| DNF o cacete | ||||||||||||||||||
| Eleonora de Lucena | ||||||||||||||||||
| O sol vinha com tudo, queimava nos costados j� havia mais de uma hora, as pernas se revoltavam contra mais um morro que vinha pela frente e, depois de 11 quil�metros nas montanhas de Parais�polis, nas encostas da serra da mantiqueira, no sul de Minas, eu j� via ao lado do meu nome, na lista de resultados, as letrinhas DNF, da express�o em ingl�s "did not finish", indicando que eu n�o terminara a corrida. Seria a primeira vez, mas que rem�dio? Eu j� alinhavava na mente as desculpas, lembrava que, na minha planilha, o treino do dia era isso mesmo, uma hora e pouco leve e pronto. Argumentava comigo que aquela n�o era minha prova-objetivo, n�o adiantava me quebrar ali e depois perder dias de treino. Acima de tudo, xingava a organiza��o, remo�a a revolta enquanto andava pelas estradas de terra vermelha, ainda escaldantes no meio da tarde do dia 1 de fevereiro passado. E eles eram os culpados! Prometeram sete postos de �gua ao longo dos 22 quil�metros da 3� Corrida da Cidade de Parais�polis. �gua gelada! No in�cio, teve, sim. Mas, quando j� t�nhamos sofrido o sol e os morros, quase chegando � metade da prova, a m�quina falhou. No posto do km 11, a �gua n�o durou at� a chegada dos retardat�rios. E ficamos l�, �rf�os, maldizendo a organiza��o, reclamando, n�o sabendo o que fazer. Eu sabia: se n�o viesse �gua logo, iria desistir. Mas, enquanto n�o parava, seguia em frente. Caminhava, trotava, junto com outros que sofriam a mesma sina. Passou por n�s o caminh�o com a turma da limpeza, recolhendo os copos vazios. Pedimos que fossem pegar �gua, responderam que s� no outro posto. N�o sei o que vencia, se o cansa�o ou a raiva. A boca estava seca, baba branca nos lados dos l�bios. Dali a pouco, tirei a cinta do freq�enc�metro, estava marcando 180 bpm para passinhos morro acima. Chega! |
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| Recuperado, quase chegando.... | ||||||||||||||||||
| Numa subida, um colega desaguado decidiu beber duma vertente. Eu preferi seguir, a organiza��o � que tinha obriga��o de nos garantir �gua boa. E, se o primeiro carro que passasse n�o tivesse �gua, eu pretendia mesmo cair fora. Foi uma ambul�ncia, passou e n�o parou. Logo adiante, ligou a sirene e seguiu. Segui tamb�m, caminhando emburrado, xingando, reclamando, tentando pegar um pouquinho de sombra nas encostas, mas que sombra?: a estrada serpenteava em campo aberto, e �rvores, s� l� longe. No alto de mais um morro, o colega que tinha bebido da vertente na estrada me alcan�ou e passou: �T� morrendo, ga�cho?!� Tudo parecia longe, ainda mais naquele passinho. E l� volta a ambul�ncia, o carona com a m�o para fora, � um copo d��gua. Pego, bebo um golinho, mais um, devagar. E troto para o posto, que, agora, estava mesmo logo ali, como avisara a mo�a da ambul�ncia. Um morrinho abaixo, uma curva, uma sombra: l� est� o posto, no km 13, 31 minutos distante do km 10. Eu fizera dez quil�metros a 6min/km e, depois, outros tr�s a 10min/km! |
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| Continua... | ||||||||||||||||||