrnanda, é porque o seu coração já estava a
procura de alguém que realmente te entendesse e fizesse bem pra você. A
Priscila não faz isso, faz kid?
–
Não... eu acho que não...
–
Então.
–
Agora, quando eu terminei de contar para ela o que eu tinha decidido, me deu um
puta arrependimento, sabia?
–
Claro. Porque não era isso que você queria fazer.
Então
a Manu desceu de um carro e entrou correndo no prédio da Fernanda. O Zac ficou
olhando ela entrar e a viu passando reto pelo porteiro e entrando logo no
elevador, mesmo o coitado do homem se matando de gritar para que ela voltasse e
se identificasse.
–
Nossa, a Manu? O que será que aconteceu para ela chegar assim, com tanta
pressa? – o Zac perguntou em voz alta, olhando pela janela.
–
Quem é ela? – o Eddie perguntou.
–
A melhor amiga da Fãr.
–
Quando chamamos o nosso melhor amigo urgente para vir à nossa casa, qual é o
motivo?
–
Quando... – o Zac pensou um minuto. Olhou para o Eddie. – estamos tristes e
precisamos conversar.
–
Exatamente.
–
Eddie, ela tá triste... merda! Eu deixei a Fãr triste! Ai, mas eu sou um
idiota mesmo! – o Zac batia em sua própria testa. – Eu juro que não
queria, Eddie. Putz, como eu sou escroto!
–
Talvez você devesse falar com ela, Zac... hoje ainda. E retirar aquilo que você
disse.
–
Não... eu não posso, Eddie. Eu gosto da Pri.