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Os sismos no Sul de Portugal

Quando a Terra treme

Já se imaginou sentado em casa e, de repente sentir o chão debaixo dos pés começar a tremer, os candeeiros a baloiçar juntamente com os copos, enquanto nas prateleiras os livros e outros objectos caem?

Esta imagem que nos entra em casa inúmeras vezes, em imagens televisivas de terror e destruição, diz respeito a um fenómeno a que o Algarve está particularmente sujeito. Situado numa das zonas do território português mais sensíveis à ocorrência de sismos, eles ocorrem com uma regularidade e frequência que surpreende os menos atentos. Só na semana de 14 a 21 de Novembro ocorreram, no Algarve e no mar (até 150 km da costa), sete sismos que não ultrapassaram os 4,0 graus na escala de Richter (ver caixa), enquanto a Norte de Portugal apenas ocorreu um. Destes sismos, nenhum foi sentido pela população.

Segundo informações do Instituto de Meteorologia (IM), registam-se, em média, cerca de 900 sismos por ano e, destes, apenas 6 a 10 são sentidos.

A razão para este número de acontecimentos deve-se ao facto de nos encontrarmos relativamente próximos de um limite entre duas placas tectónicas - euroasiática e a africana - situado entre Portugal e África, mas cuja localização exacta se desconhece.

Apesar de se deslocarem ambas no mesmo sentido - Oeste - têm, por vezes, velocidades de deslocação diferentes, o que pode ocasionar pequenos abalos de terra, ou nem por isso.

Estes abalos resultam de rupturas mais ou menos violentas no interior da crosta terrestre, a maior parte das vezes ao longo desse limite. Nesses momentos libertam-se grandes quantidades de energia, que convertida em vibrações, transmite-se a toda a área circundante, com as consequências que se conhecem.

Há muito que não ocorre em Portugal e, concretamente, no Algarve, um grande sismo. Os registos históricos mais recentes referem-se a sismos ocorridos nos distantes anos de 1856 e 1755, este último um dos maiores dos últimos 2000 anos em todo o mundo -8,75 na escala de Richter. Segundo o IM, pensava-se que se teria localizado a cerca de 200 km para sudoeste do cabo de S. Vicente. Hipóteses mais recentes, suportadas pela destruição que ocorreu junto a esta devido ao impacto de ondas gigantes (tsunamis) consequentes, sugerem que terá ocorrido mais próximo da costa.

De acordo com a mesma fonte, a ciência, no actual estado de desenvolvimento, não permite dizer quando poderão ocorrer situações de igual gravidade.

Carlos Albano

Escala de Mercalli

É uma escala que se refere à intensidade dos sismos, ou seja, o grau de destruição por ele provocado.

Grau
I-Imperceptível- apenas registado pelos sismógrafos;
II- Muito fraco- sentido apenas por um pequeno número de pessoas, normalmente em prédios elevados;
III- Fraco- pode ser sentido dentro de casa. Os objectos suspensos baloiçam;
IV- Moderado- provoca uma vibração semelhante à passagem de veículos pesados;
V- Forte- sentido fora de casa e onde é possível sentir a direcção do movimento;
VI- Bastante forte- sentido por todas as pessoas, as árvores e arbustos são bastante agitados;
VII- Muito forte- é difícil permanecer de pé. Estragos importantes nas construções mais fracas;
VIII- Ruinoso- afecta a condução dos automóveis. Queda de chaminés e fracturas em terrenos húmidos e escarpados;
IX- Desastroso- pânico geral. Desmoronamentos de alguns edíficios e fracturas importantes no solo;
X- Destruidor- Abrem-se fendas no solo, e danos sérios em pontes, diques e barragens. Grandes desmoronamentos de terras;
XI- Catastrófico- Destruição da quase totalidade dos edíficios. Destruição de pontes, diques e barragens. Formam-se grandes fendas no terreno;
XII- Danos quase totais- grandes massas rochosas deslocadas. Modificação da topografia. Grau nunca presenciado no período histórico.

Escala de Richter

É uma escala de magnitude, e que representa a energia libertada pelo sismo.

Magnitude:
0 a 3,5 ---------- geralmente não se sente, mas é registado pelos sismógrafos;
3,6 a 5,4 ------- geralmente sentido, causando danos menores;
5,5 a 6,0 ------- ocasiona danos ligeiros nos edíficios;
6,1 a 6,9 ------- pode ocasionar danos severos em diversas povoações;
7,0 a 7,9 ------- terramoto maior. Causa graves danos;
superior a 8 ---- grande terramoto. Destruição total ao redor do epicentro.

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