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Do Livro, "Psicomotricidade: da educa��o infantil a gerontomotricidade"

A GERONTOMOTRICIDADE E AS CONDUTAS PSICOMOTORAS

Prof. Dr. Darcymires do R�go Barros

Especializa��o em Neurofisiologia da Motricidade

Membro da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia

Membro da Academia Brasileira de Medicina Anti-Envelhecimento

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O equil�brio � a manuten��o da proje��o do centro de gravidade do corpo humano no interior do pol�gono de sustenta��o (p�s), por meio do ajustamento postural e da respira��o, sem oscila��es ou desvios nas condi��es est�tica ou din�mica. Nele, interatuam o sistema l�mbico e o cerebelo - principais �rg�os do equil�brio e do movimento. Suas fun��es relacionam-se com a manuten��o do equil�brio corporal, com a coordena��o, a respira��o e a emo��o.

O papel do cerebelo � de colocar em evid�ncia as diferentes atividades onde interv�m a aprendizagem e a coordena��o. Ele assegura, sobretudo, a adapta��o de um determinado n�mero de reflexos como o reflexo vest�bulo-ocular. Este reflexo faz com que o movimento da cabe�a acompanhe os movimentos dos olhos, na mesma amplitude e dire��o oposta, o que permite a dire��o do olhar.

Da� a necessidade da realiza��o de movimentos fisiologicamente saud�veis, que harmonizem o sistema nervoso, a fim de estabelecer o equil�brio mente/corpo de forma consciente, intencional e sens�vel.

A DOR

A dor, um fen�meno org�nico de tamanha intensidade, acarreta problemas pessoais ou funcionais que tornam a pessoa incapacitada � atividades f�sica e mental. � uma sensa��o desagrad�vel, vari�vel em intensidade e em extens�o de localiza��o, produzida pela estimula��o de termina��es nervosas especializadas em sua recep��o. Assegura a supress�o de um est�mulo violento de origem interna ou externa, podendo ser toler�vel ou n�o, dependendo da experi�ncia sensorial e rea��es psicol�gicas de cada pessoa idosa ou n�o. Pode estar em depend�ncia de uma patologia org�nica ou de uma doen�a sist�mica.

A dor associa-se principalmente com a nocicep��o. � um estado de alerta por algo que no organismo, est� funcionando de forma inadequada requerendo a m�xima aten��o. Pode ser considerada aguda ou cr�nica. A dor aguda, em geral, quando atendida no in�cio responde, facilmente ao tratamento que a cr�nica. Fatores psicol�gicos como a ansiedade e a depress�o podem afetar a percep��o da dor. A elimina��o dos est�mulos f�sicos que ocasionam dores por problemas da coluna vertebral nos idosos � bem mais complexa do que nas pessoas mais jovens.

Associada a um movimento brusco ou queda, a pessoa idosa, normalmente pela sua maior resist�ncia � dor, procura a imobilidade durante dias e recorre a medicamentos analg�sicos que somente atuam de forma paliativa, agravando mais a dor e tornando-a cr�nica.

Levantar um objeto pesado ou colocar-se de p� abruptamente, ap�s um longo per�odo sentado ou deitado, pode levar ao surgimento de dores cont�nuas na regi�o lombar devido a contraturas dos m�sculos lombares, Causadas pelos pin�amentos das ra�zes radiculares nervosas do plexo lombar que envolvem as v�rtebras lombares inferiores, geralmente a L4 e L5.

A dor estende-se aos membros inferiores, comumente ao longo da parte posterior da coxa ao espa�o popl�teo. Caracterizada pela compress�o radicular, a dor irradiada leva � fraqueza, altera��o nos reflexos e perda sensorial.

AS ATIVIDADES PSICOMOTORAS

As diversas concep��es das pr�ticas das Atividades F�sicas voltadas para o bem estar f�sico e ps�quico podem interagir em busca da melhoria da qualidade de vida, em todo o transcurso do desenvolvimento do ser humano. A Gerontologia de Interven��o � um processo ativo e cont�nuo de interven��o, em que se aplicam as atividades psicomotoras sob o enfoque da reeduca��o neurol�gica, na qual se utilizam variadas formas de atividades f�sicas com movimentos conscientes, intencionais e sens�veis.

Com base em experimentos vivenciados com Idosos que, continuamente, por defici�ncia do equil�brio no ato de deambular caiam em casa ou na rua, tem-se aplicado t�cnicas de educa��o e reeduca��o neurol�gica fundamentadas nas id�ias de Dolman & Delacato adaptadas a cada Idoso. Tem-se conseguido total recupera��o da perda de equil�brio, ajustamento postural e tonicidade dos grupos musculares antigravaticionais dessas pessoas implicadas.

A aplica��o de exerc�cios psicomotores �s pessoas idosas ou a reeduca��o psicomotora � uma ci�ncia artesanal. Trabalha-se com a pessoa. � uma nova dimens�o particular, individual, em que est� em jogo o aspecto qualitativo da rela��o humana, vinculada aos est�mulos externos que determinam os comportamentos surgidos ao longo da vida do ser humano.

A estimula��o e orienta��o �s pr�ticas de atividades de reeduca��o psicomotora, propiciam a cria��o de uma atmosfera saud�vel, atuante e existencial, de elevado valor psicol�gico, sob forma de tarefas e de movimentos l�dicos.

Os movimentos s�o realizados de forma lenta, integrados aos exerc�cios respirat�rios e aplicados de maneira contigencial, adequados �s necessidades e as capacidades funcionais de cada idoso. Controlados pelo ritmo individual, sem esfor�o, os exerc�cios devem obedecer � execu��o m�xima de cinco vezes cada, com intervalo de um para outro, aumentando gradativamente, de acordo com as possibilidades individuais.

Efetuados diariamente ou tr�s vezes por semana, as consignes n�o possuem car�ter de obrigatoriedade, mas encaradas como organicamente necess�rias, por minimizar as tens�es. Estimulam a circula��o e aumentam o interesse em realizar movimentos conscientes, intencionais e sens�veis. Propiciam num clima de cordialidade, o alcance de objetivos imediatos de preserva��o da sa�de, bem estar e alegria de viver.

As diversas concep��es das pr�ticas das Atividades F�sicas voltadas para o bem estar f�sico e ps�quico podem interagir em busca da melhoria da qualidade de vida, em todo o transcurso do desenvolvimento do ser humano. A Gerontologia de Interven��o � um processo ativo e cont�nuo de interven��o, sob o enfoque da reeduca��o neurol�gica, na qual se utilizam variadas formas de atividades f�sicas com movimentos conscientes, intencionais e sens�veis.

APLICA��ES

A Reeduca��o Neurol�gica consiste na repeti��o sistem�tica dos movimentos, sob a forma de recapitula��o de algumas fases do desenvolvimento natural da crian�a. Esses movimentos, sob forma de exerc�cios repetitivos e sistem�ticos s�o significativamente importantes na defini��o da Organiza��o Neurol�gica.

No caso de pessoas idosas, portadoras de problemas psiconeurol�gicos ou mesmo com dificuldades posturais e de locomo��o, deve-se realizar os movimentos de forma sistem�tica, por�m como condutas psicomotoras, que s�o sucess�es de movimentos especificamente humanos, cuja caracter�stica essencial � serem realizados de forma consciente, intencional e sens�vel.

A grande maioria das pessoas t�m capacidade de absorver todas as condutas psicomotoras, em gradientes progressivos da mais simples a mais complexa. S�o habilidades essenciais, praticadas e aperfei�oadas por meio da aprendizagem de movimentos nas sess�es individuais ou coletivas de Reeduca��o psicomotora. Estimulam o racioc�nio criativo e possibilitam recursos ilimitados de a��es. Esses movimentos, considerados movimentos naturais e espont�neos da crian�a s�o apresentados em seguida, sob forma de exerc�cios ou de praxias andrag�gicas, que s�o uma sucess�o de movimentos especificamente humanos, cuja caracter�stica essencial � a finalidade e a intencionalidade. Podem entretanto, ser transformados em jogos de movimentos ou psicomotores, dependendo da forma de aplica��o.

A fim de tornar os jogos mais interessantes e estimular maior envolvimento dos Idosos, deve-se planejar os mesmos em formas de a��es em grupos na solu��o de determinados problemas, compartilhando id�ias e colaborando na cria��o de estrat�gias, estimulando assim o desenvolvimento das habilidades mentais essenciais � memoriza��o e ao pensamento criativo.

EXEMPLOS DOS PRINCIPAIS EXERC�CIOS

1. ROLAR

DEITADO NO SOLO, EM DEC�BITO DORSAL, ROLAR COM:

(i) Bra�os estendidos no prolongamento dos ombros, estendidos acima da cabe�a.

(ii) Bra�os cruzados no peito.

(iii) Bra�os estendidos ao longo do corpo.

2. ENGATINHAR

O padr�o deve ser cruzado. Observar a posi��o das m�os com os dedos abertos voltados para frente, apoio de joelhos no solo, os p�s apoiados no dorso, olhos dirigidos para a m�o que estiver na frente.

Esta atividade atua sobre o mesenc�falo, �rea de media��o e integra��o onde origina o tronco cerebral que � tamb�m composto pela ponte formada a partir do mielenc�falo.

Desenvolve a capacidade de manipular objetos no espa�o, usando ambos os olhos em conjunto e a capacidade de sentir, restimulando as �reas sensoriais do c�rebro. Nesta fase o Idoso executa voluntariamente uma a��o consciente, intencional e sens�vel. � a fase preparat�ria para a reeduca��o da posi��o ereta. Estimula o t�nus postural, por meio do fortalecimento da musculatura dorsal antigravitacional.

2.1 . ENGATINHAR COM AS PERNAS ESTENDIDAS

Marchar do �Elefante� ou andar do macaco (peso do corpo sobre os bra�os estendidos, pernas estendidas, colocando o p� a frente, bem apoiado no solo).

Integrada � forma de engatinhar acima, leva o est�mulo ao equil�brio e a posi��o ereta.

3 . MARCHA CRUZADA

Movimenta��o alternada de bra�os e pernas; observa-se a postura e o equil�brio por ocasi�o da realiza��o do movimento.

S�o movimentos completos de andar no mesmo lugar, variando gradativamente para as diversas formas de deslocamentos. Atua no c�rtex de transi��o, segundo Delacato. Importante para a regula��o de meio interno e � tamb�m uma das �reas do enc�falo associada �s emo��es.

Simboliza a posi��o do primata em transi��o � posi��o ereta do homem.

3.1 Marcha com eleva��o dos joelhos e movimentos alternados dos bra�os no mesmo lugar.

3.2 Marcha com movimentos alternados dos bra�os deslocando-se para frente e para tr�s.

3.3 - Marcha apontando o p� contr�rio.

3.4 - Marcha elevando os bra�os acima alternadamente.

3.5 - Marchas variadas.

4 . EQUIL�BRIO

EQUIL�BRIO NO SOLO E ELEVADO.

Equilibrar-se de formas variadas:

4.1 �com um p� elevado a frente, apoiado no ombro do

companheiro.

4.2 - com um p� elevado para tr�s, retrovers�o da pelvis, segurando seu dorso ou n�o, apoiado no espaldar da cadeira.

Atua no c�rtex requintado inter-relacionando-se com todas as estruturas do sistema nervoso central, tendo profunda atua��o na emo��o integrada � aprendizagem e a realiza��o de movimentos. O equil�brio � influenciado pelo c�rebro (sistema l�mbico) e cerebelo que controla a postura, o t�nus muscular,o equil�brio e tem de grande atua��o na coordena��o dos movimentos.


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