| Chuva, frio, foto, fui! | |||||||||||||||
| Estava bem frio e escuro quando chegamos � largada. Mas logo amanheceu e a m�quina fotogr�fica j� estava mais apta a trabalhar. Depois da execu��o do hino nacional -os norte-americanos andam ainda mais patri�ticos e emotivos nesses tempos-, a partida foi aquela confus�o. Achei que tinha fotografado o Rodolfo naquela massa, mas a foto n�o saiu. Chuva fininha, eu tratei de caminhar at� o ponto da pr�xima tentativa de registro. Ficava uns dois quil�metros da linha inicial. Um pequeno grupo, principalmente mulheres e (poucas) crian�as, fez o mesmo trajeto. Fiquei esperando pr�ximo de uma curva e logo os primeiros colocados passaram. A chuva apertou e eu me arrependia de ter esquecido as luvas no hotel. Meus dedos estavam t�o rijos que parecia que eu n�o poderia apertar o bot�o do obturador. Mas deu. Fiz a foto. Queria gritar e fotografar ao mesmo tempo. Fiz as duas coisas. O grito foi alto: VAI, RODOLFO! A foto ficou assim assim. Caminho de volta para a esta��o do metr�. Chuva e chuva. Agora com mais vento. Pego o trem acarpetado e aproveito para ler um pouco. Na esta��o certa, procuro no mapa das redondezas a melhor maneira de encontrar a trilha dos corredores. Eu j� tinha as informa��es b�sicas. Confiro tudo. Um jovem ao meu lado -filho de corredor- faz a mesma coisa. Vamos junto, margeando a auto-estrada at� descer para via secund�ria onde a trilha sai do bosque para uma estradinha. S�o poucos os torcedores al�. Felizmente a chuva dava uma tr�gua e eu aproveito para trocar o filme da m�quina. Consigo me embananar nessa tarefa. Efeito colateral da tens�o. Mas, com alguma ajuda, fica tudo pronto, esperando o Rodolfo passar. E l� vem ele, firme e forte. Faz at� avi�ozinho. Como se tivesse acabado de fazer um gol. Agora eu consigo registrar tudo. Ele atravessa a estradinha e se embrenha no mato de novo. D� para ver de longe os regatos, as pontezinhas rom�nticas de madeira, as folhas coloridas pelo ch�o. O tempo est� melhorando e eu continuo a minha maratona particular. Volto para a esta��o do metr�. O trem fecha as portas e eu come�o a calcular o meu tempo. S� falta eu chegar atrasada na chegada! |
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| Ela tamb�m tem o gostinha da medalha | |||||||||||||||
| Mas n�o. Espero seis minutos pelo pr�ximo trem e logo estou no ponto de chegada. Busco um bom lugar para acompanhar o f�lego final. Fico a uns 150 metros da linha final. Eu e dezenas de mulheres, maridos, pais, filhos, irm�os. A torcida engrossou. Um cheiro de cachorro-quente e de outas especiarias come�a a tomar conta da plat�ia. L� vem ele. Vibrando. Feliz. Euf�rico. Peito inflado, passadas largas e bem erguidas. Bra�os voando. Gargalhando at� nos olhos. Pique total. Grito e fotografo. Ele nem me ouve. Mas viu as minhas fotos. Eu estava l�. |
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| �ndice | |||||||||||||||
| Volta para o relato da corrida.... | |||||||||||||||