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O passado. O presente. E o futuro?

Nunca mais vi tal coisa!

Não sei se se deixou de usar, se se teria esgotado ou, simplesmente, se a minha recordação me engana. O facto é que nunca mais lhe pus a vista em cima, ou melhor dizendo, o sapato.

Refiro-me a um saibro avermelhado, suficientemente grosso para não fazer pó e suficientemente fino para não sujar o pé. Era com este tipo de saibro que se cobria o piso da primeira parte do jardim (Cancela de Abreu), pois que, a seguir ao coreto, logo depois da porta de entrada para a esplanada do cinema, o piso era de tipo diferente. Era deste saibro, também, o piso do Largo dos Bombeiros, na actual Praça do Município, frente aos Paços do Concelho. O curioso é que só me lembro deste saibro vermelho naquela Praça, quando começavam as Festas dos Bombeiros, pois que até essa data não tenho a ideia de que o piso fosse assim.

Deixemos estas voltinhas em torno da memória, que todos sabemos ser altamente enganadora e fixemo-nos no Largo dos Bombeiros, em plena época dos Santos Populares. Um roda gigante, a tômbola, imperava ao centro, ou então era tão importante que parecia central. Compravam-se os bilhetes e aguardava-se a saída do nosso número para obter uma modesta prendinha, que nos enchia de satisfação; não era como agora, onde há de tudo no supermercado. Tábuas corridas serviam de mesas ou se, mais baixas, de cadeiras e ficavam repletas de pratos de caracóis. Iam lá todos, não faltava ninguém. Nenhuma telenovela nos prendia em casa, a deixar a vida a correr lá fora.

Não havia sempre saibro vermelho, mas havia com certeza grande animação pelo Santo António, pelo São João e pelo São Pedro e em vários locais na cidade, que recordo bem. Nem todos no mesmo ano, mas invariavelmente na Mata, na Rua Nova da Boavista, no Largo do Poço da Câmara juntavam-se os maiores arraiais... e só estou a falar das festas de Verão ao tempo do saibro vermelho, porque há outras mais recentes que guardarei para contar, talvez numa outra altura.

Este ano de 2000, então, foi uma maravilha, não foi? Saímos todos à rua pelo Santo António, não foi?

Não foi?!

Que se passa com a animação da cidade de Silves?!

A Câmara deixou essa preocupação à Fábrica do Inglês? Mas a animação da Fábrica do Inglês não é a animação da cidade, é a de uma empresa privada.

Que se passa connosco, a sociedade civil?!

Agora é preciso que seja a Câmara a organizar tudo, porque já não sabemos fazer nada?! Habituamo-nos à papinha feita, ao voto pelas eleições, a que outros decidam por nós ou sem nós, a que não nos chateiem, não é?!

E depois queixamo-nos: - Já não é como antigamente. Já não se faz nada.

Será porque antigamente quem fazia era a Câmara? Ah, eram os Partidos? Se calhar era a PIDE que obrigava...

O passado existiu e é por isso que o recordo. O presente não sei bem o que é, porque o que agora escrevi atrás já passou e o futuro deste texto só existirá se o levar até ao fim; há que construí-lo no presente.

É bom, é nostálgico, recordar o passado. Enchemo-nos de orgulho com os testemunhos da nossa história local, mas parece que cada vez menos nos preocupamos com o nosso futuro ou fazemos alguma coisa por ele.

A vida não é uma telenovela, nem um campeonato de futebol, por muito que gostemos dessas coisas.

Citando um outro artigo desta edição de O GRÉS: �Queremos uma cidade com passado histórico ou uma cidade com futuro histórico?�

António Baeta Oliveira

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