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MUSTANG BAND
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Gravação do CD SANTA FÉ : Pela segunda vez, um amplificador Fender é utilizado durante toda a carreira de Carlos Lopes. Na primeira oportunidade, no disco “Rock and Roll Junkfood”, o resultado não foi muito satisfatório, obrigando o músico a utilizar um sinal de linha vindo da guitarra e passando através de um pré amplificador da Marshall. O amplificador da Fender era um Tween Reverb produzido no México, muito inferior aos originais.

Em 2007, dois ex-alunos de guitarra deram dois presentes inesperados ao músico: um deles devolveu o antigo pedal fuzz Big Muff (que participara dos primeiros trabalhos do guitarrista em 84 e 86) que Carlos havia lhe vendido e o segundo lhe “doou” um amplificador Fender americano Pro Reverb de 1973 necessitando de reparos. Com essas duas “novas” ferramentas, o guitarrista gravou o novo álbum do Mustang. O solo da faixa “10 Horas da Manhã” foi gravado com o Big Muff, um compressor MXR (original dos anos 70) e um Wah-Wah Cry Baby. As bases e solos de todo o novo CD foram produzidos com a soma de um Marshall JCM 800 de 1982 e do Fender Pro Reverb de 1973, dando prioridade na mixagem ao Fender. Não foi utilizada distorção em nenhum momento. O que se ouve é saturação das válvulas, principalmente do Fender com o acréscimo do compressor “vermelhinho” Dyna Comp para dar um “gás”.

O clipe de “Sexo Virtual” foi filmado na sala de ensaios (chamado de “amarelo”) no estúdio Staccato no Rio.

A versão da faixa “Março” da demo de 2000 é considerada por Lopes, melhor do que a oficial gravada no CD “Rock and Roll Junkfood”.

Vinícius Dantas, o baixista do novo CD SANTA FÉ foi técnico de gravação do álbum “Oxymoro”.

MUSTANG, além de ser uma banda é um carro, um cavalo, um jato e um modelo de guitarra da Fender.

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“Um cara que faz todo moleque querer ser um roqueiro quando o vê em cima do palco”.

Comentário na coluna Rocktopia do Diário do Pará

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“Nenhuma mudança é de uma hora para a outra. Eu me sentia mais diferente do que os diferentes em muitas coisas e iguais aos iguais em outras. Sempre amei descobrir, pesquisar, romper convenções, contradizer a contradição. Eu sou muito sensível, isso quase me matou muitas vezes, mas aprendi que o que vale nessa vida é a ação consciente, mesmo que solitária, mas nunca a intenção. Na vida tudo é ilusão, é um jogo jogado por todos para que no dia seguinte possam acordar, pelo menos acreditando que exista um estilo favorito, uma estética real ou um Deus palpável”

“O importante sempre é canção, a melodia, o que te fala à alma. Tem que ir além de gostar, não gostar, entender ou não entender. Falo sério com humor e rio da desgraça. A música é a roupa de gala”

“Amor é tudo o que importa nessa vida. Não o amor apenas possessivo (Raul dizia que quem ama, liberta), sexual, mas o amor pela verdade. E o que é verdadeiro? O que é mentira? Para alguns é o status, as contas pagas no fim do mês, que significam paz de espírito. Isso seria o ideal, desde que viesse acompanhado de coisas mais importantes. Mas não dá. Não nasci para isso. Sou um kamikase, um dEus destruidor. O amor me sufoca, me dá esperança”.

Carlos Lopes para Cláudio Moreira do site Clash City Rockers – fev 2006

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“Música deve sempre ser escrita com alma, seja ela qual for. Quando me refiro a possuir alma, digo ater-me à essência original, à matriz. A alma negra do rock  emana da crueza, do suíngue, do ritmo tribal que toma conta do corpo, transpôe o impossível. O rock é fruto de um ritmo sensual emanado das classes oprimidas, algo bem diferente das composições de Bach que eram tocadas por brancos para brancos em igrejas e salões. Algo elevado, porém bastante religioso e reprimido. O paralelo na nossa cultura é a incorporação em centros espíritas, umbanda e candomblé, onde os deuses negros e brancos se fundem. O rock é mistura da música sertaneja, caipira, norte-americana com os cantos negros. A quantidade de notas vem dos brancos, o ritmo vem dos negros. Quando se nega isso, nega-se a verdadeira essência do rock. A verdadeira essência do funk”.

“Aprendi com a espiritualidade, a me desapegar das aparências. A não cobrar, mas também a não mentir para mim. Esse tipo de apego e cobrança só trás sofrimento. Deixei o que meu futuro fosse decidido mais pelo coração, e menos pela razão. Paguei um alto preço durante vários anos: sofrimento, incompreensão e preconceito, mas ninguém é obrigado a evoluir, ou compreender o mundo com os mesmos olhos. Todos têm o direito de ser diferentes. Eu tenho o dever de comandar minha vida”.

Entrevista de Carlos Lopes para Marcos Bragatto – Revista Outra Coisa – 2005

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“Como a música que escrevo, evolui muito mais rápido do que eu poderia imaginar, hoje não dá mais para rotular o que faço ou a banda: não é rock clássico, porque não é embolorado, não é mais punk porque toco progressivo, mod e psicodelia; tem o humor do glam mas também tem costeleta; é brasileiro mas é latino; sou um carioca paulista pernambucano baiano cearense gaúcho goiano de Manaus.  Eu só tenho amor e suor para dar. Se for isso o que você procura, talvez sejamos bons amigos. A única coisa que posso te dizer agora é que sou um branco negro e um buraco negro”.

Entrevista de Carlos Lopes para Revista Metal Head – março 2006

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“Lopes não se cansa de dar aula de guitarra (sim, aula, preste atenção nas bases até os solos que o cara executa) e de interpretação vocal”.

Alessandro Ferrony para o site Punknet – 2005

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“Sempre acreditei que toda arte é panfletária, feita para incendiar, para tirar o limo da pedra. Troque as balas pelas canções, têm o mesmo efeito. Hoje eu lido com humor (sarcástico, mas é humor do mesmo jeito) onde antes lidava com palavras de ordem. Não gosto dessa Elite no poder, mas também tenho calafrios de pensar que o camponês possa governar do Planalto. Dá tudo no mesmo, a raça humana é sórdida, seja européia ou latina; de qual século for. Estamos fadados a ser comandados pelos cegos. A diferença é que quando enxergamos mais um pouco, ainda estaremos em terra de cego, sendo assim continuaremos a liderar cegos. Que cada um faça o que acredite, seja voto, religião ou trabalho comunitário, mas que faça a sua parte sem esperar recompensa ou cargo público”.

Entrevista de Carlos Lopes para Maurício Gomes Ângelo (site Whiplash – abril 2006)

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