CAPÍTULO 6

                A Priscila logo cedo ligou para o celular do Zac, como ela sempre fazia. Mas desta vez, quem ela acordou foi o Taylor, que estava dormindo profundamente e sonhando com a Marion, a mais nova namoradinha dele. Mas ele era um menino instável quando tratava-se de mulher. Logo, logo ele desencanava da M2M morena e partia para outra. Bom, mas a Priscila... Então, o celular do Zac estava no criado-mudo, ao lado da cama do Tay. Ele foi acordando devagarinho quando ouviu uma musiquinha logo ali, no ouvido dele. O Zac amava adaptar os toques do celular dele.

  Putz, Priscila... hoje é Sábado, dá um tempo – ele disse, antes de atender. – Hello? – o Taylor atendeu, morrendo de sono.

– Zac?

– Não, Taylor.

– Ah, oi Tay. O Zac tá aí?

– Oi, Priscila... Tá dormindo – ele disse, olhando em volta. – Em algum lugar, mas está dormindo.

– Ah... certeza?

            O Taylor se recusou a responder aquilo.

– Vai deixar recado? – ele falou, sem a menor paciência.

– Nossa... sempre que eu ligo aí essa hora ele já tá acordado.

– Não, é você acorda ele. Por que você não experimenta ligar um pouco mais tarde, hein?

            O Taylor realmente odiava quando acordavam ele de bobeira.

– Bom, talvez eu ligue depois.

– Posso te dar um conselhinho?

– Pode.

– Se você quer manter a sua relação com o Zac feliz, pára de ligar de manhã cedo.

– Ah... tá – ela ficou sem o que dizer.

– Tchau. – Ele desligou o telefone. – Garota chata... – virando e dormindo de novo.

...

 

                Na casa da Fernanda, o Zac acordou um pouco mais cedo. A Fer levantou com umas conversas vindas da cozinha. Chegando lá, era o Zac e a Mariliz tentando conversar uns assuntos meio bobos sobre o clima, enquanto ela preparava um café bem potente para o Zac. Ele estava com o cabelo molhado porque tinha tomado banho. A Mariliz emprestou para ele toalha, shampoo e uma cueca de seda do pai da Fernanda que estava lá. "Pode ficar", ela disse para ele.

– Bom dia, gente... – a Fer disse em português mesmo.

– Fer, que bom que 'cê chegou. Eu não tava entendendo nada do que ele estava dizendo – a Mariliz falou.

– Calma, cheguei pra salvar a pátria – ela brincou, completamente sonolenta.

– Bom, eu vou pro escritório analisar uns processos, mas qualquer me chama – a Mariliz disse, saindo.

Good Morning – o Zac cumprimentou.

Hey, dude... Beleza?

            A Fernanda sentou toda jogada.

– Certeza que 'cê já acordou? – o Zac perguntou.

– Ahan... é que eu não funciono muito bem de manhã.

– Ah... – ele riu.

            Eles foram comendo e conversando. O Zac não podia demorar para voltar para o hotel. Logo o Eddie estaria lá para buscá-lo.

– Mas e aí? Dormiu bem? – ele perguntou.

– Normal... – Ela o olhou um tempo. – Por que 'cê tá rindo? – observando a malícia no semblante dele.

– Nada.

– Se não fosse nada, você não estaria com esse sorrisinho. Que que foi?

– Não foi nada – o Zac disse, sorrindo do mesmo jeito malicioso.

– Fala, menino! Que que foi?

– Nada, Fãr. Não posso rir agora? – ainda rindo.

– Cínico...

            Silêncio.

– Mas você dormiu bem mesmo? – ele voltou a perguntar com o mesmo sorrisinho.

– Zachary Walker! Que qui é, garoto??

            Ele soltou uma gargalhada. É claro que o Zac não ia falar que viu a Fernanda espiando ele no meio da noite, mas não significava que ele não iria se divertir com aquilo.

– Você tá cheirando shampoo de mulher – a Fer tentou provocar.

– Você está querendo atingir a minha masculinidade por causa do shampoo que eu usei na sua casa? Fer, eu esperava mais de você. Tsc, tsc...

– Zac, não enche – ela falou segurando o sorriso. O Zac riu e só então, ela sorriu também.

            Não demorou muito, o Eddie passou no prédio da Fernanda buscar o patrão dele. Interfonou, pedindo para ele descer.

– Fala obrigado para a sua mãe porque ela foi muito legal comigo – o Zac sorriu, já na portaria. – Assim como você também foi.

– Imagine, I'm here for you. E ó, aparece sempre. Foi muito legal 'cê ter vindo.

– Foi mesmo. Obrigado de novo, Fãr.

            O Zac se inclinou, sério, fingindo que ia beijar a Fernanda na boca. Ela gelou. Ele começou a rir.

– Calma, Fãr... eu não vou fazer de novo.

Son of a bitch – ela disse, rindo, batendo no peito dele.

            O Zac beijou a Fer no rosto e foi para o carro. Umas meninas que passavam pela rua, usando camiseta do Hanson, ficaram paradas, olhando para a Fernanda, depois que a van saiu. Ela deu um sorrisinho muito sem graça e entrou no prédio correndo.

...

 

                Entrando no quarto do hotel, depois de ter cumprimentado os pais na piscina quando estava subindo para o seu andar, o Zac já foi bombardeado por um monte de perguntas. "Tá melhor?", "Tava legal lá na Fãr?", "Como é que 'cê tá?" e coisas do tipo.

– Tô melhor, 'brigado por perguntarem...

– E a casa dela? Como é que é? – o Taylor perguntou.

– O apartamento é bem pequeno, muito legal. O quarto dela é todo azul – sorrindo, lembrando-se.

– E gostou de dormir lá? Vocês conversaram? – o Taylor perguntou.

– Conversamos muito, foi muito bom... eu tava precisando falar umas coisas pra alguém que andavam entaladas. Nossa, teve uma hora...

            Aí o Zac começou a falar, falar, a contar das risadas e do bando de piadas que eles dois participaram juntos. Ele falava bem empolgado, contava em detalhes, transmitindo aquela felicidade toda para os irmãos com exatidão. O Zac estava, claramente, transformado. Parecia que nunca aquele garoto estava triste e deprimido há algumas horas atrás. O Isaac, que estava meio bravo com ele por ele ter ido dormir na Fernanda, até esqueceu de tanta alegria que o Zac irradiava.

– Eu e o Ike estamos indo lá na sala de musculação. Tá a fim? – o Taylor perguntou.

– Tô. Deixa só eu me trocar...

                Desceram para a sala de musculação, que ficava logo no segundo andar, junto com as outras atrações do hotel. A quadra de squash, bronzeamento artificial, jacuzzi... enfim, todas as futilidades que personalidades importantes consideram como necessidades básicas. Passado um tempo do Taylor no aparelho para definir o abdômen e o Zac no de levantar peso, dos dois lá todos suados, com regatas e shorts curtos, malhando, com os cabelos amarrados, escorrendo suor pelas costeletas, o corpo brilhando de tão molhados que estavam, o Tay começou a querer conversar sobre o assunto principal que rodeava a vida do Zac: a Priscila e, agora também, a Fernanda.

– E então, Zac...

– E então, Taylor... – O Zac sabia que o irmão estava querendo falar alguma coisa.

– Como foi dormir numa casa pequena, sem tanta gente e sem tanto luxo?

– Foi uma das coisas mais legais que eu já fiz na vida, com certeza. E a Fãr é muito manêra também...

– O Ike ficou morrendo de ciúmes ontem... – o Taylor falou baixinho, mostrando ser segredo.

            O Zac riu:

– Sério?

Yep.

– Problema dele. Eu e a Fãr somos só amigos.

– Era exatamente isso que eu ia te perguntar. É só amizade mesmo?

– É, claro.

– Mmm.

– Por quê?

– Sei lá, só para saber. Como 'cês tão andando muito juntos agora, pensei que pudesse estar rolando alguma coisa... – o Taylor disse, decepcionado.

– É impressão minha ou existe um "que pena" invisível no final da sua frase?

– Bom, na verdade, eu estava torcendo para que rolasse, I don't know..

– Por que isso?

– Porque eu queria muito que você desencanasse da Priscila.

            O Zac não amou, exatamente, aquele comentário.

– Zac, toda vez que eu começo a falar disso, você fica puto, but guess what? Eu vou te falar o que eu penso, nem que você comece a espumar de raiva de mim.

– Fala – o Zac disse, meio seco.

– A Priscila te faz mal, Zac. Ela te trata mal, ela faz cú doce o tempo inteiro, ela briga toda hora. É impressionante! Eu nunca vi você feliz pelo simples fato de gostar dela. Aliás, é bem ao contrário, você vive triste pelos cantos porque a Priscila gritou com você no telefone, ou porque a Priscila não acreditou quando você disse que amava ela, ou porque a Priscila... quer dizer, é sempre a Priscila, a Priscila, a Priscila! – O Taylor aproximou-se do Zac para cochichar – Você até começou a fumar por causa dela.

            O Zac olhou para o irmão, sério, pensativo.

– E a Fãr? Como que é com ela? É totalmente o oposto. Hoje, por exemplo. Você chegou com puta sorrisão na cara porque tinha passado um tempão com a Fer, conversando, contou todo empolgado das brincadeiras entre vocês... Quer dizer, vocês conversam. Ela te trata direito, tem paciência com você. E isso não é qualquer um que consegue. 'Cê tem um gênio beeeem foda de lidar – o Zac olhou meio torto para o Taylor, mas nem ficou bravo. – Zac, não tô dizendo que só por isso, você tem que necessariamente ficar a fim dela. Só estou tentando te mostrar a diferença que as duas causam em você.

            O Zac olhava para o chão, pensativo. Nem os pesos ele estava levantando mais.

Bro, pense bem se a Priscila merece tudo isso que você oferece pra ela.

            Silêncio.

– Eu beijei a Fãr – o Zac finalmente falou alguma coisa.

– Beijou? – o Taylor não escondeu a surpresa.

– Duas vezes.

– Duas? Então você tá a fim dela?

– Não. Eu acho.

– Mas beijou por quê?

            O Taylor se acomodou sentado de frente para o Zac, muito interessado.

– Não sei – o Zac começou a explicar. – A primeira vez, a gente estava conversando e, nossa, a nossa conversa estava ficando muito legal. E de repente, me deu aquela vontade incrível de beijar a Fãr.

– Ela correspondeu?

– Foi isso que me deixou, digamos, empolgado para dar o segundo beijo. Ela correspondeu muito. And man... ela beija pra caralho.

– Ela tem cara mesmo...

– Tipo, a gente começou a falar sobre os melhores beijos da nossa vida. Aí ela perguntou se eu achava que eu beijava bem e tal... aí, sei lá, fiquei curioso pra saber como era o beijo dela. Aí agarrei mesmo.

– Mas ela não resistiu nenhum pouquinho?

– Não – o Zac disse orgulhoso, com o maior sorrisão no rosto.

– Woohoo! That's my brother!

            Típico de homem...

– O segundo foi na casa dela. Depois que ela me consolou por causa da Pri e tal, a gente ficou conversando sobre um monte de coisas... Aí me deu vontade de tocar nela, de ficar mais perto, sabe...? Deitei no colo da Fãr. Daí nós fomos jantar, comemos, conversamos mais... e a vontade de ficar próximo a ela, de ficar junto, entende (?), foi aumentando. Até que... beijei ela de novo.

– E ela?

– Beijou também.

– Você acha que ela queria?

– Acho que se ela não quisesse, ela teria me falado com certeza. A gente tem essa intimidade, sabe... – o Zac dizia todo babão e orgulhoso com a amizade dele com a Fer. – Mas eu não sinto vontade de ficar me agarrando com ela, entende? De dar uns amassos daqueles animais mesmo, de transar, como eu sinto com a Pri. Eu adoro conversar com a Fãr, ouvir ela falando as milhares de opiniões dela sobre tudo, do jeito que ela tenta me colocar pra cima quando eu tô meio mau... Nossa, você tem que ver como ela fica quando eu começo a encher o saco dela... ela fala "Não enche, Zac" – ele riu, lembrando-se. – A gente se dá muito bem. Mas juro pra você, Taylor. Eu nunca senti vontade de pegar a Fernanda de jeito e dar uns beijos nela, passar a mão e coisas assim...

            O Taylor sorriu:

– Eu acho que talvez seja exatamente por isso que você possa estar gostando dela. Porque você respeita.

            Nisso, chegou o Isaac. E o Taylor parou de falar porque ele sabia como o Zac odiava falar dos problemas dele na frente do irmão mais velho. Foi bom cortar o assunto um pouquinho porque o Zac precisava digerir tudo aquilo que foi falado para chegar a alguma conclusão.

...

 

                Enquanto o Zac malhava, bem tranqüilo, a Priscila estava na casa dela, chorando ao lado do telefone, esperando o Zac ligar. O Taylor esqueceu de dar o recado da Pri e por isso, provavelmente ela não receberia uma ligação de retorno tão cedo.

– Filha, calma... daqui a pouco ele te liga – a mãe da Pri tentava acalmá-la. Mas não adiantava. Ela chorava demais porque, querendo ou não, ela era apaixonada pelo Zac e sofria muito quando brigava com ele. Na verdade, todos esses problemas que ela tinha em relação a relacionamentos, era devido a separação dos pais, que acontecera quando ela ainda era muito nova. Os pais dela brigavam tanto que ela havia se tornado uma pessoa destrutiva, masoquista, que estava acostumada com o sofrimento e não sabia lidar muito bem com a felicidade. Então, por causa disso, ela não percebia o quanto tinha sorte pelo Zac amá-la como ele o fazia.

– Você gosta muito desse menino, não é filha?

– Eu amo ele mais do que tudo que eu tenho no mundo, mãe... – a Pri falou, chorando.

            Vai ver que a Fer estava certa mesmo. A Priscila tinha um jeitinho um pouco mais complexo de amar o Zac. Cada um é cada um. Por mais que a Pri quisesse mudar, ela jamais conseguiria tratar o Zac da maneira que a Fer tratava, ou seja, carinhosa, paciente, educada, cuidando com as palavras, mas nem por isso não sendo sincera quando precisava... Do mesmo jeito que a Fernanda jamais conseguiria ser com o Zac do modo que a Priscila era. São pessoas diferentes, portanto jeitos de gostar diferentes.

...

 

                Quando a sala de musculação do hotel começou a encher, os irmãos Hanson subiram para o quarto tomarem um banho, se trocarem... enfim. Haveria uma entrevista aquela noite com o Jô Soares, em seu conceituado programa, onde apenas pessoas importantes costumavam ser convidadas a participar. Mas ainda era cedo. Não havia tanta pressa assim para se aprontarem. Claro que o Walker já estava nervoso, fazendo ligações do seu celular e acertando com o empresário alguns detalhes.

– Eu tenho que ligar para a Priscila – o Zac lembrou-se, olhando a hora. – Ela está brava comigo.

– Quero ver o que 'cê vai falar pra ela dessa vez – o Isaac disse, indo para o banheiro. – Não sei como os seu estoque de desculpas não terminou ainda. Um dia você fala que é um imbecil, no outro que não devia ter feito aquilo, aí no outro que é tudo culpa sua, aí no outro que está arrependido...

– Ike, cala a boca. – O Zac estava começando a ficar nervoso.

– Não, é impressionante como a culpa é sempre sua. "Pri, me perdoe por você ter gritado comigo. Pode me matar se quiser. Eu devia ter percebido que você não estava bem aquele dia e parado de respirar pra não te irritar" – o Isaac imitou o Zac.

            O Zac estava indo em direção ao banheiro nervoso, pronto para dar umas bem na fuça do Isaac, quando este fechou a porta rapidamente, fazendo com que o irmão mais novo desse de cara na porta.

– Você é um gay! Por que não abre a porta e fala tudo isso olhando pra mim?! – o Zac gritou chutando a porta.

– Pelo simples fato de que você é maior que eu. Não seria muito inteligente da minha parte abrir a porta e te deixar bater em mim – o Isaac falou com naturalidade, já ligando o chuveiro.

– Zac, eu não sei por quê você se estressa tanto com o Ike sabendo que ele fala essas coisas só para te provocar – o Taylor riu. – E também, o que ele disse é verdade... – O Zac olhou para o Taylor de um jeito tão assassino, que ele chegou a pensar que ia apanhar naquele momento. – Ele só não soube escolher a melhor maneira de te dizer isso.

– Eu amo a Priscila, porra! E aí?! Que que ele tem a ver com isso?! Não vai mudar nada em mim ele dizer ou não o que pensa a respeito!

– Querendo ou não, Zac, ele só tá querendo o mesmo que eu: te mostrar que tem alguma coisa errada entre você e a Priscila. Mas como as pessoas são diferentes, ele tem um jeito de te dizer isso e eu tenho outro.

– Alguma vez eu fiquei me metendo nas galinhagens dele?? Alguma vez fiquei julgando se ele devia ou não comer todas as meninas que se oferecem um pouquinho a mais pra ele do que o normal?! Nunca! Eu acho errado?! Acho! Mas nunca disse nada porque a porra de vida é dele, as cagadas são problema dele!

– Zac, calma... conta até dez. 'Cê tá muito nervoso – o Taylor falou, sentando no chão. – Talvez você devesse falar o que você acha às vezes. Não por vingança ou provocação. Mas porque você se preocupa. O Isaac se preocupa com você, mas como ele sabe que você vai ficar nervoso de qualquer jeito, ele nem tenta conversar com você do jeito mais certo.

– Quando eu precisar da opinião dele, eu peço.

– Bom, eu desisto. Você faz o que você quiser...

– Eu sei disso. – Pega o seu celular. – Vou ligar pra Pri.

– Zac, não liga! – o Isaac gritou do banheiro.

Fuck you! – o Zac rebateu. O Taylor só abaixou a cabeça.

            Discou os números da casa da Priscila. Lá, ela voou para o telefone, se recompôs antes de atender e fez uma voz seca.

– Alo?

– Pri. Oi. É o Zac.

– Oi.

– Acho que a gente precisa conversar, né?

– É? – cínica.

            O Zac suspirou:

– É. Será que a gente podia se ver?

– Não sei.

– Então quando você souber, me liga.

– Tá bom – seca mais uma vez.

– Tchau. – O Zac desligou o telefone. – Here I go again... – apoiando a cabeça nas mãos.

– Zac, pode tomar banho antes – o Taylor falou, entrando naquele ambiente em que o Zac estava.

– Valeu.

                Enquanto o Zac tomava banho, o Isaac ligou para a Fer, convidá-la para acompanhá-los na entrevista daquela noite. Ela aceitou e ficou mais uma vez combinado do Eddie passar buscá-la, já que sozinha ela não conseguiria entrar no estúdio. Com certeza, haveriam muitas fãs e a segurança estaria mais rígida do que o normal.

            Quando a Fernanda tocou a campainha do quarto dos meninos já era bem tarde da noite e eles estavam quase saindo. O Zac atendeu e levou um susto enorme porque não sabia que a Fer estaria indo com eles.

– Fãr! Oi! – ele sorriu, abraçando-a.

– Belezinha, Zacarias?

– Acho que é com você que não está muito bem. Esqueceu meu nome já, crazie?

– Claro que não. Eu só dei uma incrementada.

            O Zac riu.

– Você tá bonita – ele disse, meio sem jeito.

            A Fernanda se matou de rir.

– Que fofo, Zacky!

            Ele coçou atrás da cabeça, mais sem jeito agora.

– Você fica legal de preto.

– Obrigada. Você também tá batuta assim – ela sorriu.

            Aí o Isaac já chegou fazendo aquela festa em cima da Fernanda e o Zac já não gostou. O Taylor também cumprimento-a, claro, só que de maneira mais civilizada. E logo o Walker ligou para o celular do Isaac pedindo para que os três descessem que estava esperando por eles na garagem do hotel.

– Tô com medo... – o Zac disse baixinho para a Fer na van, indo para o estúdio.

– Do quê?

– A Pri. Hoje eu liguei pra ela e, bom, ela disse que não queria me ver.

– Isso é o que ela disse.

– Como assim?

– 'Cê acha realmente que ela não quer te ver, Zac?

– Não sei.

– Pois eu sei. É claro que ela quer. Eu lembro muito bem como ela ficava quando vocês dois brigavam – tentando resumir a conversa. É que a Fer não estava nenhum pouco a fim de falar de Priscila e de frescuras de Priscila aquele dia. Queria mais é aproveitar. Estava tão empolgada com a ida no Jô Soares que não pensava em nada a não ser pegar um autógrafo dele.

– Você acha? – o Zac insistiu.

– Acho, Zac. Você sabe que eu acho. Mas ó, desencana. Tenta aproveitar a noite. Se a Priscila não te perdoar, normal, é a vida, fazer o quê. E manda cheirar dedo sem dó. Pegou o espírito?

O Zac sorriu:

– Acho que peguei sim.

– Woohoo! Gimme five! – Eles bateram as palmas das mãos. – A gente vai ver o Jô – ela falou empolgada.

            Chegando na emissora, o Zac já estava bem melhor em relação ao nervosismo de falar com a Priscila. Era como a Fernanda disse: se perdoar, beleza. Se não, normal, é a vida, fazer o quê. Entraram no estúdio e acomodaram-se. Então o Zac viu a Pri de mais longe. E sentiu aquele aperto, aquela ansiedade, aquele mau estar de quem estava devendo alguma coisa. Devendo explicações.

– Eu já volto – o Zac disse, indo em direção a Priscila.

            O Zac foi até ela.

– Oi, Pri.

– Oi.

– E aí? Decidiu se quer falar comigo ou não?

– Tô ouvindo – ela disse indiferente.

– Será que haveria alguma possibilidade de você me desculpar?

– Tô vendo que a Fer veio com vocês, né?

– É, veio sim. Ela é minha amiga, oras.

– É, eu vi mesmo... não sai mais sem ela, né Zachary?

– Eu gosto da Fãr.

– E por que não vai lá com ela então? Vai lá. Não é dela que você gosta?

            O Zac ficou olhando para a Priscila sério, com os braços cruzados. E aquela frase boba da Fernanda veio a cabeça dele bem naquela hora. "Se perdoar, beleza. Se não, normal, é a vida, fazer o quê".

– É, eu acho que é isso que eu vou fazer mesmo... A Fãr tá animada hoje e eu rio muito com ela quando ela tá assim. Falou.

            Ele saiu dali na maior, certo do que fazia e deixou a Priscila de boca aberta. Ela realmente não acreditava que ele fosse fazer aquilo. Sair daquele jeito, tão superior.

– Oi, como que foi lá? – a Fer perguntou logo que ele sentou do lado dela.

– Como eu esperava.

– Tá muito chateado?

– Um pouco... mas se ela me perdoasse, beleza. Se não, normal, é a vida, fazer o quê.

            A Fer sorriu aquele sorrisão enorme e deu um beijão estalado na bochecha do Zac.

– Finalmente um pouco de atitude aqui, meus amigos – ela brincou.

            Então o Jô Soares entrou no estúdio, falou aquelas piadas dele em frente a camera como todo programa, cumprimentou, conversou com o pessoal do Quinteto, a banda dele... enfim, o básico. Ele também apresentou os convidados:

– E hoje à noite nós estamos aqui com o Hanson.

            Todos aplaudiram. Os meninos foram se sentar com o Jô para serem entrevistados. Fez as mesmas perguntas de sempre, falou do Cd, conversou sobre o que eles estavam achando do país...

– Mas eu vi que vocês não vieram sozinhos hoje – o Jô disse. – Quem é aquela moça bonita que está ali?

– Ah, a Fãr? – o Zac disse.

– Fãr? Hello, Fãr.

– Oi, Jô – ela falou em português, toda tímida.

– Nossa, mas como você fala português bem – ele brincou. Todos riram porque já haviam percebido que ela era brasileira. – Mas você é amiga deles, meu anjo?

– Sou sim.

– Mas então venha até aqui que eu quero falar com você.

            A Fernanda levantou morrendo de vergonha. As pessoas aplaudiram, ela cumprimentou o Jô e se sentou ao lado do Taylor, por última no sofá.

– Vamos falar em inglês porque eu quero que eles entendam – o Jô disse. – Mas me conta, Fãr...

– Pode chamar de Fer, Jô.

– Ah, é Fer? Fernanda?

– Isso. Eles que chamam de Fãr por causa do sotaque.

            Todos na platéia acharam isso muito engraçado.

– Mas que bunitinho – o Jô disse.

– A Fãr é muito amiga nossa. Nós sempre estamos juntos aqui no Brasil – o Taylor disse.

– É mesmo? As fãs devem amar você, não é Fãr? – o Jô brincou, tirando risadas.

            A Fer riu também, ainda sentindo-se desconfortável por causa da timidez.

– Ah, não sei se tem motivo para me odiarem, Jô. Eu sou só uma amiga. Assim como você, eu tem amigos e amigas, eles também tem. Acho que não deve ser visto como "Nossa, concorrência" porque eu sou só uma amiga. Normal.

– E esta foi a "Fãr" e os seus só amigos, como ela mesmo disse, Hanson!

            As pessoas aplaudiram e eles deixaram o estúdio. No caminho para a van, a Fernanda queria morrer:

– Ai, que vergonha, que vergonha, que vergonha. Por que eu não sumi naquela hora?

– Imagine, Fãr. 'Cê até que foi bem para a sua primeira entrevista – o Zac disse.

– Cara, como vocês fazem isso, hein? Meu, é muita pressão. Você ficar exposto daquele jeito e ter de responder a qualquer coisa que a pessoa for te perguntar. Cara, que horror! Que sensação horrível de fragilidade.

            Eles entram na van.

– Ih, Fãr... 'cê acostuma. Imagine como eu não me sentia quando a gente começou. Cara, eu tinha 11 anos. Nem tinha idéia de nada direito.

– Zac, nossa, parabéns. Ô trabalhinho complicado esse de vocês.

            O Zac sorriu. Era um pouco tarde já, meia-noite e meia. No carro, a Fernanda estava elétrica. Não parava de falar besteira, rir um monte e ficar entrando em uns raciocínios bobos com o Zac. Eles estavam viajando muito. Tava engraçado.

– Putz! – o Zac disse, com a mão na testa.

– Que foi, Zac?

            Ele ficou sério de repente, olhando para a Fer.

– Eu não dei tchau para a Priscila.

            A Fernanda não disse nada. Ficou olhando para ele, só ouvindo, sentindo o que era para o Zac não ter se despedido da Pri e saído do programa sem sequer ter acenado de longe.

– E agora? – a Fer perguntou.

– Agora você vai lá para o hotel com a gente porque eu não tô a fim de dormir.

            Nossa, a Fer se assustou muito. Se fosse a algum tempo atrás, o Zac estaria neste exato momento depressivo com a descoberta, ficaria desesperado porque a Priscila deveria estar brava com ele e coisas xaropes do tipo. Era um puta progresso.

– Ahm... mas seu pai deixa? – ela cochichou.

– Pai, a Fãr pode ir lá em casa? – o Zac perguntou para o Walker que estava sentado nos bancos da frente.

– Pode. Eu vou sair com a sua mãe e as crianças. Vocês vão ficar no hotel mesmo? – ele respondeu, desligando o celular naquele exato momento.

– Eu e a Fãr sim. O Ike e o Tay, não sei.

– Eu vou ficar com vocês, Zac – o Isaac disse.

– Eu também – o Taylor falou.

            Eles chegaram no hotel e a Fernanda foi correndo ligar para a Mariliz.

– Dorme aí, Fãr – o Zac disse.

– Peraí, mãe. – A Fer colocou a mão no telefone. – Certeza, Zac?

– Absoluta. O meu pai está de ótimo humor hoje.

– Ahm... tá – sorrindo. – Mãe, vou dormir aqui. Não, não tem perigo. E não, o pai deles não é alcoólatra. Tá, entendi. Me cuido, prometo. Mãe, tô dizendo que não tem perigo. Camisinha?! Quê?! Ai, mãe, cala a boca. Tá. Também te amo. Tchau.

– Deixou?

– Ahan.

– Woohoo! Ó, eu vou me trocar. Vê se segura os seus impulsos e não vai espiar de novo, hein?

– De novo? O que você quis dizer com "de novo"? – ela perguntou, desconfiada.

            O Zac riu e olhou para baixo.

– Zac, que qui é, hein?

– Nada não, escapou o "de novo".

– Escapou da onde? Do que 'cê tá falando? – o Zac continuou rindo. – ZAC! FALA!

– Nada, Fãr, esquece, tá? Agora senta aí enquanto eu vou no banheiro me trocar. Chata – ele brincou. Ela mostrou a língua.

            O Zac voltou de pijama trocado, assim como o Isaac e o Taylor. A Fernanda precisava de um banho.

– Sem problemas. Eu te empresto um moletom, uma calça, toalha tem aí no banheiro a vontade... – o Zac ia explicando.

– Zacky, ahm, tem um problema...

– Que foi, Fãr?

– Calcinha – ela cochichou no ouvido dele.

– Ah... claro, eu devia ter pensado nisso... – Ele chegou mais perto dela para sussurrar. – Você se importa de usar uma cueca minha?

            A Fernanda deu uma gargalhada.

– Fãr, não é piada, filha. É sério!

– Eu sei, mas... bom, tá, serve. – Ela chegou perto para cochichar de novo. – Mas 'cê tem, tipo, aquelas mais justas? É que samba canção não é exatamente uma das minhas preferidas.

– Pode deixar. Que cor 'cê quer? – ele brincou.

– Que cor você tem? – a Fer disse, rindo.

– Pretas, cor de vinho, azuis-marinhos, brancas e uma verde musgo horrorosa que eu ganhei de uma tia minha.

– É essa mesma que eu quero.

– Sério?

– Yep.

– Tuuuuudo bem.

            O Zac foi até seu guarda-roupas e entrou com a mercadoria escondida embaixo da camiseta.

– Faça bom uso.

– Pode deixar comigo.

            Durante o banho, os três ficavam batendo na porta, fingindo que iam derrubar, que iam entrar de qualquer jeito, gritando para a Fernanda abrir. Ela se matava de rir e dava uns berros muito altos misturados com umas gargalhadas piores ainda. Quando ela saiu do banheiro, os três correram para o sofá ver clipes da MTV. Saiu cada comentário... Foi muito engraçado. O Isaac continuava dando em cima da Fernanda, tentando alguma coisa com ela, mas ela levava tanto na brincadeira que até ele próprio já estava começando a acreditar que era mesmo. Já o Zac estava sentindo aquela vontade de beijar a Fer de novo, mas não tinha nem como com os irmãos dele ali. Até que estes foram dormir.

– Fãr...

– Fala, parceiro.

            O Zac fez a maior cara de pidão. A Fer ficou olhando, só tentando entender o que ele queria.

– O que você quer com essa cara, Zachary Walker?

– Ah, 'cê sabe...

– Putz... por que você não fala logo? Aí a gente evita enrolações desnecessárias.

            Ele pensou um pouco e concordou. Então, já que era para evitar enrolações, ele foi logo ao assunto. Puxou a Fernanda e deu um beijão iguaizinhos aos outros que ele deu nela até agora. Do mesmo jeito apressado, afobado, com violência, sem tocá-la e dando aquela puxadinha de lábio no final.

– Imagina, claro que eu queria, você não precisava nem ter perguntado – ela ironizou. O Zac riu muito.

– Desculpe. Eu fiz de novo, né?

– É, fez. Mas tudo bem, não esquenta, não porque eu já tô acostumando.

Nisso o Walker chegou do passeio e bateu no quarto deles pedindo para que eles fossem dormir. Eles obedeceram, claro. O Zac deu mais um selinho nela de boa noite e deitaram. Haviam pedido uma cama daquelas dobráveis que trazem no quarto, para a Fer poder dormir.

- - > Capítulo 7

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