História da pichação
A pichação é uma prática que interfere no
espaço, muitas vezes desagradando os que são
alvos de comentários, donos de paredes brancas,
muros de estabelecimentos etc. A pichação subverte
valores, é espontânea, efêmera e gratuita. Prática que
tem como sua base as letras e formas diferentes que
podem significar : protestos políticos, xingamentos
aos que irão ler o que está no muro, protesto de
gangs, simples vontade de sujar o espaço alheio
entre outras coisas. Mas uma pergunta que muitas
pessoas se fazem é de onde vem tudo isso? Quem
foi o precursor desta prática?
Sabe-se que a pichação podia ser vista em paredes
das antigas civilizações, portanto esta não é uma
atividade contemporânea. A cidade de Pompéia,
vitima de um vulcão chamado Vesúvio, que entrou
em erupção dia 24 de agosto de 79 d.C. ( por isso foi
preservada.) tinha muros onde predominavam todo o
tipo de pichação, como xingamentos, propagandas
políticas, anúncios, poesias... se escrevia de tudo
nas paredes. Até na idade média, na época em que a
Inquisição queimava as bruxas cobrindo-as de
piche, os padres pichavam as paredes dos conventos
que eram rivais, ajudando a expor suas ideologias e
criticar doutrinas contrárias, governantes , ditadores
e todo tipo de gente a quem se queria difamar.
A prática teve uma grande evolução após a Segunda
guerra mundial, quando começou a produção de
materiais em aerosol, assim tintas spray podiam
deixar tudo mais rápido e fácil para quem costumava
pichar. Durante a revolta estudantil de Paris, os
gritos de liberdade dos estudantes eram também
passados para os muros com os sprays , garantindo
que as pessoas lessem e pensassem sobre as
propostas dos revolucionários.
No Brasil pichações como as de um vendedor de
cães que escrevia nos muros : Cão fila km 22, são
lembradas até hoje.Como esta prática era
considerada subversiva e proibida, geralmente era
praticada a noite, mas com o passar do tempo,
começou a perder seu antigo propósito político e
revolucionário, e começou a ser praticada por grupos
que já não queriam protestar contra os governos e
ideologias, mas sim era usada para declarar amor,
fazer piadas ou simplesmente registrar o nome dos
autores, o que se aproxima mais das pichações de
hoje. O artista multimídia e grafiteiro Hudinilson
Júnior contou que certa vez estava escrevendo em
um muro como de costume a frase“ah ah BEIJE-ME.”
Então surge uma garota, lhe dá um beijo e diz :
sempre me senti curiosa a respeito de quem escrevia
isso por toda a cidade.
A pichação durante os anos da ditadura militar,
quase não era vista na cidade de São Paulo, era
totalmente intolerada, pois não existia nenhuma
liberdade de expressão, assim aconteceu na
Alemanha, no muro de Berlim, seu lado oriental era
limpo e de pintura intacta, já o outro lado possuía
uma série de pichações. Que com a demolição do
muro tiveram espaço perante toda a imprensa
mundial, significando a própria liberdade de
expressão.
A PICHAÇÃO NA CIDADE DE SÃO PAULO
Na cidade de São Paulo, o picho se intensificou bem
mais do que em outros lugares do mundo e tem
atualmente uma definição diferente. Desde os anos
80 até os dias atuais, constantes mudanças relativas
a sua forma e a seus adeptos, os valores entre os
próprios pichadores mudaram bastante. Portanto em
São Paulo existe uma prática característica da
cidade, que teve todo um processo de criação e
evolução. No início dos anos 80, a pichação
consistia em escrever exaustivamente o próprio
nome em grande escala dentro de inúmeros bairros e
avenidas da cidade com isso o objetivo principal
para os praticantes era sair do anonimato,
simplesmente ser notado. Com o passar do tempo
surge uma competição entre os pichadores pelo
espaço, surge a utilização dos pseudônimos ao invés
dos nomes, passa a existir grupos de pessoas que
juntos, divulgam símbolos para representar um
determinado grupo, a competição pela fama entre os
grupos se alastra, com formas cada vez mais
chamativas e frequentes o espaço físico da cidade se
vê saturado.
Agora a competição pela fama é tanta, que o que
passa a Ter mais valor para os adeptos da prática já
não é mais a quantidade, mas sim o grau de
dificuldade que o pichador encontrava para realizar
sua obra. Portanto os altos dos prédios começam a
ser cobiçados, os edifícios mais altos da cidade
como o edifício Itália foram pichados. Os porteiros,
zeladores e seguranças eram facilmente driblados, os
jovens eram segurados pelas pernas de cabeça para
baixo, onde tinham de ser rápidos e eficientes,
qualquer deslize significaria a morte.