| Abatido, mas n�o quebrado | ||||||||||||
| Bebi devagar um copo d��gua, outro lavando o carboidrato em gel que deveria devolver parte das minhas for�as, mais um para levar no caminho. Afinal, j� que tinha passado da metade mesmo, era melhor prosseguir. E correr. Nada muito r�pido. O suficiente, por�m, para aos poucos ir avistando quem tinha passado por mim. Em poucos minutos alcancei um casal que me passara enquanto estava no posto, depois vi l� longe um sujeito e achei que dava para peg�-lo tamb�m. Tudo com calma. Se sentia o morro muito exigente, caminhava. Na verdade, apesar do percurso dif�cil, nenhuma subida ao longo de toda a prova mereceria caminhada, n�o fossem o maldito sol e a destruidora falta de �gua em momento estrat�gico. Nenhuma subida pareceu extremamente �ngreme, mas s�o muitas e diversificadas, algumas bem longas. E todas elas nos foram apresentadas ao vivo e em cores, pois n�o havia mapa do percurso e muito menos mapa com a altimetria, o que sempre ajuda, pois � bom conhecer antes o advers�rio que ser� enfrentado. Para mim, o advers�rio era o maldito sol. Ele pensava que tinha me derrotado, mas, �quela altura, depois do km 14, eu j� via algumas nuvens no c�u. Quase chegando ao 16, peguei pela primeira vez o sol de frente e n�o tive d�vida: botei a l�ngua para o filho da puta: �Se ferrou, desgra�ado!� |
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| Agora bem hidratado (os volunt�rios, depois daquela monumental e incorrig�vel cagada, passaram a percorrrer o percurso oferecendo �gua para os retardat�rios, mesmo fora dos postos. E estava gelada, sim), resolvi mudar minha estrat�gia. Lembrei das advert�ncias que o Marc�o, t�cnico de elite, havia feito por e-mail: �Sobre Parais�polis, dizem que o percurso tem grau de dificuldade acima do bom senso. J� tive alguns atletas de elite que correram por l�. Todos foram un�nimes que � pedreira. O segredo est� no come�o em segurar, segurar... Caso contr�rio, N�O termina a prova. Delmir dos Santos chegou tortinho uma vez, o mesmo acontecendo com o Osmiro (segundo na prova). Ele afirmou que foi o percurso mais dif�cil que ele tinha enfrentado. Tive tamb�m uma atleta que tinha acabado de ser Campe� Sul-americana de Cross, foi correr Parais�polis e desmaiou no percurso. Muito calor�. Eu j� havia segurado bastante. Agora estava de volta ao asfalto, no km 16, podia largar o pau. Na minha frente, dois quil�metros de subida e um sujeito l� no alto, andando, costas vergadas. Lembrei de outro conselho, para que eu trabalhasse o que poderia valer para a minha prova-meta, a Grande Muralha da China. O importante era manter o esp�rito vivo, mesmo alquebrado, e seguir. Resolvi correr sem parar. Faria do jeito que desse, mas n�o iria caminhar naqueles seis quil�metros restantes. |
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| Continua... | ||||||||||||