Já estávamos devendo uma entrevista mais atualizada com o Fabinho há tempos, porém com a agenda apertada do "Cába", a mesma não pôde ser realizada anteriormente.
Mas agora, aproveitando suas "férias forçadas", devido a uma contusão na coluna, que tem o impedido de treinar e competir, resolvemos mandar uma série de perguntas para ele, justamente no mês em que o Fia completa sua 37º primavera.
As respostas que seguem, com toda certeza, irão agradar aos que admiram esse grande esportista, que desenhou o "S de BRASIL" nas águas do mundo inteiro!
No mês de agosto é o "Fabinho Fabuloso" quem faz aniversário (Aliás, motivo pelo qual estamos publicando essa entrevista exclusiva), mas quem ganha o presente é você!
Boa leitura. Aloha!!!

Por: Christiano F.Kato


Go Gouveia: Depois de tantos anos, com uma rotina de competições e viagens constates, como está sendo pra você ter que ficar afastado de tudo isso, devido á sua contusão?

FG: Rapaz, é meio estranho, pois por mais que tenha muita saudade de casa e de querer ficar sempre com a família, tá bem difícil ficar vendo o circuito rolar sem que eu esteja presente.
Pelo fato de ainda querer retornar ao WCT e de saber que tenho condições, ás vezes dá um desespero quando fico vendo o tempo passar. Mas tudo na vida é aprendizado e estou tentando tirar proveito disto.
Apesar de estar difícil ficar fora das competições, estou conseguindo manter o foco de minha melhora.


Go Gouveia: O que exatamente tens? Não é uma contusão tão simples assim, não é?

FG: Para uma pessoa que é esportista e principalmente na modalidade surf, é um lance até que não muito difícil de acontecer, pois resumindo, tô com a coluna "véia".
Só estou com 36, porém as macaquices que fiz até hoje aceleraram a idade de minha coluna. Estou com os discos gastos de L3 a S1, porém o mais ferrado é o L5.
Existe uma protusão discal centro - lateral que comprime a raíz nervosa e com isso o nervo ciático fica inflamando. Da primeira vez que isso aconteceu no ano passado, fiquei uns 3 meses de molho até melhorar.
Surfei em Noronha, no Costão do Santinho e na primeira etapa do Super Surf sem maiores problemas, porém estava em 97% por cento curado.
Como passei a ter a vida normal novamente, fui diminuindo a carga de exercícios e aliado a volta as viagens internacionais carregando malas e sacolões de pranchas com 30 kilos, voltei a piorar.
Continuei surfando meio baleado até que travei na Costa do Sauípe e tive de parar novamente. Agora quando eu ficar bom vou saber dos meus limites e minhas responsabilidades com minhas preparações físicas pra que não me machuque mais.
Muitas vezes é com erros que aprendemos.

Go Gouveia: Os medicamentos agem temporariamente. Você pensa em fazer uma cirurgia, assim como fez o Tadeu Pereira anos atrás para solucionar de vez o problema?

FG: Depois que travei no WQS do Sauípe passei a procurar opção de cirurgia. Na real, se eu não fosse esportista com uma obrigação de um calendário de competições a cumprir, não precisaria operar, pois as fisioterapias apesar de resolverem demoradamente, funcionam.
Porém fica a adrenalina de ficar dois a três meses na função da recuperação e de uma possível piora quando a rotina regressar.
Então já consultei dois médicos em São Paulo, 3 em Floripa e um no Rio Grande do Sul. Alguns tem a opção da cirurgia, porém são mais a favor da recuperação através das fisioterapias que são; Acumpuntura, Natação, Hidroterapía com muito, mas muitos exercícios abdominais, RPG, massagens e bolsas de água quente.
Se eu decidir pela operação, a princípio será uma raspagem do disco de L5 como também uma raspagem do canal chamado furamem (nem sei se é assim que se escreve) (NE: nem eu Fabinho...rs) onde o nervo ciático passa.
Se isso acontecer, ficarei de molho 3 semanas pra poder o pequeno corte cicatrizar pra que eu possa recomeçar a hidroterapia. A volta ao surf em si, seria em umas 6 semanas.
Bom, enquanto não resolvo de vez essa parada, continuo firme nas fisíos a semana inteira nos dois turnos.


Go Gouveia: O que tem feito nesse meio tempo em que você não está podendo treinar e competir como de costume?

FG: Dou duas caídas longas nas fisioterapias e quando sobra tempo é pra fazer os afazeres normais de um pai de família.
Tenho filmado meus filhos bastante e escrito as minhas besteiras para revistas de surf e sites de internet.

Go Gouveia: Apesar de ser ruim para sua carreira ficar afastado das competições, tem o aspecto positivo de ficar mais em casa, com a família, né?

FG: Como falei anteriormente, ficar com a família é muito bom, porém se tenho trabalho a fazer, não posso ficar em casa parado. Ás vezes tento relaxar mais e algumas vezes até aproveito o momento, mas a cabecinha volta logo para as competições.

Go Gouveia: Você já tinha tido algum problema físico realmente sério anteriormente?

FG: Sempre me considerei uma cara privilegiado pelas contusões, pois só vim ter uma realmente grave no final da carreira.
Alguns amigos se atrapalharam todo no meio de suas carreiras por causa de contusão, mas eu só tinha tido um tornozelinho ferrado, um joelhinho bichado por uns 4 anos, um cortezinho de 8 pontos na canela em 94, um dedão "cabeça de calango" semi-quebrado por um ano e um sarampozinho besta que quase me derruba ano passado...

Go Gouveia: Você está bem ranqueado no WQS e no Super Surf. Será que vai dar pra terminar o ano entre os primeiros do WQS e tentar defender o título brasileiro?

FG: Rapaz, isso aí ta muito difícil, pois ainda não sei se estarei bem pra próxima do Super Surf que será dia 7 de setembro. Quanto ao WQS, se eu conseguir ir pra última prova da europa que será em Portugal, já está de bom tamanho...

Go Gouveia: Trocando o assunto de pato pra ganso, conte-nos em quais projetos está envolvido atualmente, se é que existem projetos, tais como filmes, publicações, etc...

FG: O projeto é só minha melhora, depois eu vejo o resto. Ainda quero competir uns 4 anos. Vontade é que não falta!

Go Gouveia: Como se deu a sua participação no projeto "Escolha certa - Esporte sem álcool", que visa a prática do esporte de maneira totalmente saudável.

FG: Rapaz, certo dia a pessoa encarregada em procurar os esportistas para o projeto me ligou e falou sobre o assunto. Depois de saber o que realmente era, na hora topei.
Existe o lance do marketing, porém muito mais que isso é o que podemos passar de boa conduta. Sempre fui um cara que procurou dosar as coisas sem deixar de aproveitar nada e foi esse o meu depoimento.
Fiquei muito amarradão de ver a cartilha pronta com a frase de experiência que já passei e que não quero que outros passem.
Certa vez havia tomado umas geladas e no outro dia o mar estava grande, quase me ferro... Resumindo, saiu, "se beber, não vá surfar, se não, vai se afogar"...


Go Gouveia: E seus filhos, já engrenaram de vez nas competições? Os meninos querem realmente seguir a carreira do pai?

FG: Cara, o Ian acho que segue o caminho, porém o Igor penso que não. Ian evoluiu muito por treinar bastante, já o Igor apesar de estar evoluindo, está mais relaxado.
Mas não ponho pressão em nada, apóio eles no que eles quiserem fazer. Claro que se um for bem como surfista ficarei feliz, mas só o fato de todos já gostarem do esporte e de dividirem o line up comigo, já está bom demais.


Go Gouveia: Fia, você tem algum sonho que não realizou, mas que gostaria de realizar? Li uma vez que você tinha os desejos de aprender a shapear, auxiliar na formação de novos atletas, ter uma surf shop...

FG: Já fiz 45 pranchas, porém parei porque estava atrapalhando os treinos e tomava o tempo pra ficar com a família. No futuro pode ser que volte a shapear.
Até cheguei a ficar em terceiro lugar em uma etapa do WCT no Rio de Janeiro com uma prancha que fiz. Foi em um dos "Alternativa Festival" que perdi pro Damien Hardman na semi e a maior galera tinha falado que eu merecia passar.
Depois da bateria vendi a prancha. Precisava fazer a propaganda...Hahahah.
Com certeza sonho em me envolver com outras áreas do surf quando parar de competir, porém só o tempo vai dizer de que forma.
Agora o meu maior sonho é só a melhora das minhas costas e retornar as competições.


Go Gouveia: Com quem você pegou as primeiras noções de como se shapear uma prancha? Teria sido com o Rogério C. Bastos (Custom Surfboards), seu antigo patrocinador?

FG: Foi com Rogério que peguei a manha, porém tudo começou na fábrica de pranchas Swell Lines do meu primeiro patrocinador, o Paulo Bala.
Tem até um depoimento dele no "Fabio Fabuloso"(Filme que conta um pouco da história do Fabinho). Na Swell comecei a consertar pranchas, lixar pranchas grandes e fazer miniaturas para vender.
E por falar em consertar pranchas e fazer as miniaturas, foi daí a grana que comprei meu primeiro carro, um fusqueta 69 café com leite........hahahah

Go Gouveia: Você pensa algum dia em voltar a residir no Nordeste?

FG: Por enquanto em Floripa está dando certo, mas o futuro não sei. Sigo atrás do surf...
Tenho muita saudade do Nordeste e queria estar retornando mais vezes como estava nos meus planos, porém não está sendo possível.
Espero em breve começar a retornar mais vezes. Gosto de dar uma balançada na vida sempre que posso, pois isso gera frutos.

Go Gouveia: Quais são os surfistas profissionais com os quais você tem uma verdadeira relação de amizade? Aqueles que participam ativamente de sua vida, que estão junto de você, além das quedas e competições...

FG: Rapaz, viajei muito com Teco e Piu no começo. Depois vieram Victor Ribas, Renan (Rocha) e Armando Daltro dos que me lembro no momento.
Sávio Carneiro era meu parceiro nos sufaris em Recife. Devido essa vida meio nômade, as amizades aparecem e vão, porém quando a galera se reencontra é festa.
Mesmo estando distante das amizades que faço, sempre procuro manter contato por um e-mail ou telefone mesmo.


Go Gouveia: Já faz algum tempo que você e sua família se mudaram de Recife para Floripa. Já encontrou o que foi procurar por ai? Como tem sido a vida na ilha?

FG: Minha mudança pra Floripa foi perfeita, meus filhos evoluíram no surf e eu também.
Sem contar que fico mais próximo da família e surfo mais, pois em Recife perdia tempo indo até Maracaípe.
Aqui trabalho mais a minha imagem, pois sempre tem alguém de fora fazendo matérias e tem muita gente envolvida no esporte por aqui.
Na época em que vim, o Nordeste estava em baixa nas competições, porém só pra registro, o negócio lá está melhorando novamente.

Go Gouveia: Quais os melhores picos da ilha? Existe algum que seja de sua preferência?

FG: Rapaz, tem muita praia bonita e pico bom por aqui, mas minha onda preferida é o Campeche.
Pense! Tem dia que parece a gold coast. Joaca grande também é muito bom, mas bom mesmo e fazer sessions com os amigos em qualquer praia, desde que esteja funcionando.

Go Gouveia: Fabinho, que tu se amarra em escrever, todos nós sabemos, mas você não pensa em reativar o seu site pessoal? Existem planos para tal?

FG: Mano, plano não tem não, mas taí mais um sonho! Eu adorava escrever e era viciado.
Até dormindo eu sonhava e se acordasse no meio da madrugada ia escrever pra não esquecer o que tinha sonhado no dia seguinte. Comédia...

Go Gouveia: Com quem tem feito suas pranchas ultimamente?

FG: As últimas foram do Mdio (Marcelo Dio), que aliás, tem uma que nem cheguei a passar "parafa".
Minhas pranchas estão novas, pois antes de travar, já fazia mais de um mês que não surfava regularmente.


Go Gouveia: Tem usado algo diferente em suas encomendas atuais?

FG: Minhas pranchas não tem mistério. Achei a melhor forma pra mim quando eu era da Xanadú. Modelo mais larguinho e mais grosso foi o que que acabou se encaixando no meu surf.
Não gosto de fazer força para a prancha andar, prefiro canalizá-la nas manobras e estilo.
Como prancha larga e grossa corre, encaixou perfeito!
De coisa nova, mais que é "veia", usei uma quilha "star fin" outro dia pra testar mas não senti diferença.
Apesar de ser como se fosse um "T", a quilha era a terceira e apesar da forma, era pequena e não deu diferença.
Vou arrumar alguém pra fazer uma quilha maior pra ver se surte efeito...

Go Gouveia: Olhando para trás, o que você tem a nos dizer sobre tudo que já rolou em sua vida e carreira, tais como os títulos conquistados, frustrações, a construção de sua família, amigos, etc...

FG: Primeiramente agradeço muito a Deus por ter me dado este dom do surf e esta vida maravilhosa, com muitos amigos ao redor do mundo e uma família linda.
Nunca planejei muito as coisas, porém sempre me dediquei e foi uma satisfação muito grande ter conseguido títulos e ter vivido do surf até hoje, pois isso era um sonho oculto.
As frustrações passaram batidas diante das alegrias...

Go Gouveia: O surfe já te deu muitas alegrias e te fez o cara respeitado e adorado pelos amantes do esporte que és hoje. Como você pensa em retribuir tudo isso ao esporte?

FG: Cara, ainda não sei ao certo, mas espero um dia ter alguma coisa do meio para apoiar atletas.
Quero me envolver em eventos, porém sem ser meio de vida, mais pelo fato de retribuir e ajudar mesmo. Mas tudo terá sua hora...
Atualmente procuro ajudar na obrigação de passar a boa imagem, atendendo a compromissos diversos.

Go Gouveia: Seu aniversário está chegando. Como anda o gás do Fia? Existe ainda aquela vontade juvenil de competir e conquistar títulos, porém agora aliada a experiência adquirida em todos esses anos de competição?

FG: Estou muito afim de voltar as competições e talvez este tempo que estou sem poder praticar está me dando ainda mais vontade, o que é um bom aspecto.
Só a minha coluna está dizendo que estou chegando aos 37, mas ajeitando a bichinha, o resto ta em cima...

Go Gouveia: Existe alguma manobra que estava treinando e aperfeiçoando para incluir em sua linha de surfe?

FG: Em 2002 treinei muito o tal "Rodeo Clown" (NE: Manobra inventada por Kelly Slater) e aéreos normais de back side, incluindo aqueles 180.
Cheguei a completar um "Rodeo" durante os treinos no WCT 2003 da Figueira da Foz em Portugal e por pouco não caí na frente da onda, fiquei no lip após o looping.
Agora vai ser difícil arriscar mais essas manobras, pois depois que melhorar da contusão, vou ter que aperfeiçoar as que já sei e só Deus sabe se poderei extrapolar...

Go Gouveia: Em quais nomes dessa nova geração brasileira você aposta para o WCT 2007? Na sua opinião, existe algum brazuca com reais chances de um título mundial?

FG: Acredito, se o Neco regressar terá chances se conseguir se concentrar. O Mineirinho ainda vai evoluir bastante e é uma boa aposta.

Go Gouveia: Agora olhando para frente, o que o Fia deseja e pode alcançar?

FG: Quero voltar ao WCT e competir mundo afora até os 40 anos.... Hahahah

Go Gouveia: Valeu Fabinho, é sempre um prazer te entrevistar brother. Que Deus te abençoe e te dê saúde!!! A palavra final é toda sua!

FG: Fera, obrigado por perder seu tempo (NE: Não perco meu tempo, é uma satisfação!) fazendo a divulgação desse "paraíba". Fico muito amarradão de conhecer pessoas como você. É "vóis"!

 
 
>>>Voltar ao topo
 
 
 
 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Go Gouveia - 2006 ® - Todos os direitos reservados

Hosted by www.Geocities.ws

1