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O artista Joaquim Mendes, pintor de construção civil

A separação das tintas

Joaquim Mendes, pintor de Construção Civil e estucador, membro da Assembleia de Freguesia de Silves, eleito pela CDU, dedica-se há uma década à pintura artística, tendo realizado seis exposições, três das quais individuais. O GR�S falou com o pintor e dá a conhecer à população do concelho de Silves e, ao público em geral, a história artística, as opiniões, expectativas e sonhos deste alentejano residente em Silves desde os três anos de idade.

Desde muito novo que Joaquim Mendes se dedica à pintura artística, mas só a partir dos anos noventa é que começou a desenvolver esta actividade com alguma regularidade. Influenciado pelo Arq. George Lemonnier, pintor responsável pela decoração da Igreja e do Casino de Armação de Pêra, começou por pintar alguns quadros entre 1992 e 93, tendo posteriormente, após a morte do seu amigo, realizado uma primeira exposição individual na Câmara Municipal de Alcochete, pelas comemorações do centenário da cidade. A última exposição individual de Joaquim Mendes esteve patente ao público no Espaço Timor, em Lisboa, no último Inverno.

Pinta durante a noite, devido à sua ocupação profissional, mas igualmente �por sentir mais silêncio�, �com um pouco de Música Clássica ou de ritmos africanos�, nomeadamente Cesária �vora. Por vezes também pinta aos fins de semana. Uma das temáticas abordadas na sua obra é Timor (onde esteve durante a tropa entre 1963 e 65), as suas cores, �a influência dos costumes e hábitos e da própria cultura das pessoas�.

Para definir Timor, �clima tropical de um intensidade de cores, onde não há Inverno nem Verão, é o período das chuvas e o período da seca�, utiliza �especialmente cores quentes, os vermelhos, os amarelos�. Esclarece que esteve �destacado na montanha, chamada montanha de Timor�, numa �zona muito montanhosa, em que os dias de sol têm cores que nada se assemelham a Portugal�, são �as cores quentes que predominam� na sua pintura.

Pretende, na companhia de �um amigo que também esteve lá, em 1965/67�, �fazer um mealheirozito� e dentro de �dois, três anos voltar a Timor�, �depois das coisas normalizadas�, Além da temática timorense, também tem quadros sobre o Alentejo, donde é originário, e sobre temáticas sociais, como a guerra, a fome e a miséria. Apesar de, em novo, desenhar caras que, diz, nunca ficavam �como se fosse um retrato�, hoje não faz retratos, porque tem �muita dificuldade em desenho�, não faz esboços, tenta �transportar do cérebro para a tela� as ideias e �as coisas vão aparecendo e desenvolvendo-se�.

Joaquim Mendes reconhece o valor da formação académica, mas rejeita-a, porque tem �medo� de �perder a sensação de autodidacta�. No entanto, aproveita, sempre que pode, para visitar as exposições organizadas pelas Câmaras Municipais de Silves e de Lagoa. Um dos seus sonhos é visitar Paris, nomeadamente o Louvre e o Musée National d'Art Moderne, ter �a sensação de ver obras de Van Gogh e de Henri Matisse�, grandes influências deste pintor. Para Joaquim Mendes, ver um original destes pintores �era como ficar realizado�.

Como pintor de Construção Civil, aprendeu a arte entre 1954 e 60, mas hoje já lhe vai �faltando a paciência�. �A tinta é diferente, tudo é diferente� afirma e continua: �antigamente era uma arte, hoje tudo é mais fácil�. Também tem realizado alguns trabalhos de restauro, em estuque, o que lhe �dá muito prazer�, como foi o caso de um restauro na Sé de Silves. Joaquim Mendes ambiciona a criação de �um espaço de cultura�, de forma a �motivar a população� do Concelho de Silves para as artes plásticas e a recuperação dos �frescos fabulosos� do palácio Grade, onde já foi chamado, por duas vezes, para fazer orçamentos de restauros, que nunca foram executados.

O GR�S entrevistou o pintor na expectativa da realização de um exposição de Joaquim Mendes na Junta de Freguesia de Silves, pelas comemorações do 25 de Abril. Apesar da disponibilidade do pintor, a referida exposição foi anulada. O GR�S deseja os maiores sucessos ao pintor e espera que a sua obra seja exposta no concelho de Silves e possa ser apreciada por todos os amantes e interessados pelas artes plásticas.

António Guerreiro

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