Página Inicial Alunos Calendário Sala de Chat Mundo GNTI Links Interessantes Clippings Interessantes Envie sugestões para [email protected]
GNTI.net Página dos alunos de Gestão de Negócios e Tecnologia da Informação - FGV Campinas
|
Videoconferência no rumo da massificação Carolina Ney e Max A. Gonzales Foi preciso quase uma década para que a videoconferência saísse do status de eterna promessa no Brasil para virar uma solução para as massas. Essa tecnologia, que conjuga transmissão de áudio, vídeo e dados em tempo real entre dois pontos remotos, é a concretização do sonho do videofone - aquele aparelho de ficção científica em que você podia ver numa telinha com quem estava falando. Criada em 1991, a videoconferência era inicialmente uma solução de alto custo, bancada apenas por grandes empresas multinacionais para reduzir gastos com viagens de seus executivos. Hoje a tecnologia sofisticou-se a ponto de criar novos mercados: ensino à distância, telemedicina e até bingos. Redução de preços graças à economia de escala, melhora sensível na infra-estrutura de transmissão de dados (incluindo a digitalização da planta), o surgimento das redes privadas, a explosão da Internet, produtos mais eficientes e a definição de padrões de mercado para os protocolos de comunicação são as razões para a indústria esperar pelo boom de vendas. Não só para as empresas, mas também para as pessoas comuns, que receberão imagens no seu desktop, em casa. Perspectivas otimistas Economia de tempo e dinheiro com viagens, além da troca de informações e arquivos em tempo real - sem deixar de ver o interlocutor - , são os principais benefícios dos usuários de videoconferência. A aplicação no microcomputador já é uma solução economicamente viável hoje. Um kit caseiro com placa do tipo Codec (codificador/decodificador), câmera e microfone já pode ser encontrado por cerca de US$ 200 nos EUA. Uma solução corporativa pode ser montada com investimento a partir de US$ 20 mil. “O interesse despertado é cada vez maior. O preço caiu muito e surgiram soluções até para uso residencial”, comemora Wagner Zucchi, diretor técnico da integradora de redes Netsolutions, que entrou este ano no segmento. “Hoje eu quero um trabalho mais cooperado, enviar e receber arquivos enquanto converso e analiso uma planilha. Tenho mostrado a tecnologia para médicos, advogados e professores”, diz Josmar Giovannini Jr., gerente de novos negócios da VTEL Corporation no Brasil. Zucchi diz que não haverá uma explosão de consumo imediatamente. “Ainda é preciso ter uma velocidade maior que os usuais 28.800 bps da transmissão telefônica. Isso limitaria a imagem a 15 quadros por segundo, com um efeito ‘estroboscópico’, o que poderia segurar a popularização da tecnologia”, avalia. Para ajudar na disseminação de tecnologia, até o sistema operacional Windows 98, a ser lançado em junho pela Microsoft, incorporará uma solução de videoconferência. As dificuldades No início da década, a infra-estrutura brasileira de comunicações era esmagadoramente analógica, o custo da digitalização muito alto e havia total dependência das operadoras. Além disso, um sistema de videoconferência podia custar entre US$ 100 mil e US$ 200 mil. “Era preciso fazer muita conta para justificar o investimento e as corporações não estavam muito convencidas disso”, lembra Zucchi. Hoje, o custo ainda é fator de inibição. “A videoconferência encarece a rede, por isso os clientes não a implementam de imediato”, afirma Durval Jacintho, gerente de engenharia da operadora de serviços de telecomunicações Impsat Brasil. “Em 1992, o mercado era simplesmente nada”, conta Deonei Gurjão, gerente de produto da GAP Sistemas de Comunicação. Nesse ano, a empresa lançou as soluções da PictureTel, que detém a liderança do mercado mundial. “Apenas empresas com redes corporativas tinham e, mesmo assim, não queriam gastar com links de 64K, que custavam US$ 10 mil mensais na época, quando não havia serviço comutado”, diz. As primeiras implementações visavam cortar custos com viagens de funcionárias - passagens aéreas, hospedagem, traslados e refeições, sem contar as horas não-trabalhadas na sede. “Em 1991, trabalhava no backbone do Banco Nacional e estudávamos a videoconferência. Havia bancos que lotavam um boeing por dia com funcionários em viagem. Para essas empresas, o pay back (retorno do investimento) era muito rápido”, conta Giovannini. A virada e as soluções A videoconferência amadureceu no meio da década de 90, quando surgiram novos usuários, além das corporações: governo, hospitais e instituições de ensino. A abertura do mercado de telecomunicações barateou o preço dos links de transmissão de dados. A definição de padrões de mercado foi um fator fundamental para a disseminação da tecnologia. A União Internacional de Telecomunicações (ITU, agência da Organização das Nações Unidas) criou os padrões H.321 (videoconferência sobre ATM), H.310 (ATM com compressão MPEG2, com Studio Quality), H.323 (sobre Ethernet) e H.324 (sobre rede telefônica), eliminando a perspectiva de haver um mercado dominado por vários sistemas proprietários. O cable modem é outro pilar que poderá sustentar o crescimento da tecnologia no Brasil, pois trata-se de um meio que casa a capilaridade de instalações em residências com a velocidade de transmissão. Outra perspectiva mais real está no iminente início das operações da Rede Digital de Serviços Integrados, a ISDN brasileira. “Nossa grande dificuldade era o preço, que vai cair mais ainda com a RDSI”, afirma Gurjão. Os players no mercado brasileiro A PictureTel, empresa que fatura US$ 482 milhões anuais e diz ter 60% do mercado global de videoconferência, considera hoje o Brasil o sétimo maior mercado mundial. Presente no país desde 1993, a empresa norte-americana afirma ter 85% do market share nacional, com mais de mil instalações. Entre seus clientes estão Rhodia, Business Center do World Trade Center, Telesp, Petrobrás, Volkswagen, Dupont, 3M, Embrapa e Faculdade de Economia e Administração da USP. Hoje com soluções para redes WAN, LAN e IP, a PictureTel vai lançar produtos para Frame Relay até o final do semestre. A empresa possui também um sistema de diagnóstico e gerenciamento, o software PictureTel Remote. Seus distribuidores no país são Alcatel, Siemens, Network Express e GAP. A GAP, que faz desde o projeto até o serviço pós-venda, vendeu sistemas para Exército, Telesp, Telerj, CTBC Telecom, Ford, Bamerindus e Itaú. A Universidade Federal de Santa Catarina e o Hospital Sarah Kubitschek são clientes recentes, que representam o novo perfil de usuários da tecnologia. O hospital está concentrando seus médicos especialistas na sede de Brasília e faz diagnósticos em pacientes internados nas unidades de São Luís, Salvador e Belo Horizonte. A UFSC está ministrando cursos virtuais de pós-graduação, com suporte obtido por acordo com a Petrobrás. Além da PictureTel, a GAP representa também a solução Apollo VT-2C, da canadense ABL, que trafega via Frame Relay. “É um equipamento interessante para operadoras que oferecem esse serviço, como Embratel e Telesp, além de empresas que tenham suas próprias redes”, afirma Eduardo Garrido, diretor superintendente da GAP. A rede Frame Relay é também a porta de entrada da ImpSat Brasil nesse mercado. A empresa, no país desde 1996, fornece serviços de telecomunicações e possui seis satélites girando na estratosfera e 5 mil estações remotas em terra. “Estamos agregando serviços que o mercado está demandando”, diz Durval Jacintho. A empresa usa o recurso de multiplexação determinística - que aloca faixa de banda específica para cada aplicação, conforme cada momento. Opção por Frame Relay “A videoconferência gasta muita banda. Por isso, aproveitamos a vantagem do Frame Relay”, explica. O serviço faz parte do DataPlus, que trafega dados via satélite no modo single channel per carrier (SPC), com taxas de 64 KB a 2 MB. “Estamos instalando a solução na Ultrafertil”, revela Jacintho. Além disso, a ImpSat oferece o serviço TeleCampus, direcionado para aplicações de ensino à distância, utilizando antenas VSAT. Para isso firmou parcerias com a Stage America (software para gerenciamento de sites e captura de dados), Fleetwood (terminais interativos wireless) e V.A.O. (responsável pelo treinamento dos instrutores). A VTEL Corporation, que tem seus produtos distribuídos no país pela Batik, Wittel e Spectro, trouxe ao Brasil na última edição da Telexpo a família Smart Videoconferencing, um sistema baseado em PCs (200 MHz ou 233 MHz), que incorpora controle remoto, mouse com trackball, câmera e um ou dois monitores de 27 ou 32 polegadas. O segundo monitor é destinado à visualização em tempo real de arquivos (planilhas, textos, apresentações), que podem ser intercambiados por meio de um menu de ícones na parte inferior da tela. A empresa adquiriu recentemente a Compression Labs Inc. (CLI), uma companhia direcionada em transmissão de áudio e vídeo de alta qualidade. No Brasil, reativou suas operações em agosto de 1997, vencendo concorrências nas carriers Embratel, Telebahia, Telemi e Sercomtel. A VTEL participa de um fórum que discute tendências de ensino no futuro na Fundação Getúlio Vargas de São Paulo. A Netsolutions oferece a solução da First Virtual para trafegar sobre redes ATM a 25 Mbps, com alta qualidade de transmissão em WAN, usando banda reservada tal. Para LANs, a empresa trabalha com os produtos da Intel. Um indicador do interesse atual foi a visita de cerca de 150 empresários no estande da empresa na Telexpo’98, que foram espontaneamente conhecer a tecnologia. Um de seus clientes atuais é a Celepar, a empresa de processamento de dados do Estado do Paraná. A Silicon Graphics forneceu solução completa de videoconferência para os Correios (ECT), que abrange, de arrancada, 53 workstations O2 e o software InPerson. O contrato está avaliado inicialmente em R$ 1,6 milhão, verba pertencente ao orçamento previsto para o atual processo de modernização e atualização tecnológica da estatal. A empresa, que disputou com a Unisys e a IBM, venceu a concorrência por meio da integradora Unimix Tecnologia. De acordo com Egydio Bianchi, vice-presidente da ECT, a partir de agora todas as capitais brasileiras terão pelo menos um equipamento servidor de videoconferência para promover a integração das unidades dos Correios com a sede localizada em Brasília. Aplicações variadas O investimento da organização está permitindo também a construção de uma intranet com o objetivo de incrementar o leque de serviços postais oferecidos aos usuários. No Brasil, a Silicon implementou também um dos maiores sistemas de grande porte do segmento de pre-press. A aplicação é da gráfica Burti, que implantou a Transburti, rede aberta de telecomunicação por rádio digital destinada à transmissão on-line de dados, voz e imagens em alta resolução. Conforme divulgado pelo NetworkWorld, na 19ª edição (veja reportagem de capa), a “highway” digital permite, entre outras tarefas, a composição de fotolitos e a criação de anúncios, estabelecendo conexões entre a gráfica, agências de publicidade e veículos de comunicação. Estações Indy, um servidor Challenge e o sistema InPerson da Silicon compõem a estrutura de comunicação da Editora Gráficos Burti. Em ambos os casos, os funcionários podem compartilhar documentos e fazer anotações em tempo real, num quadro virtual com outros participantes da conferência. E é claro: independentemente da localização geográfica. A workstation O2, adotada pelos Correios, integra gráficos 3D avançados, processamento de imagens e vídeo, compressão e um microprocessador MIPS RISC. De acordo com César Monteiro, gerente de desenvolvimento de canais da Silicon, a Telesp implementou o InPerson para a área de treinamento a distância. O executivo não sabe precisar exatamente o valor da transação com a operadora, mas adianta que o contrato envolveu workstations da fabricante. Em Brasília, a Unimix está negociando com o Senado Federal a implementação da plataforma da fabricante. A idéia é propiciar armazenamento de declarações e discursos dos congressistas e detalhes sobre as votações. A aplicação não se classifica como videoconferência pura, mas utiliza recursos do sistema para eliminar o arcaico processo de taquigrafia, até hoje utilizado com o objetivo de registrar os conteúdos. “Se quiser, poderá utilizar videotape. Uma hora de imagem será gravada em 650 MB, volume que corresponde a um CD”, detalha o executivo. Os problemas advindos da falta de sincronização entre as imagens e as falas podem ser resolvidos - explica Monteiro -, com a ação do software. Ele trunca e realiza a integração dos elementos da comunicação de forma parcial. “Envia menos quadros por segundo, mas não deixa de transmitir a voz em tempo real”, acrescenta. O InPerson só é comercializado como ferramenta da solução Silicon na versão para Unix. A modalidade para Windows NT, informa, chegará no segundo semestre do ano em curso. Não há interesse de lançar um release destinado á operação em redes baseadas no sistema operacional de redes da Novell, o NetWare. “A decisão é fruto da escolha de standard do mercado”, justifica. A Silicon Graphics tem um domínio forte no setor de animação e uso de vídeo, usuário tradicional de soluções voltadas para Unix e, mais recente e fortemente, NT. “Somos indubitavelmente líderes no mercado corporativo de grande porte”, afirma categoricamente. As estações de trabalho da indústria já vêm com câmeras embutidas, o que configura ainda mais a solução como “pacote” e não “prateleira”. O programa é proprietário, ou seja, não roda na plataforma PC ou quaisquer outras que não sejam os equipamentos da própria fabricante. A preocupação com o segmento de redes NT advém, seguindo as palavras de Monteiro, da estratégia de abraçar “todo um nicho que está sendo voltado para o sistema da Microsoft”. De acordo com o IDC, em 98, o mercado mundial absorverá 640 mil estações Unix (Sun, DEC, Silicon, IBM e HP, entre outras), contra 1,4 milhões de unidades que rodarão o NT. A projeção aponta que, embora a diferença do volume financeiro dos negócios, haverá um “equilíbrio de forças” no próximo biênio. O Intel ProShare Conferencing Plus Package, que recebeu melhorias, no final de 1997, mal chegou ao mercado brasileiro e já está sendo utilizado pela Universidade de São Paulo (USP), no campus de São Carlos, e pelo Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), em São Paulo. Outra arrancada forte do produto, apesar não ainda comercial, é a homologação - pela Telemig, Telepar e Telesp - da versão RDSI, testada e aprovada a partir dos “ensaios” das operadoras. Os usuários finais, corporativos ou residenciais das localidades atendidas por essas teles poderão se beneficiar com as futures da solução, viáveis na rede digital. A videoconferência com o Intel ProShare roda em Windows NT e 95. “Não portamos para Unix ou NetWare”, esclarece Mílton Isidro, gerente de tecnologia da subsidiária brasileira da Intel. O kit completo - uma placa, software e uma câmera de vídeo - sai por US$ 2 mil, preço sugerido. É vendido por LAN ou ponto. “Continua a oferecer recursos de conferência de dados, vídeo e áudio em linhas telefônicas ISDN e intranets corporativas”, enfatiza. O pacote de upgrade, incluindo o programa e a opção de headset profissional custa US$ 179,00 nos Estados Unidos. Entre os aperfeiçoamentos, destaca-se secretária eletrônica com imagem em vídeo, recurso adequado para empresas com escritórios espalhados pelo mundo, onde os fusos horários internacionais podem impedir as comunicações comerciais em tempo real. “Agora, os usuários deixarão mensagens de vídeo, uns para outros, em qualquer lugar e momento”, completa. Alocação de banda O produto é destinado somente para RDSI ou LANs que operam às velocidades de 10 e 100 Mbps. Isidro recomenda uma rede Fast Ethernet e a largura de banda de 320 Kbps, ocupada pela videoconferência para trafegar voz, dados e imagens. “Cada usuário novo aloca mais 320 Kbps para conversar simultaneamente”, observa. Não é possível o uso de modems na videoconferência propiciada pela Intel. O software permite conexões utilizando os protocolos de redes IPX/SPX e TCP/IP, ambos em LANs. Não se conhece os motivos, mas pouca gente sabe que a 3Com está neste segmento. O BigPicture Kit, anteriormente fabricado pela US Robotics, chegará ao mercado com upgrade para o modem de 56 Kbps (padrão V90), memória flash e câmera com placa de captura. O básico (câmera e placa) custará cerca de US$ 400,00 e o VideoPhone, que inclui ainda software, não tem preço definido no Brasil. A fabricante não informou o valor até o fechamento desta edição. A implementação que menciona como exemplo é a aplicação em suas próprias unidades. A intenção é estabelecer conexões a 64 Kbps entre os escritórios do Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Curitiba. Neste caso, o sistema operacional de redes é o Netware. Sônia Emi Sato, network consultant da subsidiária brasileira da indústria, explica que pode operar também sobre Windows NT e 95. “Foi concebido para redes de pequeno e médio portes”, salienta. Um dos grandes entraves, comenta Sônia, é a baixa qualidade da linha de comunicação. O retorno é deficiente. Continua o “gap” entre emissor e receptor da mensagem em meios convencionais, como a Web. “Em canais dedicados, o gargalo da velocidade é menor. Nas WANs, por exemplo, além de videoconferência, as corporações trafegam também dados”, analisa a executiva. É preciso, segundo ela, priorizar dados críticos porque outras informações e e-mails passam pelo mesmo link da aplicação. A Prolink Multimedia oferece o kit PixelView Meeting PAK, destinado à comunicação em rede. O pacote traz câmera e placa de captura de vídeo; aplicativo VDOPhone 2.0, da VDO Net Corporation; microfone; cabos de conexão; e manual em inglês. Custa cerca de R$ 370,00, com impostos. A placa digitalizadora, modelo PV-BT848 com barramento PCI, opera a 30 quadros por segundo. Futuro mais do que otimista Gurjão prevê que o mercado de videoconferência para PCs vai aumentar muito, graças à queda de preços e ao advento da RDSI. “Quem comprará sistemas não será apenas a grande corporação, mas também a média empresa, profissionais liberais como advogados, universidades e hospitais”, antevê. Para Zucchi, a popularização é inexorável: “A videoconferência ainda vai criar massa crítica. Quando é uma coisa que todo mundo usa, você não pode deixar de ter. Ela terá seu momento de penetração no mercado, vai tornar-se usual, e passará por um ponto de inflexão, quando o sistema será uma necessidade social, como o telefone”. |
Topo Voltar Menu Clipping