| Referências Históricas sobre a Família |
| A antiguidade da Família GUIDUGLI é confirmada por numerosos atos notariais que, de modo mais ou menos direto, já a mencionam a partir da segunda metade do século XIV. Independente do que se sabe acerca da origem do sobrenome, o primeiro documento histórico que oferece um testemunho inequívoco sobre a presença da Família na Garfagnana, é um ato da Chancelaria do Bispado de Lucca, datado de 23 de junho de 1361 (1). No documento em questão se fala de um certo Azzetto del fu Orsuccio, da localidade de Verni, município de Gallicano, e de sua mulher Vezzosa, que decidem tornar-se "convertidos" ("conversi"), isto é, praticar a vida religiosa como membros laicos da Igreja, junto à "cella" "Sancte Marie Martiris", uma instituição eremítica local, hoje conhecida como Eremitério de Calomini, no município de Vergemoli (Prov.Lucca). Entre as propriedades que os dois cônjuges oferecem ao Eremitério se encontram uma casa e um vinhedo situados em Verni, os quais - diz o documento - confinam com as propriedades de um certo Pucio Benencase e com aquelas dos descendentes do mestre Guidugli di Gallicano ("...bona heredum magistri Guidugli de Gallicano possessionem..."). O termo "mestre", neste caso, deveria significar uma qualificação profissional, talvez a de artesão ou de mestre de arte ("maestro d'arte"). Durante os séculos XIV-XVII surgem diversas informações sobre os Guidugli que residem na Garfagnana, sobretudo no âmbito dos atuais municípios de Gallicano e de Molazzana, graças à substancial documentação hoje conservada junto ao Arquivo de Estado de Lucca (2). Expoentes da Família comparecem entre os administradores das duas antigas comunidades e frequentemente entre os legisladores ("statutarii") das mesmas cidades, como na ocasião da redação do código civil ("ordinamento civile") da Comunidade de Molazzana, em 7 de março de 1663 (3). Entre os 25 homens nomeados pelos habitantes de Molazzana para a redação de seu estatuto comunal, nada menos que 5 pertenciam ao clã Guidugli e seus nomes são estes: mestre Giovanni di Santino Guidugli, Nicola di Vincenzo Guidugli, Martino di Agostino Guidugli, Carlo di Filippo Guidugli e Giovanni di Agostino Guidugli, todos de Molazzana. Outros representantes da dinastia ocuparam cargos de um certo prestígio durante os séculos XVI-XVIII; alguns deles exerceram a função de tabeliões, outros deles a de sacerdote ou de religioso. Entre os tabeliões recordamos Antonio Guidugli (cujos atos vão de 1652 a 1709); Giuseppe Guidugli (1666-1709); Luca Guidugli (1657-1672); Giovanni Sante Guidugli (1686-1715); Giovanni Ranieri Guidugli (1753-1805) e Nicolao Antonio Guidugli (1767-1771) (4). Os sacerdotes e os religiosos são frequentemente nomeados nos documentos luqueses dos séculos XVII-XVIII como, por exemplo, nas atas da Visita Pastoral, realizada por um representante do Bispo de Lucca às igrejas e instituições religiosas da Garfagnana nos anos 1683-84. Durante tal inspeção, só na paróquia de Molazzana, se encontram os nomes de 11 sacerdotes e 2 clérigos, todos pertencentes à Família Guidugli; outros Guidugli, pertencentes ao clero local, acham-se vinculados ao oratório de Montaltissimo (Molazzana) e à igreja paroquial de Antisciana (Castelnuovo di Garfagnana). Alguns deles - se diz - moram "in patria", isto é, em Molazzana e em Antisciana, no Estado dos Duques d'Este ("Ducato d'Este"); outros, ao invés residem "fuori patria", isto é nos Estados italianos limítrofes (5). Sob o governo Estense destacou-se também Filippo Guidugli, nascido em Antisciana em 1809, de Antonio Guidugli e Barbara Lorenzi. Filippo se fez célebre por haver comandado, primeiramente com o grau de tenente, depois como major, o "Corpo dei Pionieri" do duque Francesco IV. Faleceu em Modena aos 13 de maio de 1896 (6). |
| Texto de Amedeo Guidugli |
| Notas: (1) Archivio Arcivescovile di Lucca, Libri antichi di Cancelleria, vol.67, c.147r. - 1361, giugno 23; vol.24, c.17 - 1364, settembre 29. (2) Archivio dei Notari, divs.vols. (3) Archivio di Stato in Modena, Cancelleria ducale; Guidugli A., "Gli statuti della Comunità e della Vicaria di Trassilico", em "Le Apuane" Rivista di cultura-storia-etnologia, Massa, anno XX (maggio 2000), n.39, pg.39 e ss. (4) Archivio di Stato di Lucca, Notai della Garfagnana. (5) Biblioteca Statale di Lucca, ms.3228, cc.93r. e ss. (6) Rossi A., "Garfagnana illustre - Dizionario biografico", Bergamo, 1970, p.253. |
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