Este foi o
meu primeiro carro! Todos nós temos o sonho do primeiro
carro, se libertar da juventude e partir para a maioridade, ter
independência.
Para muitos
um carro pode proporcionar muitas dessas sensações,
e a felicidade de poder dirigir seu próprio automóvel
é algo inesquecível.
Eu diria inesquecível
em todos os sentidos! Pois a história do primeiro dia desse
carro não vou esquecer nunca:
Tinha saído
de um emprego fazia pouco tempo, estava com uma pequena quantia
guardada, mas não era suficiente para comprar um carro
decente, um carro que eu pudesse andar tranquilo sem ter que mexer
muito. E logo de cara eu queria encarar um Maverick, meu sonho,
mas não encontrava nenhum a venda com valor próximo
do que eu queria e podia pagar. Como aqui em Campinas temos muitos
Opalas, comecei a me interessar em achar um com preço na
faixa pretendida e que estivesse razoável. A minha idéia
inicial, era comprar, arrumar e trocar por um Maverick!
Depois de
alguns meses, achei um anúncio de um Passat Preto (carros
pretos são os meus preferidos), e decidi ir ver o carro.
Chegando ao local, que desastre o carro estava em um estado desanimador.
Mas no mesmo quintal tinha um Opala 72. Bonito de lata, precisando
de uns detalhes internos e um trato no motor. Gostei do carro,
mas não tinha toda a grana para a compra.
Mas como o
sonho fala mais alto, eu queria um carro a todo custo, incluí
meu computador na troca e voltei mais uma pequena quantia. Estava
fechado: agora eu tinha um carro!
Negócio
feito era hora de buscar o carro, que não se encontrava
muito distante de minha casa, cerca de 5 km seguindo pela rodovia
anhanguera. O senhor que me vendeu veio em casa, pegou o computador
e iríamos levá-lo para casa e depois eu retornava
com o carro. Explêndido ja iria estreiar o carro em plena
estrada!
Meu tio Rogério,
fiel companheiro de todas as horas me acompanhou nessa minha aventura.
Retornando assumi o volante e pisei fundo. Mas como felicidade
de pobre dura pouco chegando próximo de casa, começa
do capô sair um vapor , água espirrando pra todo
lado e o carro perdendo força.
Encostei abri
o capô... parecia q tinha fervido. Esperamos um tempo colocamos
água novamente e vamos seguir viagem. Da-lhe uma, da-lhe
duas, da-lhe três... o carro não pega! Tentativas
em vão, a bateria comeã a arrear. O sorriso já
não está mais estampado no rosto, o brilho nos olhos
vai se apagando e o arrependimento começa a dominar a alegria.
Sem solução,
meu tio parte em uma jornada a pé para pegar o carro dele
para que possamos tentar alguma coisa. Chamamos o guincho e depois
de algumas horas o cara chega. Quando vê o carro já
olha torno, começa a falar mal, reclamar e praguejar. Alí
meus sentimentos se obscurecem para o mais profundo abismo, e
fico sentado em cima do capô a espera do meu tio que horas
atrás tinha partido a pé para que possa me resgatar.
Após
longa espera ele chega, e juntos tentamos novamente ligar o carro,
mas sem sucesso. E quando nossas esperanças chegam ao fim,
eis que surge enviado dos céus um Opala, com seu Opaleiro.
O rapaz vê nosso sofrimento e prontamente nos ajuda. E depois
de algum tempo, com um tranco ele consegue funcionar o carro.
Não me lembro do nome do rapaz, mas fica aqui o meu muito
obrigado! Após quase meio período eu chegava em
casa, num percurso que normalmente não demoraria 10 minutos!

Neste carro
investi uma certa quantia, fiz a tapeçaria completa: teto
de vinil, bancos, tampão traseiro, papelão de porta,
rodas, carburador. Mas ele não era o Maverick, e eu ainda
tinha um objetivo a alcançar. Além de tudo por mais
que o mecânico tentava regular o carburador, ele sempre
ficava ruim.
O tempo foi
passando e eu naum conseguia andar com o carro. Ele sempre parado,
sempre arrumando alguma coisa. Eu queria um carro que eu pudesse
andar, passear e que me levasse onde eu precisasse. Minha paciência
estava se esgotando! :-)
Este Opala
era 1972, Série Special, duas portas, motor 4 cilindros,
câmbio de 4 marchas no chão (originalmente era na
coluna).