Final da Guerra do Paraguai

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       Os sobreviventes paraguaios, que viviam em Assunção no tempo em que Madame Lynch se encontrava prisioneira, estavam todos ansiosos para vingar todos os sofrimentos a que foram submetidos. Eles fizeram uma petição, dirigido ao Governo Provisório e às autoridades militares brasileiras, para que ela fosse entregue às autoridades locais para ser julgada por tribunal paraguaio, mas o pedido foi recusado, assim como outro pedido dirigido também aos militares brasileiros, assinado pelas mulheres que sobreviveram a catástrofe paraguaia. Nesse abaixo-assinado, foram citadas todas as crueldades cometidas e os sofrimentos que tinham passado sob as ordens da amante de López, denunciavam que tinham sido obrigadas, sob sugestão de Madame Lynch, a entregar todas as suas jóias para ajudar na defesa do país, mas na realidade elas não tiveram esse fim e sim para, tão somente, único e exclusivo benefício da própia Madame Lynch e de seus filhos. Imploravam para não permiti-la a deixar o país com o produto de seus roubos, depois de ter assassinado seus maridos, irmãos, pais e filhos.
       Um ano antes da evacuação de Assunção por sua população, em fevereiro de 1868, Madame Lynch, prevendo a derrota de López, se engajou em comprar muitas das mais valiosas propriedades de Assunção. Quando ela manifestava o desejo de adquirir alguma propriedade, os proprietárias não tinham outra alternativa a não ser aceitar os seus termos imposto por ela. Para aquisição desse imóveis, geralmente pagava em papel moeda paraguaia, que tinha muito pouco valor, ou talvez nenhum, na eventualidade da queda de López. Quando fazia uma proposta para aquisição de um imóvel o proprietário não podia recusar, ela tinha poder para puni-lo em caso de recusa. Assim, essa barganha não era mais que um confisco da propriedade, em benefício dela própia. Sob esta circunstância, o Governo provisório, não podia tomar outra providência do que declarar sequestrado toda propriedade que Lynch mantinha em seu nome no Paraguai. Ambos, o governo e a população, tentaram duramente descobrir o que ela tinha feito com o dinheiro e jóias que havia recolhido como esforço de guerra, mas prudentemente ela tomou cuidado para que o produto de seus roubos saíssem discretamente do país e, em nenhuma circunstâcia, pudesse voltar para seus reais donos.
       Assunção, por esta época, era amontoado de ruínas. A cidade havia sido abandonada quase um ano e meio antes de sua captura pelos brasileiros e, por este tempo, muitas das casas mais humildes foram completamente destruídas pelas frequentes chuvas e outras mais ricas se deterioraram pelo abondono. Depois da ocupação pelos brasileiros, cujos hábitos são notoriamente desleixados, as condições dessas habitações pioraram; muito pouco eles fizeram para conservá-las em ordem e limpas, adicionado a destruição causadas pela erosão do tempo, foi aumentada pelos desleixos dos soldados que não se importavam com as condições dos imóveis.
       O mais triste e melancólico espetáculo foi representado pela mulheres paraguaias, que havendo escapado de López foram para capital na esperança de obter comida. Elas eram meros esqueletos e se encontravam tão exaustas e em situação tão miseráveis, que ao chegar na capital mal conseguiam andar, muitas completamente nuas. Mesmo as mulheres mais consideradas e respeitáveis vinham do interior para a cidade se arrastando, em estado deploráveis de perfeito nudismo, caminhando através das ruas sem nenhum senso de vergonha ou pudor. Este fato, talvez, seja uma prova irrefurtável, mais do que qualquer outra, do estado a que chegou esse povo, causados pelo terríveis sofrimentos que suportaram. Não importa quanto o povo seja ignorante, sujos ou brutais, mas as mulheres sempre procuram se cobrir. As paraguaias que escaparam do exército de López e vieram para Assunção, em muitas delas não foi deixado nenhum traço desse sentimento. Elas foram tocadas, por muito tempo por cruíes militares, através das florestas, montanhas, sem nada para comer, a não ser frutas selvagens e alguns pequenos animais que conseguiam caçar, mesmo os mais repulsivos de se ver; eram acoitadas com varas, mortas por lanças, caso retardassem seus passos e até o último farrapo de roupa lhe eram arrancado. Com a mortandade em sua volta, junto com a desesperança, elas se tornaram indiferentes a tudo, como ao pudor ou vergonha, e quando foram se arrastando para Assunção, as suas aparências contavam toda história das misérias que elas suportaram.


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