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Apenas uma Bandeira

Entramos novamente na época balnear e quando todos pensamos ir a "banhos", associamos facilmente as praias do nosso concelho, ao orgulho que sentimos por ser a escolha de tantos veraneantes, nacionais ou estrangeiros. Contudo, se por alguma razão quisermos desfrutar de praias em que o condão de um galardão se faça sentir, veremos que a oferta se torna escassa, para não referir única.

Única, porque mais uma vez a tão afamada "Bandeira Azul", só terá a honra de oscilar molemente num qualquer mastro, na digníssima Praia Grande. Continuamos, deste modo, a ter um meritíssimo representante, entre aqueles que têm o privilégio de pertencer à classe dos certificados com esse dístico de qualidade. Lamenta-se apenas o facto de que, apesar de ser honroso, sabe manifestamente a pouco.

Se a região Algarvia tem ganho, em relação a anos transactos, no que diz respeito ao número de bandeiras hasteadas (mais uma que em 1999 e mais três que em 1998), o concelho e nomeadamente a Praia de Armação de Pêra, não têm conseguido caminhar no mesmo sentido. Desde 1997 que a praia não consegue responder às exigências e aos critérios impostos pela entidade europeia responsável pela campanha de atribuição da Bandeira Azul, devido a problemas de tratamento das águas residuais.

A Fundação Europeia para a Educação Ambiental que delega competências em Portugal na Associação Bandeira Azul da Europa, estabeleceu este ano um conjunto de 27 critérios, dos quais, 22 são imperativos e que abrangem três categorias: a Qualidade da Água, a Informação e Educação Ambiental e a Gestão Ambiental e Equipamentos.

Além da actualização que sofreram esta regras e dos critérios ainda mais estreitos que presidiram à escolha das praias, destacam-se factores como a exigência de equipamentos destinados a pessoas que apresentem mobilidade reduzida, o destino adequado para os chamados "resíduos de praia", o investimento em zonas pedonais e de bicicletas e a existência de centros de interpretação ambiental, como elementos que pesaram bastante na atribuição da Bandeira Azul.

Se a campanha de sensibilização, ou pelo menos alguns dos seus objectivos não foram alcançados a nível concelhio, fica essencialmente demonstrado que a qualidade ambiental só se consegue após um longo e porfiado trabalho, envolvendo a autarquia, o poder central, os utentes das praias e todos os demais intervenientes na região, não descurando o facto, de que todo este processo, válido somente por uma época balnear, é voluntário, ou seja, é imbuído de um espírito independente e participativo, exigindo a vontade de todos.

Uma última palavra ainda para a importância de um "prémio" (tomemos a liberdade de considerá-lo como tal) deste género. A Avaliação Ambiental é hoje um factor determinante para a captação de turistas. Se tivermos em conta a crescente sensibilidade destes para esta causa, veremos, perceberemos a importância destes símbolos e a necessidade de trabalhar cada vez mais para os ter.

Jorge Freitas

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