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Portugal recebeu João Paulo II e, com ele, deslocaram-se a Fátima milhares de peregrinos, vindos de todo o lado. O Campeonato Nacional Futebol chegou ao fim, consagrando o Sporting como Campeão, facto que não acontecia há 18 anos e que gerou uma onda verde de Norte a Sul do País. Milhares de estudantes fizeram silêncio e ouviram cantar o fado nas diversas semanas por todo o país. Foi, sem dúvida, o mês dos "efes": Fátima, Futebol e Fado, que mostraram a sua força e o seu enraizamento na nossa cultura. Tanta foi a sua força, que muito se esqueceu e muito ficou por dizer. Enquanto todos acompanhavam pelos canais de televisão nacionais a chegada de João Paulo II a Portugal, ou enquanto viam, durante horas a fio, os preparativos dos jogos do Campeonato e Taça, a entrada dos jogadores no campo, o jogo, a saída dos jogadores do campo, a entrada dos jogadores no autocarro, a festa dos jogadores e dos adeptos nas ruas e largos de Município (...), muito acontecia pelo mundo e no nosso país e ia ficando fora dos alinhamentos dos noticiários, por falta de espaço/tempo. O governo atravessou um dos momentos mais dramáticos desde que tomou posse: o Primeiro Ministro foi interpelado no Parlamento pelas diversas bancadas e saiu de lá com sérios problemas de imagem para resolver. Não fosse Fátima e o Futebol e o país todo sentiria que o seu governo estremecia, tantas foram as greves, as dificuldades em explicar algumas medidas governamentais e as deslocações ao estrangeiro do Primeiro Ministro, para não falar dos problemas acrescidos trazidos pela descida do Euro e consequentes aumentos nas taxas de juros, que se vão reflectir nas vidas das famílias portuguesas (que, cada vez mais, recorrem ao crédito bancário, mas que estavam entretidas a ver televisão...). Até os estudantes universitários baixaram as bandeiras das reivindicações para viverem a sua festa anual, esquecendo-se dos seus colegas do Ensino Secundário, em luta pela mudança do novo sistema de avaliação que o governo vai implementar. Uma coisa apenas pareceu estar de acordo com o momento: a estreia do filme "O Gladiador", do realizador Ridley Scott, com todo aquele ambiente romano, os gladiadores a entrarem na arena e o Coliseu cheio de gente, ávida de pão para saciar a fome, mas disposta a esquecer o "estômago a dar horas" em troca de alguns momentos de diversão!... Fenómenos culturais e sociais destes não são novos, nem únicos. Portugal está ficar cada vez mais parecido com os outros países, como dizia Marshall McLuhan, um importante estudioso dos meios de comunicação. Os media ocupam dia-a-dia um lugar mais preponderante na vida dos homens. Mas é preciso não esquecermos que eles são apenas UMA janela aberta para o mundo e que há portas e postigos que continuam à nossa frente, prontos a abrirem-se, para que a nossa perspectiva da realidade seja a mais abrangente e a mais lúcida possível, afastada dos oportunismos e manipulações a que muitos interesses nos tentam conduzir através dos meios de comunicação. |