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   Página dos alunos de Gestão de Negócios e Tecnologia da Informação - FGV Campinas

 

TERCEIRIZAÇÃO : tarefa difícil , mas não impossível.

A terceirização ou subcontratação, como também é conhecida, parece-nos uma prática relativamente nova e difícil tarefa de ser empreendida. Na América do Norte as primeiras terceirizações aconteceram nos anos oitenta. Alavancaram a terceirização algumas grandes organizações que consideraram a produção em linhas de montagem um processo obsoleto.

O processo de terceirização vem se expandindo pelo mundo em todas as áreas e tipos de serviços os mais diversos. No Brasil a situação não é diferente. Os mesmos problemas e as necessárias adaptações estão desafiando empreendedores na busca de soluções.

As macro organizações desenvolveram sistemas tecnológicos, funcionais, administrativos e jurídicos sofisticados, em decorrência, tem elaborado contratos com os terceirizados, nem sempre de forma perfeita, ética e completa.

Os prejuízos que as pequenas e micro organizações brasileiras têm contabilizado por inadequação dos relacionamentos terceirizados devem ser considerados muito preocupantes.

A terceirização encontra-se numa fase primária, o que resulta em problemas não corretamente analisados e os prejuízos decorrentes não são estatisticamente contabilizados.

No sul do país, onde há uma industria mais moderna, organizada e melhor estruturada, os relacionamentos com os terceirizados ainda não alcançaram níveis éticos aceitáveis.

A globalização da economia, tem forçado empreendedores a um ajuste às vezes tão drástico, que tais medidas têm alcançado os pequenos e micro empreendedores pela terceirização, levando-os à falência e extinção precoce em massa. Esses heróis parceiros, tem caído em série como pedras de dominó.

Os micro e pequenos empreendedores, pelas limitações e desconhecimento da conjuntura econômica, sentem-se eufóricos ao terceirizarem determinados serviços. Os custos impostos não consideram a realidade de seus parceiros. O antigo sistema que propiciava um país de fronteiras comerciais fechadas, não funciona mais. Os bancos, que também não se adaptaram aos tempos de globalização, ao socorrerem esses infelizes empreendedores terceirizados, pelos altos juros e condições que praticam, acabam matando-os de vez. Os problemas continuam em série: juizes trabalhistas dão o tiro de misericórdia nestes heróis desta economia tresloucada, arrancando-lhes máquinas e equipamentos – instrumentos e ferramentas que propiciavam postos de trabalho, e a manutenção do empreendimento.

Muitas terceirizações são realizadas sem o respaldo de contratos legais. Pior ainda, muitos contratantes exigem que os seus terceirizados incluam no produto final, custos dos demorados e onerosos processos de Produtos & Desenvolvimento.

Desenvolvimento de produto requer investimentos que não podem sequer ser estimados em seus custos na maioria dos casos. Há contratantes que sequer oferecem para seus parceiros menores, plantas, projetos e detalhamentos dos produtos fornecidos pelo terceirizado. Muitos exigem até que os terceirizados financiem a produção, como se fossem agencias bancárias oficiais de desenvolvimento.

Algumas organizações de bom nome não desenvolveram nem mesmo departamentos específicos de relacionamento com terceirizados. A esmagadora maioria está submetendo seus parceiros aos analistas ou departamentos de compras.

É surpreendente o prejuízo a que a Nação está sendo submetida pela carência de normas de conduta que amenizassem os danos. A inadimplência de um, gera quebra de outros, que por sua vez deixam de pagar fornecedores, que dispensam empregados e desviam dinheiro de impostos para pagar pesados encargos na justiça trabalhista, onde a mesma desconhece o sistema terceirizado, cooperativo, consorciado, entre outros. Uma tormenta de equívocos sem fim............

É chegado o momento da sociedade empresarial brasileira discutir o tema TERCEIRIZAÇÃO em seminários, debates e conferências. Os resultados servirão de subsídios aos legisladores. Novas leis devem regulamentar as parcerias e a ética nas contratações.


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