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JÚLIO
CÉSAR RIBEIRO DE SOUZA
Foi um dos pioneiros aeronáuticos mundiais, autor de trabalhos escritos divulgados e experimentos registrados sobre uma nova forma de aeróstato dotado de dirigibilidade.Natural do Estado do Pará, onde nasceu em 16 de junho de 1843. Iniciou seus estudos no Seminário Menor de Belém. Fez curso na Escola Militar do Rio de Janeiro e integrou a Unidade de Voluntários na Guerra do Paraguai. Deixou o Exército em 1870, passando a dedicar-se ao Magistério, no ensino de línguas greco-latinas. Escreveu um livro de poesias, Pyraustas, e uma Gramática Portuguesa, merecedora de um prêmio do Governo do Pará. Em 1874/5 passou a dedicar-se aos estudos aeronáuticos. Pela minuciosa observação do vôo dos pássaros, classificou-os em veleiros e remadores, conforme o movimento de suas asas, cabeça e cauda quando se deslocavam no ar. Suas conclusões levaram-no a criar a forma fusiforme dissimétrica para os aeróstatos, onde o envólucro horizontalmente alongado dos balões teria diâmetro proporcionalmente maior na proa, em relação à popa. Esse formato aerodinâmico jamais fora experimentado no mundo. Sua teoria sobre navegação aérea foi publicada em Belém, no ano de 1880. Seguiram-se vários artigos em jornais belenenses, relatando experiências feitas em precários balões fusiformes dissimétricos, com asas e cauda, que mandara construir. Em 1881, apresentou suas teorias no Instituto Politécnico Brasileiro no Rio de Janeiro, onde obteve parecer favorável da Comissão da Seção de Ciências Físicas do Instituto, a qual tinha como relator o Barão de Tefé. Com auxílio financeiro recebido da Assembléia Provincial do Pará, Júlio César viajou para Paris, onde apresentou sua teoria sobre dirigibilidade dos aeróstatos na Societé Française de Navegation Aérienne. Com o balão Victoria, que mandara construir com o perfil aerodinâmico fusiforme dissimétrico que idealizara, fez duas experiências realizadas no Rio de Janeiro. Em 1882 publica nova obra: Navegação
Aérea - Estado desta importante questão. Novo auxílio financeiro foi concedido a Júlio César para experimentos com o Santa Maria de Belém, que deveriam ser feitos no Rio de Janeiro sob os auspícios do Instituto Politécnico. Por motivos ignorados, o inventor voltou para a França e lá mandou construir outro balão, o Cruzeiro, com o qual prosseguiu suas experiências. O fato gerou recusa do Instituto Politécnico em continuar patrocinando os trabalhos de Júlio César. Não se tem notícia das experiências com o Cruzeiro. Júlio César voltou ao Brasil e tornou-se modesto funcionário público. Morreu em 14 de outubro de 1887.
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