Aplausos nos bosques
Segui a regra b�sica: se t� bom e t� quentinho, fica quieto que � melhor pr� ti. E prometi rever a id�ia depois da metade da prova, que completei em 1h58 e mais um tantinho.
Agora as pessoas j� apareciam nas varandas das casas. De longe aplaudiam, outras vinham � trilha. Os volunt�rios que serviam �gua e hidratante nos postos colocados a cada duas milhas eram t�o estimulantes quanto as bebidas, gritavam incentivos, sorriam, repetiam: �Looking good!�, �Great job� e assim vai.
Da metade para a frente, com o tempo firmando um pouco em apenas inst�vel e a chuva parecendo ter ido mesmo embora, cresceu o p�blico. Nunca tinha ouvido o meu nome, que levava escrito no peito, gritado em tantas pron�ncias.�Roudaalfou� parecia a mais comum. Tamb�m gritavam �Brrrziul�, � claro, alguns at� se esguelando como locutores esportivos: �Go, go, Brrrrr�ziuuuuu!�
Nessa altura j� tinha se desfeito a turma em que rodei durante as milhas m�dias. O melhor de tudo � que eles � que tinham ficado, eu seguia. E parecia crescer o n�mero de pessoas que ultrapassava, enquanto ca�a o de corredores que me alcan�avam. Eu estava fazendo for�a para melhorar o ritmo, sentia que estava correndo mais, mas o rel�gio dizia que a m�dia estava caindo para 9min20 e at� mais por milha..
Tudo bem, eu estava me divertindo bastante, estava forte, e l� longe, da marca de milha 18, vi a Eleonora de novo. Abri os bra�os, fiz avi�ozinho, mandei beijinho, tava que era um guri (Leia
aqui o que Eleonora conta sobre suas perip�cias para acompanhar a corrida)..
Chegando � milha 18 firme e forte, correndo e cantando
Mais 500 metros, joguei fora as luvas, finalmente me livrei da capa. E as coxas velhas logo sentiram, o vento agora vinha direto, batia nos quadr�ceps, congelava o suor que tinha ficado armazenado.
�Fiz cagada�, pensei, mas o que estava feito estava feito e pronto, agora era seguir em frente, correr um pouco mais para esquentar.
E nessa brincadeira levei o maior susto. Apesar de a chuva ter parado, em v�rios pontos do percursos havia grandes po�as, que tomavam conta da estrada. A gente n�o tinha alternativa: ou rodava pela �gua ou sa�a da trilha de asfalto e chafurdava na lama do lado, correndo o risco de levar um tombo daqueles.
Em geral, eu preferia ir pelo barro, tentando manter os t�nis pelo menos n�o irremediavelmente encharcados, com a parte da frente menos inundada.
Numa dessas, entrei numa curva com um p� no asfalto e o outro, o esquerdo, que devia chegar tamb�m no asfalto, se foi pro barro.
Senti o p� torcer, dei um berro, levantei o tornozelo, perdi o equil�brio, um sujeito que estava pr�ximo impediu que eu ca�sse e tasquei de novo o calcanhar no ch�o firme, com for�a, para ver se ia doer ou se estava limpo.
Continua...
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