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A Música fez anos

Sociedade Filarmónica Silvense

Foi a 7 de Fevereiro de 1933 que os músicos, que haviam feito a sua aprendizagem nas extintas bandas Fralda e Moleira, patrocinadas pelos dois maiores empresários e líderes políticos locais, Caldas (Vilarinho) e Mascarenhas, constituíram, com o apoio de muitos outros amantes da música, a Sociedade Filarmónica Silvense.

Parte significativa da convivência social, naquele tempo, tinha lugar nas sociedades; estas eram locais de convívio de pessoas de semelhante estrato social ou de interesses específicos comuns.

A primeira sede da recém nascida Sociedade situava-se num 1° andar da rua Coronel Galhardo, hoje, rua Samora Barros, frente ao que é actualmente o "Café do Rogério", por cima do então Café Royal, mas cujo acesso se fazia pelas escadas da rua Alexandre Herculano, como ainda o fazem os seus actuais moradores.

Além da manutenção da Escola de Música (viveiro de formação de camadas jovens, indispensável à sobrevivência de uma banda filarmónica), dos ensaios e da participação da Banda nas mais importantes manifestações sociais ou religiosas da região, a Sociedade organizava grandes festas e bailes, nomeadamente pelo Carnaval e Santos Populares.

Entretanto, a sede mudou de lugar para um outro 1° andar por cima do que é hoje a Marisqueira Rui e aí ficou até quase finais dos anos 50, altura em que se mudou para a actual morada - o Teatro Mascarenhas Gregório.

Dizer "a Música", em Silves, hoje em dia, é confundir o edifício com a instituição residente, tal a simbiose que se atingiu ao longo dos anos. Há pouco mais de duas décadas atrás, falar d'a Música era evocar a personalidade do Sr. José Lopes, que a esta Instituição se dedicou de forma tão intensa que a sua figura era um símbolo identificativo da Banda e da Sociedade. Prestamos aqui, ao relembrá-lo, a nossa modesta homenagem.

O Teatro veio permitir outro desafogo. Além da Escola de Música, desde os primeiros tempos orientada pelo Sr. João Marques, que à música deu filhos, netos e até bisnetos - quatro gerações de músicos -, não podemos deixar de referir as "cegadas" que pelo Carnaval eram fonte de criatividade na construção do guarda-roupa, nos poemas que iriam ser musicados, na coreografia e no tema que se iria abordar, frequentemente de inspiração mourisca, e que reuniam moços e moças casadoiras em grande azáfama e alegria.

O teatro amador ganhou também lugar, a princípio nas récitas, em revistas de crítica de costumes ou de sátira política, orientadas por figuras como Samora Barros ou José Sotto-Mayor e postas em texto pela pena do poeta João Braz. Veio depois a FOCITE e mais tarde O GRUTA. Hernâni Gordinho e Adriano do Ó são duas pessoas que dedicaram uma vida inteira a esta nobre arte do palco - eles estiveram presentes desde os tempos das primeiras récitas até à actualidade.

A Filarmónica albergou ainda um Rancho Folclórico, teve um Clube de Xadrez, animou uma secção de atletismo, conviveu com a Luta Greco-Romana, projectou cinema, editou um jornal (O 18 de Janeiro) e deu vida, agora de novo, a um Grupo Coral, tradição que o Sr. Francisco Guerreiro ("Chico Macoy") sempre se esforça por fazer lembrar, nos trechos e nas árias que canta em momentos de convívio.

António Baeta Oliveira
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