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�Tenho um grande orgulho em ser silvense�
Rui Bento, o conhecido internacional português e jogador do Boavista, nasceu em Silves há 28 anos.
Na noite de homenagem aos atletas algarvios campeões nacionais, a organização destacou o mérito deste silvense, que nunca esqueceu a sua terra. O GRÉS - Acha que o facto dos jovens algarvios que queiram seguir a sua profissão estarem cá em baixo, os pode prejudicar de alguma forma? RUI BENTO - Não, penso que não. Neste momento, a prática do desporto tem-se vindo a desenvolver. Os clubes têm, de alguma forma, sentido a necessidade de continuar a apostar no desporto e, naturalmente, que nada se faz, se não começarmos numa zona em que existam muitos atletas. Para existirem muitos atletas, temos que promover a modalidade e, para isso, necessitamos de clubes, de apoios. Esse apoio é o apoio de todos os clubes, daqueles clubes, às vezes pequeninos (ou para algumas pessoas, clubes insignificantes). Quando nós depois vemos um atleta nacional, mas que passou por um desses clubes, vemos a importância que eles têm. Portanto, para se chegar ao alto nível, começamos de uma base. Nem todos chegam ao topo da pirâmide, mas é assim que funciona, a base são estes clubes regionais, pouco conhecidos no País, mas que são de uma importância extrema, na minha opinião. G - O Rui começou no Silves Futebol Clube. Sentiu, nessa altura, que o seu pequeno clube lhe deu o incentivo e o apoio que precisava para uma grande carreira, ou sente que os jovens de hoje têm mais facilidades do que tinha naquela altura? R.B. - As coisas tendem a evoluir... Se calhar, as pessoas, hoje, têm melhores condições do que eu tinha naquela altura. Hoje, o Silves tem um campo relvado e outro pelado e eu, por vezes, não tinha campo para treinar em Silves, portanto as condições físicas são melhores. As pessoas que estão a dirigir o clube em termos de camadas jovens... Não posso falar sobre isso, porque não trabalhei com elas. As que trabalharam comigo foram extremamente importantes, mas, necessariamente, que são importantes, pela oportunidade que nos dão de poder desenvolver a modalidade de que gostamos. Depois, há o outro factor: um atleta, normalmente sonha e é esse sonho que o conduz a alguma coisa. Tem, constantemente, de procurá-la, esse acreditar... E ainda vem a outra parte, que é o talento. Tudo aliado, permite que as pessoas se desenvolvam. Penso que o que aconteceu foi isso. O Silves foi um clube extremamente importante, porque me deu a oportunidade de começar a praticar futebol e já, de alguma forma, a ser bem treinado. G - Sendo que muito novo deixou o clube da terra para ir para um dos maiores clubes portugueses, leia-se Benfica, como encarou essa mudança? R. B. - Foi o concretizar de um sonho e, por vezes, quando nós sonhamos, há pessoas que nos dizem: "Não sejas doido, não acredites!" E nós, nessas situações, temos que acreditar, temos que ir contra tudo, temos que ter objectivos bem definidos, porque eu penso que o atleta, mais do que ninguém, tem que se consciencializar daquilo que pode fazer, daquilo que é capaz de fazer e, portanto, foi o que me aconteceu, concretizei um sonho. Achava eu que tinha capacidade de chegar a um grande clube. Cheguei, foi extremamente difícil adaptar-me a Lisboa. Sair de uma cidade com a pacatez de Silves e com a sua qualidade de vida e ir para uma cidade que eu, aos 15 anos, achava muito grande, foi extremamente difícil. Ainda por cima, existiam obras no centro de estágio do Benfica e eu ia do centro da Cruz Quebrada (Estádio do Jamor), para Chelas. Portanto, tinha que correr quase Lisboa inteira. Para entrar às nove da manhã na escola, levantava-me às cinco... Foi difícil, foi um sacrifício que fiz, mas foi a condição para não deixar os estudos. G - E a mudança de Lisboa para o Porto e do Benfica para o Boavista, como foi? R.B. - Encarei-a com um gosto amargo, logo quando surgiu, porque realmente não estava à espera. Consegui concretizar o tal sonho na sua plenitude, comecei a jogar na equipa que eu sonhava (que era a primeira equipa do Benfica), era titular da equipa, titular da selecção "A" e, no fim da época, apareço no meio de um negócio que alguns dirigentes queriam fazer. Foi uma sensação de que "nós estamos lá em cima e nos dão um empurrãozinho para descermos uns quantos degraus". Nessas alturas, também há que saber gerir a situação, há que saber dar a volta. Hoje, sou capaz de dizer que consegui. Na altura, se me perguntassem, andei ali um bocadinho aos trambolhões, mas é normal... fruto da idade. G - Actualmente, o Rui pode considerar-se um símbolo do clube do Bessa. Como reage a isso? R. B. - Não me quero considerar símbolo de nada, porque o símbolo do Boavista é uma pantera, segundo eu sei. Tento, antes de olhar a clube, olhar aquilo que um profissional tem que fazer e aquilo que eu entendo que eu devo ser dentro do clube. Naturalmente, os anos que estou no Boavista fazem-me ter mais responsabilidade. Neste momento, na equipa sénior, sou o jogador mais antigo e tento, de alguma forma, ajudar na integração de novos jogadores, daqueles miúdos todos que aparecem das escolas e que hoje são meus colegas e já são gente importante no Boavista. R. B. - Não, as homenagens têm todas um significado, quanto mais não seja, por se terem lembrado de nós. Isso merece muito orgulho, respeito e consideração. Para mim, é um esforço estar aqui hoje! Treinei de manhã, vim depois do almoço de avião, vou ter que ir de carro, porque amanhã de manhã estou a treinar no Bessa às dez da manhã. Isto demonstra o enorme valor que eu dou a esta cidade e a estas pessoas. Tenho um grande orgulho em ser Silvense. Nunca escondi isso de ninguém, nem nunca vou esconder. G - Uma vez que está no auge da carreira, vai continuar mais tempo no Boavista ou tem outros projectos? R. B. - O meu contrato está a terminar e penso que estou numa altura crucial da minha carreira, em que as coisas têm que ser bem pensadas, as escolhas têm que ser bem feitas... Aos 28 anos não se permitem muitos erros! Todos os cenários são possíveis, não há propostas concretas de espécie alguma. Há vontade em que eu continue no Boavista e sei-o, porque as pessoas já mo transmitiram, mas, como lhe digo, neste momento o que é importante é tentar desenvolver o mesmo trabalho. Tenho contrato com o Boavista até ao fim de Julho e, até lá, vou-me alhear de qualquer situação e, depois, nas férias, tenho a oportunidade para pensar nas coisas e de actualizar as ideias para não me precipitar. G - Espera, ainda, regressar ao Silves? R. B. - O futuro a Deus pertence! Digamos, que não é uma situação que me pareça muito fácil, mas, se me perguntasse isso de outra forma, se era um orgulho para mim voltar ao Silves, tenho que lhe dizer, sinceramente, que é o clube da minha terra, do qual eu gosto e me marcou muito.
João Pedro
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Lutas Amadoras e Karaté em destaque Rui Bento não foi o único atleta silvense distinguido nesta 10° Gala de Homenagem aos Atletas Algarvios Campeões Nacionais. Seis outros jovens do concelho receberam um galardão pelos seus feitos desportivos no ano de 1999, ou seja, todos eles foram campeões nacionais nas suas categorias. Na modalidade de Luta Livre Olímpica foram distinguidos quatro jovens, todos eles inscritos no Silves Futebol Clube (SFC). É o caso do João Paulo Laranjinha, um jovem de 23 anos, que compete nos juniores, na categoria dos 115 Kg. Nicolau Gonçalves, de 21 anos e André Simões, de 18 anos, também se sagraram campeões de juniores, mas na categoria dos 95 Kg e dos 90Kg, respectivamente. Já Eurico Correia, de 18 anos, pertencente aos Cadetes, obteve o título de campeão nacional em duas modalidades: Luta Livre Olímpica e Luta Greco Romana, na categoria dos 76 Kg. André Loução, um messinense de 20 anos, inscrito pela Casa do Povo de Messines, venceu na modalidade de Luta Greco Romana, escalão de juniores, na categoria dos 70 Kg. Já nas Artes Marciais, o destaque foi para Pedro Palma, de 15 anos, atleta do SFC, que se sagrou campeão nacional de Kata, uma das técnicas do karaté. Desta forma se prova que os jovens silvenses têm possibilidades de atingir os patamares mais altos das competições desportivas, assim tenham vontade e os clubes e dirigentes os apoiem.
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