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Pavilhão de Portugal, Hannover Expo 2000

Cortiça de Silves na EXPO 2000

O Grupo Amorim, um dos maiores exportadores de cortiça transformada do nosso país, é um dos principais mecenas do Pavilhão português na Expo 2000, que se realiza na cidade alemã de Hannover, entre 1 de Junho e 31 de Outubro. Esta grande corticeira, que tem uma das suas fábricas no nosso concelho, ofereceu a cortiça que foi utilizada na construção do pavilhão nacional, segundo declarações de Simonetta Luz Afonso, Comissária Geral de Portugal para a Expo 2000 de Hannover, prestadas ao Jornal O GRÉS.

�O Grupo Amorim é o principal transformador de cortiça nacional, tem delegação na Alemanha e possui apoios laboratoriais e de investigação que permitiram adaptar o aglomerado expandido às condições do projecto, aos regulamentos de construção e à utilização no exterior�, revelou-nos Sinometta Luz Afonso e acrescentou: �Já agora, aproveito para informar que o aglomerado de cortiça expandida foi realizado na fábrica de Silves�.

O pavilhão que representará Portugal na Expo 2000, completamente pré-fabricado e desmontável, é quase inteiramente revestido a cortiça. Todas as vigas e pilares que sustentam a estrutura do edifício serão cobertos com painéis exteriores e lâminas sobrepostas de aglomerado negro de cortiça e o chão, em cimento, será "salpicado" com bolas do mesmo material. Serão cerca de 2880 metros quadrados de cortiça (correspondente aproximadamente a 55 toneladas), que serão colocadas nas fachadas, rodapés e pavimentos.

Este material constitui uma das grandes apostas dos arquitectos álvaro Siza Vieira e Eduardo Souto Moura, responsáveis pelo projecto, que afirmaram ao Diário Económico durante a cerimónia de apresentação da maquete do edifício, que �através dos materiais utilizados [cortiça, pedra calcária e azulejo] e da sua concepção arquitectónica, o pavilhão de Portugal reflecte a tradição e a modernidade, assim como o tema da Expo 2000�. A Comissária Geral do Pavilhão Português, em declarações prestadas a O GRÉS, reforça esta ideia: �Tendo em conta o tema da EXPO 2000 - O Homem, Natureza e Tecnologia - a cortiça surgiu desde o início como o material ideal pelas suas qualidades 100% natural, 100% reciclável, contribuindo para o desenvolvimento sustentado, para integrar o nosso Pavilhão, onde marcará a presença portuguesa e chamará a atenção do mundo para a importância deste produto e para o papel que Portugal desempenha como líder na sua transformação.� E continua: �A sua utilização constitui também uma chamada de atenção para o grande tema da defesa e protecção do ambiente e da natureza.� Desta forma, sendo a cortiça uma matéria inteiramente reciclável e renovável, bem como isotérmica, poderá, no futuro, ser vista como mais um material a utilizar na construção de habitações mais confortáveis e ecológicas.

Para além disso, não nos podemos esquecer que Portugal é, tradicionalmente, um dos maiores produtores deste material, sendo o concelho de Silves uma das zonas de maior implantação deste tipo de indústria transformadora (caso não esteja a par deste tema, leia o artigo publicado no n° 0 de O GRÉS, com o título: "Museu da Cortiça, Uma âncora na Memória de Silves").

Assim, quem puder deslocar-se a Hannover para ver a Expo 2000 encontrará um edifício quadrado, com cerca de 967 metros quadrados, cujo tecto será coberto por uma tela translúcida, de modo a filtrar a luz. �à entrada do Pavilhão estão plantados três sobreiros vindos de Coruche, que permitirão ao visitante conhecer a beleza da floresta de sobro�, revelou-nos Simonetta Luz Afonso. No interior do edifício, os visitantes poderão, ainda, ver um ecrã hiper-panorâmico (com cerca de 3x18 metros), concebido especialmente para o Pavilhão de Portugal, um catamaran e um submarino robotizados (desenvolvidos e testados no Instituto Superior Técnico e diversos outros organismos), uma cadeira de vidro (fabricada numa empresa da Marinha Grande e projectada, em colaboração, por estudantes de engenharia do Instituto Superior Técnico e do Massachusets Institute of Technology de Boston), écrans interactivos, que disponibilizam informação temática sobre Portugal e os melhores trabalhos elaborados pelos alunos das escolas portuguesas para a Expo 2000, no âmbito do projecto "Portugal (d)escrito pelos seus Jovens", promovido pelo Ministério da Ciência e Tecnologia. Qualquer visitante poderá, igualmente, desfrutar do aconchego de um pátio interior, aberto e, se quiser, tomar uma bica bem portuguesa na cafetaria do Pavilhão, que tem o sugestivo nome de "Sabores". E não há que enganar: para encontrar este espaço que o primeiro ministro António Guterres considerou ser �por si só uma obra de arte�, basta-lhe procurar pela palavra Portugal, gravada a letras bem grandes na fachada.

O Pavilhão português na Expo 2000 realizará, ao longo dos cinco meses de duração do certame, diversos encontros de carácter científico e cultural, para além de inúmeros espectáculos.

Alguns desses encontros estarão directamente ligados à preservação ambiental e abordarão questões ligadas à cortiça. é o caso de um ciclo de conferências que decorrerá de 16 a 20 de Outubro e que terá como tema central "Montados e cortiça: investigação na interface do homem e da natureza", no qual se abordarão questões relativas, por exemplo, aos modelos de produção de cortiça e de gestão de montados, aos efeitos do clima e do stress no crescimento da árvore, ou à relação cortiça-arquitectura-tecnologia.

A 24 de Julho decorrerá uma "Conferência Internacional sobre a Floresta Mediterrânica" e a 14 de Setembro, o Algarve estará em destaque na Expo, com a realização do Seminário "Vilamoura XXI - Parque Ambiental e sistemas de gestão ambiental dos campos de golfe".

A programação do Pavilhão incluirá, ainda, 2000 espectáculos de música tradicional, clássica e contemporânea, dança, teatro, cinema, moda, animação de rua e manifestações etnográficas.

O espectáculo de abertura da Expo 2000, �Rituais�, contará com a participação de um coro de cantadores alentejanos, transportando para o cenário de Hannover o imaginário do sul de Portugal. Artistas como Madredeus, Dulce Pontes, Maria João e Mário Laginha, Mísia, Pedro Burmester, António Rosado e Artur Pizarro ou Rui Horta também passarão pelos palcos de Hannover. A programação cultural terá particular relevo nas datas de 10 de Junho (Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Lusófonas) e 5 de Outubro, em que Portugal celebrará o seu Dia Nacional na Expo 2000 Hannover. Quem quiser encontrar mais informação sobre o pavilhão português ou sobre a Expo em geral poderá consultar na Internet os seguintes endereços:

www.expo2000.de
www.hannover2000.mct.pt

Sandra Moreira

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