Cheguei!
No alto do morro, passei o cara que antes parecia t�o distante. Temi que, na descida, ele recuperasse. Que nada! Se voc� sucumbe no fim, � mais dif�cil voltar.
Mais � frente, vi dois caras que tinham enfrentado comigo a falta de �gua. Eles caminhavam, eu trotava. Talvez desse. Acelerei.
Nas subidas, eles ca�am, eu ficava mais perto. Mas, nas descidas, eles recuperavam terreno. Minha vantagem � que eles n�o sabiam que eu estava chegando, quem sabe...
Terminou o asfalto, entramos na cidade lomba abaixo, agora eram paralelep�pedos, tive de diminuir, eles ficaram mais distantes, apertei, cheguei mais perto. Uma curva, perdi os dois, um deles j� estava bem � frente, o outro talvez desse para eu pegar.
Mais uma subida (n�o sei quantas vezes j� escrevi isso, mas certamente menos do que a quantidade de morros, morrinhos, morr�es e subidinhas) e agora a descida final, l� vou eu. O cara est� longe, n�o d� mesmo.
N�o faz mal. Eu sigo sozinho e vejo, l� na frente, perto da chegada, a Eleonora. Acelero mesmo, abro a passada, levanto os bra�os. Esqueci o maldito sol, a �gua, a terra vermelha, o barro, eu agora s� corria para ela. �Esta � para ti�, ainda gritei e cruzei a chegada, 2h35min35 depois da largada.
Fomos 154 que partimos, 136 chegamos ao final. Quem ganhou foi Joaquim Martins de Oliveira, com 1h13min58. A primeira mulher foi Rosangela Faria, com 1h30min54. O �ltimo foi o her�ico �seu� Gustave Busch, de 74 anos, m�sico aposentado que come�ou a correr depois dos 60 e j� fez at� ultramaratonas de 100 quil�metros por esse mundo afora. Ele chegou correndo, seguido por carro de sirene aberta e muito aplaudido. A ele, minha homenagem e minha admira��o.
Fim
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