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Andam a mexer nos nossos monumentos

A Ponte Medieval

A Ponte Velha, a que também se ouve chamar, muito provavelmente sem razão, de Ponte Romana, vai ser alvo de uma intervenção de arranjo urbanístico, que contempla toda a área entre as duas pontes. Procederão à sua iluminação e será instalado um piso em grés. A estrada que, à saída da ponte se prolonga até ao cruzamento com a estrada que conduz à Estação, receberá várias beneficiações e passará a incluir um estacionamento automóvel, numa área que já hoje é hábito ver ocupada por viaturas, nomeadamente as das pessoas que se deslocam aos restaurantes existentes naquelas imediações.

O arranjo urbanístico prolonga-se, ainda, pela Estrada Nacional 269, com a melhoria dos passeios que conduzem ao Hotel e ao Miradouro sobre a cidade, sendo este último também alvo de uma intervenção de arranjo e iluminação. O GRÉS alerta para o facto de também já ser tempo de intervir ou planear a intervenção junto da estrutura da velha ponte, que apresenta alguns blocos de pedra já deslocados e que revela tendência a acentuar a sua degradação.

O Castelo (Alcáçova)

Foi encomendado um estudo prévio e elaboração de um projecto de arranjo no interior do Castelo e musealização das suas torres. Num comunicado enviado à imprensa, refere-se mesmo a reposição de cotas de pavimento nas zonas alvo de intervenção arqueológica, sobre as quais será montado um passadiço. Há, ainda, a intenção de se proceder à recuperação de percursos pedonais e dos espaços verdes.

Esta intervenção só peca por tardia, pois é inadmissível que se mantenha por tão longo tempo e em ar de completo abandono aquela zona de intervenção arqueológica, sem apoio informativo a quem nos visita. Os espaços verdes e os percursos pedonais apresentam também um ar abandonado, particularmente na sequência das últimas chuvas. Aguardado, faz tempo, este tipo de intervenção, esperemos que os projectos consigam ainda dar entrada nas candidaturas que se alinham para este ano no Quadro Comunitário de Apoio.

A Cruz de Portugal

Alguma preocupação com a Cruz de Portugal, dado que há vários projectos de intervenção naquela zona, nomeadamente uma via de cintura externa, que contornará toda a cidade, seguindo do Instituto Piaget até à Oliveira da Guerrilha e ainda uma passagem superior que canalizará o trânsito proveniente do Monte da Jóia para esta zona, levou os serviços da Câmara a solicitar um parecer ao Laboratório Nacional de Engenharia Civil, sobre o estado de conservação da Cruz de Portugal. Esse parecer sugere que se procure um local mais central e menos exposto à poluição. Contactada a Direcção Regional dos Edifícios e Monumentos Nacionais, mostrou-se esta entidade sensível às preocupações reveladas e que os estudos confirmam e propôs mesmo encarregar-se das necessárias operações de limpeza, restauro e consolidação.

Acresce, ainda, que esta nossa Cruz de Portugal é única e insubstituível e que a sua localização actual, nas condições que conhecemos, a deixam sujeita não só aos efeitos da poluição, que se acentuará com as obras em perspectiva, mas ainda aos riscos de vandalismo, cada vez mais frequentes e gratuitos, ou mesmo de acidente provocado por despiste de veículos.

Alvitrou-se a construção de uma réplica a colocar naquele sítio. Manter-se-ia, contudo, o problema do local onde colocar o original. Em conversa com a Chefe da Divisão Sócio-Cultural da Câmara Municipal de Silves, foi-nos dito que o Museu Municipal de Arqueologia teria sido alvitrado, mas que não poderia integrar aquele monumento, dadas as suas dimensões, a dificuldade da sua colocação de forma a que pudessem ser apreciadas as suas duas faces, com o afastamento necessário para a sua visualização e mesmo, ainda, a organização cronológica do Museu, a oferecer maiores dificuldades à sua integração.

Em comentários ouvidos junto de alguns silvenses, chegaram-nos referências a lendas de perigos e males misteriosos que no passado teriam afectado todos aqueles que já alguma vez tiveram a intenção de alterar a localização do monumento; escutámos posições muito negativas à sua substituição por uma réplica; solicitaram-nos que tudo fizéssemos para impedir que a Cruz de Portugal saísse de Silves.

Esperemos que a Câmara Municipal saiba encontrar a solução mais equilibrada e adequada, sentindo e ouvindo as opiniões esclarecidas dos seus munícipes.

Outros monumentos

É pena que para outros monumentos não haja projectos de requalificação. Preocupa-nos particularmente a demora na intervenção arqueológica que se está processando(?) a Norte da Sé e esperamos que com as férias de Verão, que se aproximam, os trabalhos se venham a acelerar e não a retardar.

Cremos que seria uma boa oportunidade para prospecções que conduzissem a uma intervenção planeada que pusesse a descoberto a cripta da Sé de Silves, onde, eventualmente, estarão depositados os restos mortais de muitos dos seus bispos.

A "talho de foice" apetece-nos, ainda, perguntar para quando o pólo museológico da Arrochela, que já vem do mandato anterior e que bem caro custou à administração da Santa Casa da Misericórdia.

António Baeta Oliveira

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