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- Revista Eletr�nica
INFORMATIVO GRD - ANO II - Edi��o 03 - Janeiro a Junho de 2001. |
Do Livro, "Psicomotricidade: da educa��o infantil a gerontomotricidade"
A GERONTOMOTRICIDADE E AS CONDUTAS PSICOMOTORAS
Prof. Dr. Darcymires do R�go Barros
Especializa��o em Neurofisiologia da Motricidade
Membro da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia
Membro da Academia Brasileira de Medicina Anti-Envelhecimento
INTRODU��O
Desde o in�cio da d�cada de 60 o mundo inteiro come�ou a tomar consci�ncia de um �novo� fen�meno de expans�o do envelhecimento populacional que crescia progressivamente frente ao aumento populacional geral. Este movimento demogr�fico fez gerar mudan�as de atitudes da sociedade, a fim de proporcionar meios, de diversas formas, para atender as necessidades e solucionar os problemas cotidianos de vida das pessoas idosas.
M�rio Fillizzola em seu livro �A velhice no Brasil� examinou o problema do idoso em nosso pa�s dos tempos coloniais at� 1972.
No Brasil, at� os dias de hoje existe uma esp�cie de preconceito contra as possibilidades de o homem de mais de 40 anos se integrar no mercado de trabalho. Significava, simplesmente, a perda de seu direito de ganhar a vida. Sabe-se que o problema se agrava, tendo em vista que as pessoas na faixa gerontol�gica alcan�am em m�dia 18 milh�es.
O preconceito de idade contra a velhice � denominado �etarismo� . Os etaristas n�o aceitavam a Gerontologia como disciplina ou ci�ncia a ser cultivada no Brasil. Afirmavam que o Brasil era um pa�s em que o problema do idoso praticamente n�o existia por possuir apenas 5,3 % de pessoas em idade de 60 anos. Para a Organiza��o Mundial de Sa�de - O.M.S. - o pa�s que apresenta o �ndice percentual de mais de 7% de idosos em sua popula��o � considerado Idoso.
O percentual de idoso no Brasil em 1983 era de 6,7%, segundo o IBGE. Por proje��o, Kr�ger (1986) apresentou um �ndice acima de 8% em 1986 e no ano 2000, acima 10%. Atualmente o percentual de idosos � de cerca de 10,2 %.
Segundo proje��es dos especialistas e pesquisas divulgadas pelos jornais do Rio de Janeiro, (Tribuna da Imprensa,23.03.2000:2), 12,5% da popula��o atual do Estado � formada por idosos, e para o ano 2.020 cerca de 50% da popula��o brasileira ser� de idosos. O Munic�pio do Rio de Janeiro j� apresenta 800 mil pessoas classificadas como na 3.� idade.
Classifica a OMS como Etapas da Vida de ambos sexos: (i) Meia Idade � per�odo que abrange o in�cio dos 45 aos 64 anos de vida; (II) Pessoas Idosas dos 65 aos 79 anos; (III) Velhice faixa et�ria dos 80 aos 90 anos e; (IV) GRANDE VELHICE - pessoas que ultrapassem 90 anos.
A popula��o acima dos 79 anos, fase de idade considerada pela OMS como a VELHICE, tem crescido rapidamente. Esta tend�ncia cada vez mais tem aumentado em curto prazo, provocando uma s�rie de efeitos s�cio-econ�micos de maior import�ncia para o pa�s. Sem d�vida que a atitude da fam�lia em rela��o ao anci�o apresenta constante crise que oscila entre o respeito, a prote��o e a intoler�ncia que conduz a separa��o do grupo familiar.
Embora o processo de envelhecimento seja uma conseq��ncia natural da vida, n�o se pode evit�-lo, mas deve-se procurar estabelecer as bases para que neste per�odo o idoso possa viver nas melhores condi��es poss�veis.
Nas culturas e civiliza��es antigas, a velhice era uma etapa da vida que se respeitava e se venerava, pois representava a prud�ncia, a reflex�o, a experi�ncia, o saber acumulado no transcorrer dos anos.
A Revolu��o Industrial � um per�odo hist�rico que influiu consideravelmente na vida do ser humano. Modificou n�o somente a estrutura econ�mica como tamb�m, sua estrutura de valores, ocasionando na vida atual profunda repercuss�o na popula��o de idosos.
A partir desse per�odo, a sociedade tende a inclinar-se para o material privilegiando a maquin�ria sobre as atividades manuais do homem, da procura da m�o de obra do jovem em detrimento da m�o de obra do idoso.
Na sociedade contempor�nea esta percep��o n�o mudou. A atividade e o ritmo acelerado de vida condenam o idoso � marginalidade; como um castigo �s pessoas que alcan�aram a �ltima etapa de sua exist�ncia.
A Revolu��o Industrial � um per�odo hist�rico que influiu consideravelmente na vida do ser humano. Modificou n�o somente a estrutura econ�mica como tamb�m, sua estrutura de valores, ocasionando na vida atual profunda repercuss�o na popula��o de idosos.
A partir desse per�odo, a sociedade tende a inclinar-se para o material privilegiando a maquin�ria sobre as atividades manuais do homem, da procura da m�o de obra do jovem em detrimento da m�o de obra do idoso.
Atualmente, vivemos uma era de suma import�ncia na acumula��o de riquezas e na rapidez de produ��o, de forma que se originaram grandes diferen�as nos setores mais d�beis da sociedade, entre eles o do idoso.
Embora desde o s�culo passado, os pol�ticos buscassem a cria��o de movimentos de conscientiza��o da problem�tica da velhice para levar ao grande p�blico as teses debatidas com seriedade. Consideravam a �Gerontologia uma ci�ncia m�dico-social que estuda o futuro das pr�ximas gera��es�. Era preciso que fosse adotada uma pol�tica visando ao verdadeiro Estatuto Social da Velhice.
Mas somente no ano de 1994 que o governo brasileiro, apoiado pela sua pr�pria comunidade, criou a Lei, que determinou com precis�o a Pol�tica Nacional do Idoso, assegurando-lhe os direitos sociais e criando condi��es para promover sua autonomia, integra��o e participa��o efetiva na sociedade.
A Lei n.� 4882 de 04. janeiro de 1994 aprovada pelo Congresso Nacional e sancionada pelo Presidente da Rep�blica disp�e sobre a Pol�tica Nacional do Idoso, cria o Conselho Nacional do Idoso, bem como estabelece suas diretrizes. Nela considera Idoso a pessoa maior de 60 anos, sendo refutada cotidianamente pelos meios de presta��o de servi�os � popula��o, como �nibus, metr�, Bancos, etc, que consideram idoso o maior de 65 anos para atendimentos priorit�rios.
A GERONTOLOGIA DE INTERVEN��O E A GERONTOMOTRICIDADE
Considera-se a Gerontologia, atualmente, uma ci�ncia aplicada moderna que estuda o Idoso, isto �, estuda os fen�menos biol�gicos, psicol�gicos, neuropsicossom�ticos, s�cioculturais e econ�micos decorrentes do envelhecimento, bem como suas conseq��ncias. Procura desfazer os mitos e preconceitos que marcam a marginaliza��o social do Idoso, desencadeando processos e meios que lhe facilitem viver o presente com prespectiva futura. A sa�de e o bem estar do Idoso s�o dois imperativos da Gerontologia, numa das fases do processo de desenvolvimento do ser humano que, em constante integra��o com o meio ambiente, sofre cont�nua transforma��o. A Gerontologia, intimamente inter-relacionada com a Medicina e a Educa��o F�sica e as demais sub-�reas da Sa�de, � vista neste processo sob nova dimens�o, de forma eminentemente interdisciplinar e objetiva.
Assim, a Gerontologia � o conjunto que disciplinas integradas que estudam o processo de envelhecimento. Ela fundamenta-se na concep��o biopsicossociofisiol�gico, onde as quest�es concernentes � preven��o, sa�de e qualidade de vida do idoso levam � Gerontologia de Interven��o.
A Gerontologia de Interven��o � o estudo integrado da Gerontologia que analisa e observa, de forma interdisicplinar, os fen�menos biopsicoss�ciofisiol�gicos decorrentes do processo de desenvolvimento do humano. Trata da conserva��o das diferentes fun��es f�sicas, intelectuais e dos �rg�os dos sentidos, numa abordagem hol�stica.
Observa e analisa, tamb�m, numa vis�o cr�tica, as fun��es reintegradoras, a fim de atuar atrav�s de gestos e movimentos adequados em cada n�vel de desenvolvimento do idoso, na tentativa de recuperar, de forma adaptada, as habilidades parcialmente perdidas. Fundamenta-se essencialmente na individualidade, de acordo com o processo de envelhecimento e da situa��o particular de cada pessoa idosa.
Como um conjunto de disciplinas inter-relacionadas, interatuantes e interdependentes, a Gerontologia de Interven��o atua por meio de tarefas preventiva, assistencial, de reabilita��o e de reeduca��o psicomotora, numa concep��o hol�stica do ser.
Kr�ger (apud Leher,1997), apresenta quatro dimens�es diferenciadas em que podem ser desenvolvidas a Gerontologia de Interven��o:
1.OTIMIZA��O - Por meio das atividades intelectual e afetiva, da pr�tica de Exerc�cios f�sicos, tendo como base as habilidades ainda dispon�veis no Idoso.
2. PREVEN��O - Pelo cont�nuo processo de manuten��o de cuidados pessoais.
3. REABILITA��O -caracterizada pelas tentativas de recupera��o, ainda que parcial de habilidades perdidas.
4. GERENCIAMENTO DE SITUA��ES IRREVERS�VEIS - com o objetivo de favorecer mudan�as de atitudes e cren�as, bem como aceita��o de fatos consumados, complementado por iniciativas de mudan�a ambiental.
A Gerontologia de Interven��o e a Psicomotricidade, integradas, numa perspectiva constante de reenova��o, est�o estreitamente inter-relacionadas e v�o ao encontro dos anseios da necessidade de movimento, caracter�stica do humano. Utiliza como meio a GERONTOMOTRICIDADE. Visa recuperar e conservar, de forma funcional as condutas psicomotoras; a melhorar e aprimorar o conhecimento de si e a efic�cia das a��es, sobretudo das atividades de vida di�ria � AVD.
Repousa sobre as premissas de trabalho individualizado, nas quais observa cada etapa do processo de envelhecimento. Favorece o desenvolvimento integral do idoso, estabelecendo, de forma equilibrada e harm�nica, a inter-rela��o entre a motricidade e o psiquismo. Propicia o equil�brio e a no��o do corpo no espa�o, em sua totalidade, e contribui para a preserva��o da sa�de.
O EQUIL�BRIO, O DEAMBULAR E A COLUNA VERTEBRAL
A rigidez da coluna vertebral do idoso - resultado da diminui��o de �gua e sais minerais no organismo, pelo aumento da viscosidade do l�quido sinovial, da diminui��o de forma lenta e progressiva da massa muscular, da diminui��o da espessura dos discos intervertebrais, al�m do d�ficit respirat�rio - manifesta-se por uma s�rie de fatores tais como: (i) insufici�ncia de movimentos pelos constantes per�odos de mal-estar e dores f�sicas; (ii) aumento de tens�o devido �s dores, levando � distor��o postural e � diminui��o do t�nus corporal; (iii) realiza��o de movimentos bruscos e interrompidos, integrados � respira��o curta e superficial.
S�o processos que acometem o idoso, aliados ao surgimento de osteoartroses, osteopenias, osteoporoses e outras degeneresc�ncias que provocam um quadro de dor constante.
A pr�pria a��o da gravidade - que atua sobre as v�rtebras devido � posi��o b�pede - leva � redu��o da dist�ncia entre os discos intervertebrais e � compress�o das articula��es interapofisi�rias.
V�m demonstrar que a sa�de de cada pessoa idosa est� diretamente proporcional � mobilidade de sua coluna vertebral.
Ensinar a respira��o consciente ao idoso � apresentar uma nova dimens�o do corpo. A respira��o constitui o processo central da realiza��o de variadas formas de movimentos, por apresentar benef�cios a todas as pessoas.
Integrada �s diferentes posturas, ao equil�brio e aos movimentos, a respira��o deve ser aplicada de maneira lenta e gradual, de acordo com as respostas e necessidades de cada pessoa.
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