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http://www.geocities.com/grdclube - Revista Eletr�nica INFORMATIVO GRD - ANO II - Edi��o 03 - Janeiro a Junho de 2001.
Rio de Janeiro, 02 de janeiro de 2001.



O QUEBRA CABE�A DA MEM�RIA

O PUZZLE DA MEM�RIA

Science & Vie, n.� 989 - f�vrier,2000

Condensado, tradu��o e adapta��o

Darcymires do Rego Barros

Pedro de Ara�jo Lima

O QUEBRA CABE�A DA MEM�RIA - O PUZZLE DA MEM�RIA (1/2)

Os estudos mais recentes t�m modificado as concep��es sobre a mem�ria. Dentre eles destacam-se os trabalhos do canadense Endel Tulving da Universidade de Toronto ao afirmar que nossas lembran�as repousam sobre cinco sistemas principais de armazenamento de informa��es, colocando em a��o diferentes estruturas do c�rebro.

As concep��es mecanicistas do c�rebro est�o sendo trocadas por trabalhos mais recentes de neurofisiologia: a mem�ria seria constitu�da de muitos sistemas e subsistemas independentes, em constante intera��o, que repousariam nas estruturas cerebrais espec�ficas. Baseado nestas concep��es, os problemas mn�sicos tomam uma nova dimens�o que sup�e uma reforma total das estrat�gias de reeduca��o.

Em 1995, Endel Tulving sugeriu a exist�ncia de cinco sistemas principais da mem�ria: (i) a mem�ria epis�dica; (ii) a mem�ria sem�ntica; (iii) a mem�ria processual: (iv) os sistemas de representa��o perceptiva; e (v) a mem�ria do trabalho.

Segundo Tulving, a mem�ria epis�dica permite o armazenamento e a tomada consciente de epis�dios pessoalmente vivenciados; exemplo: "ter�a-feira almocei com meu irm�o num restaurante chin�s onde a comida estava muito saborosa." A mem�ria epis�dica seria a base de nossa hist�ria individual. Quando lesionada, levaria � amn�sia.

Os neur�nios do hipocampo participam da convers�o dos epis�dios vivenciados em lembran�as integradas a uma vasta rede de conex�es nas regi�es posteriores e frontais do c�rebro. H� muito tempo pensava-se que o hipocampo era a sede da mem�ria epis�dica, sem saber que ela depende de uma vasta rede que implica as regi�es posteriores e frontais. A mem�ria epis�dica n�o depende das regi�es situadas no hipocampo, mas de uma ampla rede que compreende as regi�es posteriores do c�rebro (pr�ximas aos lobos parietal, temporal e occipital de cada hemisf�rio e das regi�es frontais.

A mem�ria sem�ntica trata da aquisi��o de conhecimentos gerais do mundo. Para certos pesquisadores ela estaria independente de nossas experi�ncias, enquanto para outros, n�o.

� gra�as a ela que sabemos ser Madrid a capital da Espanha ou que Nelson Mandela � o primeiro presidente negro da �frica do Sul. Tamb�m sabemos que o comportamento num restaurante � sentar-se, consultar o card�pio, fazer o pedido, comer, solicitar a conta e pagar. Por outro lado, a mem�ria sem�ntica abrangeria um mapa cognitivo dos lugares conhecidos: cidades, bairros, casas, etc.

A mem�ria epis�dica e a mem�ria sem�ntica est�o estreitamente inter-relacionadas, pois � imposs�vel adquirir-se novos conhecimentos do mundo envolvente sem qualquer epis�dio pessoal vivenciado.

A mem�ria processual caracteriza-se por ser dificilmente access�vel � verbaliza��o. Os conhecimentos s�o acumulados e guardados pela aprendizagem realizada somente pela a��o. Expressa-se sob forma de nova atitudes perceptivas (p. ex.: ler por meio de um espelho), atitudes psicomotoras ( andar de bicicleta) ou atitudes perceptivas (efetuar certas opera��es simples de c�lculo mental). Para Van der Linden, os grandes m�sicos t�m consci�ncia do que fazem, embora n�o o tenham da maneira como procedem.

O sistema de representa��o perceptiva (SRP) como quarta pe�a do quebra-cabe�a, tem a fun��o de arquivar, estocar, a forma e a estrutura dos objetos, as imagens e as palavras, com abstra��o de suas propriedades sem�nticas, isto �, de sua significa��o. Nossos SRP reconhecem as formas e as estruturas, inclusiva a linguagem. Permite identificar o corpo por sua silhueta, abstra��o criada do conceito do humano associado. Como as mem�rias epis�dica, sem�ntica e processual, o sistema de representa��o perceptiva atua na mem�ria a longo prazo.

A mem�ria sem�ntica e a SRP est�o ligadas �s regi�es corticais t�mporoparieto-occipital, enquanto que a mem�ria processual depende notadamente do striatum, estrutura que � atingida no Mal de Parkinson e cor�ia de Huntington.

A mem�ria do trabalho tem como miss�o manter temporariamente uma pequena quantidade de informa��es facilmente acess�vel durante a realiza��o de tarefas cognitivas diversas. Atua na mem�ria denominada a "curto prazo". Sem ela, torna-se-ia imposs�vel prosseguir um di�logo ou efetuar c�lculos mentais. Assim, quando adicionamos dois n�meros mentalmente, � indispens�vel que se possa guardar no esp�rito, durante o que n�s colocamos em funcionamento, as opera��es cognitivas requeridas para o calculo naquele momento.

Segundo Alan Baddeley do Departamento de Psicologia da Universidade de Bristol, a mem�ria do trabalho, a exemplo da mem�ria a longo prazo - SRP - seria subdividida em partes: do alto da pir�mide um administrador central, qualificado igualmente de gestor, interessado em ocupar a fun��o de maestro de uma orquestra.. Na hip�tese de um c�lculo mental, por exemplo, ela geraria o desenvolvimento das opera��es; por�m, em raz�o dos recursos limitados, n�o poderia gerar e estocar as informa��es. Desta forma, seria remetida aos sistemas encarregados das opera��es de estocagem tempor�ria.


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