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O Castelo de Silves, mais exactamente a sua alcáçova, é, sem sombra de dúvida, o elemento de maior importância simbólica na nossa cidade. Nos últimos cinquenta anos, desde o quase completo abandono, passou por utilizações várias, que nem sempre respeitaram a sua dignidade de monumento maior da nossa memória, e se bem que algumas tenham sido perfeitamente aceitáveis e desejáveis, o certo é que nunca este edifício mereceu a atenção de uma definição criteriosa do seu uso. É assim que hoje assistimos à sua utilização diária como écran de projecção de publicidade da Fábrica do Inglês. Já lá vi projectadas frases como "Viva o Sporting", "Desfile de Moda de Fátima Lopes" e quejandos, e assiste-se diariamente ao escurecimento da sua muralha que, de noite, iluminada, é das mais belas coisas que a cidade de Silves oferece aos seus visitantes, nomeadamente aos que visitam a Fábrica do Inglês, para passar projecções sem o mínimo de critério artístico, de criatividade pouco abonatória a quem a produz: imagine-se, a "americanisse" balofa dos "Ghost Busters"! A Câmara Municipal de Silves, que é responsável pela administração do edifício, quanto cobra para que o Castelo sirva de écran à Fábrica do Inglês? Em que termos de resguardo e respeito pelo edifício foi assinado o protocolo da sua utilização (se é que existe) com a Fábrica do Inglês? E a Fábrica do Inglês precisa mesmo do Castelo para poder prestar um melhor serviço aos seus clientes e aos turistas que visitam a nossa cidade? Que diria a Câmara Municipal se outros agentes turísticos (restaurantes, bares,...) requisitassem também o seu espaço de publicidade nas muralhas do Castelo? Deixemos de brincar com coisas sérias! Respeitemos, conservemos e utilizemos criteriosamente o que de melhor temos para oferecer! António Baeta Oliveira
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