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Caos
É o
espaço primitivo e desorganizado, personificado na forma de uma serpente.
Representava uma realidade permanentemente ameaçadora de retorno ao estado
primordial. Existia de forma indefinível. Era uma entidade rudimentar, mas
que gerou a Noite e o Érbero
Gaia
Também
conhecida como Géia.
Surgiu a partir do Caos e sempre foi considerada como fator de estabilidade.
Era chamada de "Mãe do Universo" e tinha a missão de trazer
organização ao espaço desorganizado do Caos. A partir dela o mundo começou
a se estruturar. Foi mãe dos deuses e dos gigantes, do bem e do mal, dos vícios
e virtudes.Sem qualquer intervenção de outra divindade, gerou os Montes, o
Ponto (Mar) e Urano, o qual veio a desposar. Com seu marido, Gaia foi mãe
de Têmis, Téia, Hipérion, Oceano, Tétis, Mnemósine, Clímene, Jápeto,
Ceos, Febe, Euríbia, Crio, Réia e Cronos. Também foi mãe dos Ciclopes
(monstros de um olho só) e dos Hecatonquiros (gigantes de cinqüenta cabeças
e cem braços).Foi Gaia quem aconselhou Zeus a libertar os Ciclopes e os
Hecatonquiros do Tártaro para que estes o ajudassem a conquistar o poder
supremo, mas, como após a batalha vencida, Zeus lançou seus filhos Titãs
ao Tártaro, Gaia enviou os gigantes para com ele lutar. Como eles falharam
nesse propósito, Gaia gerou monstro Tifon, que também foi derrotado por
Zeus e Atena e enviado ao monte Etna, mas, mesmo vencido, o monstro passou a
vomitar rios de lava deste monte.Acreditava-se que o homem havia nascido da
terra embebida de água e aquecida pelos raios do sol.
Urano
Também
conhecido como Ouranos.
Segundo alguns, era filho apenas de Gaia, para outros (Hesíodo), era filho
do Éter e da terra.
Conta-se que teve quarenta e cinco filhos de várias mulheres, muitos dos
quais eram de Gaia, a quem desposou, sendo os principais os Titãs, as Titânidas,
os Ciclopes e os Hecatonquiros.
Como seus filhos eram monstros que representavam a força indomável dos
elementos, caracterizados pelo extremo egoísmo e crueldade, Urano tomava
aversão a eles e, assim que nasciam, os enviava ao Tártaro,
encarcerando-os num abismo onde não penetrava nenhuma réstia da luz do
dia.Com o passar do tempo, Gaia foi ficando revoltado com essa atitude do
marido e pediu a Cronos, seu filho caçula, que castrasse seu pai,
entregando-lhe, para tanto, uma foice que ela mesma havia amolado.Cronos
castrou seu pai e Urano, cheio de mágoa em conseqüência da mutilação
sofrida, morreu. Antes de sua morte, porém, seu sangue fecundou a Terra,
gerando as Eríneas (guardiões da ordem social), os gigantes (monstros
enormes e de grande força que, apesar da origem divina, podiam ser mortos
se atacados por um deus e um mortal ao mesmo tempo) e as Melíades (ninfas
das águas).
Jápeto/ Lápeto
Filho de Urano e Gaia,
irmão de Cronos, pai de Prometeu, Atlas, Epimeteu e Meneceu. Considerado
como antepassado da raça grega e também de todos os homens.
Héstia
Era a mais velha filha
de Cronos e Réia.
Seu nome significa "fogão de casa".
Não há nessa deusa emoção alguma. Recusou as propostas de casamento de
Apolo e Poseidon, optando por manter-se casta, pura e solitária. Por fim,
recebeu de Zeus a honra de ser venerada em todos os lares e receber respeito
de deuses e mortais como a deusa do fogo do lar.
Por isso, os homens passaram a honrá-la e todos os sacrifícios começavam
e terminavam invocando Héstia em primeiro lugar. Orações eram-lhe
oferecidas antes e depois das refeições para que a família e o lar fossem
protegidos e, embora essa deusa nunca tenha tido uma família nem um lar,
atendia suas preces. Seu culto consistia em alimentar o fogo que lhe era
consagrado, impedindo-o de se apagar.
Afrodite
Sobre
a origem dessa deusa há duas versões: em uma delas, Afrodite teria surgido
da espuma do mar aquecido pelo sangue de Urano, quando este foi castrado por
seu filho Cronos; acrescenta-se que a deusa teria nascido dentro de uma
madrepérola perto da ilha de Chipre, onde fora levada por Zéfiro, sendo
ali cuidada e educada pelas Horas. Outra versão narra que Afrodite seria
filha de Zeus e Dione (ou Dionéia), filha de Poseidon.
Qualquer que seja sua origem, é sempre identificada como a deusa da beleza
e dos prazeres.
Afrodite foi dada em casamento a Héfesto por Zeus, mas posteriormente o
traiu com Ares, traição essa que foi denunciada ao marido por Hélio. Amou
Hermes (com quem gerou Hermafrodito), Dioniso (com quem gerou Príapo), Adônis,
Anquises (com quem gerou Enéias) e um número infinito de mortais. Com Ares
concebeu Eros, Deimos, Fobos e Enio.
Apesar de ser a deusa dos amores, Afrodite era, muitas vezes cruel e mesmo
vingativa. Para punir Hélio de sua indiscrição ao delatá-la ao marido,
ela o tornou infeliz nos seus amores. Vingou-se da ferida recebida por
Diomedes inspirando sua mulher a traí-lo com outros homens. Puniu a musa
Clio que havia criticado seu amor por Adonis. Puniu, também, Hipólito,
filho de Teseu, por ter desprezado seus atrativos, inspirando em sua
madrasta Fedra grande paixão pelo rapaz, contudo, ela foi desprezada pelo
enteado e, para vingar-se, disse ao marido que Hipólito tinha tentado
violentá-la, por isso Hipólito acabou morrendo e Fedra, arrependida,
suicidou-se.
A passagem mais relevante em que essa deusa esteve envolvida foi a disputa
acerca do pomo de ouro enviado pela deusa da discórdia à mais bela deusa.
Páris, encantado com sua extrema formosura, acabou por lhe outorgar a vitória
sobre Atena e Hera. Afrodite recompensou Páris fazendo-o senhor do coração
da mais bela mortal, Helena, fato que desencadeou a guerra de Tróia. No
entanto, Afrodite jamais cessou de proteger Páris e os troianos em
reconhecimento à sua vitória sobre as demais.
Héfesto
Segundo
Hesíodo, esse deus foi concebido espontaneamente por Hera, sem qualquer
intervenção masculina. Outros, como Homero, atribuem a Zeus sua
paternidade.Héfesto era coxo e, para esse defeito físico, uma versão
narra que ele nasceu disforme e sua mãe, envergonhada com a aparência do
filho que gerou, atirou-o do Olimpo. A criança rolou um dia inteiro pelo
espaço e, enfim, caiu no mar, onde foi recolhido por Tétis e Eurínome,
filhas de Oceano, as quais o guardaram em uma gruta profunda por nove anos.
Durante esse tempo, o deus aprendeu a trabalhar com metais.Agradecido a Tétis
por ter-lhe salvo a vida, Héfesto fabricou para ela várias jóias e,
inclusive, as novas armas de Aquiles, filho da nereida.
Para vingar-se de sua mãe por tê-lo atirado dos céus, Héfesto fabricou
uma cadeira de ouro para presenteá-la. Maravilhada com a perfeição da
obra, Hera sentou-se no trono e ali ficou presa, pois só o deus conhecia o
segredo para soltar as pessoas que ali sentavam. Foi preciso que Dioniso
embebedasse o deus para que ele soltasse Hera.
Outra versão para o defeito físico de Héfesto conta que Zeus, furioso com
sua intervenção em uma discussão com Hera sobre Heracles, agarrou-o por
um dos pés e o atirou para fora do Olimpo. Com essa queda, o deus teria
ficado aleijado.
Para compensá-lo de todo sofrimento que passou, Zeus, posteriormente,
deu-lhe Afrodite como esposa.Mesmo aleijado, Héfesto era corajoso. Senhor
do fogo, lutou e matou com barras de ferro em brasa o gigante Clício.
Participou, ainda, da guerra de Tróia, onde tomou partido dos gregos e
chegou a salvar Aquiles da morte ao lutar com o Rio Escamandro.Atribui-se a
Héfesto a paternidade do argonauta Palêmon, do escultor Érdalo, do
salteador Perifetis e de Erictônio, ente meio humano, meio serpente, fruto
de seu desejo por Atena.Héfesto era conhecido como deus do fogo e perito na
arte de trabalhar com metais.Sua mais perfeita obra foi a criação da
primeira mulher, que o deus modelou em argila e, depois, animando-a com o
sopro divino, fez surgir Pandora.
Hebe
Filha
de Zeus e Hera.Segundo algumas versões, Hebe era filha apenas de Hera, que
a concebeu espontaneamente após comer muita alface numa festa oferecida por
Apolo.Zeus, em razão de sua beleza, nomeou-a deusa da juventude e lhe
confiou, antes do rapto de Ganimedes, a missão de servir néctar aos
imortais. Hebe tinha, ainda, a função de preparar o banho de Ares e ajudar
a atrelar os cavalos do carro de Hera. Seu passatempo favorito era dançar
com as Musas e as Horas, ao som da lira de Apolo.Hebe casou-se com Heracles,
quando o herói, após sua morte, foi viver no Olimpo, tornando-se um
semideus.
Itília
Filha
de Zeus e Hera. É a deusa que preside os nascimentos. Itília cumpria
fielmente as ordens da mãe, auxiliando-a, muitas vezes, a perseguir os
frutos dos romances extraconjugais de Zeus. Assim, por ordem de Hera, tentou
impedir Leto e Alcmena de dar a luz
Hera
Filha
de Cronos e Réia, desposou Zeus. Para as núpcias, celebradas em Creta,
Zeus mandou que Hermes convidasse todos os deuses, homens e animais; todos
compareceram, menos a ninfa Quelone e, como castigo por essa afronta, foi
metamorfoseada em tartaruga.
Conta-se que sua mãe, para esconder a criança do pai, que engolia todos os
filhos, entregou-a aos cuidados de Oceano e Tétis, seus tios.
Hera era considera esposa legítima de Zeus e, apesar dos diversos
relacionamentos amorosos de seu consorte, os atributos dados a Zeus também
lhe foram imputados, possuindo, pois, plenos poderes sobre os fenômenos
celestes.
Entretanto, em virtude desses romances extraconjugais mantidos por Zeus, inúmeras
discórdias se instalavam entre eles, sendo que, certa vez, Zeus a suspendeu
entre o céu e a terra numa cadeira de ouro e pôs uma bigorna em cada pé.
Héfesto, filho de Hera, tentou soltá-la, mas foi atirado com um pontapé
para a terra, de cabeça para baixo.
Em virtude do intenso ciúme que nutria por Zeus, perseguiu todas as amantes
e todos os filhos ilegítimos do mesmo. Assim, tentou impedir o nascimento
de Heracles, Apolo e Ártemis; impôs a Heracles os doze trabalhos; mandou
que os Curetes raptassem Épafo; conspirou para a morte de Semele, quando grávida
de Zeus e transformou Io em novilha, perseguindo-a incansavelmente.
Juntamente com Atena, Hera ajudou a destruir Tróia por ter sido preterida
por Páris na disputa pelo pomo de ouro, disputa essa que se instalou entre
ela, Atena e Afrodite.
Hera era considerada protetora das esposas, do casamento, dos nascimentos e
dos costumes.
Réia
Também
conhecida como Rhea. Filha de Urano e Gaia, era considerada também a própria
terra. Desposou Cronos e foi mãe dos deuses olímpicos. Era chamada de Mãe
dos Deuses. Após seu nascimento, sua mãe a deixou em uma floresta para que
os animais dela cuidassem. Mais tarde, apaixonou-se por Átis, jovem frígio
a quem lhe confiou seu culto, desde que lhe prometesse a castidade. O jovem,
porém, descumpriu a promessa e se casou com a ninfa Sangarida, a qual foi
morta por Réia como punição a Átis. Este, desesperado, tentou matar-se,
mas Réia dele se apiedou e o transformou num pinheiro
Deméter
Filha
de Cronos e Réia.Essa deusa foi cortejada por Poseidon, mas querendo fugir
de suas investidas, metamorfoseou-se em égua, estratégia que não deu
certo, pois o deus, percebendo a manobra, transformou-se em cavalo e acabou
por gerar com ela o corcel Árion. Indignada com a brutalidade de Poseidon,
Deméter vestiu-se de luto e se afastou do Olimpo, passando a residir numa
gruta e tornando a terra, nesse período, estéril. Essa situação perdurou
até que Pã, caçando na região onde ela se encontrava, acabou por
descobrir seu paradeiro, que era ignorado até então, e o informou a Zeus,
o qual, com o auxílio das Moiras, convenceu-a a retornar ao Olimpo e tornar
a terra fértil novamente.Zeus, seu irmão, igualmente apaixonou-se por sua
beleza e com ela gerou Perséfone.Deméter apaixonou-se por Iásion e com
ele teve Pluto, que era considerado a personificação da riqueza. Iáson,
contudo, morreu fulminado por um raio enviado por Zeus, que estava enciumado
com esse romance.Mais tarde, quando Hades raptou sua filha Perséfone, Deméter,
inconsolável, queixou-se a Zeus, que nada lhe revelou. Por isso, pôs-se
ela mesma a procura da filha e, depois de haver percorrido o mundo sem nada
descobrir, voltou ao monte Ida, onde a ninfa Aretusa informou-lhe o nome do
raptor. Deméter, então, amaldiçoou a terra, tornando-a estéril, de modo
que Zeus, sem ter outra alternativa, foi obrigado a interceder junto a Hades
para que este devolvesse Perséfone à mãe. Embora Hades tenha concordado
com Zeus, antes de devolver Perséfone, ofereceu-lhe uma romã que, uma vez
por ela ingerida, ligou-a eternamente ao reino subterrâneo, de modo que
Perséfone sempre voltaria para lá. Assim, Deméter passou a gozar da
companhia da filha durante oito meses do ano e, durante os quatro meses
restantes, ela retornava às profundezas infernais para reinar ao lado de
Hades.
Tétis
Filha
de Urano e Gaia, desposou Oceano e com ele gerou três mil ninfas, chamadas
Oceânidas, além dos deuses dos rios e oceanos.Acredita-se que Zeus, preso
e amarrado pelos outros deuses que juntos conspiraram para destroná-lo, foi
solto por Tétis e pelo gigante Briareu.Essa deusa não deve ser confundida
com a mãe de Aquiles que, mais tarde, foi batizada com o mesmo nome.
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Oceano
Filho
de Urano e Gaia, desposou Tétis, com quem gerou as Oceânidas e os deuses
de todos os rios e mares da terra.Era o primeiro deus das águas, governador
do rio Oceano, que se apresentava como um rio imenso que envolvia toda a
terra.
Posteriormente, com a partilha do poder entre os irmãos Zeus, Hades e
Poseidon, Oceano foi sucedido por este último como senhor de todas as águas.Homero
conta que os deuses o visitavam muitas vezes na Etiópia, tomando parte nas
festas e sacrifícios ali realizados.Em uma versão, conta-se que Hera foi
entregue aos seus cuidados e de sua esposa por sua mãe Réia, a fim de
evitar que a mesma fosse engolida por Cronos.
Cronos
Filho
de Urano e Gaia, era o caçula dos Titãs.
Cronos, a pedido de Gaia que estava revoltada com o sucessivo aprisionamento
de todos os seus filhos no Tártaro, castrou seu pai, o qual logo veio a
falecer. Após o falecimento de Urano, Cronos libertou seus irmãos do Tártaro
e, por isso, obteve do irmão primogênito, Titã, permissão para governar
o Universo, desde que toda a sua prole fosse eliminada ao nascer, a fim de
que a sucessão do trono ficasse garantida aos descendentes de Titã.Cronos,
além de enviar os Ciclopes e os Hecatonquiros ao Tártaro, devorava todos
os seus filhos assim que nascia, de forma a cumprir o combinado com seu irmão
e, assim, garantir o trono para si mesmo, pois Gaia havia predito que um de
seus filhos iria destroná-lo.
Réia, contudo, conseguiu salvar Zeus de sua sina apresentando ao marido uma
pedra enfaixada, a qual foi engolida por Cronos pensando tratar-se do filho
recém nascido.Quando adulto, Zeus ofertou ao pai uma poção que o fez
vomitar seus irmãos e os liderou numa guerra que culminou com sua vitória
e expulsão de Cronos do céu, vindo este a se tornar um mortal.Deste modo,
a dinastia de Cronos prosseguiu, em prejuízo da descendência de Titã.Cronos
é, muitas vezes, confundido com o tempo, em virtude da similaridade de
grafia das duas palavras gregas. Para Cícero ele é, de fato, o tempo, que
não sacia dos anos e consome a todos que passam.
Hércules
Filho
de Zeus e Alcmena, esposa de Anfitião.
Anfitião, neto de Perseu, durante uma batalha involuntariamente assassinou
seu tio Eletrião, rei de Micenas. Por isso, resolveu se exilar na cidade de
Tebas. Tempos mais tarde, propôs casamento a sua prima Alcmena que, como
condição para a celebração do matrimônio, impôs que Anfitião vingasse
a morte de seus irmãos pelos telebranos.
Quando Anfitião encontrava-se realizando a vingança que lhe fora imposta
pela noiva, Zeus, que se atraíra pela formosura de Alcmena, tomou a forma
de Anfitião e a ela se apresentou, dando provas de que se tratava realmente
do noivo e que havia vencido a batalha contra os assassinos de seu irmão.Durante
três dias Apolo, a pedido do pai, não percorreu os céus e, através dessa
longa noite, Zeus, sob a forma de Anfitião, uniu-se a Alcmena. Logo depois
que Zeus foi embora, Anfitião retornou para contar seus feitos à noiva e
espantou-se por dela não receber qualquer atenção. Intrigado, foi
consultar o adivinho Tirésias que lhe esclareceu o motivo da desatenção
de Alcmena.Furioso com a traição de sua noiva, Anfitião colocou-a numa
imensa pira para sacrificá-la, mas Zeus interveio sob a forma de um intenso
temporal e impediu o sacrifício. Anfitião, então, reconhecendo que a
noiva contava com as bênçãos dos deuses, resolveu perdoá-la e com ela se
casar.Algum tempo mais tarde, depois de sofrer enormemente com as dores do
parto, Alcmena deu a luz a gêmeos, chamados Heracles (filho de Zeus) e
Ificlo (filho de Anfitião).Hera, porém, inconformada com a nova traição
do marido, vendo-se frustrada na tentativa de impedir o parto de Alcmena,
enviou duas temíveis serpentes para o berço onde as duas crianças
dormiam. Heracles, embora ainda recém-nascido, estrangulou as duas víboras,
mais uma vez frustrando a deusa.Após a primeira infância, Heracles foi
enviado aos melhores mestres. Assim, com Radamanto aprendeu a usar o arco;
Castor ensinou-lhe as minúcias do combate armado; Quiron ensinou-lhe
astronomia e medicina; além de vários outros mestres de renome.Adulto,
Heracles foi à Beócia com a finalidade de capturar e exterminar um imenso
leão que aterrorizava a região. Ali chegando matou o leão com as próprias
mãos. O rei da Beócia, em agradecimento, hospedou-o em seu palácio e, a
cada noite, mandava-lhe uma de suas filhas para que elas gerassem guerreiros
tão corajosos quanto o herói. Retornando da caçada Heracles se bateu e
venceu os soldados do rei Orcômeno que vinham exigir o pagamento de um
tributo a Tebas, como recompensa, Creonte, que então reinava sobre Tebas,
ofereceu-lhe a mão de sua filha, a princesa Megara. Com ela se casando
Heracles teve três filhos.Hera, porém, sem descansar da perseguição a
Heracles, fez com que o herói tivesse um surto de loucura durante o qual
brutalmente assassinou Megara, seus filhos e os do seu irmão. Passado o
acesso de fúria, Heracles arrependido do ato insano que cometera, procurou
o oráculo de Delfos, tendo dele obtido que os deuses perdoariam seu crime
se ele se tornasse servo de seu primo Euristeu, rei de Micenas, o qual lhe
impôs doze perigosos trabalhos.
O primeiro trabalho foi o combate contra o terrível Leão de Neméia que
apavorava os bosques da Argólida. Após encurralar a besta, Heracles
disparou suas flechas, que dano nenhum lhe produziram, quebrou sua clava
contra ele e, percebendo que essa tentativa também foi inútil, resolveu
agarrar o leão com suas próprias mãos e, assim, o estrangulou. Com suas
unhas arrancou sua pele e cabeça, as quais, depois de curtidas, passaram a
ser utilizadas pelo herói como armadura e capacete.O segundo trabalho foi o
combate contra a Hidra de Lerna, monstro que habitava um charco profundo no
território de Argos. Possuía um hálito letal emanado de suas várias cabeças
(alguns diziam ter sete, outros nove, outros cinqüenta e, alguns, cem cabeças),
das quais uma era imortal. As cabeças mortais regeneravam-se se fossem
cortadas, salvo se o pescoço que restasse fosse cauterizado com fogo. Com a
ajuda de seu sobrinho Iolaus, Heracles ateou fogo numa floresta vizinha de
modo a poder cauterizar as feridas resultantes dos cortes que fazia nas cabeças
do monstro. A última cabeça, imortal, foi também decepada e enterrada num
fundo buraco sob um imenso rochedo. Quando Heracles estava prestes a
triunfar sobre o monstro, Hera enviou um caranguejo que mordeu o pé do herói,
este, sem dar qualquer atenção ao pequeno animal, esmagou-o; Hera, como
reconhecimento do serviço prestado por esse caranguejo, colocou-o nos céus,
sob a forma da constelação de câncer.
O terceiro trabalho foi o combate ao Javali de Erimanto. Essa fera arrasava
os campos da Arcádia e a tarefa de Hércules era trazê-lo vivo à presença
de Euristeu. Realizando com sucesso mais essa missão, Heracles levou o
animal a Micenas e Euristeu, apavorado, escondeu-se numa cuba de bronze que
mandara construir para se proteger.O quarto trabalho foi apoderar-se da corça
dos pés de bronze. Essa corça vivia nos vales da Arcádia e possuía
cornos de ouro e pés de bronze, tão rápida era ela que ninguém conseguia
alcançá-la. Heracles, sabendo que essa corça era consagrada a Artemis,
absteve-se de caçá-la, limitando-se a persegui-la incansavelmente. Após
um ano de perseguição o herói finalmente a capturou quando atravessava o
rio Ladon e a levou sobre os ombros até Micenas.O quinto trabalho consistia
em exterminar as aves que viviam no rio Estinfale. Esses pássaros
monstruosos, adestrados por Ares, viviam na região da Arcádia e possuíam
asas, bico e cabeça de ferro. Contra os que ali passavam, atiravam suas
penas de ferro e se alimentavam das suas carnes. Para o cumprimento desse
trabalho Heracles contou com a ajuda de Atena. O herói recebeu dessa deusa
címbalos de bronze, forjados por Héfesto, que faziam um tal barulho que
obrigava as aves a sair de seu esconderijo, permitindo, assim, que o herói
as acertasse com suas flechas.O sexto trabalho consistiu na captura do touro
de Creta, animal que devastava toda a região como punição ao rei Minos,
que se negara a sacrificá-lo em honra a Poseidon. Lá chegando, Heracles
agarrou o animal pelos chifres e o conduziu, ainda vivo, até Micenas.
Euristeu, então, resolveu sacrificar o touro a Hera, que não o aceitou por
ter sido capturado por Heracles. O touro, então, escapou e foi devastar as
planícies de Maraton, onde, tempos mais tarde, foi capturado por Teseu.O sétimo
trabalho relacionava-se com os cavalos de Diomedes. Diomedes, rei da Trácia,
era filho de Ares e Cirene. Possuía quatro terríveis cavalos (Podargo,
Lampon, Xanto e Dino) que vomitavam fogo, tais cavalos eram alimentados com
a carne dos estrangeiros que tinham a desventura de aportar naquele país.
Heracles dominou Diomedes e o expôs à fúria dos seus animais que, como
estavam acostumados à carne humana, o devoraram. Depois, levou-os a Micenas,
onde foram, por fim abandonados próximo ao monte Olimpo e acabaram sendo
estraçalhados por animais ferozes.O oitavo trabalho relacionou-se com o
cinto de Hipólita, filha de Ares e Otrera. Euristeu, para satisfazer o
desejo da filha de possuir essa jóia, ordenou que Heracles fosse até a
terra das amazonas e lhe trouxesse o cinto usado por Hipólita, rainha das
amazonas. Lá chegando o herói lutou contra as amazonas, raptou Hipólita
e, além de retirar-lhe seu cinto, obrigou-a a se casar com seu amigo Teseu.O
nono trabalho era limpar as estrebarias do rei Augias. Augias reinava sobre
a Élida e era conhecido por possuir mais de três mil bois. No entanto,
suas estrebarias há trinta anos não eram limpas. Euristeu, sabendo dessa
fama, enviou Heracles à Élida para proceder à limpeza dos estábulos
reais. Augias, ignorando o trabalho imposto e tendo conhecimento de que o
herói estava em suas terras, propôs lhe dar um décimo de seu rebanho se
as estrebarias fossem limpas. Fechado o acordo, Heracles desviou o curso do
rio Alfeu e o fez passar por dentro do curral, desse modo, a força das águas
removeram todo o esterco ali acumulado e purificaram o ar viciado com os
dejetos dos animais. Quando Heracles foi receber o pagamento pela façanha,
Augias, não querendo recusar o pagamento diretamente, mandou que o herói
fosse ter com seu filho Fileu, que deu razão a Heracles. O rei, furioso,
expulsou o filho de seu reino e o obrigou a refugiar-se na Dulíquia.
Heracles, indignado, saqueou a cidade, matou Augias e entregou a Fileu o
governo do país.
O décimo trabalho era capturar os bois de Gerião. Gerião, filho de
Crisaor e Caliroe, era rei da Ereta. Alguns poetas o descrevem como um
gigante de três corpos, que tinha, para guardar seus rebanhos, um cão de
duas cabeças, chamado Ortro (filho de Tifon e Equidna) e um dragão de
sete. Heracles matou os guardas e Gerião, que veio tentar proteger seu
rebanho, e se apoderou dos animais, levando-os a Micenas.
O undécimo trabalho era furtar os pomos de ouro que nasciam no jardim das
Hespérides. Tais frutos eram guardados pelas Hespérides, três ninfas
filhas de Atlas conhecidas pelos nomes de Egle, Erítia e Hesperaretusa, e
vigiados por Ladão, imenso dragão de três cabeças. Para cumprir essa
missão, Heracles persuadiu Atlas a ir buscar os pomos e, enquanto o gigante
ia buscá-los, o herói ficou em seu lugar segurando os céus. Porém,
quando Atlas retornou, não queria tornar a suportar novamente os céus
sobre seus ombros e se propôs a entregar os pomos a Euristeu. Heracles
fingiu concordar, mas pediu ao gigante que ele segurasse por um instante os
céus para que ele pudesse colocar almofadas sobre os ombros a fim de
diminuir a pressão em suas costas. Atlas segurou novamente os céus e
Heracles pegou os pomos e rumou para Micenas.
O duodécimo trabalho foi descer aos infernos com a finalidade de trazer Cérbero
para o mundo dos vivos. Lá chegando o herói libertou Teseu que ali estava
preso por ter tentado raptar Perséfone. Depois, encontrou-se com Hades e,
expondo o motivo de sua presença nos Infernos, obteve do deus permissão
para levar seu cão, desde que Heracles o derrotasse sem utilizar quaisquer
armas. Vencendo a condição que lhe fora imposta, Heracles dominou o cão e
o levou, com suas próprias mãos, à presença de Euristeu. Depois de
apresentá-lo como prova do cumprimento do seu derradeiro trabalho, Heracles
retornou ao Inferno e devolveu o cão ao seu dono.Heracles teve muitas
mulheres e não se sabe ao certo quantos filhos deixou.Sua morte foi
motivada pela vingança do centauro Nesso e pelo ciúme de uma de suas
mulheres, a princesa Dejanira.Dejanira era filha de Eneas, rei de Cálidon.
A princesa era noiva do rio Aqueló e este disputou com Heracles o privilégio
de com ela se casar. Embora Aqueló tenha tomado a forma de uma serpente,
Heracles o venceu e Dejanira ficou em seu poder. Heracles, então, resolveu
levá-la para sua terra natal, mas o rio Eveno impediu sua travessia fazendo
suas águas crescerem assustadoramente de volume. O herói já pensava em
retroceder quando o centauro Nesso se ofereceu para levar em seu dorso
Dejanira. Heracles consentiu e atravessou primeiro o rio. Quando chegou a
outra margem, percebeu que o centauro não iria atravessá-la, mas sim
arrebatá-la à força. Indignado, o herói preparou seu arco e atirou uma
flecha embebida com o sangue da Hidra de Lerna para a outra margem, ferindo
Nesso mortalmente. Nesso, sentindo-se às portas da morte, entregou a
Dejanira sua túnica ensangüentada, dizendo-lhe que se ela conseguisse
persuadir Heracles a usá-la, manteria seu marido fiel para sempre. A jovem
aceitou o presente e, mais tarde, tomando conhecimento que Heracles estivera
em Eubéia preso aos encantos de Iole, enviou-lhe a túnica através de um
escravo. Heracles, aceitou a encomenda da mulher e usou a túnica, mas, mal
colocou o tecido sobre a pele, o veneno que nele estava retido penetrou na
sua pele e tomou conta de todo o seu corpo. Em vão, o herói tentou se
desembaraçar da túnica, mas esta se colara na sua pele e, à medida que a
rasgava, rasgava também suas próprias carnes.
Vendo-se próximo do fim, o herói preparou uma fogueira sobre o monte Etna,
estendeu-se sobre a pele do Leão da Neméia, colocou sua clava sob sua cabeça
e pediu a seu amigo Filoctete para lhe atear fogo e guardar suas cinzas.
Zeus, porém, compadecido com o sofrimento do filho, arrebatou ao Olimpo e
colocou-o entre os semideuses, tornando-o imortal.Mais tarde, no Olimpo,
Heracles casou-se com Hebe, filha de Zeus e Hera, o que simbolizou seu
acesso à juventude eterna.Dejanira, quando soube que foi a causadora da
morte de Heracles, suicidou-se e do seu sangue brotou uma planta chamada
ninféia (ou herácleon segundo alguns. |
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Zeus
Filho
de Cronos e Réia, foi salvo da sua sina por sua mãe, pois seu marido
engolia todos os seus filhos logo após o nascimento.Réia, querendo salvar
o filho por nascer, retirou-se para Creta, onde deu a luz a Zeus e o
escondeu em suas entranhas, entregando ao marido uma pedra enfaixada, a qual
foi por ele engolida, pensando tratar-se de seu filho.Zeus foi entregue aos
cuidados de Adrastéia e Ida, duas ninfas cretenses conhecidas como
Melissas, que o alimentavam com leite da cabra Amaltéia e mel das abelhas
do monte Ida. Recebeu também os cuidados dos Curetes, habitantes de Creta,
que dançavam ao seu redor batendo espadas e escudos para ocultar o som de
seu choro.Adulto, associou-se à Métis, deusa da prudência, que o
aconselhou a dar a Cronos, seu pai, uma beberagem que o fizesse vomitar a
pedra que ele engolira em seu lugar, bem como seus demais irmãos. Liderando
seus irmãos, Zeus empreendeu uma batalha para obter o poder supremo e
banir, de vez, todos os titãs que a ele se opunham. Para tanto, Gaia
predisse que seria necessário que Zeus libertasse alguns titãs
aprisionados por Cronos no Tártaro (os Ciclopes e os Hecatonquiros) e os
convencesse de por ele lutar. Zeus seguiu o conselho de Gaia, vindo a matar
Campe, carcereira a quem estava confiada a guarda desses titãs. Estes,
agradecidos pela sua libertação, ofereceram o trovão e o raio a Zeus, um
capacete a Hades e o tridente a Poseidon. Com essas armas, os irmãos numa
batalha que se prolongou por muitos anos, venceram e destronaram Cronos,
expulsando-o dos céus, além de aprisionar os titãs no Tártaro. Senhores
do poder absoluto, os irmãos partilharam o mundo por sorteio, cabendo os céus
a Zeus, os mares a Poseidon e o inferno a Hades.
A essa primeira batalha, sucedeu-se a guerra com os gigantes, enviados por
Gaia, que não se conformava em ver seus filhos, os titãs, encarcerados no
Tártaro. Para derrotar Zeus, os Titãs colocaram o Ossa sobre o Pelion e o
Olimpo sobre o Ossa numa tentativa de escalar os céus. Lançavam contra os
deuses rochedos que, quando caíam no mar se transformavam em ilhas, e em
montanhas os que rolavam na terra. Zeus, contudo, novamente venceu essa
batalha.
Em seguida, teve que lutar com Tifon que também foi enviado por Gaia para
destroná-lo. Uma vez mais vencedor, tornou-se, a partir de então, senhor
absoluto do Universo.Zeus teve várias ligações amorosas, tanto com
deusas, como com mortais, e gerou muitos filhos com todas elas.
Conta-se que desposou 7 deusas: Métis (com quem gerou Atena), Têmis (com
quem gerou as Horas e as Moiras), Eurínome (com quem gerou Cárites), Mnémosine
(com quem gerou as nove musas), Leto (com quem gerou Ártemis e Apolo) e
Hera, que foi considerada sua esposa legítima (com quem teve Hebe, Ares e
Itília).Dos seus romances com mortais gerou, ainda, Heracles (com Alcmena);
Hermes (com Maia); Dioniso (com Semele); Perseu (com Danae); Pólux e Helena
(com Leda), dentre outros que acabaram se tornando deuses, semideuses e heróis.
Embora sua autoridade fosse suprema, foi, por várias vezes, contrariada por
Hera, com quem possuía uma relação turbulenta em decorrência do ciúme
que ela lhe nutria, mas, ao final, era sempre restabelecida a paz no Olimpo.
Zeus era considerado o deus da fertilidade, da família, da amizade e
protetor dos homens
Hades
Terceiro
filho de Cronos e Réia.Após ter sido arrancado por Zeus das entranhas de
seu pai, que o tinha engolido, concordou em auxiliá-lo na batalha que
acabou por destronar Cronos. Após a vitória, obteve o reino dos Infernos
para governar, quinhão que lhe coube por força de sorteio realizado entre
ele, Zeus, Poseidon.Por causa de sua fisionomia dura e da desolação de seu
reino, nenhuma deusa ou mortal desejou unir-se a ele, motivo pelo qual ele
acabou por raptar Perséfone para que esta se tornasse sua rainha.As
profundezas infernais eram compostas do Érbero, do Inferno dos maus, do Tártaro
e dos Campos Elísios. O Érbero era onde estavam os palácios da Noite, do
Sono e dos Sonhos, onde moravam o Cérbero, as Erínias e a Morte e, também,
onde vagavam as almas que não recebiam sepultura. O Inferno dos maus era
onde as almas recebiam castigos pelas faltas cometidas durante a vida, onde
o remorso as acompanhava e onde estavam presentes todas as espécies de
torturas; trata-se de uma região cheia de pântanos lamacentos, águas empoçadas
e uma vastidão tamanha que retirava qualquer possibilidade de fuga das
almas que ali erravam. O Tártaro era a prisão dos Titãs, dos gigantes e
dos deuses antigos expulsos do Olimpo, era lá que se encontrava o palácio
de Hades; essa região sustentava os fundamentos da terra e dos mares. Por
fim, os Campos Elísios eram a morada das almas virtuosas, que passavam a
gozar de mocidade perpétua, sem sustos ou dor.Assim, Hades reinava sob
todos os mortos trazidos pelo barqueiro Caronte e presidia o tribunal
composto pelos juízes Minos, Éaco e Radamanto, que se destinava a julgar
as almas. Se julgadas culpadas, essas almas eram atiradas no Inferno, para
expiar suas faltas e, se absolvidas, eram enviadas aos Campos Elísios.Hades
governava os Infernos como senhor absoluto e ditava leis inflexíveis. Nunca
ninguém ousou infringir quaisquer de suas leis e nenhum de seus súditos
jamais planejou uma insurreição.
Normalmente Hades é representado com barba espessa e com seu capacete, que
foi presente dos Ciclopes gratos por terem sido resgatados do Tártaro por
Zeus, cuja função era torná-lo invisível. Outras vezes esse deus é
representado com chaves na mão, significando que as portas da vida estariam
cerradas para aqueles que ingressassem no seu reino.
Artemis
Ártemis
era filha de Zeus e de Leto e irmã gêmea de Apolo. Tida como virgem e
defensora da pureza, era também protetora das parturientes e estava ligada
a ritos de fecundidade; embora fosse em essência uma deusa caçadora,
encarnava as forças da natureza e tutelava as ninfas, os animais selvagens
e o mundo vegetal. Cultuada sobretudo nas áreas rurais, na Ática
enfatizou-se seu caráter de "senhora das feras", na ilha de Eubéia
foi considerada protetora dos rebanhos e no Peloponeso reconheceu-se seu domínio
sobre o reino vegetal e ela foi associada à água vivificante. Apesar dessa
imagem protetora, Ártemis exibia facetas cruéis: matou o caçador Órion;
condenou à morte a ninfa Calisto por deixar-se seduzir por Zeus;
transformou Acteão em cervo para ser despedaçado por sua própria matilha
e, com Apolo, exterminou os filhos de Níobe e Anfião, para vingar uma
suposta afronta. Suas ocupações principais eram a caça e a dança, no que
se fazia acompanhar das Ninfas. Ártemis tinha diversas representações. As
cópias de sua estátua no templo de Éfeso, uma das maravilhas do mundo
antigo, correspondem ao modelo das chamadas deusas-mães e apresentam muitos
seios, símbolo de fecundidade. Na Grécia clássica foi representada com
longa túnica e arco retesado, enquanto na época helenística exibia túnica
curta e aljava, seguida por uma matilha ou um filhote de cervo. Essa imagem
foi também a mais comum em Roma, que identificou Ártemis com Diana.
Éris
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Athena
Filha
de Zeus e Métis, deusa da prudência.
Quando Métis estava grávida, Gaia profetizou que o segundo filho do casal
seria mais poderoso que o pai e acabaria por destroná-lo. Com receio que a
profecia se cumprisse, Zeus engoliu Métis. Após o tempo de gestação,
Zeus sentiu uma forte dor de cabeça e acabou ordenando que Héfesto lhe
aplicasse um golpe de machado na cabeça. Esse golpe fendeu seu crânio e
dali saiu Atena, totalmente armada e vestida para guerra, já em idade que
lhe permitiu auxiliar o pai na guerra dos gigantes.Uma vez derrotado pela
deusa o gigante Palas, ela o esfolou e passou a usar sua pele como couraça.
Além disso, adotou seu nome como alcunha, passando a ser conhecida como
Palas Atena. Entretanto, outra versão, narra que a alcunha Palas Atena é
devida em função da morte de sua amiga Palas. Palas, também chamada Tritônia,
era filha de Tritão, que foi encarregado da educação de Atena. Palas e
Atena sempre praticavam juntas exercícios com armas. Certo dia,
desafiaram-se e enfrentaram-se. Atena seria vencida se Zeus não
interviesse. Enquanto Palas recuava atemorizada diante da visão de Zeus,
Atena feriu-a mortalmente. Depois, seu remorso a impeliu a esculpir a imagem
de Palas e adotar seu nome. Essa imagem, mais tarde, ficou conhecida como o
Paládio de Tróia.Em outra passagem de relevo, essa deusa disputou com
Poseidon a cidade de Atenas. Para dirimir a contenda, ficou decidido que o
deus que produzisse a coisa mais útil seria o vencedor. Poseidon fez surgir
uma fonte de água salgada (embora algumas versões lhe atribuam a criação
do cavalo) e Atena criou a oliveira, o que lhe valeu a vitória sobre
Poseidon.
De outra feita, em disputa entre Atena, Hera e Afrodite sobre a posse do
pomo endereçado à mais bela deusa, Atena, muito embora tenha oferecido
saber e virtude a Páris, árbitro designado para resolver a controvérsia,
foi preterida em favor de Afrodite, ficando extremamente ressentida.Atena
permaneceu casta, apesar das várias investidas que sofreu. No entanto,
certa vez, quando Atena foi encomendar armas a Héfesto, esse deus, que fora
abandonado por Afrodite, desejou a casta Atena e tentou prendê-la em seus
braços. Atena tentou fugir da investida, mas Héfesto, mesmo coxo, a alcançou.
Atena se defendeu e, durante a luta, uma gota do sêmen de Héfesto caiu
sobre sua coxa. Atena, enojada, limpou o sêmen com um floco de algodão e o
atirou na terra. A terra, assim fecundada, gerou um menino que ficou
conhecido como Erictônio ("filho da terra"). Sem que ninguém
soubesse, Atena arrebatou a criança e a encarcerou num cofre, confiando-o
às filhas de Cécrops, para que o guardassem. Apesar de proibidas de
descerrar o cofre, as ninfas descumpriram a proibição e abriram-no,
revelando que no seu interior havia uma criança metade humana, metade
serpente. Como punição, Atena enlouqueceu as ninfas, as quais se
precipitaram do alto da Acrópole. Após o incidente, Atena tomou a seu
cargo a educação da criança e, quando esta atingiu a maioridade, recebeu
o reino de Cécrops.Atena ficou conhecida como a deusa da razão e da
sabedoria, representava a guerra justa, a casta mocidade e as artes domésticas.
A lança que carregava não significava guerra, mas estratégia, por isso se
distinguia da truculência sangrenta de Ares. A deusa Athena seria a única
com poder o suficiente para destronar seu pai, mais não possuía essa ambição,
sendo como era todos os outros deuses a temiam por sua força e poder.
Poseidon
Filho
de Cronos e Réia. Lutou ao lado de seus irmãos, Zeus e Hades, a fim de
destronar seu pai e, para tanto, recebeu dos Ciclopes, como agradecimento
pela sua libertação do Tártaro, o Tridente. Após essa longa batalha,
ficou Poseidon encarregado de governar todos os mares, quinhão que lhe
coube por força de um sorteio realizado entre ele e seus irmãos. Auxiliou
Zeus em sua batalha contra os gigantes e, depois de derrotados estes e
aprisionados no Tártaro, Poseidon ficou com a incumbência de mantê-los
naquele lugar formando um recinto inexpugnável cercado de ondas e rochedos.
Com Atena e Hera conspirou para destronar Zeus, mas fracassou diante da
pronta intervenção de Tétis, auxiliada pelo gigante Briareu. Para puni-lo
desse ultraje, Zeus obrigou-o a trabalhar para o rei Lamedonte na construção
das muralhas de Tróia, mas, ao final da construção, foi espoliado de seu
salário, fato que o fez tomar ódio por essa cidade e seus
habitantes.Poseidon desposou Anfitrite, filha de Dóris e Nereu, a qual,
inicialmente, recusou sua proposta de casamento e fugiu para pôr fim às
suas investidas. No entanto, um delfim nomeado por Poseidon acabou por
encontrá-la e convencê-la a aceitar a proposta. Desse casamento foram
geradas diversas ninfas marinhas e Tritão, ser de rosto humano e corpo de
peixe que se tornou mensageiro dos pais.Como seu caráter de força e
impetuosidade despertava mais receio que amor, na maioria das vezes que se
apaixonava recorria à metamorfose. Assim, seduziu a filha de Éolo sob a
forma de um touro; como rio Enipeu gerou com Ifiomédia, Efialtes e Oto;
como carneiro amou Bisaltis; como cavalo gerou com Deméter o corcel Árion;
como pássaro amou Medusa, gerando com ela Crisaor e Pégaso; e, como
delfim, seduziu Melanta.Gerou também o ciclope Polifemo com Toosa; Nuplio
com Amimone; Belo e Agenor com Líbia; Teseu com Etra; Crisómalos (o
velocino de ouro) com Teófana; além de Lamos, Órion e dos salteadores Cércion
e Cirão.Em disputa com Atena pela posse da Ática, Poseidon fez surgir, com
um golpe de seu tridente, uma fonte de água salgada. Mas esse feito não
foi suficiente para suplantar a criação de Atena, que fez surgir a
oliveira e, assim, ganhou a disputa.
Esse deus também se desentendeu com Hera por causa de Argos, com Hélio por
causa de Corinto, com Zeus por causa de Egina, com Apolo por causa de Delfos
e com Dioniso por causa de Naxos, sempre saindo vencido dessas disputas.
Diante das sucessivas derrotas, Poseidon acabou recebendo a Atlântida como
forma de compensação.Poseidon é o deus que, sucedendo Oceano, passou a
reger todos os mares e cursos d´água. Tinha sob sua proteção os cavalos
e navegantes
Apolo
Figura
complexa e enigmática, que transmitia aos homens os segredos da vida e da
morte, Apolo foi o deus mais venerado no panteão grego depois de Zeus, o
pai dos céus. Os santuários dedicados a essa divindade, sobre cuja origem
- oriental ou indo-européia - existem dúvidas, se estendiam por todo o
Mundo Helênico; a ele era consagrado o templo de Delfos, o de maior importância
na Grécia, mencionado já na Ilíada. Nesse santuário, centro do culto
"Apolíneo", a Pítia, ou Pitonisa, aspirava os vapores que saíam
de uma fenda na terra e, em profundo êxtase, pronunciava o oráculo sob a
influência do deus. Apolo e sua irmã gêmea Ártemis (identificada pelos
romanos com Diana) eram filhos de Zeus e Leto, da estirpe dos Titãs.
Segundo a lenda, os dois nasceram na ilha de Delos, outro dos lugares
importantes de seu culto, onde Leto se havia refugiado, perseguida pelo
implacável ciúme de Hera, esposa de Zeus. Apolo, com um ano de idade e
armado de arco e flechas, perseguiu a serpente Píton, também inimiga de
sua mãe, até o lugar sagrado de Delfos, e ali a matou. Zeus recriminou o
filho pela profanação do santuário e, em memória da serpente, instituiu
os Jogos Píticos. O poder de Apolo se exercia em todos os âmbitos da
natureza e do homem. Por isso, suas inovações eram múltiplas e variadas.
Além de ser por excelência o deus dos oráculos e fundador de importantes
cidades, sua proteção - e sua temível ira - abarcava desde a agricultura
e o gado até a juventude e seus exercícios de ginástica, assim como os
marinheiros e navegantes. Tinha poder sobre a morte, tanto para enviá-la
como para afastá-la, e Asclépio (o Esculápio Romano), o deus da medicina,
era seu filho. Considerado também o "Condutor das Musas",
tornou-se deus da música por ter vencido o deus Pã em um torneio musical.
Seu instrumento era a lira. A identificação de Apolo com o Sol - daí ser
chamado também Febo (brilhante) - e o ciclo das estações do ano constituía,
no entanto, sua mais importante caracterização no mundo helênico. Apolo,
que durante o inverno vivia com os hiperbóreos, mítico povo do norte,
regressava a Delos e Delfos a cada primavera, para presidir às festas que,
durante o verão, eram celebradas em sua honra. O culto de Apolo também
teve grande amplitude em Roma. As numerosas representações que dele
fizeram artistas de todos os tempos, tanto na antiguidade Greco-Romana como
nos períodos Renascentista e Barroco, mostraram-no como um deus de beleza
perfeita, símbolo da harmonia entre corpo e espírito |