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"... Diz o que sente na forma que lhe brota espontânea da ideia...", assim se referiu, um dia, Antero de Quental a João de Deus, o Poeta/Pedagogo nascido em
S. Bartolomeu de Messines. E a ligação uterina que liga o vate à terra-mãe é tão forte que, não cortado o cordão umbilical, perpetua-se, ainda hoje, no subconsciente de quase todos os messinenses. A 8 de Março, dia do seu nascimento, São Bartolomeu de Messines coloca as suas mais belas vestes. Assim sucedeu, mais uma vez, este ano. Houve festa. E houve - às 8h00 - algazarra e foguetes no ar. O povo saiu à rua e assistiu - pelas 10h30 - à missa de sufrágio por Manuel Teixeira Gomes, Rita da Palma e Maurício Monteiro. Era o início solene das Comemorações do dia de João de Deus, coordenadas pela Câmara Municipal de Silves em parceria com a Junta de Freguesia de São Bartolomeu de Messines, Bombeiros Voluntários de Messines, Paróquia de São Bartolomeu de Messines, Jardim Escola João de Deus, Escola EB 2,3 de São Bartolomeu de Messines, Casa do Povo de São Bartolomeu de Messines, União Desportiva Messinense, Núcleo de Cicloturismo de Messines... e houve - às 11h30 - na Sala Polivalente da Casa Museu João de Deus, na presença da presidente da Câmara Municipal, Dr� Isabel Soares, e, do presidente da Junta de Freguesia, Sr. Vitorino Cavaco, uma breve palestra sobre os homenageados pelo Dr. Teodomiro Neto, seguida dos agradecimentos dos familiares ( neto de Teixeira Gomes e das filhas de Rita da Palma e de Maurício Monteiro ).
E houve - às 12h30 - o colocar de uma coroa de flores, na mesma estátua, pelos dois autarcas, a que se seguiu, no Bairro da Barrada, em cerimónia protocolar, o descerrar das placas antroponímicas dos três homenageados. E houve almoço de festa. Houve algazarra, mas não houve foguetes no ar. O povo, porém, saiu à rua e teve mais festa - às 16h00 - na Sala Polivalente da Casa Museu João de Deus, onde o actor Camacho Costa, acompanhado pelo Rui, na guitarra clássica, (re)criou uma BIBLIOTECA APAIXONADA. Não houve jantar de festa. O povo, porém, saiu à rua e teve poesia - às 22h00 - na Sala Polivalente da Casa Museu João de Deus, onde, de novo, o actor Camacho Costa, deu A PALAVRA AOS POETAS. E, assim, o povo, de pé, voltou a aplaudir. Houve ceia de festa. Não houve, porém, nem foguetes no ar, nem fogo de artifício... Mas, houve algazarra, peças de teatro, recitais de poesia e concertos, ao longo dos dias/noites que compuseram o 4° Festival de Teatro e a VII Semana Cultural, iniciativas da Casa do Povo. Houve provas de Cicloturismo, promovidas pela União Desportista de Messines e pelo Núcleo de Cicloturismo de Messines. E a festa terminou quando o povo, cansado, recolheu a casa. Há restos de flores que vão aos poucos murchando, na estátua de João de Deus, porque, a 8 de Março do ano 2000, em S. Bartolomeu de Messines, comemorou-se o 170° aniversário de JOÃO DE DEUS. Alguém ousará cortar, definitivamente, o cordão umbilical entre o Vate e a Terra-Mãe?
Gabriela Rocha Martins
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