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As 1000 horas Lembro de quando decidi que precisava de um simulador de vôo para meu computador. Saí por lojas e mais lojas de informática a procura de um simulador de vôo, porém da maneira que eu pedia nenhum vendedor sabia o que oferecer. "Não não, esse aí é só um jogo de guerra, eu quero aquele simulador que é realista, simula um vôo de verdade!" E nada. Eu, claro, não conhecia na intimidade o Flight Simulator (nem mesmo seu nome eu sabia!). Até que, um dia, me venderam um CD com diversos jogos e simulatores compactados em arquivos zip. Eu ia descompactando um a um na esperança de encontrar aquele maravilhoso programa que eu havia conhecido na casa de um colega. Infelizmente não encontrei, porém me deparei com um simulador que me agradou, apesar de tudo. Era o Jet Fighter II, um antiquado simulador de combate. Porém, sem o Flight Simulator, era o que de melhor eu tinha para voar, e eu não tinha Joystick. O controle dos aviões dispensava o uso de compensador durante o vôo, era só soltar os controles que os computadores da aeronave a mantinham na atitude que certa, a não ser que ela estolasse, claro. Quando finalmente trouxe para casa o Flight Simulator 6.0, e o instalei com uma incontrolável impaciência, achei que me daria ao menos relativamente bem com a pilotagem, visto que já era capaz de "vestir" qualquer um dos aviões do Jet Fighter II. Porém não foi bem assim, e o maior culpado foi o compensador de vôo, com o qual eu não estava nem um pouco habituado. A diferença de controle era tanta que eu não conseguia manter a subida como queria, não conseguia manter um vôo nivelado e evidentemente não conseguiria pousar! Mas uma coisa consegui com perfeição em meu primeiro vôo no FS6. Crash! Comprei um Joystick e pouco a pouco fui aprendendo a pilotar o Skylane, e também a lidar com os inúmeros problemas de calibragem do Joy. Comecei também a me dedicar à pilotagem das outras aeronaves que havia no Flight Simulator e não tive escolha. Abandonei totalmente meu treinamento no 737 e só o retomei quando estava mais afinado com meus pousos a bordo do Learjet. Tive muitas experiências interessantes de vôo e certamente não há espaço neste artigo para que eu conte todas, porém algumas delas podem valer a pena, não é mesmo? A primeira coisa que me vem à lembrança, em ordem cronológica, são os vôos que eu fazia no modo "Lessons", a bordo do Skylane. Como meu inglês estava um pouco pior que péssimo, ouvir a fonia apenas não adiantava, e eu lia rapidamente a mensagem escrita na tela e corria para o dicionário. Nesse meio tempo o avião se desviava, o que algumas vezes forçava meu instrutor virtual a chamar a atenção e em alguns casos fez com que ele abandonasse a aeronave, desistisse de me dar aula! "Have a nice Day", dizia ele, bem sarcástico. Com o tempo fui aprendendo não só o inglês, mas também a pilotagem do FS, de maneira que cheguei a fazer ele engolir a obrigação de me dizer "Nice Landing!" inúmeras vezes, e me dei por satisfeito com esse programa de treinamento, era hora de me aventurar por aí. Fazia viagens pela região de Illinois, inúmeras vezes partindo de Midway para Champaing, mais ao sul, a bordo do 737 ou do Skylane. Adorava sair com o Skylane simplesmente para passear, programando rotas coalhadas de auxílios que me permitiam pousar em qualquer outra pista que eu avistasse sem me deixar perdido de minha rota original. Descobri assim algumas pistas bem interessantes. Na região de Illinois, a mais marcante delas é, sem dúvida, a de Dwight, uma pistinha que me deu muito trabalho. Me julgava bom de pouso no Skylane, porém aquilo era demais... O asfalto era a estreito demais e a pista terminava num piscar de olhos! Descobri que eu continuava manicaca e assim passei a decolar de Meigs sempre com destino a Dwight (que possue um NDB de auxílio, 344), a fim de treinar meus pousos. Outras regiões das quais eu era frequentador assíduo eram San Francisco e New York. Em San Francisco, não posso deixar de citar a bela pista de Half Moon Bay, bem próxima do San Francisco International Airport. Até hoje vez por outra decolo de lá para um passeio de Skylane (ou, porque não, um Piper Tri-Pacer ou um Maule Comet?), voando através das montanhas da região e, antes de pousar de volta em Half Moon Bay, fazendo um razante em um porta-aviões que está há anos parado da região (cenário estático, fazer o quê...). Partindo de New York, quando o destino não era Boston, a bordo de um 737 ou Lear, certamente era a inigualável ilha de Martha's Vineyard, em cuja rota ainda podia-se fazer um breve pouso em Block Island. Recomendo! Outro passeio que me agrada até hoje é uma visita até a ilha de Santa Catalina, nas proximidades de Los Angeles. A pista, extensa o suficiente para um pouso tranquilo de Lear, fica a 1602 pés e logo depois tem-se um precipício que despenca até o mar! A aproximação então fica muitíssimo interessante, sem contar o visual da região. Visitei muitas outras regiões nestes passeios e tem histórias de muitos outros lugares para contar, mas isso fica para próximos artigos. O que vale contar aqui, que é um marco para mim, é a mais louca navegação que já fiz. Indignado em fazer vôos relativamente curtos, programei uma navegação ao longo da América do Sul, partindo do Rio de Janeiro e que deveria ser voada a bordo do Lear. Sem problemas, até sabermos que a rota foi todinha planejada apenas com a ajuda de um atlas escolar e de uma abençoada estimativa da DMG (declinação magnética) média de cada trecho da rota. Claro, nunca saí precisamente em nenhum dos destinos, porém chegava próximo o suficiente para receber alguns auxílios rádio. Às vezes estimava meu desvio de rota pelas informações de latitude e longitude fornecidas pelo FS, e sempre que finalmente recebia pelo rádio a informação ATIS do local (denunciando minha proximidade), fazia uma comemoração à parte. Muitos outros simuleteiros devem ter feito loucuras do tipo. Eu tinha cerca de 400 horas de vôo, um pouco mais ou um pouco menos, quando abri uma conta na Internet e fui fussar em busca de aviões e cenários. Foi uma revolução, não só os diversos tipos de avião como também o Plano BR. Decolar de Itanhaém, voar para o Campo de Marte, como eu já havia feito na vida real, realmente estava revolucionando meu Flight Simulator! Daí para a frente as histórias se multiplicam muito, assim como os vôos, e por isso vou guardá-las para artigos futuros. Recentemente completei 1000 horas de vôo no Flight Simulator. Na realidade tenho mais que isso, pois voei bastente no FS5.1 também e por muito tempo não conhecia a opção "auto-log" do FS, o que me fez perder a contabilidade de muitas horas. Porém o interessante mesmo é você abrir o seu log e ver que existem agora 4 dígitos marcando seu histórico de horas. Neste meio tempo, deixei de fazer muitas arremetidas que deveria, fiz outras tantas sem precisar, e descobri que é bem mais fácil se "crashear" um avião do que trazê-lo para um pouso perfeito. Com o tempo, e 1000 horas certamente mostram isso a qualquer simuleteiro, você descobre que o que é realmente interessante é buscar um padrão de vôo o mais próximo do real possível, ou seja, manter a segurança e suavidade do vôo. E então você aprende a fazer isso em conjunto com belos passeios por litorais, montanhas, regiões desérticas, florestas... Vale a pena. Adriano Axel - 28/06/2000
Este site destina-se divulgar a rotina
do 1º GTT no Flight Simulator 2000. |
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