CAPÍTULO 7
Dia
seguinte, a Priscila estava deprimida em sua casa, esperando pelo Zac dar notícias.
A mãe dela já não sabia mais o que dizer para tentar confortar a filha.
Os
compromissos do Hanson diminuíam cada vez mais. Estavam marcando entrevistas
apenas para enrolarem porque já tinham feito o necessário no Brasil, mas o
empresário e o Seu Walker queriam que eles ficassem lá mais um pouco para que
as vendas continuassem aumentando.
As
coisas estavam indo bem para o Zac. Sentia que estava muito melhor em relação
a Priscila porque havia aprendido a lidar um pouco com aquele sentimento forte
que ele tinha por ela. Tudo porque a Fernanda tinha aparecido para dar uma mãozona
para ele. Ele vinha pensando muito na Fer e na conversa que tivera com o Taylor.
Era realmente verdade, o Zac sentia-se muito melhor com a Fer. Mas claro que a
obsessão pela Priscila continuava lá, dentro dele. A diferença era que agora
ele enxergava que o prejudicava.
Logo
que a Fernanda acordou, se trocou e foi descer tomar café com eles. Quando
entrou no restaurante e viu aquelas mesas, no plural, cheias de comida dos mais
variados tipos, ela não conseguiu esconder a surpresa:
–
Gente, acho que a gente perdeu o café. Já tão servindo o almoço.
O
Zac só ria da Fer...
–
Zac, tem batata assada naquela mesa ou é impressão minha?
–
É, tem sim – ele disse, rindo.
–
Mas o que aconteceu com o bom pão com manteiga e café com leite? A globalização
já atingiu até mesmo as refeições?
Depois
disso, a mãe da Fernanda foi buscá-la porque, como era Domingo, era dia de
sair com o pai dela. O Walker já arranjou umas coisas para os filhos fazerem à
tarde, então não teve tanto tempo para ficar com saudades. O Zac até
encontrou com a Priscila nos estúdios da vida e eles ficaram bem de novo.
Passaram a tarde todinha grudados. O Taylor ficava olhando o Zac com aquele
olhar de reprovação, mas não dizia nada. Querendo ou não, a vida era do Zac.
Ele quem decidia.
A
noite era da Fernanda. Sempre. A família Hanson já tinha combinado de irem
todos os parentes que estavam por lá à churrascaria novamente, de tanto que
eles tinham gostado. Aproveitando isso, o Zac pediu para o Walker deixar a Fer
dormir lá de novo. Teve de implorar um pouquinho, porque o Walker gosta da família
reunida, mas acabou deixando de tanto que o Zac encheu. Ela estava com o pai
dela, então só foi chegar ao hotel quase onze horas. Passou pelas fãs com a
ajuda do Eddie e correu para dar oi para o quarto do Zac. Estava só ele.
–
Fãr! Oi! – ele disse, abraçando-a.
–
Tudo bem com você?
–
Não podia estar melhor – sorrindo.
–
Que bom!
–
Entra aê.
A
Fernanda entrou, deixou a mochila no sofá, colocou o pijama dela de ursinhos e
sentou ali no chão com o Zac. Só que quando ela sentou, do nada, ela ficou
olhando para a barriga dela, por cima da blusa, quieta.
–
Tá doendo? – ele perguntou, olhando para ela.
–
Não – ainda fitando a barriga. – Putz que o pacheco.
–
Que que foi?
–
Tô mo gorda, cara.
–
Ahm... – pausa longa. – Ah, 'cê
tá um pouquinho só, não acho que seja grave.
A
Fernanda olhou para ele com aquele olhar assassino.
–
Zac, não enche!
–
Mas o que foi que eu disse?!
–
Você me chamou de gordona!
–
Fãr, foi você quem falou isso primeiro!
–
Eu posso! Você não!
–
E eu disse que você tá só um pouquinho gordinha. E não gordona!
–
Aahhh! Você disse de novo!
–
Não, você fez de novo!
–
O que eu fiz de novo?!
–
Disse que eu disse uma coisa sendo que eu não disse!
–
Disse sim!
–
Whatever... – ele disse, já rindo.
Silêncio.
–
E você também tá gordo – a Fer falou.
–
Eu?! – ele exclamou, beeeeem espantado.
–
Nossa, que horror, né? O Zac gostosão, gordo? – irônica.
–
Eu não estou gordo!
A
Fernanda pegou na barriga dele e ficou segurando um pneuzinho básico.
–
Fãr, solta a minha gostosura! – ele riu.
–
Gostosura? Pra mim isso é um Firestone disfarçado.
–
Imagine... eu não tenho pneus.
–
Claro que não. Você tem verdadeiros botes salva-vidas aí.
–
Tem gente que gosta, beleza? Aliás, tem muuuuita gente que gosta.
–
Eu imagino, Sr. Potência.
–
Nenhuma garota resiste ao Zaczão aqui. Elas são apaixonadas de verdade.
–
Ou cegas de verdade, vai de ponto de vista.
O
Zac pegou uma almofada e deu na cara da Fernanda, mas levinho, para não
machucar.
–
Ah, é assim?? Então sente só!
Ela
começou a fazer um monte de cócegas nele, até o Zac implorar para ela parar.
–
Então admita que você é gordinho!
–
Eu não sou, não!
–
Seu cocô!
A
Fer aumentava as cócegas.
–
Fãr, pára, HAHAHAHAHA!!
–
Admita, Zac!
–
Tá bom, tá bom, eu sou gordinho! Eu admito!
Aí
a Fernanda parou.
–
Só de raiva não vou te contar uma coisa que eu vi você fazendo de noite, lá
na sua casa, quando eu dormi lá – o Zac disse.
–
O que eu fiz? – ela estranhou.
–
Não vou te contar.
–
Zachary Walker Hanson da Silva Escatamatiu Pinto! Fala agora!
–
Fãr, faz seguinte, desce lá pedir por uma cama extra enquanto eu coloco o
pijama, tá?
–
Zac, primeiro me fala.
–
Quando 'cê voltar eu te conto, prometo.
A
Fernanda não acreditou muito naquilo, mas resolveu ir. Saiu, desceu na
portaria, mas aí lembrou do sofá que tinha no quarto. "Ah, eu durmo lá
mesmo..." , ela pensou.
Então
entrou no elevador de novo. Já no primeiro andar, o elevador parou e um cara,
de uns 20 anos mais ou menos, perguntou:
–
Desce?
–
Não, sobe – a Fer disse, olhando para o cabelo verde do garoto. Ela achou
estranho.
O
garoto entrou no elevador e, quando fechou a porta, ficou um clima estranho,
anormal para os elevadores, que sempre são tão comuns. Entra gente, sai
gente... básico. Mas a Fernanda começou a estranhar aquele ar pesado. O cara
virou o rosto para a Fernanda e ficou olhando para ela, fazendo ela se encolher
no canto, receosa. Ele começou a se aproximar mais, até que estava
praticamente em cima dela. E a Fernanda começou a ficar com medo. O garoto
colocou a mão na perna dela, mas a Fernanda foi mais para frente, para se
livrar. Mas ele deu um passo e pegou na cintura dela. A Fer estava com muito
medo, só queria que o elevador chegasse logo no andar do quarto para sair dali.
Ela não conseguia reagir, não conseguia dizer nada porque estava em pânico. O
garoto insistiu e a puxou com força, tocando os seios da Fer muito rápido. Mas
o elevador parou no andar seguinte, apitou alto avisando que tinha parado no
andar, a setinha acendeu e o cara soltou a Fer, tudo em segundos. Uma mulher
entrou. A Fernanda estava muito nervosa, ela tremia muito, com os braços
cruzados, os olhos cheios de lágrimas e aquele medo dentro dela massacrando a
coragem dela de gritar bem alto, de socar aquele homem bem forte, de pedir ajuda
para aquela mulher.
O
andar da Fernanda chegou e ela começou a chorar de raiva, de nojo, indo para o
quarto do Zac. Ela chorava e passava as mãos pelo corpo como se tentasse se
limpar, tirar as mãos daquele cretino que pareciam estar nela ainda, tocando
ela, deixando ela em pânico. Aquilo não passava, aquela sensação que pesava
na Fer de que ela havia sido violada.
Entrou
no quarto, o Zac já estava de pijama.
–
Oi, Fãr. Deu tudo certo lá com o...
O
Zac parou de falar quando viu a Fernanda chorando, batendo os dentes, esfregando
as mãos em seu corpo, chorando alto, afligida, com raiva.
–
Fãr?! O que aconteceu?! – se aproximando dela, desesperado.
–
Um cara... no elevador... ele, ele... ele me tocou, Zac.
–
O quê? Como assim, Fãr?
–
Ele pegou em mim. No elevador – se olhando, como se tivesse com nojo de si
mesma. – Zac, eu tava sozinha...
Aí
a Fer começou a chorar mais ainda e o Zac abraçou ela bem forte.
–
Eu tava sozinha, Zac. Ele não podia.
Uma
raiva maior do que a da Fer, maior do que a minha e maior do que a sua subiu no
Zac e ele sentiu que poderia bater no mundo inteiro pela Fernanda. Ela estava tão
pequenininha nos braços dele, se encolhendo toda, chorando e tremendo,
assustada. Ele odiou de morte o homem que encostou nela. O Zac precisava fazer
alguma coisa.
–
Pra onde ele foi?
–
Desceu.
–
Então vem.
O
Zac puxou a Fernanda pela mão, eles pegaram o elevador e desceram até o térreo.
–
Tá vendo ele por aqui?
Ele
não soltava a mão da Fer de jeito nenhum. Parecia que queria protegê-la.
–
Acho que... – a Fer ficou olhando ao redor.
A
portaria estava vazia, só os funcionários do hotel estavam por ali. Um
aproximou-se para saber se podia ajudar. O Zac estava tão nervoso que só
disse:
–
Estamos procurando alguém.
–
É ele, Zac. Lá ó – a Fer apontou para um garoto meio magro, um pouco mais
alto que o Zac.
–
Aquele de cabelo verde?
–
É.
O
Zac soltou a mão da Fernanda e foi caminhando em direção ao garoto, louco da
vida, puto, nervoso, com aquela ira que te deixa capaz de matar. Cutucou o
garoto pelas costas e, quando este virou, levou um soco na boca com muita força.
A Fernanda ficou olhando de mais longe e correu para perto quando viu a reação
do Zac.
–
Desgraçado! Você encostou na Fãr! Na minha Fãr! Ela tava sozinha, seu filho
da puta!
O
cara do cabelo verde estava com um olhão arregalado, levando um soco atrás do
outro vindos do Zac, sem entender nada. Estava com muita raiva. Quando o cara
estava caído no chão, o Zac meteu um chute na barriga dele.
–
Quem é você, mano?! – o cara gritava no chão, tentando se defender. Mas não
adiantou muito porque o Zac pegou ele pela gola da camisa e continuou batendo.
Os
funcionários ficaram assustados e ninguém tinha coragem de tomar uma atitude.
A Fer amou ver aquele garoto apanhando. Aquela sensação boa de vingança tomou
conta dela. Ela sabia que não era certo se vingar, mas ela estava pouco de
ferrando.
–
Moça, pelo amor de Deus, faz o seu amigo parar – a faxineira, que também
assistia, disse.
Só
então a Fernanda se ligou que se não parasse o Zac, ele ia matar aquele cara
de tanta porrada que ele estava dando.
–
Zac, Zac! Pára!
Logo que viram que o
Zac estava se acalmando, os funcionários aproximaram-se para segurá-lo. O
garoto de cabelo verde levantou, assustado, limpando o sangue que escorria do
nariz. Mas não adiantaria, porque ele também escorria da boca e do supercílio.
–
Zac, calma... – a Fer disse, abraçando ele pelo pescoço, por trás.
–
Meu, quem é você? – o garoto de cabelo verde e, agora, praticamente
desfigurado, disse em português.
–
Você tocou na minha amiga, seu escroto! – o Zac gritou em inglês, sem
entender o que ele falava.
–
Você tá falando do elevador?! – disse em inglês. – Meu, eu não fiz nada
de mais! E daí se eu peguei um pouquinho? A garota estava se oferecendo!
Ele
ia terminar de falar, mas o Zac se soltou da Fernanda e dos funcionários e deu
mais um soco nele.
–
Olha como você fala da Fernanda, you
asshole!
–
Mas o que está acontecendo, afinal? – o homem da portaria, que só assistia
até ali, perguntou.
A
Fernanda contou para ele com um pouco de vergonha. O acusado admitiu como se o
que tinha feito tivesse sido motivo de grande orgulho. Foi o maior rolo.
Chamaram os pais do garoto e no fim, eles eram de uma família importante que
tinham vindo de Brasília para tratar de negócios. Medidas foram tomadas com os
pais do verdinho e ele foi "condenado" a um tratamento psiquiátrico,
pois não era a primeira vez que tentava alguma coisa com meninas no elevador.
Isso também foi ele quem admitiu. O pai do garoto ficou puto da cara, morrendo
de vergonha do filho, e pediu desculpas para a Fernanda, prometeu que iria
trancar o garoto no quarto e todas essas coisas educadas que um pai decepcionado
pode dizer para tentar amenizar o estrago. Até entendeu por quê o Zac bateu
nele. A Fernanda não estava mais chorando, mas umas lágrimas nervosas caíam
às vezes.
–
Vem, Fãr, vamos subir – o Zac falou, abraçando ela pelos ombros.
No
elevador ficou aquele silêncio. A Fernanda olhou para o Zac, sorriu e abraçou
ele pela cintura. O Zac apertou ela bem forte contra ele e apoiou o queixo na
cabeça dela. Aí ficou pensando... nossa, nunca tinha sentido algo assim antes.
Uma raiva como aquela por alguém, aquela revolta por terem feito a Fer chorar,
por terem tocado nela, alguém que não soube lidar com a sua sensibilidade, com
o interior lindo que fazia da Fernanda uma das pessoas mais especiais da vida do
Zac. "Mais especiais da minha vida..." – ele repassou esse último
pedaço.
Eles
estavam bem quietinhos. O elevador chegou no andar deles, eles saíram de mãos
dadas e entraram no quarto. O Zac trancou a porta e foi sentar ao lado da Fer
nas almofadas, no chão.
–
Are you ok? – ele perguntou depois
de um tempo, olhando para ela.
–
Yeah...
Silêncio.
Ele segurou a mão da Fer de novo e ficou brincando com os dedos dela.
–
Eu... – ela respirou fundo para não chorar. – Mulher é fresca, né?
Qualquer coisinha já tá chorando – disse rindo de leve, tentando disfarçar
um pouco o choro entalado.
O
Zac sorriu suavemente.
–
Eu preciso dizer uma coisa, mas eu não tô conseguindo – a Fernanda disse,
sem olhar para ele.
–
Take your time – o Zac sussurrou,
ainda segurando a mão dela.
A Fernanda respirou mais uma vez, tentou se acalmar e quando
achava que já conseguia falar, tentava dizer só o começo, mas o choro coçava
na garganta dela. Aí ela parava mais umas vezes, respirava... foi assim atééé
que ela conseguiu começar a falar.
–
Eu tô tentando falar que... que nunca ninguém fez por mim o que você fez
hoje. Nunca se importaram tanto assim comigo. Só a minha mãe, mas essa nem
conta, né? – ela brincou e o Zac sorriu. Falava pausadamente por causa do
choro. – E... e... – respirou mais uma vez e finalmente o olhou nos olhos.
– Quando você me abraçou, aquela hora no elevador, foi como se você tivesse
feito tudo passar... O meu nervosismo, a minha vergonha... Tudo, sabe? E eu vi
que era isso que você queria. Fazer eu me sentir melhor – ela sorriu e umas lágrimas
escaparam. – 'Brigadão, Zac. Mesmo.
You're the sweestest.
Ele
sorriu o sorriso mais meigo que alguém poderia sorrir no planeta. A Fernanda
achou aquilo lindo, mas não queria chorar mais. Para ela, choro atrapalhava
tudo. Então ela abraçou o Zac porque, além de ser o que ela mais queria fazer
no mundo naquele momento, ele não a veria dando mais umas choradinhas de novo.
–
De nada, Fãr.
Aí
ele abriu um pouco mais as pernas e ela se encaixou ali de lado, deitando todo o
seu corpo no Zac, permitindo que ele a abraçasse inteira. Ele ficou fazendo
cafuné no cabelo dela, bem devagarinho, fazendo de tudo para ela se sentir
melhor. Na verdade, a Fernanda já estava muuuuito melhor, mas ela não queria
sair dali. O Zac fazia ela se sentir protegida, segura, coisa que ela jamais
tinha experimentado nem mesmo com os mais importantes namorados que ela tivera.
Tudo bem que ela não teve muitos porque a Fer não era exatamente uma Gisele
"Bintchin", mas ela tinha uma noção básica de meninos que ela ficou
e tal.
–
Você tá bem mesmo? – ele insistiu.
–
Tô sim, Zacky. Obrigada – levantando o rosto para olhá-lo.
Nesse
momento, os rostos deles ficaram pertinho, pertinho. O Zac ficou olhando para a
boca dela, olhando o rosto dela... e a Fer também, analisando aqueles lábios
carnudos do Zac, só pensando em como ia ser se eles se beijassem naquele
momento. Em como ia ser perfeito. O beijo do Zac era tão bom... ela ficou
lembrando disso e deu uns arrepiozinhos.
–
Que foi? – o Zac perguntou, sussurrando, sobre o pulinho que ela deu.
–
Deu um arrepio agora.
–
Por quê? – ele sussurrou de novo.
–
Eu acho que... pelo mesmo motivo que você.
–
Mas eu não senti arrepio.
–
Então tá me olhando assim por quê?
O
Zac levantou o canto da boca dele, mostrando um sorrisinho leve. Ele entendeu
bem o que ela estava dizendo.
–
Eu queria... fazer aquilo de novo agora – ele falou.
–
Mas você já fez três vezes. Por que tá pedindo só agora?
–
Porque agora eu queria muito que você também quisesse.
A
Fer sorriu, segurou o rosto dele e puxou, fazendo as bocas se encaixarem. Dessa
vez, foi tudo mais devagar. O Zac deu uns beijinhos primeiro, puxou o lábio
dela suave por um tempinho... Eles ficavam só virando o rosto, encaixando e
desencaixando as bocas, puxando os lábios, tudo muito lentamente. O Zac colocou
a mão dele no pescoço dela e abriu bem a boca, colocando a língua dele sem
pressa, movendo-a suave para a Fer acompanhar, bem do jeitinho como ela sempre
quis que fosse. Então ele sentiu vontade de tocá-la, de senti-la de verdade e
desceu as mãos pelo corpo da Fer, pelas laterais, sutilmente, até chegar a sua
cintura. E a apertou contra ele. Ela desceu as mãos pelo tórax do Zac até as
pernas dele e as acariciou com vontade, rentes a virilha, deixando o Zac
louquinho. Mordeu o lábio dele sem fazer força. Nossa, ela sempre quis fazer
isso. Então ele a beijou com mais intensidade, mostrando que tinha gostado.
Subindo as mãos pela cintura, apenas apoiando uma das mãos nos seios dela. Mas
na mesma hora, tirou e parou de beijá-la:
–
Fãr, me desculpe. Eu... – sussurrou preocupado.
A
Fer sorriu:
–
Você pode.
–
Tem certeza?
–
Tenho. Eu tô me sentindo bem agora. Como se... tivesse fazendo o certo.
Entende?
–
Entendo. Porque eu tô me sentindo do mesmo jeito.
Ele
sorriu e a beijou de novo. A medida que o beijo foi ficando intenso de novo, ele
sentiu-se à vontade de tocar os seios da Fernanda. E tocou. Eles se beijavam
devagar, bem lentinho, sem pressas e correrias (como costumavam ser os beijos de
amigos dos dois).
–
Eu gostei muito disso – ele disse, depois que o beijo terminou.
–
Que estranho... – ela disse.
–
Por quê? – com aquela carinha interessada em qualquer coisa que a Fer fosse
dizer.
–
O dia começou legal, aí ficou horrível e agora... ficou bom de novo.
O Zac sorriu, mas ficou sério logo, mostrando que ia beijá-la
mais uma vez. E beijou, com a mesma delicadeza de antes, sentindo cada reação
que vinha do corpo da Fernanda e cada arrepio que ela manifestava. A febre que
ele sentia na pele dela era o que o Zac mais gostava. Deixava-o estimulado e o
beijo se tornava mais intenso. Eles estavam encostados no sofá, meio caídos,
sentados no chão. O Zac apoiou a mão na perna dela e foi subindo pela barriga
por debaixo do moletom do pijama dela de ursinho, tocando-a, então, nos seios
devagarinho. Ela estava sem sutiã. A Fer não sentia-se incomodada, pelo contrário.
Sentia prazer. E era gostoso estar com o Zac daquele jeito, tão íntimos. Ela
começou a beijar o pescoço dele todo, uns beijos fortes, que arrepiavam o Zac
inteiro, fazendo-o firmar mais o toque na Fer, embaixo do moletom.
Depois
de mais um tempo de beijo, eles se soltaram e ficaram se curtindo. Ela deitou no
colo dele e conversavam baixinho enquanto a Fer brincava com uma mexinha do
cabelo do Zac.
–
Mas então... – ela disse. – Você ainda não me disse o que eu fiz lá em
casa de noite, quando 'cê dormiu lá. Me conta o que é.
–
Ah é mesmo... eu tenho que te falar... – Ele já começou a sorrir maroto.
– Eu te vi me espiando no meio da madrugada, Dona Fãrnanda.
Ai.
Cocô. Ele tinha visto. A Fernanda levantou do colo do Zac com tudo, morrendo de
vergonha, com a mão na boca, querendo morrer.
–
Você viu?? Como que você viu se você estava dormindo?!
–
Eu não estava.
–
Ai... – batendo na testa com tudo.
–
Tá encanada por quê?
–
Porque até umas horas antes, a gente era amigos. Cara, 'cê deve ter se achado
um monte, né?
–
Ainda tô me achando.
–
Esquece, filho. Lembre-se que você já admitiu que você é gordo.
–
Tão gordo que você ficou babando paradona lá, na porta do quarto, na sua
casa, né? – ele sorriu, convencido.
–
Eu não tava babando!
–
Não, 'magina. Você só quase desidratou de tanto que babou.
–
Zac, não enche!
–
Mas é verdade! – querendo rir.
–
Ai, mas tu é escroto mesmo, hein? Eu fui só dar uma olhadinha, oras.
O
Zac riu, puxou a Fer e beijou ela de novo. Bom, assim foi até a hora que a família
chegou. Quando eles ouviram barulho no corredor, levantaram correndo, deram mais
um beijinho e deitaram rapidinho.