![]() |
Como refere, em entrevista, Jorge Sequeiros, médico geneticista, Presidente do Colégio de Genética Médica, ao Diário de Notícias de 27 de Junho de 2000, este problema é uma questão essencialmente cultural e educacional.
�(...) A possibilidade de exagerarmos a importância do genoma e a tendência actual para se considerar que são apenas os nossos genes que determinam como somos, quem somos, para onde vamos. Este exagero pode levar a uma cada vez maior geneticização da medicina e uma maior medicalização da vida, à perda da sua dimensão humana e do reconhecimento do papel do livre arbítrio, a um sentimento de perda de autonomia, a uma caricatura da vida. Poderia mesmo ser perigosa, politicamente, se conduzisse ao desprezo da importância da educação e da cultura, dos esforços para a melhoria das condições de vida e a diminuição da pobreza, da luta contra a fome e as infecções, da valorização da nossa diversidade cultural e comportamental, da melhoria do nosso meio ambiente e da preservação da natureza.�
Para além das questões relacionadas com as opções individuais a propósito das características da espécie humana, este poder potenciará um novo tipo de discussão a propósito do comportamento do ser humano, nomeadamente a propósito do consumo de droga, um dos temas discutidos este mês na Assembleia da República. Esta euforia em torno do gene transporta-nos para um cenário de ficção científica em que a capacidade de transformação é guiada pela vontade dos detentores do conhecimento.
|