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Folclore de Guarujá - Inha Ninha
Fonte deste Texto: Giffoni, Maria Amália Corrêa
Danças Miúdas do Folclore Paulista -
PORTAL FOLCLORE BRASILEIRO
Conhecida, também, a grafia
Nh'aninha, e encontramos referencia a Sinh'Aninha.
Os cantadores da
Praia do Tombo, no Guarujá (S.P.), ao entoarem os versos que acompanham a
dança, parecem pronunciar lá-Ninha (ou láninha) e encontramos o seu
registro em Bertioga como Inhá-Ninha, embora a grafia mais em foco e geral
seja Nhá-Ninha ou Nhaninha.
Esta dança de roda é relacionada entre
as danças dos municípios gaúchos, paranaenses, paulistas e fluminenses do
litoral, com predominância na região chamada da ubá, pelo tato dessa
embarcação ser utilizada pelos pescadores para transportar a rede que traz
os peixes para a praia. Faz parte do Fandango.
Como integrante do
Fandango praiano de Itanhaém, foi mencionada pelo pescador Sebastião das
Dores, lá residente desde 1930.
Uma das características comuns à
Inhá-Ninha, mencionada por A. Maynard Araújo e por nós verificada, são os
versos cantando o amor. Parece ser esse sentimento o tema poético
único.
Quanto à forma coreográfica, manteve-se quase inalterada nos
16 anos que decorreram entre a observação daquele autor, feita em 1954 e a
nossa em 1970.
Em Itanhaém, Alceu Maynard observou o bate-pé
intenso dos cavalheiros, enquanto as damas zarandeavam graciosamente.
Verificamos o mesmo, se bem que, na coreografia por nós observada
recentemente no Guarujá, antes desta figura os dançadores progredissem no
círculo, cada par de mão dada, e as mulheres executassem um giro sob o
próprio braço, antes de começar o seu "zarandeo", simultâneo ao sapateado
dos homens.
Outro detalhe digno de nota é que a Nhá-Ninha, em
Iguape, era dançada de forma valsada, sendo incluída entre as danças do
Fandango Valsado, enquanto a maneira de executá-la mencionada em Itanhaém
obriga a sua inclusão entre as danças batidas ou rufadas, pelo intenso
bate-pé apresentado.
Para dar idéia da configuração atual da
Inhá-Ninha no Guarujá, a descreveremos resumidamente: Dançadores se
dispõem em círculo, um em seguida ao outro, damas e cavalheiros
alternados, pares se defrontando. Dão-se a mão direita e assim progridem
durante certo tempo. A seguir, a dama gira sob seu próprio baço e os
dançadores iniciam o sapateio dos homens e o "zarandeo" das mulheres. As
damas, leves e graciosas, movem-se defronte do seu cavalheiro, ficando ora
de frente, ora perpendicular a ele, movimentação essa denominada, pelos
dançadores de Praia do Tombo, 'meia-lua".
Seguram lateralmente as
saias, amplas e franzidas, em que a chita estampada se rivaliza, em
destaque, com a graça que as mulheres conseguem fazer brotar de seus
movimentos, embora, na maioria, sejam envelhecidas precocemente e sem
trato.
No sapateio a maioria dos homens apoiava os pés, com toda
planta, alternados, no chão, obedecendo ao ritmo. Alguns, mais hábeis,
improvisavam, utilizando ponta e calcanhar do mesmo pé, ou arrematavam a
frase musical com sucessivas batidas de calcanhar e outros saltavam para o
ar e caíam sobre os pés, sempre na cadência.
Quanto às damas, a
maioria executava a "meia-lua", se bem que notássemos algumas
movimentarem-se apenas unindo um pé ao outro. Aliás, zarandear equivale a
dançar com graça e leveza, o que conseguiam com sucesso, como pudemos
constatar, embora deslocando-se de uma forma ou de outra.
Sabe-se
que muitas das danças do Fandango praiano de Cananéia foram vistas
executadas, de forma idêntica, em Itanhaém. Não é de se estranharem as
semelhanças entre a Nhá-ninha do Guarujá com a de Itanhaém, mesmo
sabendo-se que a modalidade guarujaense teve origem em São Sebastião,
conforme depoimentos que recolhemos na ocasião. Com referência à forma do
Guarujá, chamamos a atenção para um detalhe: o "zarandeo" das damas e o
"passo-une-passo", à semelhança do "paso doble", lembram a origem
espanhola de muitas danças rio-platenses, praticadas por brasileiros do
sul do País, sobretudo gaúchos.
Queremos mencionar, ainda, que a
lá-Ninha ou Inhá-Ninha só foi dançada por alguns moradores da Praia do
Tombo, depois de grande insistência de nossa parte. Assim mesmo, apenas
três pares dela participaram, porque poucos sabiam executá-la. Talvez há
algum tempo não a relembrassem em conjunto.
Temos referência da
presença da Inhá-Ninha em Bertioga e acreditamos que com coreografia
bastante semelhante à forma guarujaense.
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