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Silvense ganha 100 mil contos num concurso de televisão

A febre do dinheiro...

Henrique Miguel da Silva Correia, 23 anos, toca saxofone soprano na banda da Sociedade Filarmónica Silvense, gosta de computadores, de ouvir música, de ler e ver televisão, principalmente documentários.
Estudou em Silves até ao 12° ano e prossegue os estudos em Faro.
Na Universidade do Algarve frequenta o curso de Engenharia de Computação. O ano lectivo passado não lhe estava a correr bem e, em Maio, resolveu desistir dos estudos.
Voltou a Silves, onde ficou a trabalhar até ao princípio do mês de Setembro, altura em que um concurso de televisão,
A Febre do Dinheiro, mudou a sua vida e o transformou no
        "homem dos 100 mil contos".

O GRÉS - Já tinhas participado em algum concurso?

Henrique Correia - Não. Foi a primeira aventura, embora já tivesse tentado o concurso Quem quer ser milionário. Quando apareceu, pensei: ora ai está um concurso bom para mim! Decidi concorrer, mas já não fui a tempo. É mais difícil entrar num concurso depois de já estar no ar, do que quando ainda está em gravação, como foi o caso deste em que eu participei.
Assim que vi os primeiros anúncios do concurso A Febre do Dinheiro, decidi logo tentar, sem saber sequer qual era o mecanismo do concurso.

G - Porque sentistes vontade de participar?

HC - Qualquer concurso que tenha a ver com cultura geral eu acho que estou mais à vontade. Outro concurso, que exigisse mais sorte ou outra coisa do género, talvez não me agradasse ir, de certeza que não concorria.

G - Porque te sentes mais à vontade?

HC - Sempre gostei de saber e tentar saber mais sobre tudo... Não sei se viram a minha colecção de bandeiras na reportagem da SIC?!...
Estou na área de informática, mas gosto praticamente de todas as ciências, principalmente História, Biologia, Geografia, Astronomia, interesso-me o mais possível.

G - Como fizeste para participar?

HC - Telefonei, depois fui a um Casting (processo de selecção através de entrevista) e, passados quinze dias, telefonaram-me a dizer que tinha sido apurado e contavam comigo para a gravação no dia 31 de Agosto de 2000.
E lá fui eu para Lisboa, no dia 30, de comboio! [Risos...] Fiquei hospedado num Hotel e no dia seguinte, juntamente com outros concorrentes, transportaram-nos para o Concurso.

G - Foi um dia comprido...

HC - Começou pela manhã e demorou o dia todo. Durante a manhã, explicaram-nos a mecânica do concurso e esclareceram algumas dúvidas. Fizemos um intervalo para almoço e continuámos durante a tarde.
Já no estúdio, ficámos um grupo de quatro rapazes isolados, numa sala sem contacto com mais ninguém, à espera que chegasse a nossa vez. Entretanto, foi um, depois outro e eu fui o terceiro. Já era a terceira gravação do dia, uma vez que são feitas várias gravações no mesmo dia.

G - O que sentiste durante estas fases?

HC - Senti que ia ser muito difícil, tendo em conta a orgânica do concurso e mesmo durante a gravação, nunca pensei em chegar aos 100 mil, mas foi correndo bem e fui andando... Foi alguma sorte, também! As perguntas calharam...

G - Quais os temas que pensas ter mais dificuldade?

HC - Gosto de ver todo o tipo de desporto. Fórmula 1, por exemplo. Estou bastante dentro do assunto.
Pintura, literatura, talvez fosse mais difícil.

G - Qual foi a pergunta que consideraste mais difícil?

HC - A quarta pergunta, qual era o terceiro filho do Adão e da Eva. Não tinha a certeza! Conhecia o Abel e o Caim, sabia que eram os dois primeiros, mas não sabia qual era o terceiro. Segui apenas o palpite do outro concorrente, que felizmente estava certo.

G - O Carlos Cruz ofereceu-te dinheiro para desistir. O que pensaste nessa altura?

HC - Ele ofereceu-me os 5 mil contos. Naquela altura hesitei um pouco, não tinha a certeza da resposta estar certa. Foi um risco que corri. Se não acertasse, já ganhava 500 contos, o que já era bom! Não saía de lá de mãos a abanar - pensei eu, não se ganha este dinheiro todos os dias.

G - Mas tinhas a certeza que a pergunta estava certa?

HC - Estava, por um lado com certeza, mas por outro também tinha dúvidas, embora tivesse o palpite e estavam em jogo os 5000 contos, que já era bom, mas claro não tinha nada a ver com os 100 mil.
Tive algumas dúvidas, não tinha bem a certeza se o João de Barros. era uma das esfinges das notas portuguesas, mas logo foi a primeira a ser considerada como certa. Então, aí sim! Tive quase a certeza absoluta que estava certa.

G - Qual foi a sensação ao ganhar o prémio?

HC - Sinceramente, pensava que era tudo um sonho e que, de repente, ia cair da cama e acordar. Ou seja, não era real. Eu nunca esperei chegar lá e fazer aquele trabalho que fiz.

G - Depois disso o que é que se alterou na tua vida?

HC - Eu tenho tentado que não altere muito, mas é um pouco difícil, praticamente todos dias me telefonam a pedir entrevistas, sempre que vou na rua aparece alguém que me dá os parabéns e diz que me viu no programa. É muito diferente! Normalmente, passava sempre despercebido e até gostava mais disso, do que agora. Ainda não estou muito habituado a lidar com isto.

G - E agora, projectos para o futuro?

HC - Primeiro quero acabar o curso, embora seja um pouco difícil. Depois, logo se vê.
Em primeiro lugar, emprestei o dinheiro à minha irmã. Em relação à casa, está em stand-by, embora na reportagem da SIC pareça que eu já a tenha comprado. Vou esperar para ver como é que o mercado evolui. As casas em Faro estão muito inflaccionadas. Embora tenha muito dinheiro, convém não o jogar fora, foi fácil ganhá-lo, mas quero saber e pensar, qual a melhor maneira de o gastar. Aparecem-nos aqueles grandes negócios, pelo menos à primeira vista, mas não são o que parecem! É preciso ter cuidado.

G - Que conselho dás a quem quiser participar num concurso deste género?

HC - Principalmente insistir, tentar e batalhar até chegar o dia. Eu, por exemplo, para o Concurso Quem Quer ser Milionário fartei-me de telefonar e nunca consegui.
Para este, logo pensei que a chamada não tinha ficado bem, respondi a umas quantas perguntas e por vezes a máquina respondia que não tinha sido compreendida ou gravada, não sei bem, e pedia para voltar a responder e pensei que estivesse mal. Passadas duas semanas, telefonaram-me e fui seleccionado.
Depois, lá no concurso, é tentar chegar mais à frente.

Carlos Marques

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