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GNTI.net Página dos alunos de Gestão de Negócios e Tecnologia da Informação - FGV Campinas
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Nota Técnica Ano III nº 119 03.11.98 Editor: Eurico Schwinden FMI manda. FHC obedece. E o Congresso só faz figuração (Jornais e tevês já falam até em desastre, mas como se fosse obra de uma fatalidade, não da incompetência deste Governo) Os formadores de opinião - âncoras de telejornais, comentaristas econômicos, editorialistas devem estar vivendo algum problema de consciência. Mesmo tendo sido comprados a custa de renúncias fiscais ou de sociedades em consórcios da Banda B, eles se afundaram demais na mentira do Plano Real. Eles sabiam desde o início que o plano era recessivo e iria destruir a economia brasileira. Sabiam que o Brasil iria quebrar, como de fato quebrou. Como e por que quebrou. Sabem os nomes dos responsáveis pela quebra. Eles sabem que não está havendo nenhum "ajuste fiscal", mas apenas um assalto ao bolso de assalariados, aposentados e micros e pequenos empresários para cobrir um rombo. Eles não sabem bem o tamanho do rombo, mas sabem que pode ir de US$ 30 bilhões a US$ 120 bilhões. Sabem que o FMI sempre deu as cartas por aqui, mas que agora está mandando o Congresso, a sociedade brasileira e todos os seus cães de guarda às favas. Inclusive eles. Sim porque se esses formadores de opinião valessem jornalisticamente tanto quanto insinuam que valem já teriam tido acesso a um copião da carta de intenções que o Brasil já assinou para poder continuar mendigando a ajuda do FMI. Não. Eles continuam reproduzindo falas surrealistas de FHC, Malan e outras figurinhas menores. Aliás é surpreendente como está quieto o gênio dos juros altos, Gustavo Franco. O presidente Cardoso vai para a televisão e fala de um desastre como se não fosse ele o causador. Alguém se lembra o que prometia o então ministro do Planejamento, Antonio Kandir, para quem desse a reeileição de FHC: crescimento do PIB de, no mínimo, 9%. O homem está solto, mesmo quando seus coleguinhas de Governo já admitem crescimento zero: ou seja, atraso, retrocesso. Triste fim para os gênios da modernidade. É humilhante para a - soi disant - grande imprensa não saber nenhum detalhe importante do que foi acertado com o FMI. Nem mesmo o nome dos negociadores foi revelado. Mas aos poucos, os burocratas que fizeram parte da equipe de subserviência começam a abrir o bico. Um deles, o secretário executivo do Ministério do Planejamento, Martus Tavares, revela que até o dia 4 de dezembro, o Executivo tem que enviar ao Congresso uma Lei de Finanças Públicas. De acordo com esta lei, exigida pelo FMI, o ministro da Fazenda ou do Planejamento ou seu correspondentes nos Estados e municípios são intitulados "autoridades fiscais" e responsáveis por quebradeira do jeito que aconteceu com a turma de Malan e companhia. Em meio a este cenário onde a regra de sobrevivência é o cinismo, a mídia vai continuar ouvindo o presidente do Congresso Nacional, senador Antonio Carlos Magalhães, que conhece bem o ditado: "manda quem pode, obedece quem tem juízo". Nesse caso, ACM e sua turma, farão apenas figuração. Isso não quer dizer que não ocuparão grandes espaços na mídia para falar abobrinhas. FHC e Malan ainda têm o desplante de ironizar os congressistas: "podemos negociar deste que o resultado seja o mesmo". FHC tem juízo: o resultado é aquele que o FMI determinou. E ponto final. |
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