![]() |
|
No ano passado iniciou-se o projecto de reestruturação do Itinerário Principal 1, obras realizadas pela então Junta Autónoma das Estradas. Esta restruturação foi alvo de contestação pelas pessoas que habitam nas imediações do IP1 e que se acharam lesados, ora porque os seus terrenos, caso não fosse acordada a venda, seriam desapropriados, ora porque o traçado estudado cortava e, incluía ou não, pedaços essenciais à vida dos mesmos. Várias foram as situações em que se levantaram as vozes contra o projecto, acusando-o de mexer com a tranquila vida dos habitantes, causando-lhe transtornos. Uma dessas situações foi a construção de uma ponte de acesso ao Boião e Azilheira, na Freguesia de São Marcos da Serra. Só que a ponte foi construída 500 metros desviada do acesso actual, junto ao Restaurante Viegas. A referida ponte foi construída segundo cartas militares antigas que assinalavam o acesso ao Boião na entrada do Monte Ruivo que, hoje em dia, é um caminho praticamente desactivado, excepto para os moradores do Boião Velho. � que a ribeira de Odelouca passa a separar o Boião do Boião Velho, dois sítios distintos, e sobre esta ribeira não há uma simples "pinguela" que permita aos moradores atravessarem de uma margem à outra. Os habitantes do Boião, Azilheira, Malhão e outras localidades servidas pela mesma estrada ficaram revoltados com esta situação e, segundo nos conta José Guerreiro, morador do Boião, fizeram �vários contactos com os engenheiros responsáveis e depois de algum tempo, eles admitiram ter errado�. A ponte já estava feita e os projectos estavam a caminhar. Descontentes por não serem ouvidos, os habitantes fizeram um abaixo assinado que remeteram à Junta Autónoma de Estradas, em Lisboa. Nessa altura foi-lhes dada a esperança, por parte dos engenheiros encarregados do projecto, de que iriam estudar o caso, tentando arranjar uma solução. A engenheira responsável por este troço veio ao local e depois de estudadas as várias hipóteses, concluiu que uma alteração à nova ponte estaria fora de causa, mas assegurou-lhes que continuariam à procura da solução para o problema. Como, nas palavras de um morador do Boião, �ninguém vive de expectativas�, José Guerreiro deu conhecimento do problema ao Governador Civil de Faro, Fialho Anastácio, que prometeu pronunciar-se positivamente junto das autoridades competentes, mas apontou dificuldades, nomeadamente o custo que implicaria a construção de outra passagem. As obras continuam e o projecto está quase terminado. Os moradores do Boião, e não só, ainda não receberam resposta para as suas preocupações, o que os deixa apreensivos com o que poderá suceder, sobretudo na época do Verão.
Lúcia Vieira |