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Folclore de Guarujá - Dança do Caranguejo
Fonte deste Texto: Giffoni, Maria Amália Corrêa
Danças Miúdas do Folclore Paulista -
Portal do Folclore Brasileiro
Com esta denominação se conhece,
também, uma cantiga de roda, acompanhada de gestos que os versos
determinam, e que constitui a alegria da criançada. O de que vamos tratar
aqui é uma ciancinha executada por adultos, e que, além da gesticulação
indicada no estribilho, inclui outras figuras e versos, sendo inteiramente
acompanhada de canto.
O Caranguejo é das danças mais divulgadas no
Brasil e de grande penetração no século XIX, tendo sido mencionada no
início daquela centúria pelo francês Freycinet, que a considerou imoral,
pelas características então apresentadas.
A forma que observamos
recentemente (1970), no Guarujá, mostra-se interessante. Apresenta duas
fileiras que se defrontam, aproximam-se e recuam, lembrando a Quadrilha,
como acontece com o Caranguejo em algumas áreas gaúchas.
Notam-se,
ainda, as tradicionais batidas de pés e de mãos, além de giros enlaçados,
em que a dama e o cavalheiro permanecem em diagonal e não frente a frente
como é comum. É esta versão que apresentamos, detalhadamente, abaixo,
fazendo-se acompanhar de canto.
Em Bertioga, na modalidade
conhecida há algum tempo, dama e cavalheiro se alternavam numa
roda. Todavia, a coreografia gaúcha do Caranguejo é indiscutivelmente a
mais rica.
Em algumas localidade rio-grandenses-do-sul é vista em
filas opostas, porém, na maioria delas a disposição em círculo é
predominante, observando-se reverências, "balancê", isto é, giro do par de
mãos dadas, e as habituais batidas de pés e mãos. Em determinado momento,
há troca de lugar com par diferente, acompanhada de "castanholas" com os
dedos. Além da variedade coreográfica, causa espécie a solenidade com que
os pares se cumprimentam ou trocam de lugar, dando ao Caranguejo o aspecto
de dança grave, o que nos parece não ocorrer nas modalidades vistas em
outros Estados.
Apesar do Caranguejo incorporar-se ao Fandango
batido, e apresentar habitualmente batidas de pé, na forma conhecida em
Itanhaém um pé, depois outro, intercalado com palmas, bate levemente no
chão. No Caranguejo guarujaense, que descrevemos, não se nota a
alternância dos pé nas batidas, apenas o direito se encarrega delas. Em
Parati, onde os giros continuam presentes na coreografia do Caranguejo,
ele fazia parte até 1962, da Ciranda, sendo das danças mais
antigas.
Foi também registrado entre as danças do Fandango do
litoral norte do Estado de São Paulo, em pesquisa de caráter oficial,
feita em 1960, à qual já nos referimos. Já mencionado, igualmente, no
Fandango de Itanhaém. Talvez se possa atribuir a grande divulgação da
dança Caranguejo, encontrado no Fandango de toda a região sulina e visto
com freqüência no litoral paulista e fluminense, à importância que esse
crustáceo tem na alimentação das populações praianas. Há indivíduos que
fazem profissão da caça do caranguejo, tal é o consumo. Pelo baixo preço,
é mais acessível que o peixe, tomando-se habitual nas mesas pobres. Há
caranguejos tanto de água salgada, como de água doce notando-se, ainda, a
sua presença em determinadas plantações. Deles são conhecidas várias
espécies, fatos que justificam a sua freqüência e popularidade,
provavelmente estendidas à dança de igual nome.
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